Médico Sujo
7 Parceiros
Notas iniciais

Os dois rapazes estavam no banheiro, tomando banho juntos. Law ensaboava o corpo de Luffy inteiro no chuveiro, fazendo questão de ir com o sabão em suas feridas para fazer arder ainda mais e ouvir os gemidos de dor do outro.
Luffy sentia-se totalmente desconfortável naquela situação, mas não podia fazer nada para impedir o médico. Depois de aproveitarem bem a ducha do banho, os dois foram para a banheira quente que tinha lá e Law pois o garoto em seu colo, dando mordidas em seu pescoço.
– Por mais que eu te peça para parar de brincar com o meu corpo, você não vai me ouvir, não é? – Reclamou Luffy.
– Finalmente entendeu? Agradeça por eu te beijar ao invés de te bater, Luffy.
– Eu preferia que você me batesse! A dor física é muito melhor do que ser submetido a isso.
– Sério? Pelo menos você sabe que eu não matei sua irmã. Isso te deixou mais aliviado, não é? Deu pra perceber.
– Sim, bastante... mas eu ainda te odeio, Trafalgar.
– Que bom. – Law virou o rosto de Luffy para trás, dando-lhe um beijo que foi consentido, já que o menor percebeu que não havia como escapar.
~ X ~
Eles terminaram seu banho. Trafalgar tinha deixado Luffy apenas de cueca, argumentando que ele ficava melhor assim. Em seguida, ele foi trancado e amarrado novamente no porão, apenas com um travesseiro para se apoiar e um cobertor.
– Porque você faz questão de me alimentar bem e me dar travesseiros? Isso é estranho até mesmo pra você!
– Ah, não quer? Tudo bem.
– Eu não disse isso, Torao! Eu só queria saber o motivo de você ficar agindo misteriosamente bem comigo, depois de tudo o que você e o Eustass fizeram.
– E eu queria saber o motivo de você me chamar de "Torao" às vezes. Bom, seres humanos são feitos de mistérios, né? Vamos deixar assim mesmo. Boa noite, Luffy.
– Péssima noite, Trafalgar. Espero que você morra engasgado enquanto dorme.
– Hai, hai.
Mais uma vez, Luffy teve seus lábios tomados pelo médico, antes deste subir para seu quarto e deixar o garoto trancado e amarrado, indo finalmente encontrar-se com Kid, que já deveria estar impaciente.
– Law, até que enfim. É a primeira vez que você demora tanto em um banho!
– Foi difícil tirar todo o sangue dele, estava tudo grudado. Mas você cansou de esperar, Kid? Eu posso ir embora se quiser.
– Não precisa me tratar assim quando nós dois estamos sozinhos, Law.
Eustass foi andando em direção ao amigo, que estava parado apenas de cueca, o abraçou pela cintura e levantou seu rosto pelo queixo com a ajuda dos dedos, olhando fixamente em seus olhos.
– Kid, você é a única pessoa em que eu confio. Você sabe disso, né?
– E você é a única pessoa que eu amo, Law.
Os dois começaram a se beijar. Kid pegou Trafalgar no colo e foi até a cama, jogando ele nos lençóis e subindo por cima, continuando a beijá-lo. Eustass queria aproveitar cada parte do corpo de seu amigo, já que não tinha sempre essa oportunidade.
Ele foi beijando o pescoço de Law, descendo para o peito, passando toda extensão de seu quadril, arrancando gemidos bem altos do parceiro, que fazia carinho em seus cabelos avermelhados.
– Aah.. Kid..!
~ X ~
Eles passaram a noite inteira acordados, rolando na cama. Law já estava com os quadris doendo graças a Kid, mas ele não se importava com aquilo. Ambos ficaram deitados de conchinha, bem juntos e sem nenhuma roupa.
– Ei, Law... — Kid começou a falar baixinho.
– Huh?
– Lembra de como nós dois nos conhecemos?
~ X ~
17 anos atrás, em uma cidade afastada da Inglaterra.
Eustass Kid, um jovem rapaz de onze anos vivia em uma cidade bem pobre ao norte da Inglaterra. Seu pai era um bom construtor: ele fazia qualquer tipo de material ou concertos, não importando a complexidade destes. Já sua mãe era uma dona de casa que trabalhava colhendo minerais durante o dia.
Kid frequentemente saia de onde morava para ir até a cidade mais próxima, a mando de seu pai, para vender peças como relógios e sapatos. Diferente de onde morava, aquela realmente era uma cidade bem rica, onde algumas pessoas famosas e herdeiros moravam.
Ele não ligava muito para ouro ou dinheiro, porém trabalhava duro para tirar seus pais da miséria. Seu objetivo era simplesmente dar-lhes uma vida boa, mas não sabia direito como faria isso.
Por outro lado, morando naquela cidade exuberante estava outro garoto, conhecido apenas como Trafalgar Law por seu nome ser bem cumprido. Law é filho de um famoso e bem renomado cirurgião, enquanto sua falecida mãe era uma advogada conhecida por ter uma média bem alta de casos concluídos.
Assim como Kid, Law também não se importava com fama, riqueza e nem nada disso. Pelo contrário, ele achava sua vida bem chata e entediante.
Ele gostava de ficar em um bosque afastado do resto das pessoas de sua cidade, onde não seria perturbado por ninguém. A maior parte do tempo, ele apenas divertia-se lendo os livros de medicina que pegava escondido de seu pai embaixo de uma macieira.
Depois de vender todas as coisas, ou pelo menos tentar, Eustass sempre ia para esse mesmo bosque, observar o garoto. Ele não tinha coragem de se apresentar ou puxar assunto, mas por algum motivo que nem mesmo ele entendia, a simples presença de Law o fazia mais tranquilo.
Kid P.O.V
Ah, qual é?! Já fazem meses que eu sempre venho aqui e fico olhando pra ele. Eu queria tanto arrumar coragem pra puxar assunto, mas... nossas vidas são tão diferentes. Ele deve ser filho de alguém importante.
Mesmo assim eu não consigo não olhar pra ele! Ele parece tão triste, sempre com aquele chapéu estranho com pintinhas pretas tampando seus olhos. Como ele consegue ler com aquilo? Deve ser meio desconfortável.
Aah, eu quero ir lá falar com ele! Mas... o que eu faço?! Minhas roupas são todas rasgadas e as dele... nem se compara. Eu podia inventar uma desculpa qualquer do tipo "Eu tô perdido, sabe onde fica tal lugar?"... É, parece uma boa ideia!
– Ér... Olá! Boa tarde. — Fui me aproximando, com um pouco de vergonha, mas já era um avanço!
– Você... é o garoto que fica me espionando todo dia?
Ele tinha uma voz bem suave, mas era meio assustadora. E como ele sabia que eu ficava fazendo isso?! Que medo... agora eu tô ferrado!
– Etto, bem, eu.. não, é que... - Concentre-se, Kid!
– Meu pai me disse que não podemos deixar os outros ficarem nos espionando. Pode ser perigoso, você é do governo?
– Ér..?! Como assim, vocês são procurados?! Aah, desculpa! Meu nome é Eustass Kid, aliás!
– Não, meu pai é médico.
– Entendi... m-mas eu não sou espião e nem do governo! É que eu não tenho nada melhor pra fazer mesmo.
– Tudo bem, eu venho pra cá me esconder dele, então sua presença não me incomoda.
Ele se esconde... do próprio pai?!
– Como assim?
– Ah, meu nome é Trafalgar D. Whater Law, mas pode me chamar só de Trafalgar. O meu pai tem alguns problemas com apostas, e ele fica estranho quando bebe, então... eu venho pra cá.
– Entendi. E quantos anos você tem, Law? Eu tenho onze!
– Nove. E eu te disse pra me chamar de Trafalgar...
~ X ~
Eles acabaram ficando amigos. Todo dia Eustass ia visitá-lo em baixo da macieira e eles ficavam conversando por horas...
... Aliás, Eustass ficava conversando por horas. Law a maior parte do tempo só o ignorava e lia um livro qualquer. Ele dizia que tinha que se esforçar pra entrar numa faculdade o mais cedo possível e passar a morar sozinho.
– Mas me diga, Law... porque você quer tanto se livrar do seu pai? Você não se inspira nele para ser médico?
– Não, meu pai me dá um pouco de medo. Sabia que ele tem uma sala lá em casa onde ele guarda seus pacientes? Aquela sala me dá arrepios e fede bastante também....
– G-Guarda seus pacientes?! — Kid ficou assustado. — Como assim?!
Law começou a falar com uma voz um pouco mais aberta, porém com um ar sombrio, como se estivesse tendo lembranças bem ruins.
– As vezes eles vão lá em casa para terem uma consulta particular, sabe? Eles são bem gentis comigo! Tinha uma senhora que trazia biscoitos pra mim também, era bem divertido.
– E o que aconteceu com eles?!
– Depois de algumas consultas ele dava uma injeção nos pacientes que sentiam muita dor. A injeção acalmava-os e o sofrimento deles ia embora.
– E isso é bom, né? Significa que eles estão curados!
– Depois da injeção eles dormiam e papai os levava para a sala fedorenta. Eu nunca mais os via depois disso e eu também nunca vi ninguém saindo de lá. Ele não me deixa entrar naquele lugar, mas dá pra sentir o cheiro de carne estragada.
– C-Carne estragada...?! Espera, eles estão todos mortos?
– Minha mãe está naquela sala também. Papai gostava muito dela e não queria vê-la sofrer, então ele usou a injeção nela. Eu queria entrar lá algum dia pra revê-la, mas ele não deixa...
– L-Law?
– Meu pai me disse que quando as pessoas estão sofrendo muito nós precisamos deixá-las livres... mas eu não sei porque ele guarda os cadáveres lá dentro. Eles fedem muito.
– Seu pai mata seus pacientes?! I-Isso é horrível! Não existe justificativa pra isso!
– Eu sei, ele é um médico mal. Quando eu me formar eu quero salvar todas as pessoas que ele matou, Kid! Mas ninguém pode saber disso, ok? Não conta pra ninguém.
– Porquê?! Nós precisamos falar pra polícia, não é?
– Mas ele disse que se eu contar pra alguém ele não vai deixar eu ver minha mãe...
Kid ainda estava um pouco surpreso com tudo que Law havia lhe dito, mas ele não sabia bem quais providências tomar. A noite foi caindo e ele teve que voltar para sua casa antes que seus pais ficassem preocupados, mas ele não conseguia parar de pensar na história do garoto.
(...)
Cerca de dois meses se passaram. Os dois acabaram ficando amigos e Eustass ia no bosque todo dia reencontrá-lo, era como uma rotina para ele.
Até que um dia... Law simplesmente não estava lá.
– Law?! Você está aí?! — Kid tentava gritar, mas sem sucesso. Ele até chegou a esperar por um tempo, mas ninguém veio.
Um dia, dois dias, três dias, cinco dias... onze dias depois e nada do garoto aparecer no local novamente, deixando o ruivo um pouco assustado.
Será que ele enjoou de mim e foi pra outro lugar...? Isso foi meio cruel da parte dele...
Kid resolveu ir até a casa dele pela primeira vez. Não foi tão difícil achar sua residência, visto que seus pais eram bem conhecidos e todo mundo sabia onde eles moravam.
Era um local realmente grande, com uma área verde enorme. Parecia ser tudo extremamente caro e aquela com certeza era a maior casa que Eustass já havia visto. Ele entrou no quintal e se pôs a espiar pela janela, tentando procurar vestígios de Law. Mas nada.
– EI, QUEM É VOCÊ?
O garoto levou um susto. Um homem alto, barbudo, com um olhar sinistro e um jaleco branco segurando uma xícara de café havia abordado ele aos gritos. Aquele era...
– O-Oi! Perdão, eu estou procurando pelo Law!
– Meu filho? O que você quer com ele? Você é do governo? Parece ser jovem demais pra isso... e vendo as suas roupas parece que você não é daqui.
– F-Filho? O senhor é pai dele? Eu sou amigo dele! Não sou do governo, nem espião, nem nada! É que ele sumiu e eu fiquei preocupado, só isso.
– "Amigo"? Não sabia que meu filho tinha essas coisas, tsc... mas que seja! Ele não está aqui, então desista. Tchau.
– P-Pera! Onde ele tá então?!
– Não te interessa!
O homem bateu a porta na cara do garoto e entrou em sua casa, trancando as portas e fechando as janelas com cortinas. Mesmo sem ter nenhuma esperança e não fazer ideia do que iria se meter, Kid se escondeu no quintal, esperando algum tipo de pista do desaparecimento de Law surgir. Ele era seu único amigo, não iria desistir tão facilmente!
A noite caiu. Eustass já estava quase dormindo quando algumas pessoas estranhas chegaram na casa de Law e foram atendidos super bem pelo pai do garoto.
– Oh, os senhores chegaram! Venham, vamos entrando!
Eustass ficou tentando ouvir a conversa deles atrás das paredes. Parece que estavam jogando Poker e apostando algumas coisas.
– Ei, Harold! Não vá perder desta vez, hein!
– Hahaha, pode deixar, eu me sinto com sorte hoje. Vocês que se cuidem!
– Vai querer seu filho de volta? Aliás, apostá-lo foi muito arriscado, hein...
– Pode apostar que sim! Seria horrível perder meu único herdeiro, principalmente agora que a mãe morreu.
"O Law foi... perdido em uma aposta? Como assim?! Tá certo que o pai dele é meio louco, mas isso já é inaceitável!"
– Não sei... aquele moleque é muito habilidoso. Talvez nós devêssemos ficar com ele, não é?
– Ei, ei... eu apostei meu filho quando eu estava bêbado. Eu não sabia o que estava fazendo, pelo menos deixe-me jogar por ele novamente!
– Que tal assim: nós o vendemos para você por 440 milhões de Euros. Que tal?
– Q-Quatrocentos?! Nem fudendo, você ficou maluco?!
– Quanto vale seu filho, Harold? Ele é um gênio da medicina com apenas nove anos. Essa quantia é pouco até.
– Custa mais barato fazer outro... que seja, eu ainda tenho muita vida à diante! Não preciso de crianças me atrapalhando!
– Bom, você quem sabe. Vamos continuar a jogar então!
Eustass estava nervoso e completamente confuso. Ele não sabia se tinha ouvido errado, mas... não tinha outra explicação. Law sumiu há onze dias e agora o pai dele tem esse tipo de conversa? Não pode ser coincidência.
Em um ato de coragem e burrice ao mesmo tempo, sem nem pensar duas vezes, Eustass invadiu a casa, quebrando a porta com um pequeno tronco de árvore que tinha no quintal e ficando à frente de todo mundo lá.
– QUE PORRA É ESSA?! VOCÊ PERDEU O LAW NUMA APOSTA?! O SEU FILHO?!
Os figurões que estavam à mesa com Harold levantaram, todos sacando seus revolveres em direção a Eustass.
– Ah, você é o garoto de antes! Você ainda está aqui?!
– Você o conhece, Harold? Quem é esse moleque?
– Ele é amigo do meu filho... eu não sei o nome! Mas podem levá-lo, ele já está me incomodando e parece que sabe demais.
– Parece que nossa noite de Poker terá de ser adiada. Ele não parece ser daqui e nem ter uma família que pague resgate... mas ao mesmo tempo a família não poderá rastreá-lo também e isso é bom.
Eles pegaram Kid pelo braço e o jogaram no porta-malas do carro, trancando-o lá dentro sem que ele ao menos pudesse se defender ou pedir explicações. O carro começou a andar em uma velocidade considerável, indo para um lugar que parecia ser bem distante devido o tempo de viagem.
Chegando em seu destino, eles tiraram Kid do carro e o arrastaram para uma casa que parecia abandonada. E naquela casa estava... com certeza era ele. Todo machucado, cheio de arranhões, semi-nu e marcas roxas pelo corpo, mas ainda sim era ele.
– LAAW! É VOCÊ?! E-Ei, me soltem! O que vocês fizeram com o Law?!
– Kid...? — O garoto parecia um pouco atordoado, meio inconsciente.
– Vocês são amigos, né? Então fiquem aí conversando um com o outro!
Um dos figurões jogou Kid no chão, bem próximo a Law e foram embora, deixando os garotos teoricamente sozinhos.
– Ei, Law! Law! Você está bem?!? Ei, fala comigo!
– Kid, é você...? O que você está fazendo aqui? Eu não consigo ver muito bem...
– Law... eu senti tanto a sua falta...!
Kid deu um abraço no amigo pela primeira vez, deixando que ele descansasse em seu ombro. Ele não chorava, mas com certeza esses onze dias não foram fáceis. E pra ter certeza disso bastava olhar o seu corpo.
– Kid, eles te pegaram também? O que houve? Me conta...
– Eu vim aqui te salvar, Law! Nem que isso custe a minha vida, eu vou te tirar daqui! Eu prometo!
– Por quê...?
– Como assim?! Por que nós somos amigos!
– ... amigos? O que é isso? Não tem em nenhum dos meus livros...
– Você não sabe? Bem, é quando... duas pessoas se gostam, aí elas ficam juntas e viram amigos...
– Tipo meu pai e minha mãe?
– Mais ou menos...
– Entendi, eu acho.
– M-Mas, Law! Por que seu pai fez isso com você? Ele te perdeu numa aposta?!
– Sim, ele perde a cabeça nas apostas, principalmente quando bebe. É por isso que eu queria sair logo de casa, Kid...
– Então vamos fugir daqui! Você consegue andar, Law?
– Você ficou maluco? Eles estão armad--
A fala de Law é interrompida quando um adulto bem alto e medonho chega no local.
– Então vocês estão pensando em fugir? Vocês acham que dois pirralhos de merdas conseguem nos enganar?!
– E daí, vai fazer o quê?! Nos matar por acaso?! — Grita Kid, já morrendo de raiva.
– Matar? Não seja ridículo. A morte rápida não nos favorece e nem é de nosso interesse. Mas garoto, não se preocupe, nós temos outros meios de deixá-los aqui.
Ele estalou os dedos e vários homens chegaram novamente e pegaram Kid no colo, o carregando para uma sala escura e o trancando lá. Eustass batia na porta tentando quebrá-la e voltar para seu amigo, mas sem sucesso.
Law estava bem assustado e também não sabia o que fazer, então ele ficou recluso em um canto, começando a chorar sozinho e desejando que Kid ficasse bem.
(...)
Cinco dias depois...
– Espero que tenha aprendido a lição!
Eustass finalmente pode sair da sala escura e ir para os braços do amigo, porém... ele estava diferente de antes...
Trafalgar ficou o encarando completamente assustado, pálido e sem conseguir dizer absolutamente nada. Seu corpo estava em choque com o que via e ele não conseguia emitir nenhum som.
– L-Law...? Que bom, você parece estar bem...
Após dizer tais palavras, com as últimas forças que lhe restava, Kid caiu no chão, desmaiando.
Sua aparência? Ele estava com muito mais feridas que Law. Marcas roxas extremamente violentas percorriam seu corpo, sua carne estava exposta e ele estava muito mais magro, como se não comesse há dias.
Contudo, o que mais chamou atenção no jovem médico não foram os machucados ou arranhões. Aqueles homens eram conhecidos por usarem como técnica de tortura, arrancar os dedos das pessoas sem anestesia, obrigando-as a verem seus membros sendo amputados.
Mas por algum motivo que Law não conseguia sequer imaginar, eles não se contentaram apenas com os dedos. Quando Eustass Kid finalmente saiu da sala depois de dias, ele estava sem seu braço esquerdo.
– Kid..? Ei, Kid! Você está bem?! Fala comigo! Kid...!
Law tentava acordá-lo, chorando e gritando, mas não conseguia de jeito nenhum. Ele carregou Kid até um canto na parede e começou a abraçá-lo bem forte até pegar no sono e dormir junto a ele, sem soltá-lo.
~ X ~
De volta ao presente...
– Pra que ficar relembrando essas coisas agora, Kid?
– Law, alguma vez você já escondeu alguma coisa de mim? Responda com sinceridade.
– Sim, porquê?
– Ótimo, agora me diz a verdade: você gosta do Luffy, não é?
Aquela simples frase ficou vagando pelo ar por bastante tempo. Trafalgar ficou um pouco surpreso por aquelas palavras virem de repente, principalmente pelo tom de voz de Kid, que parecia tranquilo com aquilo.
– D-Do que você tá falando? Ele é policial! Tudo o que eu quero é ferrar a vida dele. Só isso.
– Law, você acabou se tornando tudo aquilo que você mais odiava quando era criança. As coisas que aqueles caras fizeram com a gente você fez com o Luffy, como se fosse uma vingança pessoal. Certo?
– E daí? Você também estava se divertindo! Qual é o problema nisso?
– E do mesmo jeito que você odiava seu pai por ter matado sua mãe, o Luffy te odeia por você ter matado a irmã dele, certo?
– Tá, é verdade que eu matei a irmã dele pelos mesmos motivos que meu pai tinha, mas o que diabos isso tem a ver com gostar dele?
– Como assim? Tudo! O Luffy é a pessoa que você queria ser quando era criança, Law! Você não percebe isso? É por isso que você gosta dele!
– M-Mas que merda é essa, Kid? É claro que não! Depois de eu ter matado o meu pai, eu tinha certeza que o meu lugar não era mais sendo o médico bonzinho! Quem disse que eu queria ser que nem o Luffy? Para de falar essas merdas, você só está com ciúmes!
– Ciúmes? Sim pode crer, eu tô morrendo de ódio de tudo isso! Você gostar mais de um moleque que conheceu há uns três dias do que de gostar de mim, que te conhece há anos, machuca.
– Viu só? Então para de falar merda e vai procurar um psicólogo, que saco!
– Então me diz, Law, porque você tem tratado ele tão bem ultimamente? Beijo na testa, banho, comida de qualidade... até hoje você só me deixou comer seus restos.
– CALA BOCA, KID! Que saco, você já tá me irritando! Qual é o seu problema?
– Meu problema? Eu não posso ficar com raiva quando a pessoa que eu amo se apaixona por outro?!
– Apaixon...? VAI À MERDA! De onde você tirou tudo isso?!
– Por que você tá tão nervoso assim? A verdade é: você está morrendo de medo do que eu disse ser verdade, né? Você é tão orgulhoso... Torao.
Kid finaliza com um sorriso sarcástico nos lábios e, mais uma vez, Trafalgar ficou em choque com o que o outro estava dizendo. De onde veio aquilo tudo de repente? Law só sentia uma vontade louca de mandar Kid ir à merda e de matá-lo ali mesmo.
– AGORA JÁ CHEGA, KID! SAI DA MINHA CASA, EU NÃO QUERO TE VER MAIS AQUI!
– Nossa, que medo... você deve estar mais apaixonado do que eu imaginava! Que saco, o que aquele pirralho tem que eu não tenho?
– Vai à merda! Sai logo daqui antes que eu te mate de uma vez!
– Tá, tá eu vou sair! Mas não deixe os seus sentimentos falarem mais alto, ouviu?
– Tsc...
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