Notas iniciais
Dedicado à Thaís, que faz os seus dezesseis anos hoje. Eu, pessoalmente, não gosto muito desse casal, mas como é o favorito dela... É só isso.
Boa Leitura.

Os passos firmes ecoavam no amplo corredor vazio. As olheiras visíveis estavam escuras e o seu cabelo ruivo desarrumado. A xícara de café ainda soltava uma fumaça reconfortante ao ser inalada. Ele suspirou uma vez e entrou em uma das salas principais daquele mesmo corredor.

– Mais uma vítima. — Uzumaki Naruto o olhou cansado, também tinha olheiras, não tão profundas quanto ao do ruivo, soltou um arquivo na mesa que havia entre eles. — Homicídio qualificado.

– O que ela fez dessa vez? — A voz grossa expressava exaustão.

– Empregou veneno.

– Qual?

– Arsênio. — Naruto se sentou na cadeira mais próxima. — Ela está ficando louca, Gaara. Simplesmente isso... Precisamos pará-la, mas sempre chegamos atrasados, eu não tenho mais planos...

– A vitíma?

– Inuzuka Kiba, a ficha dele está aí no meio do arquivo, dei uma lida parcial, ex-namorado que traiu ela e blá-blá-blá... — Naruto tomou um gole do café de Gaara. — Essas mulheres vão acabar nos matando...

– Já não estão? — Gaara perguntou com a sobrancelha arqueada.

– Mais ou menos... — Naruto tomou outro gole. — Depois te pago outro café, eu estava precisando, quase dormi lendo as fichas de outras vitímias da loirinha...

– Você disse que ela o matou com arsênio, não é?

– Huhum... — Naruto tomou outro gole e engasgou no meio. — Não me diga que está pensando nisso, Gaara! Nós não vamos para lá novamente, é sério, não vai ter resultado nenhum! Já fomos lá duas vezes.

– A terceira é a de sorte... — Murmurou abrindo a ficha de Kiba. — Vamos à Okinawa, Naruto... Achar alguma pista dela, tem que existir algo, leve a perícia técnica junto, vamos ver alguma prova que a incrimine, uma digital, qualquer coisa. — Balbuciou fechando o arquivo e o colocando dentro de sua pasta.

– Chamo quem da perícia?

– O Aburame deve bastar.

– Shino? Tem certeza?

– Avise à todos que irão juntos e arrume as nossas passagens, quero uma o mais cedo possível. — Resmungou antes de sair da sala.

– Tá... — Resmungou sozinho na sala.

No corredor as luzes se acendiam ao decorrer dos passos de Gaara, entrou em um pequeno corredor onde se encontrava uma única sala. Bateu uma vez, sem resposta ele abriu.

– Nara.

– Humm? — Resmungou abrindo os olhos. — Gaara? O que quer?

– Mais um homícidio da loira.

– Ela não se cansa de matar?

– Parece que não.

– E o que quer?

– Vamos às minas de cobre em Okinawa com Shino e Naruto, quero a sua ajuda para bolar um plano e descobrir algumas coisas a mais. Sei que é competente e preciso descobrir o que ela está tramando...

– Preciso mesmo ir? — Gaara não respondeu. — Que problemático.

– Naruto lhe avisará quando iremos partir.

– Ok... — Ele bocejou. — Até lá.

– Conto com você.

Gaara saiu da sala quase dormindo, não devia dormir há aproximadamente dois dias. Bocejou levemente, piscando os seus olhos com frequência. Foi até o seu carro e se sentou no banco do motorista, fechou os olhos e dormiu em segundos.

Ele foi acordado novamente após duas horas, uma ligação de Naruto. Procurou o seu telefone em seu bolso e quando o encontrou logo se dirigiu à Naruto com a voz rouca, a pouco usada após essas horas.

– Hm? — Murmurou ao atender.

– O vôo saí daqui à duas horas, já arrumou as malas?

– Já. — Resmungou olhando no banco traseiro uma mochila que sempre estava ali com roupas e tudo que era necessário para uma nova viagem. — Venha logo para o carro, temos que chegar uma hora antes de qualquer maneira.

– Disse o quê? — Naruto resmungou batendo o punho fracamente contra o vidro do carro. — E aí? Pronto? Shino, Asuma e Shikamaru vão direto para o aeroporto, tinham que se arrumar antes.

– Asuma? Sarutobi Asuma? Por que o chamou?

– Ele diz que talvez saiba que é a loirinha... — Resmungou entrando no carro. — Diz que o porte físico é parecido com uma das ex's alunas dele, uma tal de Yamanaka Ino. Ele até tinha uma foto dela, é bem parecida de acordo com as câmeras, mas... — Naruto riu sem humor. — Qual seria a chance de isso acontecer?

– Hum. — Balbuciou. — Vamos lá?

– Pela terceira vez. — Replicou chateado.

– Não era você que sempre queria ser um detetive? Agora que consegue, reclama? Não entendo... — Suspirou. — Animação, Naruto!

– Quem falando. — O loiro debochou abrindo um salgadinho. — Você só gosta desse caso porque é meio obsecado pela loirinha... Aliás, por que é obsecado pela loirinha? Nunca tive chance de perguntar...

– Eu não sou obsecado pela loira. — Reclamou ligando o carro.

– Tem certeza?

– Acho interessante o modo que ela faz os assasinatos sem deixar nenhum vestígio, só isso.

– Hummmm. — Murmurou alto. — Entendo... Vê se não se apaixona viu? — Naruto riu. — Está no caso dela há quanto anos? Uns... dois anos? Mais?

– Quatro.

– Uau.

– Sem gracinhas, Naruto.

– Não disse nada! — Ele ergueu as mãos.

– Tente dormir. Vai te fazer bem.

– Vou comer primeiro. — Ele ofereceu um salgadinho. — Quer?

– Passo e nem pense em sujar o meu carro.

– Não vou, nem... — Naruto olhou para baixo, havia derramado alguns salgadinhos, na verdade, quase metade do pacote. — Opa...

– Acho melhor eu nem falar mais nada... — Suspirou por fim.

Se passou trinta minutos e chegaram ao aeroporto, quase vazio, avistaram os três ao longe, Shikamaru e Asuma conversavam e Shino observava a conversa atentamente.

– Hey! — Naruto chamou a atenção. — Qual é o papo da vez?

– Achamos que a loira é Yamanaka Ino. — Shino comentou.

– Ela era a minha colega no colegial, intelingente, bonita, misteriosa... Era uma de minhas amigas, não falava muito com ela e ela sabia tudo sobre venenos... Não sei como não suspeitei antes dela, quero dizer, quem suspeitaria? — Resmungou cansado.

Horas depois, em Okinawa...

– Chegamos novamente aqui, pensei que não voltaria tão cedo...

– Vamos para lá, Shino, prepare seus equipamentos. Naruto, quero que converse com as pessoas que trabalham lá... Asuma e Shikamaru fiquem comigo, vamos investigar a mina.

– Sim. — Responderam em coro.

Todos foram até as minas, Shino ficou pouco tempo para trás, arrumando equipamentos, logo se encontraram juntos novamente e se separaram a ordem de Gaara. Shino foi em uma área específica da mina onde ficava armazenado o veneno, Naruto perguntava a alguns trabalhadores juntos com Asuma, que falava a aparência da loira.

Gaara estava sozinho, no meio daquela mina, passos lentos foram ouvidos, Gaara se virou, já esperando a resposta de Shino, não haviam encontrado nenhum vestígio e nada que acusasse ninguém, ou então seria Naruto, falando que ninguém havia visto alguma loira e muito menos que usava uma máscara.

Se surpreendeu quando se encontrou com os olhos azuis, cabelos loiros e uma máscara cobrindo o rosto. A loira concluiu rapidamente, ele não sabia exatamente o que fazer. Ele colocou as duas mãos atrás de suas costas, onde caçavam a sua arma.

– Tenho que lhe prender, é acusada de homícidio qualificado, fraude, extorsão e várias outras coisas, é culpada da morte de cinco pessoas...

– Sabaku no Gaara. — A voz da loira ecoou no local vazio. — Soube que você é o detetive-chefe do meu caso... — Ela andava lentamente até ele. — Deve saber tudo sobre mim, acredito que tanto quanto eu sei de você.

– Na verdade, não. Acabei de descobrir o seu nome hoje, Yamanaka Ino. — O sorriso de Gaara mostrava vitória, ela não tinha armas consigo. — Estou certo?

– Shikamaru. — Concluiu, a sua mão foi parar em sua máscara. — Acredito que eu não precisse dessa máscara agora, não é mesmo? — Ela riu sem-humor.

Ele não respondeu, cuidava dos movimentos dela. Ele na verdade, queria muito saber como ela era realmente. Ele se xingava mentalmente por sentir uma atração por meros segundos depois de a ver. Ela, então, tirou a máscara, revelando os belos traços delicados, uma boneca de porcelana, pensou imediatamente Gaara.

– Não se mexa, Ino. — Falou claramente se aproximando.

Ela parou no mesmo lugar e ergueu as mãos em ato de desistência, o sorriso era irônico e sexy, fazendo Gaara suar um pouco, desconfiado de parecer tão fácil.

Ele se aproximou dela, as algemas já estavam quase a alcançando, parou quando sentiu os lábios dela sobre os seus, eram frios e carnudos, Gaara ficou assustado, demorou demais para se separar dela, Ino havia pegado o seu revólver e mirava na cabeça dele.

– Você é bonito, pena que é muito curioso... — O sorriso de seus lábios aumentaram. — Descobriu a minha verdadeira face e isso, é um problema, tanto para você quanto para mim.

– Vai me matar. — Concluiu. — É um erro. Asuma e Shikamaru já suspeitam muito de você, talvez tenham provas contra você, vai ser presa, cedo ou tarde.

– Eu vou os matar, eles devem vir aqui, cedo ou tarde atrás de você, não é mesmo, chefinho? — Ino riu debochadamente. — É tão fácil...

– Nem tanto assim. — A voz de Naruto foi ouvida na porta da mina, seguido pelo barulho do tiro, que acertou Ino no estômago. — Gaara, você está bem? — Correu ao ver a loira caída no chão.

– Estou... — Murmurou olhando para o corpo da loira. — Acha que está viva?

– Provavelmente não, é difícil alguém sobreviver a um tiro desses.

– Temos que levá-la para a investigação, então. — Ele foi ao lado dela, os olhos ainda estavam abertos, ela sussurava algumas coisas em tons baixos.

– Medicina. Haruno Sakura. Engenharia. Uchiha Sasuke...

– Quem são esses? — Gaara ordenou.

– Amigos... — Ela sorriu. — Meus melhores amigos. Sabe, se eu sobreviver, vou voltar à matar pessoas, como sempre, deve perguntar o por quê... — Ela derramou um pouco de sangue no chão. — Eu odeio as pessoas, elas são falsas e mentirosas.

– Sakura e Sasuke também?

– Sim... Eles serão os próximos.

– Se sobreviver, estará na cadeia.

– Algum dia serei solta.

– Sabe, eu também era assim, até que conheci Uzumaki Naruto, esse loiro que acabou de balear você, ele é determinado, um pouco burro, mas a sua determinação me salvou. Eu nunca seria o que sou hoje sem ele.

– Pessoas não mudam.

– Se não quiserem, não mudaram mesmo.

– Quer dizer que se as pessoas não quiserem mais ser falsas, não serão?

– Quero dizer que se você quiser mudar, você pode. — Falou a levantando do chão. — Vamos ver se você vai longe... Sabe, conheço muitas pessoas falsas, mentirosas, mas... já pensou que não fazem de propósito?

Ino não respondeu. Gaara ia caminhando e a auxiliando a andar, o revólver dele ficou caído no chão. Naruto ia ao lado dele em silêncio, o escutando. As palavras de Gaara também faziam efeito, tanto quanto as palavras dele nas pessoas.

– Conheci uma mulher, ela gostava de mim, mas eu gostava de outra pessoa, ela plantou provas contra mim para eu perder o meu emprego, o qual eu batalhava por longos anos. Ela só queria gostar de mim, ele não fez de propósito, ela queria me separar do trabalho, já que ela sabia que eu gostava de alguém que se envolvia nele.

– Ela podia não ter feito nada, simplesmente aceitado que você não gostava dela, ela não precisava ter feito aquilo tudo...

– Será? Um amor verdadeiro é capaz de tudo, é o que dizem, não é?

– Não acredito nessa bobagens... — Resmungou com a mão no ferimento.

– Eu não acreditava também. — Eles finalmente chegaram ao lado de fora da mina, Shino e Asuma estavam lá, Shikamaru não estava à vista deles.

– Ino! — Asuma exclamou. — Eu não acredito que é você mesmo...

– Faça um favor para mim, Gaara. — Ino ignorou o seu antigo professor e direcionou o seu olhar para Gaara. — Pegue a minha máscara depois, ainda não tenho coragem de me livrar dela.

– Quer dizer que ainda não aceitou quem você realmente é, em outras palavras... — Refletiu, a conversa, só tinha sentido para os dois, como se fossem de outro mundo.

– Ainda não estou pronta, e eu ainda quero deixá-la de lado.

– Eu vou lhe dar, mas quero que me faça um favor.

– Hum?

– Deixe-me mudá-la.

– Já está fazendo isso.

Ino sorriu sincera, expondo algum brilho no olhar, um brilho que Gaara a fez reacender. Um brilho que ela não quer mais deixar apagar.

O brilho da esperança.



Notas finais
Fiquem à vontade para comentar
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!