Na segunda, Chloe tentou entrar rapidamente na escola sem ser vista. O que não funcionou muito bem pois foi logo interpelada por Tomás:

— Chloe, o que houve? Sumiu o resto do final de semana inteiro. Eu te liguei várias vezes e você não atendeu.

— Eu sei Tomás. Eu sei.

— Por favor, precisamos falar sobre o que houve. Não quero ficar nessa angustia.

— Tudo bem.

Se sentaram em um banco próximo:

— Eu, realmente não sei o que aconteceu na festa. Você estava tão linda. Chloe estou deveras confuso. Venho pensando em você há um tempo. Não sei ao certo desde de quando. Você me conquistou, com esse seu jeito sincero, você me vê de verdade. Até ciúme de Ethan já senti.

— Tomás... eu, você sabe. Dei um tempo. Sofri muito por Ethan e...

— Ainda sofre Chloe, pensa que não vejo.

— Então... eu não sei se ainda estou pronta para amar de novo.

— Por que não me da uma chance, posso fazer você esquecer, não era bom quando estávamos juntos? Você mal se lembrava dele.

— É... mas também tem Freya.

— Freya? Namoramos a dois anos atrás, por favor Chloe. A verdade é que você tem medo da Freya.

— Como é?

— È verdade. Sempre fazendo as vontades dela. Talvez você seja amiga, mas Freya tenho minhas dúvidas.

— Como pode falar isso. Não sabe nada sobre nossa amizade.

— Sei, que Freya brilha, tem tudo que quer, na hora que quer. E você a sombra dela, sempre para evitar conflitos perdendo as coisas pois tem medo de falar.

— Isso afinal é sobre você ou eu.

— Nós dois Chloe, não vê?

De repente Freya chega como um furacão empurrando Chloe:

— Ah! Ai está você. A falsa.

— Do que está falando Freya?

— De perguntei várias vezes se havia algo entre você e Tomás. E você fingindo de besta. Logo comigo Chloe?

— O que? Não! Não há nada entre eu e ele.

— Só troca de saliva, eu vi no baile Chloe, ninguém me contou.

— Pelo amor de Deus Freya foi um mal-entendido.

— É impressionante, agora eu vejo, você sempre teve inveja de mim.

— Como é?

— Sabe que Tomás foi meu namorado. Adora meus restos não é mesmo?

— Você tá viajando Freya. Para com isso.

— Quer saber, foi bom saber com quem estou lidando agora. Adeus Chloe.

Freya saiu pisando duro deixando Chloe aturdida com tanta besteira:

— Você viu isso?

— Vi Chloe? E acho triste.

— Claro! Ela tá doida.

— E você fraca.

— Como?

— Isso mesmo que ouviu. Mais uma vez, deixou Freya pisar em você como se tivesse roubado um objeto de capricho dela. Ela te acusou de várias formas e você nem pra se defender, sempre para evitar o conflito. Não vê que se escondendo assim, sempre vai perder as coisas que quer. Ethan, Freya, e agora eu. Não sei Chloe, acho que você gosta de sofrer.

Tomás saiu deixando Chloe para trás. Chloe sem reação não sabia mais o que pensar...

Os dias passaram se arrastando, e a semana esportiva chegou com tudo. Times de futebol e volêi alvoroçados correndo pra cima e pra baixo entre treinos e provas. Tomás com a desculpa certa, manteve distância de Chloe na esperança de que ela repensasse e tomasse alguma atitude, mesmo que não fosse a favor dele.

Chloe também manteve distância. Depois do acontecido, tentou manter a calma. Equilibrar seus pensamentos afim de tomar a melhor decisão. Estava confusa e com os pensamentos embaralhados, nessa hora nem mesmo o coração ajudava. Não tinha dúvidas que amava Ethan. Mas ele já havia deixado claro que não correspondia do modo que ela queria. Tomás havia se declarado deixando claro que poderia faze-la feliz, e talvez esquecer Ethan. Mas pensava em Freya. Estava Claro que ainda gostava de Tomás, senão não reagiria desse jeito, ela conhece a amiga. Não podia negar que apesar da briga, sentia muita sua falta. Parecia que estava em um poço sem fundo. Se sentia muito sozinha. Mas algo dizia que não era para ela se abater.

O dia dos jogos chegaram, Chuvoso e frio. Quiseram adiar, mas os times concluíram que isso não iria atrapalhar. Tomás se preparava para entrar em campo, enquanto os alunos se acomodavam nos lugares cobertos. Chloe se acomodou em baixo de uma tenda onde ficava o gol, e tinha a visão mais ampla da quadra.

A partida já se iniciava com os jogadores se posicionando em campo. Realmente a chuva não parecia atrapalhar e eles se espalharam pelo campo esperando o juiz apitar. Feito o ato, a bola rolou pela poça d’água onde recebeu o primeiro chute voando com velocidade para os pés do outro jogador.

E assim a partida se seguiu com os times dando seu máximo para alcançar a vitória. Entre tombos e esbarrões conseguiam levar a bola a rede, para felicidade ou desespero de alguns.

Chloe roía as unhas, mesmo que não entendesse muito do jogo, torcia para Tomás. E a cada pancada que levava, fazia expressões engraçadas fazendo suas colegas ao lado rirem.

Parecia que o jogo estava chegando ao fim. Estava empatado e o time que marcasse esse último gol, seria o dono da vitória naquela partida. Em meio de muita tensão, quando menos se espera, um jogador ágil consegue encerrar o jogo fazendo o time de Tomás vencedor.

Em uma explosão de alegria da torcida, invadiram o campo para comemorar junto com seus colegas pulando uns nos outros em uma baderna geral. Tomás entre abraços e empurrões, avista Chloe em pé, ao lado de uma das traves. Seus olhares se cruzam, e quando Tomás se virava para sair do campo, Chloe começou a correr em sua direção em meio a água e abrindo caminho entre os outros. Chegou perto e de um salto se agarrou a Tomás, dando –lhe um beijo inesperado, e correspondido na mesma intensidade.

Em meio à multidão de colegas, ficaram ali curtindo o momento, como se só houvesse os dois.


{...Que faço com meus lábios

Se me pedem teus beijos

Que faço com minhas mãos

Quando suplicam tua volta

Que faço com minhas noites

Que faço com meus dias

Que faço com tua essência

Que faço com o seu cheiro que se mistura com o meu?

Me diz o que eu faço...}

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.