Método Único
15 Capítulo 12
Érick
Acordei meio confuso, mas sentindo meu corpo mais leve. Olhei em volta para me situar.
Meu quarto...
Senti minha mão segurar algo quente e macio. Olhei para o lado e vi Mia, dormindo com o rosto apoiado ao meu lado na cama.
Por que ela está aqui? E por que estamos de mãos dadas?
Sentei com tudo na cama, então percebi que só estava de cueca.
Ela acordou assustada com meu movimento e, quando realmente acordou de verdade, percebeu minha confusão.
— Eu não vi nada! – ela disse logo.
— Então por que está vermelha?
— Como eu não ficaria? Você está me olhando como se eu fosse uma pervertida, quando na verdade eu só tentei te ajudar!
Fiquei calado, começando a me lembrar de algumas coisas. Fiquei lendo enquanto não dava o horário da aula, mas o Sr. Brown precisou da minha ajuda para ajeitar a antena do telhado, já que morava sozinho, e por isso me ofereceu um café para agradecer. Eu disse que tinha compromisso, mas ele insistiu. Quando volvei para casa, nem me liguei em como estava o clima, só arrumei minhas coisas apressado e saí. Mas então, na metade do caminho da minha rua, começou a chover. Depois... O que tinha acontecido depois?
Olhei para Mia.
Ela tinha ficado cuidando de mim? A noite toda? Mas por que ela teria me ajudado tanto assim? Ela poderia ter ligado para qualquer um no meu celular, já que nem é bloqueado. Se bem que não é surpresa ela não ter pensado nisso, sua inteligência era um tanto limitada.
Espera. Como ela tinha me encontrado? Será que veio me ver? Estava preocupada comigo?
— Você está voltando a ter febre?
— Han? Por quê?
— Está voltando a ficar com o rosto vermelho.
Ela se aproximou se curvando, colocou a mão na minha testa e depois franziu a dela.
— E-estou bem. – me afastei logo da mão dela.
Mia estreitou os olhos. — Está bem. Hoje é sábado, então pode tirar o dia para descansar.
Sábado? Ainda bem...
Por que vê-la pegando o casaco para ir embora me incomodou tanto?
Levantei para deixa-la na porta.
— Não precisa...
Enrolado no cobertor, passei por ela a ignorando e fui em direção a sala. Ela veio logo atrás, sua postura estava meio fria.
Ela não estava envergonhada por aquela situação? Só eu estou me sentindo estranho?
— Mia... – ela parou de andar, mas não se virou para me olhar – Obrigado.
Balançou a cabeça em afirmativo, como se fizesse um gesto automático, e continuou a andar.
Então ela podia ser mais estranha que o normal.
Assim que a vi virar a esquina, voltei para o quarto. Escutei um barulho, e algo em cima da minha cômoda ascendeu e depois apagou. Fui ver e me deparei com o celular dela. Peguei-o na mão, ainda com o fone conectado, então me lembrei dela os colocando em mim. Aquilo realmente me acalmou. Talvez sua inteligência não seja tão limitada assim...
Automaticamente, imaginei ela toda atrapalhada para me carregar até em casa, e o que teria pensado quando se viu na situação de ter que arrancar minhas roupas molhadas.
Ri da cena que criei. Foi ai que percebi que essa era a primeira vez que não ficava angustiado após lembrar do meu ataque de pânico, que sempre tinha quando chovia.
Coloquei o celular de volta na cômoda e fui tomar meu banho. Parando para pensar, ela nem havia me questionado pelo o que aconteceu ontem. Por quê? Ela não estava curiosa ou preocupada? Certamente estava. Tinha que estar. Quer dizer... eu queria que estivesse.
Minha febre realmente passou, mesmo sem remédio. Ela fez um ótimo trabalho, cuidou de mim muito bem...
Olhei-me no espelho do banheiro. Ah... O que está acontecendo comigo? Por que eu pareço tão feliz pensando nisso?
Troquei-me rapidamente e fui devolver o celular para ela. Poderia devolver na segunda, mas esperar até lá, quero dizer, o celular pode fazer muita falta em um final de semana.
A tia dela que atendeu. Fiquei com receio do interrogatório, mas por sua expressão gentil de sempre acho que Mia tinha conseguido chegar antes dela.
— A Mia está?
— Ah, ela foi para praça faz pouco tempo. Por quê?
Escondi automaticamente o celular atrás de mim. — Eu... eu estava passando por aqui e.... queria aproveitar para checar se ela estava estudando certinho.
— Oh, como você é um tutor rígido! Hoje é sábado, eu achei que ela merecia uma folguinha.
Concordei com ela e assim que nos despedimos fui para a tal praça. Só tinha uma que eu conhecia perto dali.
Por que ela está lá a essa hora? Espera, talvez esteja se encontrando com uma amiga, ou talvez... Um garoto?
Lembrei-me dela com as pantufas e o suéter gigante de coelho. Ri para mim mesmo.
Não, não. Mais fácil ser um encontro com as amigas, ela não é do tipo que atrai muitos garotos.
Então me lembrei dela na festa e, por algum motivo, comecei a andar apressado. Era como se minhas pernas tivessem vida própria.
Parei assim que a vi sentada sozinha em um banco isolado no meio das árvores, com os olhos fechados, as mãos no meio das pernas e a cabeça vacilando de vez em quando.
Está dormindo sentada?
Aproximei-me em silêncio e, com cuidado, me sentei ao seu lado. Suas tentativas de manter a cabeça erguida eram engraçadas, por isso não quis acordá-la. Encostei as costas no banco, cruzando os braços e fiquei observando a praça. Por que nunca vim aqui? É um lugar realmente tranquilo.
De repente, senti a cabeça dela no meu ombro. Provavelmente foi vencida pelo cansaço, e a responsabilidade era minha. Sendo assim, resolvi emprestá-la um pouco meu ombro, em retribuição a noite passada.
Mia
Senti algo em minha cabeça. Quando dei por mim, vi que tinha apagado completamente ali. Estava tão cansada...
Mas quem é que...?
Tirei devagar a cabeça até me deparar com ninguém menos que o Sensei! Quando tinha chegado? Por que estava dormindo aqui?
— Sensei? – o chamei.
Ele parecia estar se orientando e depois surpreso ao me ver. Olhou o relógio. — Já são 17h?
— Sensei, você está bem? Não deveria estar descansando?
— É o que eu estava fazendo, não? Assim como você...
Ah, faz sentido. Ele deve ter vindo tomar um ar e me viu aqui. E esse lugar é tão tranquilo que é muito fácil pegar no sono.
Meu estômago roncou, lembrando-me que não havia comido nada até agora. Nem almocei, mesmo que tenha dito para a titia que sim. Eu não queria preocupá-la, parecia tão cansada, e eu também só queria sair para esclarecer as ideias. Havia tantas perguntas na minha cabeça, mas estava com receio de fazê-las. Não queria vê-lo bravo daquele jeito de novo...
Sensei se levantou. — Vem, vamos comer alguma coisa.
Levantei também e o acompanhei.
Caminhávamos, procurando algum lugar para comer.
Não consigo olhá-lo nos olhos! Eu tenho que pedir desculpas, mas eu estou meio nervosa. Não quero que fique daquele jeito de novo, é assustador! Mas eu fui muito intrometida...
Érick
Droga. Não consigo encará-la. Fico me recordando do que aconteceu ontem... Tão constrangedor.
Mas...
— Desculpa. – falamos juntos.
— Han?
— Por que está se desculpando? Eu que gritei com você.
— Mas... – ela pareceu pensar – Bem, isso é verdade, e foi bem assustador.
Ela balançou o corpo como se tivesse se arrepiado ao lembrar. — Mas... Eu fui muito intrometida, sinto muito por isso. – ela parecia sincera – Tirando esse momento, eu me diverti muito aquela noite, obrigada por isso.
Achei graça da forma como ficou sua frase. Arrependida e agradecida. Tão estranha...
Mia
De repente ele me parou, pegou minhas mãos e começou a examiná-las. — Ainda bem... – ele suspirou – E pensar... que eu podia ter te machucado sério...
Ele segurando minhas mãos daquele jeito e com aquela expressão de preocupado...Eu...Meu coração está batendo tão rápido de novo. Por que eu estou ficando tão nervosa de repente?
Será que é psicológico? Ele + minha mão = discussão, o que me leva a ficar nervosa. Raciocínio ilógico.
Ai, não... Não quero que isso aconteça! Sensei não é uma pessoa ruim, não quero desenvolver nervosismo pós-trauma ou algo assim, eu não quero que ele se sinta culpado.
Soltei minha mão da dele depressa.
— Bem, você quase esmagou meus dedinhos, mas para sua sorte eu tenho um ótimo reflexo!
Ele parecia meio confuso pela minha súbita mudança de comportamento, mas continuou a falar sério.
— Por favor, esqueça o que aconteceu naquela noite.
— Pode deixar! Esquecer é comigo mesmo! Afinal, esquecer é o que a Dory faz de melhor!
Érick
Como ela faz isso? Tornar algo angustiante em algo tão simples? Pensei que tocar no assunto a deixaria apreensiva e assustada, mas ela simplesmente está sorrindo de novo agora. Talvez essa seja a graça de ser tão tonta... Que bom. Que bom que foi ela.
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