Máscaras

4 Minha iniciação como pombo-correio


Notas iniciais
Essa história é diferente de tudo que já escrevi antes. Não sei se vai agradar às ELFs e SONES desse mundão de meu Deus. Mas não esqueça de deixar sua review. Ela é muito importante para mim, viu? o/

– Por favor, faça o que você fez ontem. – As unnies me lançaram olhares fuziladores. E, claro, fingi que não vi. Dessa vez, coloquei a quantidade de brilho que elas pediam. Bom, pelo menos, ficaram satisfeitas e eu apliquei da forma correta.

Veja bem, eu não espero agradar ninguém com o que eu faço. Talvez por isso que eu seja mal sucedida... É isso que você está pensando? Mas não é bem assim. Não se esconde uma espinha a todo custo, existe uma quantidade de bom senso equivalente a quantidade de base e pó que se pode aplicar em alguém. O mesmo é com o brilho. Mesmo que você vá ser filmado, mesmo que seja um palhaço, tem certo limite.

Então, não, não queria agradar as garotas nem muito menos fui tratada bem e meu coração derreteu. Mas coloquei a quantidade que ela pediram. Antes eu aplicando do que elas mesmas. Basta os olhos brilhantes. Não unhas, bochechas e todo resto que elas tocarem. Além e acima de tudo, pelo menos hoje, eu pude ajudar a fazer os olhos da Jéssica e da Seohyun. Graças ao atraso da chegada das meninas causado pelo trânsito. Assaa!

Se eu simplesmente negligenciar e não falar como é a sala de espera das famosas e pernudas SNSD todo mundo vai querer me matar. Para falar a verdade, pessoalmente, eu passaria por esse assunto sem nenhum comentário. Mas para agradar à Johnny, Sones e toda a nação coreana...

Hoje, pelo menos hoje, foi calmo, apesar do pequeno atraso. Ontem, a primeira performance do comeback, nem tanto. Telefones não param, tem staff para todo lado, é um ambiente um pouco caótico... pressa, ocupação, suor. As meninas ficam retocando, azucrinando as estilistas e maquiadoras, desmaiam nos sofás e cochilam sentadas. Coisas do tipo.

Mas como disse, hoje estava mais calmo. Pude ouvi-las conversar – e soou como Harry Potter conversando com cobras. Elas falavam baixo, até o manager, naquele momento, era um de seus inimigos. TOP SECRET. Sooyoung estava falando mal de alguém ou reclamando... Yonna e Tiffany só escutavam.

Quando é muita gente para se arrumar é assim. Quando uma sai da cadeira, entra na conversa que já estava prosseguindo, e se começa a contar tudo de novo. Eu estava maquiando, mas ainda assim podia ouvir vozinhas entrecortadas vez ou outra. Os managers (fingiam que) não ligavam, as unnies apuravam os ouvidos.

– Não, comece de novo... – Exigiu Jéssica que acabava de sair da minha cadeira.

– Quem? Tem certeza que foi ele? – Perguntou a Sunny, ignorando a amiga loira.

– Quem, gente? Quem? – Jéssica não gostava de ficar por fora.

– Olha... É assim... – Recomeçou a Sooyoung!

– Shh! Mais baixo... – Era a Tiffany.

Fora isso, meus caros, sim, eu ouvi um “2PM” para lá... um “maldita!” pra cá... Mas nada que eu possa falar com certeza, e mesmo assim, não poderia abrir minha boca. Tá, tá, eu abriria. Mas só para o Johnny.

– Er... Tiffany-ssi... Tiffany-ssi... É sua vez. Venha, por favor. – Ela não ia sair daquela conversa? Eu ia sentar, então.

– TIFFANY! ESTAMOS ATRASADOS, NÃO PERCEBEU?! VAMOS! – Era o educado manager Lee. Aquele homem era um doce em pessoa.

– Sorry. – Sussurou ela, com cara de culpada. Ah, né, acontece. Depois daquela até eu fiquei com pena.

Quando finalmente preparei a pele de todas elas para as unnies fazerem (mal feito, minha opinião, desculpa) a parte mais importante, guardei no meu estojo meus pincéis inseparáveis. Como as meninas seriam entrevistadas além de se apresentar no palco, hoje a espera seria longa. Então resolvi fazer meu trabalho de maknae de bom grado.

Arrumei todo o estojo de maquiagem, limpei o chão, lavei alguns pincéis e, por fim, inevitavelmente, o tédio me alcançou. E quando isso acontece nunca é boa ideia, pois você vai fazer qualquer coisa sem pensar, só para se livrar dele, o maldito tédiio. Mas não foi pensando com a voz da razão que coloquei meus pészinhos para fora da sala de espera. O fato é, e não posso mais negar, que eu estava curiosa.

Andei pelos corredores, sorrateiramente, parecendo muito ocupada olhando para o meu celular. Comecei a associar a cara de alguns managers com seus idols e a identificar a sala de cada um. Até que, com um barulho irritante, uma porta se abriu e um alto homem saiu da sala, batendo novamente a porta atrás dele.

Ele socou a parede a sua frente, escondendo o rosto em seu braço. Respirou fundo e, quando se virou para o corredor, reconheci. Ora, era o Taecyeon. Para meu espanto, ele começou a vir na minha direção. Não, queridas, eu vivo na realidade e não preciso cair na real. Claro que eu tinha certeza que era ele mesmo. E tinha completa ciência que ele não queria nada comigo, afinal, nem nos conhecíamos.

Mas veja bem, a sala das nove meninas era a última do corredor. Elas queriam a mais isolada por ser mais silenciosa e ganhavam tratamento VIP. Se ele estava vindo na minha direção, então só havia duas opções. Ou ele falaria com alguém no corredor ou entraria em alguma sala que não era a dele — a sala das Girls' Generation?

Para complementar, ele poderia falar com quem quisesse, mas no momento ele estava me encarando. Meu cérebro trabalhou rápido e cheguei à óbvia conclusão. Ele ia falar comigo. Parei e esperei. Com a cara de pau que Deus me deu, abaixei o celular e também o encarei.

– Preciso que você passe algo. – Ele falou tão baixo que tive que raciocinar por alguns segundos para entender.

– Passar algo? – Fiz cara de quem tenta entender latim falado por um indiano. – Olha, não vendo isso, não...

– Ah, você é a novata?

– É, sou, mas não é com isso que trabalho...

– Hã? Com isso? Você não é a nova makeup artist? – Fiz que sim com a cabeça. Makeup artist? Nossa, adorei aquilo. Ele conseguiu ficar ainda mais charmoso.

– Olha. Preciso ser rápido, então só escute. Diga à Jéssica que não vai dar. Não hoje e nem amanhã.

– Por que você não usa seu celular...?

– Porque eu tenho olhos e traidores dentro do meu próprio grupo. – E, ao completar essa frase, a qual o deixou novamente no modo soquinho na parede com carinha de menininho irado, ele deu meia volta e saiu na outra direção.

Resolvi tomá-lo como exemplo e dar meia volta para a minha querida salinha com managers e unnies azedas antes que alguma outra coisa acontecesse. Porque, sinceramente, ainda não sabia como ia “passar” aquilo para a criatura mais vozinha fina e irritante daquela girlband.

Mas claro, senhoras e senhores, nada poderia ser perfeito e silencioso. E claro que a Junhye me olhava com um olhar à la psicopata de destruição total na frente da porta da nossa sala. Respirei fundo e tentei passar por ela como se nada tivesse acontecido.

– Você. Não. Deve. Nunca. Sair. Da. Sala. — Ela estava com a melhor cara azeda que conseguia fazer.

– E por que não? – Tá, agora ela tinha me irritado. Direito de ir e vir? Número de um advogado, por favor? Alguém?

– O que ele queria? Que você passasse alguma coisa, não é? Você tem alguma noção do risco que isso significa? Para as meninas? Para a companhia?

– Então o que eu deveria fazer, sair correndo? – Tentei me acalmar. Meu próximo passo era morder a língua se aquilo ficasse mais sério.

– Deixe que quem tem experiência cuide disso. Me diga o que ele queria. Eu passo para ela. Ei! Me diga agora!

Aí, bem, eu não agüentei. Dei a gargalhada mais irônica que consegui fazer e entrei na sala. E foi lá onde fiquei até que as meninas voltaram quarenta minutos depois. Junhye simplesmente não voltou seja lá da onde que ela foi, para meu alívio. Tinha a impressão que ela tinha ido procurar alguém do 2PM para saber qual o recado. Claro que ela não tava interessada em proteger nenhuma das meninas, só não queria perder a fofoca do dia. E eu não ia entrar nessa.

Todas nós ajudamos a estilista a empacotar tudo, todas elas se trocaram e nós íamos para sala de ensaio no prédio da SM. Teriam um entrevista, ensaio e assim que amanhecesse teríamos que sair. Ia levar a noite toda e eu não fazia ideia como aquilo ia funcionar. Mas vamos lá, eu precisava do emprego!


Notas finais
Obrigada por ter lido até aqui!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.