Método Único
7 Capítulo 6
Mia
Finalmente o dia chegou! Uma semana nunca passou tão devagar.
Guardava o lugar de David, pois nas viagens sempre sentávamos juntos no fundão. Quando ele entrou no ônibus, a medida em que passava pelo corredor, as garotas tiravam suas mochilas do assento ao lado, mas ele por fim, veio até mim.
Eu acabei apagando, mas por causa de um movimento brusco do ônibus, acordei. Quando olhei pra frente, já enxergando tudo menos embaçado, vi algumas das garotas me fuzilando com os olhos, e de repente viraram o olhar. Foi quando David tirou um dos meus fones do ouvido e colocou no dele.
A playlist estava aleatória, mas ele pegou meu celular, procurando uma música em especial. Já até sabia qual era. Sempre a mesma. Dizia ele que era sua preferida dentre as quais nós compusemos, mas sinceramente, tinham outras melhores.
— Não sei como você não enjoa. – disse, olhando para ele, que inclinou a cabeça no banco, cruzando os braços e fechando os olhos.
Será que você pensa em mim?
Porque eu penso em você
Será que quando me olha, seu coração dispara?
Porque o meu bate acelerado a cada vez que te vejo
Será que que quando chego em algum lugar você fica nervosa?
Porque eu nem disfarço, suo frio e começo a ser quem não sou
Só para chamar sua atenção
Será que quando vai dormir pensa em mim?
Porque toda vez que abro os olhos lembro de ti
Será que algum dia sonhou comigo?
Porque não me lembro da última vez que sonhei com algo diferente
Será que você me amará algum dia?
Porque eu te amo, e acho que vou te amar pra sempre
Finalmente chegamos! Se não teria que ouvir aquela música mais uma vez.
A viagem era para todos os clubes do colégio, e esse ano a gente estaria acampando com o clube de teatro. O clube de futebol e basquete estaria acampando ao lado. Dois clubes se juntavam em um acampamento para ser mais econômico, desse jeito o super visionamento seria mais eficiente, já que juntar todos os clubes formaria uma bagunça.
— E aí, conseguiu? – ouvi David do lado de fora da barraca que estava tentando montar.
— Mia, não acha que está um pouco...
Coloquei o tecido no último suporte e... ficou? Ficou! Consegui! Nenhum tecido se soltou! Já ia pular para comemorar, mas lembrei que era melhor fazer isso do outro lado.
Saí engatinhando, e coloquei o rosto para fora, olhando para David. — Deu certo! – mas ela desabou em cima de mim.
David não se aguentava de tanto rir. — Você... está bem?
Olhei para minha “barraca” murcha.
Não, não estava nada bem. Tanto trabalho para, em questão de segundos, ela se desmanchar assim?
Ai, que frustrante...
— Vem, eu te ajudo a montar. – disse ele me estendendo a mão.
Depois que, finalmente, minha barraca ficou pronta, graças ao David, e que terminei de arrumar as coisas dentro dela, escutei algumas garotas do nosso clube junto com algumas do de teatro, gritando e dando suspiros, enquanto tentavam praticamente atravessar a grade que separava o nosso acampamento do acampamento vizinho.
— Waa, ele é lindo! – disse uma morena
— Lindo e inteligente! – disse uma loira de óculos
— E joga muito bem! – foi a vez da menina com tatuagem na nuca.
— PERFEITO! – gritaram juntas.
Percebi que estava havendo uma partida de basquete. Elas estavam tampando minha visão. Fiquei na ponta dos pés, com elas ali não conseguia ver nada. Comecei a procurar o tal “garoto perfeito” por quem elas tanto suspiravam. Então eu vi uma garoto dando um salto em direção a cesta. Ele praticamente flutuou no ar.
Sensei...?
E sem dificuldade, conseguiu colocar a bola na cesta. Os amigos vieram ao seu encontro para parabenizar enquanto bagunçavam seu cabelo. Ele sorriu. Um sorriso verdadeiro e fofo.
Meu coração deu um pulo.
— Mia! — David apareceu – Terminou de arrumar a barraca? Quer ajuda?
— Já terminei, obrigada.
— O almoço está pronto, está com fome?
— Sempre!
Ele riu. — Ah, a professora está organizando uma noite na fogueira. Bem coisa de acampamento, não?
— Ah, deve ser legal!
— Sim... – disse sorrindo para mim, então devolvi o sorriso. Mas ele virou o rosto e pigarreou – Pois é...(o que estava falando?) Ah, sim! A gente vai cantar hoje a noite, viu?
— Yes, Sir! – respondi animada
— Acho melhor ensaiarmos... Depois do almoço?
Dei meu joinha.
Erick
Anoiteceu bem rápido e a temperatura caiu bastante. Estava praticamente derretendo depois do jogo de hoje. Aquela partida foi legal...
— Hey, Érick! Queria ter agradecido antes, mas os caras iriam me zoar. Valeu pela dica do anel. Deu certo. Ela ficou tão feliz que nem ficou zangada com a viagem.
— Então que tal me agradecer, me ajudando a pegar um galão de água emprestado no acampamento do lado?
— Por quê? O nosso já acabou?
— É, o Sr. White pediu. Disse que depois do jogo de hoje sobrou bem pouca água.
— Certo.
Uma senhora veio falar com a gente. Na verdade, já chegou perguntando porque estávamos ali. Depois que expliquei tudo, ela pediu para que a acompanhássemos. Ela era bem séria, isso me dava calafrios.
Escutei som de música, e uma voz feminina chamou minha atenção. Era tão suave. Percebi que havia um grupo reunido em volta de uma fogueira e ali parecia bem animado. Comecei a procurar pela dona da voz. Uma garota sentada com o violão cantava acompanhada de um cara loiro.
Dory...?
— Ei, Érick! Por que está parado ai? Me ajude a carregar isso.
Corri para ajuda-lo.
Quem diria que ela fosse boa em alguma coisa.
Ainda podia ouvir sua voz, combinava bastante com o som do instrumento.
Realmente boa.
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