Método Único
21 Capítulo 16
Mia
— Então deixe-me ver se entendi. – quis confirmar o diretor – Srta. Diaz deixou a porta automática bater sem querer e ficou trancada. Então você, Sr. Carter, ouviu barulho de alguém gritando no depósito e, ao invés de pedir que ela aguardasse, pois pediria ajuda e pegaria a chave, você simplesmente resolveu derrubar a porta?
Depois do acontecido, obviamente fomos parar na diretoria. Mas Sensei não tinha que levar bronca por minha causa, quando ele só fez foi me ajudar
— Diretor Clarck... – comecei.
— Sinto muito, Diretor Clarck. – disse por cima de mim – Deveria tê-la deixada trancada no escuro, desesperada e assustada, enquanto eu buscava ajuda em um colégio quase vazio, onde a diretoria é longe do ginásio. Falha a minha...
Woow! Pensamento rápido!
O diretor o olhou surpreso e passou seu paninho na testa. — Você... é bem afiado não é mesmo? – parecendo sem graça, deu risadas curtas.
Guardou o paninho de volta no bolso do paletó, ajeitou os óculos enquanto pensava.
— Bom, eu entendo sua posição, mas espero que também entenda a minha. Você destruiu propriedade escolar e eu, como diretor, devo aplicar um castigo severo.
Ah, não...
— Mas, pelo contexto da história, vou aliviar sua punição. Sendo assim, terá que ajudar nos assuntos do colégio. Como estamos perto do festival escolar, sua função será ajudar nos preparativos. Vou deixar os administradores dos clubes cientes para que, qualquer ajuda que precisarem, recorram a você.
O QUÊ? Isso é injusto!
— Com todo respeito diretor, mas o senhor não acha que isso é um tanto injusto? A maior parte da culpa é minha, ele só tentou me ajudar o mais rápido possível.
Ele pareceu pensar no que eu disse. — Você tem razão.
Não é?!
— Então terá que ajudar também.
Hein?
— Vocês deverão vir todos os dias e ficar disponíveis até às 18h.
Dito isso, nos mandou sair.
Érick
— 18h?! Mas esse é o horário em que o colégio fecha!
Estávamos voltando juntos para casa. Achei que ela estava bem quieta, até explodir agora.
— Ain, eu tenho um montão de coisas para fazer... Os preparos do Clube de Música já dão um trabalhão, agora com os dos outros clubes... (choraminga)
— Quem mandou não ficar de boca fechada?
Ela endireitou a postura. — Não me arrependo. A culpa também foi minha.
— É, realmente foi mais sua culpa do que minha.
Ela murchou. — Eu sei, desculpa...
— Jesus, eu estou brincando!
Leva tudo tão a sério... Bem, quando lhe convém né?
(silêncio)
— Obrigada.
— Han?
— Eu realmente tenho medo do escuro.
Por que ela parecia estar tão sério de repente?
Ela parecia meio inquieta. — Sabe quando disse que meus pais estavam viajando?
Fiquei com receio em responder, mas confirmei.
— Então... eu menti... – ela continuou a andar olhando para os pés – Na verdade... Bem... — não sabia por onde começar — Estávamos indo passar férias no lugar preferido deles. O som estava alto, mas nós três cantávamos mais alto ainda. Não sei bem o que aconteceu, mas papai perdeu o controle e o carro bateu contra uma árvore. Fiquei inconsciente por um tempo, quando acordei demorei um pouco para me situar. Estava muito escuro e, até a ajuda chegar, eu fiquei um bom tempo sozinha ali, tentando acorda-los... mas nada funcionava...
Ela parou de andar e, ainda olhando para o chão, começou a contorcer a manga do casado. — Eles não... Eles...
Por um segundo fiquei sem reação. Queria abraça-la, mas fiquei com receio, já que meu coração estava batendo rápido e muito alto.
Lembrei-me da conversa com Camila no hospital e do que ela disse: “Já eu me sinto honrada por ela ter confiado em mim e me contado tudo.”.
Então isso quer dizer que sou importante para ela? Mas... de que jeito?
Olhei para ela.
Bem, independente de como me veja... Eu estou feliz.
Mia
Eu o deixei sem reação. Mesmo sem olhá-lo posso sentir que está confuso e surpreso. Talvez com pena...
De repente, ele afagou meu cabelo carinhosamente. — Sinto muito... E obrigado por me contar.
Olhei para cima e, para minha surpresa, ele tinha um leve sorriso no rosto. Abaixei o rosto de novo assim que senti meu coração acelerar. Ele voltou a mão no bolso.
Isso me surpreendeu.
Geralmente as pessoas ficam tristes ou desconfortáveis por não saber o que fazer ou o que dizer. Mas ele... Mesmo depois de ouvir tudo, ele... sorriu, mesmo que seus olhos parecessem tristes.
Esfreguei meu rosto na manga.
Bem, se ele que é ELE está sorrindo, então EU é que não vou começar a chorar agora.
Érick
— Sabe o lugar para onde estávamos indo? – mudou ela de comportamento subitamente de novo (já estou acostumado) – Para o mesmo lugar que fomos acampar.
Ah, por isso ela disse que era um lugar especial para ela.
— Eu não respondi sua pergunta naquela hora por conta das circunstancias (a raposa e tal), mas eu não estava com o grupo porque queria encontrar as “Cachoeiras Mágicas” (que coincidentemente nós encontramos no final)
— Então, isso quer dizer que...
— É... A gente ter se perdido também foi minha culpa. – coçou a cabeça sem graça.
Que mania de querer sempre tomar a culpa para si.
— Não me diga que você fez aquela raposa aparecer?
— Eh? Claro que não! Como eu faria isso?
— Então não é de tudo sua culpa.
Ela pareceu pensar. — Isso é verdade.
— Mas a maior parte da culpa continua sendo sua.
— Heeein? Mas você disse agora...
Ri de sua confusão. Tão tonta...
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