Náufragos
6 Capítulo 5 - A Ilha
Notas iniciais
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Acho que não demorou muito para chegarmos perto da tal ilha, a correnteza realmente havia nos levado para lá. Saímos da água puxando o bote para a areia. Demos uma boa olhada para ver se não havia ninguém na praia e infelizmente constatamos que ela era deserta, mas ainda havia o fato de que existia um bosque dentro da mesma e podíamos estar errados.
Por fim decidimos não investigarmos e esperar na praia mesmo pelo resgate, não queríamos correr o risco de ir procurar alguém e acabarmos virando comida de canibais.
Eu só esperava que a ajuda chegasse logo, porque eu não sei se sobreviveria muito tempo perdida e muito menos sabia se sobreviveria ao lado daquele arrogantezinho apático, pois eu tinha vontade de pular no pescoço dele a cada cinco minutos. E depois eu que era a irritante. Como ele pode ter tanta certeza que irão salvá-lo? Porque tendo aquele temperamento é meio difícil acreditar que ele tenha amigos, e que Kami me perdoe, mas acho que nem a mãe dele o aguenta.
Acho que se eu ficar mais de um dia nesse lugar com ele vou pirar.
Eu nunca pensei que diria isso, mas eu invejo Brooke Shields por se perder juntamente com Christopher Atkins em A Lagoa Azul, ele pelo menos era um mel ao contrário desse meu colega aqui. Não que eu queira ter algum tipo de relação com ele, longe disso, muito longe mesmo! Mas o que me incomoda é que ele nem ao menos se prestou a me agradecer por eu ter “Salvado a VIDA dele”, o que quer dizer que ele além de mal educado é mal agradecido também.
Eu o fitei com canto do olho e ele parecia passível e relaxado, parecia que nem estávamos perdidos em uma ilha no meio do oceano. Ouvi minha barriga roncar, sinal de que eu estava com fome. Não sei se o barulho foi muito alto, mas ele se virou para mim e me perguntou se eu estava com fome. Era óbvio que eu estava; dããã minha barriga roncou. E pela primeira vez vi que ele se preocupava com algo, e me espantei por isso, acho que ele é do tipo de pessoa que só demonstra alguma emoção em situações extremas, fora isso ele era um poço de frivolidade.
– Vou buscar algo para comermos, tente acender uma fogueira, está frio.
Ele saiu antes que eu sequer pudesse protestar. Agora estava tudo explicado, eu iria ficar com a tarefa mais difícil, era por isso que ele se “preocupou” com a minha fome, muito experto ele, devo admitir.
Andei até achar alguns gravetinhos e duas pedras, pelo que eu vi em filmes acho que serviria.
Meia hora depois...
– Droga! Nos filmes parecia tão fácil... – eu maldizia enquanto batia uma pedra na outra a fim de produzir alguma faísca. — Isso era trabalho para àquele baka!
É, já fazia muito tempo que aquele homem insuportável foi procurar algo para comermos e ainda não voltou, ao certo vai ficar escondido até eu conseguir fazer a fogueira aí depois ele aparece só para não ter que fazer isso. Mas pensando bem, do jeito que ele é, seria bem capaz dele voltar, me chamar de inútil e magicamente fazer sair fogo do meio dessas pedras.
Meus braços já estavam doendo após a milésima vez em que eu atritei as pedras, acho que foi por esse motivo que uma delas saiu voando da minha mão e caiu dentro do bote, que estava na areia.
Nessa hora fechei os olhos e inspirei fundo enquanto minha mente repetia “Mantenha a calma... mantenha a calma... mantenha a calma...”. E foi o que eu fiz. Me levantei e fui pegar a maldita pedra. Aquilo havia virado uma questão de honra pra mim.
Me inclinei sobre o bote e peguei a pedra, mas ao me levantar meus olhos captaram um objeto que me permitiu até mesmo sorrir.
– Um sinalizador! –disse não conseguindo conter a emoção.
Paradinho ali, amarrado ao bote, estava um belíssimo sinalizador náutico, daqueles que se aperta um botãozinho e dispara um monte de faíscas que podem ser vistas a quilômetros de distância. Ele era vermelho e eu amaldiçoei por não tê-lo visto antes. Aquela com certeza era a minha salvação.
– O que está fazendo? – o-oh! O chato de galocha já voltou.
Olhei para trás e o vi colocar algumas frutas no chão e depois vir em minha direção.
– Achei um sinalizador! – disse enquanto chacoalhava o objeto, tamanha era a minha alegria.
– Hn, me dê que eu disparo. – ele disse estendendo a mão.
Você pode ter achado que eu entreguei o sinalizador, ele o lançou e alguém que estava nos procurando o viu, nos achou, nós fomos embora e vivemos felizes para sempre – longe um do outro é claro -, mas na verdade não foi bem isso. Existe uma coisa chamada curiosidade e outra chamada vingança, bom acho que foi isso que eu senti quando eu disse um claro “Se você não é capaz de fazer uma fogueira e tem que pedir para uma garota fazer isso, digo o mesmo para lançar esse sinalizador”. E depois de dizer isso eu posso dizer que cometi o maior erro da minha vida, tá não foi o maior, porque o maior foi ter me atirado na água para salvar um estranho, mas os dois erros corriam lado a lado, bom como eu ia dizendo foi um erro porque eu facilmente ativei o sinalizador, mas com um pequeno detalhe, ele estava ao contrário e quando eu o ativei ele simplesmente foi em direção ao bote. O incendiando.
– Olha o que você fez sua idiota! – ele gritou frustrado passando as mãos pelo cabelo, eu vi a fúria em seus olhos.
“Ele não te chamou de idiota! Ele não te chamou de idiota! Ela não te chamou de IDIOTA”. Idiota, era isso que eu era, se eu tivesse deixado ele disparar aquele maldito sinalizador... Mas não, eu fui ridiculamente estúpida e egoísta, me deixando levar pelo extinto de vingança.
E eu finalmente cedi ao quinto passo de “Cinco Passos para Lidar com Situações Extremas”: chorei. Acho que dava para formar outro oceano com as lágrimas que saiam dos meus olhos. Dizem que chorar lava a alma e pelo tanto que eu chorei acho que a minha estava imunda.
Só parei de chorar quando senti mãos desconhecidas se instalaram nas minhas costas e sentir calor humano.
Eu havia recebido um abraço.
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