Más Intenções - Litor
12 Capítulo 12 - Jardim Secreto
Durante a noite, Fatinha bateu na porta de Lia, que a atendeu desanimada.
– Oi, Fatinha. — Disse Lia, na porta.
– Oi, Lia! Posso entrar? — Lia não respondeu, apenas abriu espaço pra Fatinha entrar e fechou a porta. — Você deve imaginar porque eu vim aqui...
– Imagino... Olha, Fatinha, nem tenta hoje, tá? Eu não vou falar com ele.
– Tudo bem, eu entendo. Mas olha só, ele voltou pra ver os amigos e principalmente pra se resolver contigo. Ele não vai desistir, tá? Tenta conversar com ele, Lia. Quem sabe vocês não se resolvem.
– Você tá louca.
– Tá, Lia. Só vim dar o recado, ok? Ele só quer conversar. Qualquer coisa, aparece no hostel, ele tá hospedado lá. E ah... Se você não tá sabendo ainda, sexta a gente vai fazer uma festa de boas vindas pra ele, no Misturama. Ia ser legal você aparecer.
– Você só pode estar brincando, Fatinha.
Dias depois, Lia continuava afastada de Vitor. Quando pensava em ir falar com ele no colégio, ele parecia estar com o pior humor do mundo, e preferiu nem tentar. Saiu para ir às aulas quando viu Vitor indo por uma rua que era afastada do colégio. Sua curiosidade a fez seguir ele. Entrou no jardim e não acreditava no que via. Vitor havia levado uma mesa que encontrou na rua, velas, uma lanterna, um sofá quase novo que arranjou com um amigo e umas cadeiras. Tudo desarrumado mas para Lia aquilo era absurdamente incrível. Vitor só percebeu a presença de Lia alguns minutos depois, enquanto ela ainda admirava o ambiente.
– O que você tá fazendo aqui??? — Respondeu Vitor, visivelmente chateado.
– Desculpa, Vitor. Confesso que eu te segui.
– Porque?
– Eu queria falar com você, sei lá. O clima tá estranho.
– É...
– Esse lugar é incrível!
– Você acha?
– Óbvio! Você não tá morando aqui, né?
– Claro que não. Tá vendo alguma cama?
– Achei que você fosse vampiro e não dormisse.
– Engraçadinha.
– Você sabe que pode ser preso por invasão, né?
– Eu não to nem aí. Achei esse lugar uns dias atrás. É bom pra ficar aqui por horas, pensar na vida, sabe? — Vitor olhava em volta, admirando o lugar também. Lia adorava o jeito que ele não se importava com o perigo de estar ali.
– Eu achei demais. Você tá sempre aqui?
– Às vezes venho, quando sobra tempo.
– É lindo, tipo no filme Jardim Secreto...
– Ó, bom nome pra esse lugar. Jardim Secreto, ficou. — Lia e Vitor riram.
– Posso vir, de vez em quando? — Perguntou ela.
– Claro... Afinal, não sou dono daqui. — Os dois ficaram em silêncio por uns segundos até Vitor ter coragem de perguntar. — Como você tá?
– Tô bem...
– Me refiro ao Dinho. — Lia ficou um pouco nervosa com a pergunta.
– Olha, Vitor... Não quero falar disso.
– Imaginei.
– Não é nada, sabe. Acho que ele só veio aqui pra mexer na ferida. E tá conseguindo.
– Lia, posso dar minha opinião? — Lia concordou. — Fala logo com ele. Ele veio pra falar com você, pelo jeito. Acaba logo com isso, sei lá. Conversa, diz o que tá engasgado aí. Talvez seja melhor, talvez não... Mas evitar vai só gerar mais estresse.
Lia ficou pensativa com o que Vitor havia dito. Os dois foram andando pro colégio quando Fatinha chegou pra falar com eles, no portão do colégio.
– E aí, duplinha.
– Oi, Fatinha. — Os dois disseram.
– Tá menos estressadinho, motoqueiro? — Perguntou Fatinha. Lia não entendeu nada.
– Sim, Fatinha...
– Então, Lia... Pensou no que eu disse?
– Sim. Fala pra ele que hoje eu vou passar lá. Quero acabar com isso logo.
– Vocês vão se acertar, eu boto fé. — Disse Fatinha, irritando muito Vitor, que se segurava pra não soltar nenhum comentário.
– Porque você torce por isso, Fatinha? Você sabe o quanto eu me ferrei.
– Eu sei, Lia. Mas eu acho que todo mundo merece uma segunda chance. E acho que vocês dois merecem mais ainda.
– Isso não vai acontecer. — Disse Lia.
– Segunda chance pra levar chifre de otário não devia ser algo que você quer, né Fatinha. Você sabe muito bem o que é ter um mané te fazendo de idiota, e sim, eu falo do Bruno. — Com uma frase, Vitor conseguiu fazer Fatinha e Lia ficarem irritadas com ele. As duas deixaram ele falando sozinho e mais irritado ainda.
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