Máquinas do Apocalipse
2 Deuses Mecanizados
Hopebringer, a estação espacial internacional habitada por astronautas e pesquisadores de várias nações do planeta, foi a primeira a colidir com o nosso planeta, atraída para cá pelos poderes de Andrômeda. E não foi em uma parte aleatória qualquer: a estação de mais de 450 mil quilos caiu sobre a cidade do Vaticano, na Itália, apagando a mesma do mapa em uma explosão devastadora.
Daquela explosão titânica, emergiu o segundo Deus-Máquina, Alkanathyas.
Não tinha traços humanos como Andrômeda, mas se parecia com uma besta infernal de metal retorcido e fogo. Nascida do genocídio da população italiana, aquela máquina do tamanho de um prédio de dez andares urrava em uma frequência desconhecida ao ouvido humano, causando delírios, hemorragia cerebral e outras dezenas de distúrbios psicológicos a qualquer ser vivo pego no raio de seu cântico maldito.
Nós assistimos horrorizados enquanto o mundo era devastado e a população dizimada. Um após o outro todos os marcos e grandes capitais da humanidade eram atingidos pelos destroços vindos do espaço e deles emergiam outras máquinas que traziam o apocalipse ao nosso mundo, cada uma de alguma maneira horripilante e absoluta.
Um dos satélites destruiu a ponte do Brooklyn causando a morte de centenas de pessoas, eu pude ver a explosão luminosa da janela de meu apartamento, no lado de Manhattan da ponte. Não havia escapatória para mim estando tão próximo de um D’eles, mas surpreendentemente o ser que emergiu das águas do Rio East levantou voo assim que saiu dos destroços e desapareceu no céu noturno em uma velocidade absurda, explodindo as vidraças das construções nas imediações da ponte.
Depois daquilo já não lembro muito bem da ordem dos fatores, já faz tantos anos afinal…
Sei que a chegada D’eles precedeu uma grande batalha, mas não entre nós e Eles, não. Nossa luta já estava perdida antes de começar. A batalha fora entre Eles próprios. As máquinas apocalípticas que haviam caído em nosso planeta passaram a digladiar pelo mundo inteiro, ignorando nossa frágil existência enquanto tentavam destruir umas às outras.
As máquinas destruíram montanhas inteiras com armamentos jamais vistos ou sequer imaginados pela nossa tecnologia atual. Batalhas sobre o oceano causaram maremotos e tempestades, além de alterar os níveis do mar e abrir fendas tão profundas a ponto de drenar segmentos inteiros do oceano para suas profundezas.
As batalhas trouxeram a atividade vulcânica do planeta ao seu ápice, fazendo vulcões ativos e inativos colapsarem e entrarem em erupção novamente. O vento parou de soprar e a noite se estendia cada vez mais enquanto a luz do dia se tornava mais e mais escassa.
O combate violento distorceu a gravidade e o tempo enquanto aqueles seres atravessavam os céus do planeta devastado, criando visões tão aterrorizantes que destruíram a pouca sanidade dos sobreviventes que testemunharam os momentos finais da humanidade, escondidos em alguns raros locais menos afetados.
Àquela altura era certo afirmar que noventa porcento da população humana havia sido dizimada desde o início daquela batalha de escala global. No ápice dos confrontos, um dos Deuses-Máquina destruiu parte da lua com o impacto de seu corpo titânico que havia sido arremessado para fora da órbita da terra por outro de sua espécie.
As batalhas finalmente cessaram após um período de tempo indeterminável pela concepção humana. Podem ter sido segundos ou milênios, não sei dizer. O tempo já não corria de maneira uniforme e nossa mente já estava deteriorada demais para compreender isso.
Sinceramente? Não sei como sobrevivi ao fim do mundo até agora.
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