Nárnia - Recomeço
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Muito tempo se passou desde que Nárnia foi destruída. Aslam e todos os seres que já viveram em Nárnia, foram viver na Verdadeira Nárnia. Mas só os seres que mereciam.
Esse mundo estava acabado, estava como antes de Aslam criá-lo. Uma escuridão imensa, mais parecida como o vácuo. Sem começo nem fim. Mas algo estava começando a acontecer, uma luz vinha surgindo ao extremo norte, mas não era uma luz acolhedora, como a de um sol, era uma luz estranha, azul, que lembrava as trevas e solidão. Em vez de surgir um imenso leão dourado, surge um vulto alto, que pela silhueta denomina-se uma mulher. Mas não era uma mulher normal. Ela era muito alta comparada as de atualmente. Começou então, uma musica, mas se parecia com o som de trinta serrotes velhos. A mulher foi andando contra a luz que vinha do norte, portanto não se podia ver o rosto dela.
Então, por fim, a mulher parou, e com isso, a luz e a horrível musica ficaram mais forte. Qualquer pessoa que estivesse lá, não suportaria aquele som, pois ele entrava de você e atiçava o seu maior medo, levando você ao extremo desespero. A luz foi indo mais ao sul, e começou a irradiar para todos os quatro cantos. E o que se via, era desolador.
Imagine a cidade que você vive. Agora veja ela toda destruída. Em seguida acrescente um pouco de terra, água e ossos de estranhos animais. Por fim, coloque uma nevoa que você só vê em filmes de terror. Aquela nevoa maligna, que você sabe que esconde algo por trás dela. Era assim que o mundo novo parecia.
A mulher foi andando ate pegar um osso no chão. Ele era maior que o corpo dela, e parecia ser muito pesado também. Mas ela o pegou com a maior facilidade. Vemos agora que ela definitivamente não era humana. Com o osso ainda na mão, ela o jogou com a maior força que pode para Oeste. O osso foi praticamente uns dez quilômetros a frente. Assim que o osso tocou o chão, começou crescer uma coisa estranha. Parecia o fim do corpo de um enguia. Era azul-eletrico, e assim que alcançou um metro de altura, começou a se contorcer todo. E o que aconteceu a seguir foi uma das coisas mais sinistra de se ver em toda a vida. O rabo foi crescendo, e o que estava acontecendo era que um bicho estava saindo de costas da terra. Como uma minhoca muito burra, só que azul e com 100 metros de comprimento. Assim que a cabeça do bicho saiu, percebeu-se que se tratava de um monstro marinho, bem das profundezas, porque os olhos do bicho eram leitosos, como se fosse cego. E só animais profundos têm esse tipo de olho. Percebeu-se também que ele um predador. Porque as suas presas eram do tamanho de homem com altura média.
A mulher até aquele momento não demonstrou nenhum espanto. Demonstrava até prazer, orgulho de que um bicho desses andasse, ou melhor, rastejasse, sobre suas terras. Sem mais demoras, a mulher foi pegando mais osso e tacando para trás. Por fim, quando se virou ao terminar o trabalho, ela viu montes e montes de bichos horrendos. E se você imaginou que aquele primeiro bicho era estranho, é porque você não viu os outros. Tinha de todas as cores, mas em vez de deixá-los exóticos, os deixava mais pavorosos ainda. As cores só intimidavam mais ainda (como se fosse possível).
Por fim a mulher se virou para o sol. Qualquer criança que já conheceu Nárnia antigamente, ficaria com raiva daquela mulher. Porque ela era a Feiticeira Branca.
Vocês devem estar pensando, “como essa mulher esta ai?” “ela não morreu?”. Sim, ela morreu, mas não podemos negar que ela era, ou melhor, é uma feiticeira. Então mesmo que Aslam tenha a matado, ela deu um jeito de voltar. Não sei como, mas quando descobrir, eu prometo contar.
Mas enfim, descobrimos que a mulher maligna é a Feiticeira Branca. Beleza. Então ao criar os monstros marinhos, ela deve ter percebido que eles eram, bom, marinhos. E o que ela fez em seguida foi ir para Leste. Só que ela teve que parar depois de uns dez minutos de caminhada. Pois se precipitava um precipício tão fundo, mas tão fundo, que a escuridão lá embaixo era muito densa. A Feiticeira então com um movimento de mãos, fez jorrar água salgada de ambas as suas mãos. Mas era uma quantidade exultante, mas mesmo assim era pequena comparada a profundidade do precipício. Mas devia ter mais magia na água, porque em poucos minutos, o precipício profundamente profundo, virou um precipício de altura razoável. Com outro abano de mãos, os monstros marinhos viraram água e escorreram para o mar. Lá embaixo viraram monstros novamente.
Sem perder tempo, a mulher voltou ao centro daquela terra devastada. A aparência tinha melhorado um por cento. Os ossos tinham ido embora, e a nevoa estava dissipando-se. Agora, só o que estragava a vista, era uma terra morta. Então a feiticeira fez a musica ir mais rápido, e pareceu que mais serrotes tinham se juntado a banda. Na terra começou a crescer plantas. Mas não eram normais. As gramas não eram verdes. As arvores não tinham tronco marrom, e copa verde ou cheia de flores coloridas. Na verdade era como se ainda tudo estivesse morto. No inverno, vemos as coisas tudo feias, sem cor, mas ainda vemos que é só uma fase e a vida colorida voltará. Naquele lugar não. As plantas tinham cores doentias, opacas, como se estivessem morrendo, mas você sabe que não irão morrer porque são daquele jeito mesmo. E mais uma vez o desespero atinge você. A Feiticeira nem por um momento parou um pouco e pensou se era daquele jeito mesmo que ela queria. Não, ela só foi agitando as mãos como se planejasse aquilo a muito tempo (o que eu não duvido muito. Antes, ela só colocou o inverno em Nárnia, porque aquilo era obra de Aslam. Agora que aquela terra nasceu de suas próprias mãos, ela fez o que bem entendia.)
Ao terminar com a terra, ela olhou para o céu. Ele era negro, sem nenhuma estrela, e a única coisa que brilhava, era como um sol, que lembrava mais uma anã-branca, com a luz um pouco malévola. Mas ela não mudou nada.
- Aqui em minha terra, só existirá escuridão e trevas. – disse alto a Feiticeira, como se decretasse alguma coisa.
Então ela se virou para o sul e gritou:
- Venham companheiros da escuridão e das trevas. Vocês que foram renegados pelo esnobe Leão, terão uma melhor realeza. Juntem-se a mim criaturas! – Com a mão abertas como se fosse receber alguém com um abraço caloroso, ela fez surgir um portal negro, de onde saíram todos os animais que não se juntaram a Aslam na Verdadeira Nárnia. Os animais olhavam para os lados, alguns assustados, outros curiosos e outros ainda tranqüilos, como se esperassem aquilo desde que nasceram. E antes que o portal se fechasse, saíram de lá aproximadamente uns trinta anões, que correram direto a Feiticeira Branca e começaram a saudá-la. A Feiticeira olhou esnobemente para as criaturas e respirou fundo e em seguida, exalando triunfo.
- Decreto a todas as criaturas dessa terra que Nárnia está de volta! – Ela escolheu o nome de Nárnia, porque ela não superou que algo saísse se suas mãos tão facilmente. Desde então ficou obcecada por aquela terra. – Meus súditos, digo agora que viverão para sempre todos que forem frutos dessa terra. Vocês serão eternos para servi-me eternamente.
Com essas palavras, ela tombou a cabeça para trás e começou a gargalhar. Uma gargalhada bem típica daquelas madrastas malvadas de conto de fadas, que ecoou por toda a terra.
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