Máscara
12 O Fim - Parte III
Notas iniciais
– Narração Magali –
Deixei o quarto da Mô e fui visitar a minha mãe. Algum tempo antes, os médicos tinham me dito que ela estava melhorando. Ela ainda está em coma, mas não podemos perder as esperanças, certo? Entrei no quarto dela, e falo com ela.
_Oi mãe, é a Magali... – Eu esperei alguma resposta, mas nada veio. Até que eu vi que ela abriu os olhos.
_Fi-lha? – Tentou falar ela, sussurrando. Eu segurei fortemente a mão dela e senti a felicidade pulsando nas minhas veias.
– Narração Off-
_Sim mãe, aqui é a sua filha, Magali. – Os olhos da garota brilhavam, então ela abriu a boca e sussurrou:
_E-eu te amo, filha. C-cuide bem do seu irmão e do seu p-pai. – Ela disse com muito esforço, e então fechou os olhos novamente. A sala, silenciosa agora, foi cheia por um barulho de um longo PI. Veio uma enfermeira e logo um médico. A garota havia se sentado e ela estava com os olhos abertos, sem piscar. Estava em estado de choque. Um médico de cabelos claros sentou-se ao lado dela e pôs a mão no ombro dela.
_Ela se foi, eu sinto muito. – Ele disse, e então caíra a ficha na garota. Ela havia perdido a mãe. Magali começou a chorar e chorar desesperadamente, sussurrando frases como: ‘eu te amo, mãe’ e ‘eu vou cuidar bem deles’. Ela saiu da sala e foi pra rua, tomar um ar. Depois, Cascão, que estava na janela do quarto da Mônica, viu Magali na rua, e um homem estranho falando com ela. Ele desceu as escadas correndo. Chegou ali e viu o homem com uma arma na mão. Ele sabia que o cara ia atirar na namorada dele. Ele chegou gritando, e disse para o cara abaixar a arma. Magali suplicou que o Cascão não revidasse. Havia gente em volta. Gente com medo, com medo de fazer algo para mudar. O homem estava prestes a atirar quando Cascão, em um ato heroico (ou louco) pulou em cima dele. O cara ficou preso ao chão, e tentou atirar em Cascão. Logo depois, Cascão caiu.O homem estava prestes a atirar quando Cascão, em um ato heroico (ou louco) pulou em cima dele. O cara ficou preso ao chão, e tentou atirar em Cascão. Logo depois, Cascão caiu. O homem se levantou e tentou sair correndo, mas foi pego por outros homens. Cascão se virou e colocou a mão no abdômen. Sua regata branca estava com sangue, o tiro havia sido pego. Logo uns médicos e enfermeiros chegaram e o colocaram numa maca. Magali estava ao lado dele, segurando sua mão. Ela começou a chorar mais e mais, desde então. Os médicos o levaram e Magali foi tentando acompanhar, mas eles lhe pediram que ficasse ali. Ela se sentou e começou a chorar mais. Pois, ela não podia perder a mãe e o namorado no mesmo dia.
– Algumas semanas depois –
Cascão já estava melhor. Relativamente. Havia perdido os movimentos das pernas. O tiro acertara sua coluna e ele teve paraplegia. Teria que fazer fisioterapia três vezes por semana, no mínimo. E poderia não voltar a andar. Mas os médicos disseram que ele ainda tinha chance. Mônica, alguns dias atrás, foi até uma delegacia e fez queixa contra o Fábio. Ela deu depoimento e fizeram exame corpo de delito nela. O delegado pediu um exame de DNA e esse comprovou que o filho é mesmo do Fábio. Hoje terá o julgamento.
– No tribunal –
_A senhorita Mônica Souza acusa o réu, senhor Fábio Mello Júnior, sob a grave acusação de estupro. – Disse o Sr Rodrigues, advogado da Mônica.
– Narração Magali –
Eu estou no tribunal, Cas está do meu lado na cadeira de rodas e Mônica está lá na frente, junto com seu advogado. Estou temendo que ela não ganhe. Estou temendo que o Fábio vá atrás dela se ele não for preso. A Mô só tem o Andrew de prova, mas isso só prova que ela fez sexo com o Fábio e nada mais do que isso. Faz tempo demais que aconteceu. Quase um ano agora. Não estou ouvindo direito o que eles falam, mas parece ser uma grande luta. Não entendo essas palavras difíceis. Espera, agora é o momento mais tenso. Acho que é a sentença final.
_Os jurados declararam o réu inocente. – Disse o juiz. Mônica se levantou na hora.
_Mas como?! O senhor não pode fazer isso com a gente, ele vai vir atrás de mim e do meu filho, ele vai nos matar e...
_Senhorita, acalme-se. Sente-se. Deixe-me terminar a sentença. – Disse o juiz, com um rosto carrancudo e batendo repetidas vezes o martelinho. – Mas, como as acusações são altamente graves e a criança existe, declaro que o réu, senhor Fábio Mello, não possa se aproximar mais do que 200 metros da senhorita Mônica Souza e seu filho, Andrew Souza.
_EU PROTESTO! – Levantou o senhor Almeida, advogado do Fábio. – Meritíssimo, como o senhor quer que meu cliente não se aproxime do próprio filho?
_Protesto negado. O senhor Fábio tem 15 dias para sair da cidade do Limoeiro. – O juiz terminou de falar, e a Mô suspirou aliviada. Pelo menos isso. – Sessão encerrada. – O juiz bateu o martelinho pela ultima vez e nós, eu, Cas e Mô, saímos do tribunal. Mô tinha o Andrew nos braços e assim que saímos daquele lugar, puxei seu braço.
_Mô, eu tenho uma coisa a te dizer. Tudo isso que nós passamos vai servir pra algo. Foram meses difíceis para todos nós, foram coisas difíceis que nós passamos, mas... O importante é o agora. E agora, estamos juntos. Eu, você, Cas e o Andrew. E sua família. E minha família. E tudo vai ficar bem? Sabe, dizem que há males que vem para o bem. E eu acredito nisso. Agora, nós estamos mais fortes do que qualquer coisa, do que qualquer um poderia imaginar alguns meses atrás. Porque agora nós temos histórias de vidas que ninguém pode tirar da gente e que contaremos pros nossos netos como fomos, e ainda somos, fortes. E como estamos juntos, porque eu prometo que não vamos nos separar mais. Eu poderia lhe pedir desculpas, mas você daria um tapa na minha cara. Porque, como sua melhor amiga, eu nunca aceitaria um ‘perdão’ seu. Por quê? Porque você nunca vai fazer algo tão grave que necessite do meu perdão.
_E assim o contrário, amiga. – Disse ela com um sorriso sincero nos lábios, que eu já não via a meses.
_E é por isso que nunca devemos nos separar, garotas. Porque não somos nada um sem o outro. E o ‘nada’ não existe. Eu não existo sem vocês, Cebola deixou de existir, mas nós estamos aqui e vamos continuar juntos. A unica coisa que eu posso prever sobre meu futuro, é que vocês estarão lá, comigo. — Cas terminou de falar, então um lindo por do sol brilhava no horizonte. O começo de uma nova vida, o final quase feliz de uma triste história.
–Narração Off-
Nesse momento, os olhos dos três brilhavam. Eles olharam para o por do sol no horizonte a frente. Andrew estava no colo de seu padrinho, Cascão. Magali estava segurando a cadeira de Cascão com uma mão, e abraçando Mônica com a outra. Mônica retribuía o abraço. Os três sentiram um arrepio na espinha. Mônica sentiu como se estivesse sendo abraçadas e achou que tivesse ouvido um sussurro de desculpas. Talvez fosse. E talvez numa ultima imagem linda parecia que a turminha que se conhecera a tanto tempo estava reunida e enfrentaria o que desse e viesse. E o futuro deles? Bem, isso é algo que nada pode prever.
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