Não É Natal Sem Você.

2 Uma conversa com você.


Notas iniciais
Oi gente, agora que eu voltei da casa da minha tia e tenho internet, eu vou tentar escrever um por dia, e terminar na véspera de Natal, o que acham? Estou aberta conselhos

''Fui até o quarto de Quinn, perguntar se ela não queria me ajudar. Parei a porta e bati.

Sem resposta.

Entrei do mesmo jeito.''

-Quinny? Querida, você esta acordada?

- Sim, eu estou. -Ela se virou para mim, e me olhou de um jeito vago. Como se não houvesse nada dentro dela. Como se eu fosse um estranho no onibus que pediu para ela ceder o lugar dela.

Notei que ela ainda estava de pijama. Pensando bem, ela não havia descido para tomar café. Sentei-me no cantinho de sua cama, observando-a de cima.

Ela tinha cabelos curtos e louros. Ela costumava a tingir as pontas de cores diferentes, para quebrar o padrão das líderes de torcida. Por Deus, como ela estava magra. Eu conseguia ver sua escapula se contraindo quando ela respirava. Eu toquei seus cabelos por um momento, e ela virou a cabeça para mim. Notei a tristeza em seu olhar, e o desapontamento por sua outra mãe não estar lá.

-Querida, eu sei que sente saudades da Brittany, da sua mãe. Eu não consigo imaginar como é isso. Mas ela não gostaria que você ficasse assim. Já é muito dificil para ela ficar fora. Você sabe como era o feriado favorito dela.

- Eu não estou com saudades. — disse ela sentando repentinamente.- Não mesmo- respondendo ao meu olhar inquisitivo- Eu só estava com um pouco de sono.

Eu ri e fiz um cafuné em sua cabeça. Lembrei de uma coisa e comecei a coçar suas orelhas. Era uma coisa que Brittany fazia, para anima-la, porque ela só sentia cócegas nas orelhas.

Primeiro ela começou a rir, e depois se jogou de cara no colchão, com as costas de contraindo e retraindo. Eu continuei, achando que ela continuava rindo. Apenas parei qunado ela começou a gritar

-Pare com isso!- vi que seus olhos haviam se enchido de lágrimas- NÃO TOQUE EM MIM. Só a minha MÃE pode fazer isso em mim.

Ela poderia ter me dado um tapa e eu ficaria menos chocada. Acho que o fato de eu sempre levar tapas em Lima Heights ajudaria um pouco.

-Mas... — eu senti que minha voz saia mais baixa do que nunca- eu também sou sua mãe... No dia que eu e Brittany fomos te adotar nós escolhemos juntas, em votação unanim...

- NÃO QUERO SABER. EU QUERO ELA.

Eu não conseguia levantar minha voz, e nem ao menos brigar. Me senti como aqueles velhos gordinhos e que são expulsos e levados para asilos, só porque não conseguem se cuidar sozinhos.

Ergui minha mão para acariciar seu rosto. Pois tudo que eu queria era abraçar ela e falar que tudo ficaria bem. Nós conversariamos, e no final nos dariamos um último abraço, e desceriamos as escadas de mãos dadas. E quando nos perguntassem se estava tudo bem, nós diriamos que sim.

Mas ela repeliu a minha mão se afastando. Eu senti que as lágrimas poderiam vir a qualquer instante, então dei meia volta e sai do quarto.

Desci as escadas, e quando estava passando pela árvore de Natal, esse ano enfeitada com fotos nossas. Dei um olhada contra minha vontade, e vi algo que liberou em lágrimas todo o bolo em minha garganta. Uma foto, a primeira que tiramos depois que adotamos a bebê Quinn. Eu e Brittany seguravamos seu corpinho frágil, mas falizes do que nunca. Artie estava no chão sorrindo como nunca tinha feito antes, feliz por ter alguma compania.

Fui para a cozinha, deixando algumas lágrimas escaparem solitárias.

Enquanto eu fatiava em pequenos cubos o KaniKama, ouvi pequenos passinhos atrás de mim. Eu me virei e vi Mike, me olhando confuso.

Virei-me rápidamente, para limpar os olhos e sorri para ele.

- Tudo bem garotão?

- Não.

Eu me preocupei, o coração mais apertado do que nunca. Eu queria TANTO que Brittany estivesse aqui...

Fiz me de tola, ajoelhei no chão a sua frente, para ficar da altura dele e perguntei:

-Porque Mike? Porque não esta bem?

- Uma das minhas mamães não estão aqui, e não vai ganhar presente do papai Noel.

- Eu sei, é horrível. Mas o papai Noel vai deixar o presente dela aqui e ela vai abrir daqui cinco meses, quando ela chegar- tentei dar um sorriso, mas não consegui. Era dor demais, até para alguem que cresceu com gente maldosa.

- E tem mais.

- Mais?

- Sim e é algo muito pior.

Arregalei meus olhos e o levantei no meu colo. Olhei para as fendas asiáticas que eram os olhos dele.

- O que é pior? Você esta se sentindo mal? Fique quietinho que vou chamar o médico.

- Não, não...- disse ele, com suas mãos pequenas se contorcendo e apertando o ar.

- O que é então Mike?

- É que você esta triste.

- Não estou não filho...

-Esta sim mama. Eu vi você chorando e... e...

- Sim?

- Bem, eu sei o que esta sentindo. Seu coração e dentro do seu pescoço estão apertados como se você tivesse engasgado com algo muito grande. Sei também que seus olhos ardem querendo deixar a água passar.

Segurei-o apertado e eu o abraçei como nunca. As lágrimas caindo como nunca haviam.Ele virou para mim, o rosto a menos de alguns centimetros de distância. Ele beijou a ponta do meu nariz e pediu:

- Não chore mamãe. Mama não gostaria que fizer isso.

- Mama não gostaria que fizesse isso.

Ele riu, sem dar muita importância.

- É verdade. Ela não gostaria.

-Eu sei,- disse, tirando uma das mãos de suas pequanas costas e limpando os meus olhos.

- Eu te amo mamãe. Artie, Rachel e até Quinn te amam.

Eu funguei

-Sei disso.

- E a mamãe também te ama.

Eu sorri, e disse '' e eu amo todos vocês mais ainda.''

Então deixei-o no chão e lhe entreguei duas cenouras.

-A outra para Rachel, esta bem?

Ele saiu correndo, louco para dividir com sua irmã.

Eu estava definitivamente mais feliz do que antes. Mas eu estava com saudades. Pensei em ligar para o campo, mas sabia que o chefe de Brittany brigaria com ela, então fiquei quieta. Vigiei as panelas por alguns instantes, só reparando se estava queimando.

Eu sabia que não podia fazer aquilo sem Brittany. Mas seria nescessário. E era o que eu teria que fazer

Notas finais
Eu sei que esse capitulo não esta muito bom, e que não teve nem um pouquinho de Brittana, mas no próximo vai ter. Muito.