Não É Natal Sem Você.
3 Memories
Notas iniciais
Santana:
Eu sentia o cheiro do peru de natal assando.
Eu lembrava de tantas coisas no Natal... Minha familia nunca tinha comemorado o Natal. Então, como conheço Britt desde os sete anos, sempre comemorei o Natal com sua familia. Eu lembrava de ir sua à sua casa todos os dias de dezembro para enfeita-la com tudo que Brittany queria.
Eu lembrava de usar um suéter dela quando eu tinha doze anos. Lembro de sentir o cheiro de rosas nele. De sentar ao seu lado assistindo uma maratona de desenhos que ela gostava, enroscadas de baixo do cobertor. Eu lembrava vagamente de ter deixado ela adormecer com a cabeça no meu colo. Eu gostava de lembrar que eu abracei ela com carinho naquele momento, sem perceber que estava apaixonada por ela. Eu adormeci, e ambas acordamos no dia seguinte, no quarto. Ela ficara inquieta em saber quem tinha sido. ''Acho que foi o seu pai...'' eu disse, certa disso. '' ISSO. FOI O PAPAI NOEL!!!! Ele provavelmente pediu para a sininho emprestar seu pó mágico.'' ela gritou. ''É... deve ter sido.''
Sacudi a cabeça com um sorriso, me lembrando que eu viviaem outra época, em uma época onde havia muitas preocupações, e onde havia um peru precisando ser colocado em banho maria.
Feito isso, fui até a biblioteca, onde Artie riscava em um papel.
Artur era um menino inteligente, com cabelo cortado retinho e com óculos de aro grande. Ele era magro e muito alto. Ele realmente era uma mistura entre a beleza oculta de Artie- o antigo, que hoje estava trabalhando ensinando crianças com deficiencias fisicas a dançar- com a altura de Finn- que hoje estava casado com uma ruiva tão alta quanto ele, que joga baseball na segunda liga-.
- Artie, você quer fazer o purê de batatas? Ninguém sabe fazê-lo como você.
Ele se virou para mim com um sorriso. Algo que esquentou mais ainda meu coração depois da choradeira.
- É claro. Você me ajuda, certo?
Assenti, sorrindo, indo até ele. Olhei por cima de seu ombro e vi um livro grosso de matemática e outro de capa grossa vermelha, cheia de glitter. Eu me lembrava vagamente dela, mas preferi não perguntar. Ele também não comentou nada, então decidi puxar o assunto em outro momento.
- Esse livro de matemática é da sua escola?
- Não. Aluguei ele da biblioteca da cidade. — ele escondeu um sorriso de orgulho. Nerd. Há alguns anos atrás eu zombaria dele e de suas roupas arrumadas e estampadas. Mas hoje em dia eu amava ele. Poderia fazer qualquer coisa por ele.
- Jura? E para qual nivel ele é?
- Hmmmm... Bem, ele é para universitarios, mas não é algo complicado.
- Para você. Só de ver tantos ''xizes'' e '' erres'' eu fico tonta.
- É um pi mama.
- Oh... É claro que é. Eu só estava brincando. — Não estava não? O que era um Pi? Por algum acaso eu tinha aprendido isso? Acho que não.
Ele riu e me abraçou. Colocando o braço para eu me apoiar ao redor de minha cintura, nós fomos como se gingando em direção a cozinha.
Eu descasquei as batatas enquanto ele ia me ajudando a cortar os legumes.
- Não sei porque temos que fatiar os legumes. As únicas pessoas que comem eles são Rachel e Quinn. E Quinn não come o suficiente nem para manter um pássaro vivo. E Rachel realmente não gosta. Ela só esta pensando em como ela poderia ter um corpo bonito quando crescer.
Eu sorri de leve, sem resposta àquilo.
- Quer dizer, não que vegetais e coisas assim sejam ruins. Mas eu trocaria todos por um bom pedaço de bolo. Aliás, vai ter bolo? Porque seria uma boa não acha?
- Sim, ele esta na geladeira. Mas nem pense em raspar o glacê de novo. E nem conte para Mike ou Rachel. Se eles pensarem que tem doce, nem vão comer o jantar mesmo.
- Certo...
Passamos um tempo em silêncio enquanto trocavamos de postos, ele fatiando as batatas, cortando em cubos, em tiras e amassando-os e eu fazendo um pouco de arroz com nozes.
- Hmmmm... Mãe?
- Sim?
- Quando você e mamãe se conheceram?
- Quando nós tinhamos... Hmmmm... Sete anos talvez? — parei para pensar um instante- Sim, quando nós tinhamos sete anos. Porque?
- Ah, curiosidade. É que vocês nunca contaram nada para gente. Sabe, de quando vocês se casaram e coisas assim.
Olhei desconfiada para ele.
- E porque a curiosidade repentina? Você nunca quis saber. Eu acho.
- É que... Bem, eu achei um livro de fotos recentemente, e são vocês desde pequenas. E, ah sei lá, a curiosidade bateu. Não precisa contar se não quiser.
- Bom, eu e sua mãe nos conhecemos com sete anos, e fomos melhores amigas desde então. Acho que eu sempre fui meio apaixonada por ela, mas nunca percebi, ou algo assim. Anos depois nós nos casamos.
- Legal...
Artie era um menino curioso e extremamente óbvio. Estava na cara que ele não tinha a curiosidade saciada.
Eu estava relutante em contar, porque nossa história de romance não era o que se chamava de fácil e sem censura.
Ele cortava, fatiava e espremia em silêncio as batatas. Eu suspirei e olhei para o relógio. O jantar só começaria em mais ou menos cinco horas. Infelizmente dava tempo de sobra para contar tudo.
- O que quer saber?
- Bom, você não precisa me contar se não quiser...
- Eu quero.
- Se tem certeza- senti a manipulação em sua voz. Que o inferno o tenha, Santo Deus, esse menino era terrível. E genial na verdade. Ele me lembrava muito eu mesma.
- Eu tenho.
- Bom, você poderia me contar tudo o que lembra.
Eu dei uma risada.
- Tem coisas que eu prefiro cortar. A maioria na verdade.
- Sexo?
Eu arregalei os olhos.
- V-v-você sabe o que é isso?
- Mama, caso você se lembre, eu já tenho dezessete anos, e participo de aulas de doméstico e planejamento familiar.
Deus. Ah meu Deus. Holly Sweet Heaven.
- Hmmmm... Certo, mas mesmo assim eu vou cortar essas partes.
Ele riu e levantou as mãos.
-Tudo bem, eu também não preciso saber disso.
- Certo, é assim que se fala. Bom, por onde começo?
- Quando vocês ficaram... Mais próximas? Como amigas?
-Bom, eu sempre passava o Natal na casa dela, o que sempre quis dizer que estavamos próxima. Eu cuidava dela, porque ela era... Muito inocente, se você entende.As epssoas gostavam de abusar dela.
'' Ela me ensinou a dançar, e nós entramos para as Cheerios juntas. Isso quando tinhamos por volta de doze anos e ainda torciamos para o time de Hóquei.''
''Eu que dei o famoso Lord Tubbington para ela. Um mês depois, eu estava em uma festa do pijama com ela, e eu acordei mais cedo, e fiquei observando ela acordar para podermos tomar café da manhã, Então ela mexeu o nariz, daquele jeito que parecia um gatinho. Eu fiquei lá observando que nem boba ela acordar''
Naquele momento, eu continuei contando, imaginando a cena em minha cabeça.
Ela levantou os olhos sonolentos para mim, e comentou que o nariz estava coçando. Eu falei que ela havia ficado fofa fazendo aquilo com o nariz. Ela imitou e eu ri. Ela se aproximou de mim(ela tinha uma cama de casal que repartiamos), e beijou de leve a ponta de meu nariz empinado. Eu senti um leve tremor nas minhas pernas e decidi ir para frente. Avancei para cima dela e beijei sua bochecha de leve. Ela olhou para mim sem muita certeza e eu assenti. A gente foi se aproximando e nossos lábios se tocaram.
Seus lábios me lembravam algodão. Algo suave com com gosto doce.
-Hmmm... Mãe? Você parou de falar há um tempão esta tudo bem?
Inventei a história mais casta que consegui imaginar rapidamente.
- Nós... bem, nós nos beijamos com dezessete anos, na Igreja.
- Na Igreja? Mãe, isso não é proibido?
- Eu troquei as palavras com parquinho.
Ele fez uma cara de desconfiado, mas ficou quieto.
Eu conseguia lembrar de tudo. Do sangue pulsando, de sentir minhas bochechas esquentarem, de sentir um tremor caloroso que ia do meu abdomem até os meus joelhos. Eu lembrava de fechar os olhos e aspirar o cheiro forte de seu shampoo de Kiwi, e de sentir sua lingua rodar quente dentro da minha boca. Quando nos separamos nós nos olhamos meio assustadas e começamos a rir como loucas.
- Foi aí que me apaixonei pela sua mãe.
- Certo...
Ele ficou quieto com seus pensamentos, me deixando tempo para lembrar mais.
Nós juramos não contar a ninguém sobre aquilo. Nós costumavamos a nos encontrar com mais frequecia para fazer aquilo.
- E mãe... Quando vocês se casaram?
Eu comecei a rir loucamente. Era uma boa memória, essa.
- É uma história engraçada. Bem, nós nos formamos e fomos fazer faculdade. Ela de dança e eu de psicologia — em parte por culpa de todo o bulliyng que cometi e sofri-. Nós dividiamos o dormitorio. E estavamos comento comida indiana, ouvindo um radiozinho, quando anunciaram que casamento gay estava aprovado nos Estados Unidos.
'' Na mesma hora, sem nem trocar nenhuma palavra, nós pegamos nosso vleho carro e dirigimos sem nem ao menos parar no meio do caminho para beber água. Fomos de Lima até Las Vegas. 2. 005 quilometros. Demoramos um dia e dez horas.
Mas assim que chegamos nós nos casamos. ''
- Uau. Então o casamento de vocês foi meio impensado, não acha?
- Quando você é tão próximo de uma pessoa, não existe essa história de impensado. Você tem com essa pessoa uma propria gravidade. Se essa pessoa se mexe, mesmo que dois centimetros, você também se move. Pensa as mesmas coisas. Então não havia outra coisa para se fazer.
Ele sorriu, mil pensamentos por hora. Virou-se para passar azeite na massa de batatas.
E eu me perdi novamente nos meu próprio mundinho.
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