Mútuo

5 Capítulo 5


Um jazz soava ao fundo, alguns homens jogavam nas mesas de sinuca e era com Law que Zoro estava no bar aquela noite. O tatuado bebia uma cerveja, era o sexto copo e não mostrava indícios de embriaguez. Talvez não fosse tão parecido assim com Sanji, como havia pensado naquela manhã em que ele dividiu seus onigiris.

Zoro estava triste por mais uma vez sair com Law, embora não acontecesse nada demais nesses encontros. Mas como Sanji passou a sair com frequência, o marimo decidiu não ficar só no apartamento imaginando “coisas” que seu amigo poderia estar fazendo com quem estivesse naquele momento. Portanto, sempre recorria a Law e embora tivesse outros amigos, ele era o único que o fazia se lembrar de Sanji.

— Por que está deprimido? — Perguntou Law, percebendo que o colega estava mais quieto que o normal. — Sanji sumiu de novo? Por isso me chamou?

O esverdeado ergueu os olhos das suas mãos inquietas para olhar os olhos cinzas de Law e depois ao redor, aquele bar era onde sempre ia com Sanji nas sextas. Isso, antes dele desaparecer.

— Sanji faz o que ele quiser. — Murmurou, embora pensasse que Law o achasse um doido sádico.

— Eu não entendo... por que resolveram morar juntos?

— Porque seria mais barato dividir as despesas.

— Sim, mas você não imaginou uma situação dessas acontecer no futuro? — Law deu mais um gole em seu copo depois de notar os olhos de Zoro se abrirem como se ele tivesse tido uma súbita clareza. — Você pensou que ele não ia te “trair”?

— “Trair”?! — Repetiu e forçou um riso nada convincente. — Eu já disse, Sanji faz o que ele quiser!

Law revirou os olhos e soltou um suspiro. — Eu acho que isso não funciona mais, Zoro. Não estamos nos conhecendo agora.

Zoro coçou o olho incomodado e até pensou em ir ao banheiro, mas ele sabia que Law estava certo. — Sim, estou com ciúmes.

— Admitir é progresso. — Respondeu, enquanto via o esverdeado ainda agitado na sua cadeira, nem ao menos bebia e ele já havia notado que seu colega gostava muito de beber. — Me diga, Zoro, você não acha que o pai de Sanji já sabe que ele é gay? Digo isso porque as pessoas notam quando somos diferentes.

— Sim, desde que o sobrancelhas era uma criança. — Murmurou com o olhar de volta às suas mãos inquietas. — Mas então ele tentou “curar” o Sanji.

— Você quer dizer, na verdade, que ele passou a bater no Sanji, certo?

— Sim.

— Isso é comum, aconteceu o mesmo comigo.

— Sinto muito.

— Mas esse encontro é tudo, menos sobre mim. — Disse e retomou a falar de Sanji. — O pai dele o obrigou que se reprimisse, mas parece que ele cagou pra isso e você que acabou sendo atingido.

Zoro enrugou o cenho um pouco confuso.

— Você deveria vê-lo frequentemente machucado, né? — Law sabia que os dois eram amigos de infância e achou possível Zoro ter presenciado algo estranho.

Um calafrio subiu a espinha do marimo ao se lembrar de um dia que Sanji teve o braço quebrado pelo seu pai. Law notou que ele ficou pálido e encheu um copo de cerveja.

— Beba um pouco. — Ofereceu.

Zoro virou o copo e depois respirou fundo, suas mãos tremiam ainda mais.

— Pelo seu estado de só ter se lembrado, mostra que foi mais atingido que o seu melhor amigo e esse deve estar agora dormindo com outro homem sem peso na consciência. Por que se esforça tanto, se é inevitável? Não estaria você reprimindo o Sanji, ou então, você mesmo? Não vai trazer mais problemas e nem menos problemas se vocês dois ficarem juntos.

— Eu mesmo. — Zoro disse pra si, seus olhos piscavam e Law pensava que havia tido outra clareza súbita. — Você faz psicologia?

— Eu faço medicina e paro pra ler Freud às vezes.

— Foi uma ótima ideia eu ter te contatado em vez do Luffy!!!! — Zoro se sentia aliviado e resolveu encher seus copos com a cerveja que restava. Nesse ínterim, Law se perguntou quem era “Luffy”. — Vamos brindar!

— Pelo o quê?

— Por Sanji e por mim, principalmente.

Eles brindaram. Zoro estava muito contente e Law ria dele por pensar que seu suposto amor estaria se envolvendo com outras pessoas naquele exato momento.

— Zoro, não quer ir até o meu apartamento hoje?

O marimo se engasgou com a bebida. — O-o quê?!

— Você é virgem, não é? Acha que vale a pena se entregar imaculado pro seu amor comendo e dando por aí?

Sempre direto ao ponto... mas Zoro realmente parou para pensar por alguns segundos, mostrando ao Law de que era possível ele aceitar seu convite. Um homem na sinuca deu um berro por ter acertado a jogada e Zoro quase saltou da cadeira assustado. Law reforçava o pensamento de que era muito destrambelhado.

— Ok.

Seu rosto estava totalmente corado e isso o tornava mais fofo. O tatuado apanhou sua jaqueta na cadeira vaga e empurrou a sua para poder se levantar. — Então, vamos.

Zoro observava o quanto era alto.