Náufragos

5 Capítulo 4 - Perdidos


Notas iniciais
Sem mais delongas...

OoOOoOOoOOoOOoOOoOOoOOoOOoOOoOOoOOoOOoOOoOOo

Senti os fracos raios solares batendo contra o meu rosto e um enorme cheiro de salinidade adentrar minhas narinas, enquanto me sentia leve, como se estivesse sendo levada por ondas. Abri meus olhos e não podia acreditar. Pisquei repetidas vezes para ver se não era um sonho. Não podia ser verdade, eu estava em um bote salva-vidas no meio do oceano?


De repente flashes da noite anterior me vieram à cabeça: a festa no Iate, o rapaz loiro e mal educado, ele caindo no mar e eu pulando para salvá-lo... Por Kami! Não pode ser! Eu não posso estar perdida no meio do oceano!


Olhei para o lado e constatei que o rapaz arrogante da noite anterior estava ali também, mas estava dormindo. Resolvi me vingar e comecei a chacoalhá-lo de forma bruta:


– EI ACORDA! – gritei.


– Agora não mãe, só mais um pouquinho. – disse sonolento se virando para o outro lado.


– Eu não sou sua mãe! Acorda vai! – coloquei minha mão para fora do bote pegando um pouco de água e jogando nele.


Ele pulou assustado e começou a gritar comigo.


– Quem você pensa que é garota? — falou com a voz carregada de ódio.


– Quer que eu realmente fale? Porque se não fosse por mim você teria virado comida de tubarão. – disse irônica.


– Garota irritante! – arrogante!


– Se eu sou irritante você é um hipócrita! – eu explodi.


Ele parou de falar quando reparou o local onde estávamos, ou onde não estávamos devo dizer.


– Olha eu não quero brigar com você agora, tá legal?! Primeiro eu quero sair daqui, onde estamos? – ele disse muito calmo.


– Você é cego ou o que? Não vê que estamos perdidos no meio do oceano? – me apavorei.


– Hunf! Dá pra parar de ser irritante?– ele bufou- Eu não queria estar aqui com você e aposto que você não queria estar aqui comigo.


– Nossa você leu meus pensamentos – levantatei as mãos e revirei os olhos só para tentar aliviar meu pavor.


– Será que dá para colaborar? – ele disse segurando nos meus braços e me fazendo olhar em seus olhos.


Eu não tinha reparado nos olhos dele até aquele momento. Um estava azul e o outro era tão escuro quanto uma obsidiana.


– Usa lentes?


– Hã? – ele me pareceu confuso


– Seus olhos eles estão um de cada cor – disse apontando.


Não sei porque, mas aqueles olhos negros me lembravam os de alguém, mas não sei quem.


– Esquece isso. Vamos nos importar com o que realmente interessa. – bom aquilo me interessava a julgar que ele podia ser um maníaco procurado internacionalmente e que estava disfarçado – temos que dar um jeito de sair daqui e rápido. – sério? — Alguma ideia?


– Hm... – esqueci do meu pensamento maluco sobre ele ser um maníaco. Tentei imaginar algo que pudesse nos tirar de lá, mas não fazia ideia do que – Não, nada e você?

– Nenhuma também. Mas é só esperar, com certeza virão atrás de mim.


– Como pode ter tanta certeza que virão atrás de você? Por acaso é alguma celebridade muito importante? – ironizei e para o meu espanto pude o ver arregalar os olhos.


– N-não. – ele gaguejou?- mas meus amigos perceberão que eu desapareci e com certeza irão me procurar.

– É você tem razão. Espero que Tenten faça o mesmo ao invés de ficar procurando o tal do Sasuke Uchiha pelo Resort. – eu disse a ultima parte mais para mim mesma.


Ele me pareceu ficar espantado com isso e depois disso ficamos em silêncio olhando para lados opostos. O que acho que não demorou muito, porque eu avistei algo próximo ao bote que eu sinceramente preferia não ter visto.


– UM TUBARÃO! AHHHHHHHHH!


– Onde? — perguntou assustado.


– Ali! – eu disse apontando desesperada. Eu com certeza não queria virar comida de tubarão.


– Hahahahahaha – eu ouvi a risada debochada dele.

– EI! – gritei — Nós estamos prestes a ser devorados por um tubarão e você fica dando risada! – dei um tapa de leve no braço dele.


– Não é isso sua idiota – vou ignorar o idiota – olha bem, não é um tubarão.


– Hã? Como não? – eu disse e olhei na direção da barbatana exposta.


Eis que surge um golfinho. Maldição não era um tubarão! Não acredito que passei a vergonha por causa de um golfinho.


– Hahahahahaha – ouvi-o rir ao meu lado novamente.


– Não tem graça – emburrei – poderia ser um tubarão!

– Mas não é!


– Afe! – revirei os olhos e voltei a olhar para o horizonte, me concentrando ao máximo para não transparecer todo o meu medo de estar perdida no meio do oceano. Eu aprendi em uma revista de relacionamentos os “Cinco Passos para Lidar com Situações Extremas”; tudo bem que era para encontrar o namorado ideal e afins, mas nada me impede de adaptá-las. Aqui estão:

1ª: ter calma, por que assim você consegue pensar mais facilmente no que pode fazer;

2ª: respirar, porque o cérebro recebe mais oxigênio e você pensa mais rápido em uma solução;

3ª: pensar, até porque se não pensarmos é porque estamos mortos;

4ª: esperar e pedir a Kami que te ajude, porque milagres podem acontecer;


Ah, é mesmo tem a quinta, que na verdade eu estou com muita vontade de por em prática agora: chorar.


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Acho que ficamos sem nos falar por mais ou menos umas duas horas, embora eu não tenha um relógio aqui, calculo que seja mais ou menos isso, quando ele finalmente se pronunciou:


– Olha ali! — ele apontou para uma direção.


– O que tem? – eu perguntei, porque não via nada.


– Parece que tem uma praia ali.

Eu forcei um pouco mais a vista e pude perceber que realmente havia uma praia a mais ou menos uns 200 metros.


– O que vamos fazer? – perguntei.


– Vamos esperar, provavelmente a correnteza nos levará para lá.


– Tudo bem.


Acho que pela primeira vez eu me entendi um pouco com ele, mas algo me dizia que não seria sempre assim.



OoOOoOOoOOoOOoOOoOOoOOoOOoOOoOOoOOoOOoOOoOOo


Notas finais
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