Náufragos
4 Capítulo 3 - Festa
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Como eu havia previsto Tenten passou a tarde toda procurando o tal do Uchiha pelo Resort, e por sinal não achou nenhum vestígio dele por lá.
Já eram oito da noite e eu já estava preparada para dormir, já que naquele lugar não tinha nada para fazer, no caso dos funcionários. Ouvi o barulho da porta sendo aberta bruscamente e em seguida um gritinho histérico de Tenten:
– Você ainda não está pronta?
– Pra que? – falei um pouco sonolenta.
– Como pra que? Para a festa no Iate oras! Vamos se levanta e vai se trocar! – ela disse autoritária.
– Ah Tenten, não quero ir...- eu disse fazendo manha.
– Como assim não quer ir? Sakura nós aceitamos esse emprego para nos divertirmos lembra? Não vai me dizer que vai querer ficar dormindo o dia todo?
– É justamente isso!
– Ah mais não vai mesmo!
Dito isso ela veio até mim e arrancou minha coberta e meu travesseiro.
– Tenten me devolve!
– Nada disso! Vai logo tomar um banho enquanto eu pego uma roupa pra você! E vê se não demora porque eu preciso tomar banho também!
Vencida pela insistência eu fui me arrumar, mas eu preferia mil vezes a minha cama à festa. Quando sai do banheiro fiquei de boca aberta com a roupa que Tenten tinha me escolhido.
– Eu não vou usar isso! – disse apontando para a roupa em cima da cama.
– É claro que vai! Toma- disse me entregando.
– Onde você arrumou isso? – disse enquanto analisava as roupas.
– Numa lojinha na beira da praia, lá tem cada roupa...- seus olhos brilharam — e até ganhei um descontinho.
– Tá Tenten que seja. Mas não acha que tem muito pouco pano aqui não?
– Sakura tá calor, além do que a festa é num Iate. Para de frescura e veste logo!
– Tá bom – revirei os olhos.
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Já eram nove e meia da noite quando chegamos no Iate. Como a festa era reservada a funcionários havia mais ou menos umas 50 pessoas.
No convés tinha uma pista de dança toda iluminada com um globo de espelhos onde várias pessoas dançavam ao som de uma música bem agitada. Andando mais um pouco fui parar no casco do barco onde havia mesas com aperitivos e bebidas e me perguntava se aquilo tudo era só para meros funcionários.
Parei de andar e admirar o lugar assim que Tenten me disse que ia dar umas voltas. Traduzindo: ela tinha achado um cara que achava gatinho e ia tentar tascar uns beijos nele até o final da festa, então boa sorte pra ela né? Pelo menos assim ela esquecia o Uchiha e não me metia em encrencas.
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Acho que já fazia duas horas que eu estava sentada num banco que tinha na proa olhando para o mar, mas como estava tudo um breu era a mesma coisa de estar olhando para o nada. O Iate já estava um pouco longe de praia e eu podia sentir a brisa gélida do litoral bater diretamente contra o meu rosto. Iria matar Tenten, aquela roupa que ela tinha me escolhido não era nada quente.
Na verdade acho que da próxima vez que eu falar que vou matá-la acho que vou mesmo, eu só prometo, prometo e prometo e ela sempre dá um jeito de se safar e me meter em outra enrascada.
Percebi que havia um rapaz encostado no parapeito do navio como se estivesse passando mal, e ele realmente estava. Fiquei observando por poucos segundo e logo tratei de ir ajudá-lo.
A minha maior surpresa foi o fato de que esse rapaz era o mesmo que eu tinha trombado de manhã. Espera aí, se ele está aqui é porque ele também é funcionário não? Como ele pôde me esnobar daquele jeito se ele também era um funcionário?
Deixei minha raiva um pouco de lado e fui até ele, e além do mais que modo mais fácil de se vingar de alguém que te esnobou do que o ajudando?
– Tudo bem com você? – eu disse tocando no ombro dele o fazendo se virar vendo que ele estava praticamente verde por causa do mal estar.
– Eu pareço bem? – ele perguntou seco.
– Grosso! Eu só queria ajudar...
– Me ajuda se você parar de falar por um minuto que for. Irritante! – Irritante? Esse garoto só podia estar de brincadeira! Quem ele pensava que era pra me chamar de irritante? Ah, mas ele ia ouvir poucas e boas...
– Escuta aqui seu metido a filinho de papai, você não é melhor que ninguém não ouviu? E ...
Porém antes que eu terminasse de falar o Iate deu uma sacudida violenta – devido à força das ondas- e tudo o que ouvi depois foi um Splash! Quando olhei para baixo percebi o que ele havia caído no mar. Droga!
Tudo bem que ele merecia levar uma lição para parar de ser esnobe, mas morrer afogado ou ser comido por um tubarão era um dos piores castigos que devia existir, se não fosse os piores.
Olhei em volta para ver se tinha alguém para me ajudar, mas aquele local estava deserto. Me deixei levar pelo desespero e quando dei por mim já tinha pegado um daqueles botes salva vidas que enchem sozinhos — que estava pregado numa das paredes da embarcação- e o tinha lançado no mar.
Qual não foi a minha surpresa ao sentir a água gelada contra minha pele. Sim, eu pulei junto com o bote. Em poucos segundos eu já estava na água, me segurando em uma das bordas e tentando achar o garoto no meio daquela escuridão.
Senti algo puxar a minha mão e quando dei por mim eu já estava dentro do bote. Senti um alivio ao ver que o rapaz loiro e esnobe que havia me puxado para lá. Salvei a vida dele, mereço ir para o céu!
Não sei exatamente por quanto tempo eu fiquei procurando ele, mas foi o suficiente para o iate se afastar. Tentamos gritar e remar em direção a nossa embarcação de origem, mas estávamos longe demais. Estava cansada demais para continuar a gritar como uma louca e acabei adormecendo. Tenho que admitir que não preciso de Tenten para me meter em confusão.
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