Era o primeiro dia de aula em 2009. Cassandra estava pronta, usando uniforme e lápis de olho enquanto observava sua imagem no espelho. Não havia algo que realmente não gostasse, talvez os cabelos loiros e encaracolados, únicos na casa, a incomodassem, mas gostava deles e de seus olhos castanhos, das pintinhas no seu queixo e pescoço, de tudo, menos de ainda se parecer com uma adolescente.

A porta de seu quarto tinha uma pedra lilás, que se acendeu indicando que alguém tentava a contatar.

— Entra. – ela autorizou com a habitual voz rouca.

Logo a porta se abriu, revelando a imagem de uma garota mais baixa, que aparentava ter seus 11 anos, usando uma tiara cor-de-rosa para prender os cabelos profundamente escuros e lisos para trás.

— Cass, você não vem comer? – Agda era a irmã mais nova, a que sempre parecia um pouco distraída.

— Sim, eu já vou. – a mais velha respondeu sem ânimo.

— Papai fez seu favorito.

— Se ele acha que é o suficiente pra melhorar meu humor com essa palhaçada… Você já não cansou de passar pelo sexto ano, Agda?

— Hum. – Agda tomou um pequeno instante para pensar, mas na verdade não parecia se importar o suficiente – Podia ser pior.

*

Na cozinha, o bule flutua fazendo um delicado movimento circular, despejando água sobre o coador de café e liberando o cheiro da bebida por toda a casa. Agda é a primeira a chegar e se sentar à mesa enquanto Cícero, com profundas entradas e simpáticas bochechas redondas, tira torradas do forno.

— Ela tá vindo – a mais nova avisa ao pai.

— Vocês já estão atrasadas – o pai tenta se apressar fazendo que as torradas e os ovos mexidos voem para os pratos que já estão a caminho da mesa. Cassandra se aproxima da porta da cozinha a passos lentos – Bom dia, barulhenta! – ele tenta soar empolgado – Animada para conhecer sua nova escola?

— Sei lá… – Cassandra responde observando sua irmã sentada um tanto distante da mesa, atrapalhando o caminho. Em um instante ela desaparece de perto da porta e reaparece sentada do outro lado da mesa – Elas já parecem todas iguais. – A adolescente observa o pai trazer o café e se sentar com as filhas – Não faz mais sentido eu ter que ir pro ensino médio, eu já tenho uma cara de… sei lá, uns dezenove anos!

— Espero que não seja assim que você use seus poderes na escola. – o pai responde tentando fugir da argumentação da garota.

— Eu conheço as regras… Mas seria mais fácil se eu só não fosse a escola.

— Nós já discutimos isso ano passado, querida –a discussão no ano anterior foi cheia de explicações e argumentações que Cícero não parece ter paciência para repetir – nem é tão ruim assim. Sua irmã gosta de ir, não gosta, Agda?

A mais nova balança a cabeça de forma que não diz nem sim nem não, mas responde:

— Eu sempre faço vários amigos.

— Viu? Dá pra se adaptar! –ele reforça o ar de empolgação e otimismo – No fim das contas não é tão ruim assim viver uma vida discreta. Lá fora somos comuns, e dentro de casa podemos ser nós mesmos.

Cass se encolhe começando a comer, ela busca encarar o pai com o canto dos olhos, ainda disposta a desafiá-lo mais um pouco.

— E se algo acontecesse e… e eu corresse risco de vida?

— “Risco de vida”? – ele já conhece as provocações e sua filha mais velha, sempre desagradáveis.

— É, e se eu estiver em uma situação de perigo

— Apenas evite situações de perigo – ele tenta a interromper dando fim na conversa, mas é em vão.

— Tipo um carro vindo na minha direção, totalmente desgovernado! – ela gesticula fazendo o carro com uma mão e representando a si mesma como um garfo em pé sobre a mesa.

— Cass, menos, por favor.

— Eu poderia teleportar 30 centímetros para a direita e evitar um acidente! Mas, oh não! Alguém poderia ver! Então é melhor que PLAFT! – a mão que representava o carro acerta o garfo, o lançando para poucos centímetros da beirada da mesa.

— Cassandra! É claro que nesse caso você pode fazer alguma coisa, desde que seja discreta, mas não se coloque em perigo.

Agda acompanha a conversa mexendo apenas os olhos, observando quem fala.

— É claro que eu não me colocaria em perigo. Foi apenas uma situação hipotética… Algo a se avaliar.

Cícero censura a Cassandra com o olhar. Agda baixa os olhos observando a própria xícara, mexendo seu café com leite.

— Eu fiz uma moeda sair da orelha de um menino uma vez. Ele achou que era um truque muito bom.– a mais nova compartilha como se fosse nada, a irmã segura a risada enquanto Cícero suspira cansado.

— Meninas, isso é muito sério. Sem mágica, nem mágicas que parecem truques.

Cassandra o provoca:

— Mas falando de sermos discretos, é pior uma mágica que parece truque ou um truque que parece mágica?

— Chega! –foi o fim da paciência do adulto da casa – Já chega, vocês duas! Vocês estão atrasadas, vamos, o ônibus não passa em cinco minutos?

— Hm… – Agda fecha os olhos, buscando a resposta nos seus sentidos mais aguçados – Ele já virou a esquina da padaria.

— Opa, a gente vai perder, que pena… – Cassandra não consegue evitar sorrir.

— Sumam as duas daqui! – ordena o pai – Já!

— Como quiser! – a mais velha responde.

No instante seguinte, as duas irmãs desaparecem da cozinha. O tic-tac do relógio em formato de gato é o único som da cozinha. Cícero suspira apoiando a cabeça sobre uma mão e observando os lugares vazios à mesa. Ele fica ali ainda alguns minutos antes de se levantar.

*

Já no ônibus, as irmãs estão sentadas lado a lado a caminho da escola. Aprenderam a fazer o caminho no último mês, quando foram buscar uniformes e livros didáticos. Cassandra está acomodada no assento do lado do corredor, mas olha para o lado de fora distraída quando ouve a voz da irmã dentro da própria mente. As duas conversam muito assim, sem que os outros percebam que estão conversando.

Eu escrevi mais um capítulo da minha história, se você quiser ler depois.

Cassandra respondeu, sua voz foi audível apenas na mente de Agda:

Rei Edmund resolveu invadir o reino de Cordélia?

Você tem que ler pra saber…

Você tá escrevendo muito, tem algum motivo pra querer acumular tanta energia?

Não escrevo só pelo poder, eu gosto de escrever… Você também não usa toda magia que produz quando toca bateria.

As duas eram bruxas de criatividade, mas utilizavam de formas distintas de expressão para acumular inspiração e poder.

É, não, não mesmo… A gente nem pode, né?

As duas avistaram o colégio pela janela. É um grande terreno com dois prédios e entradas diferentes para os estudantes do ensino fundamental e médio. As duas se entreolham, Cassandra suspira, desanimada, e recebe tapinhas nas costas da irmã mais nova. As duas se levantam, dando sinal para descerem no próximo ponto.

O que você desgosta tanto nisso?– Agda quer saber da irmã.

Sei lá, meio que tudo… Ter que fazer amigos que só vão durar um ano ou dois, fingir que a matéria é novidade pra mim e não algo que tenho visto repetidamente nos últimos anos…

Agda faz que sim com a cabeça enquanto as duas descem do ônibus. As duas observam as crianças e adolescentes entrando em seus respectivos portões, reencontrando amigos.

— Hum… Até depois? –Agda fala, olhando para a irmã.

— É, até depois.

As duas se dividem caminhando em sentidos opostos.

*

Passando pelo corredor, Cassandra se espreme entre outros adolescentes para observar o mapa de sala pregado no mural. Cada esbarrão é seguido por um pedido de desculpas e alguém percebendo nela um rosto novo. Ela se apressa para o corredor, entra na sala da classe para onde foi selecionada e observa as mesas já ocupadas, grupos conversando, reencontros que parecem confortáveis aos demais. Nas carteiras próximas da janela, identifica o que ela pensa ser um grupo de patricinhas. “Elas geralmente não gostam de mim”, pensa sozinha. No fundo há duas garotas de preto, uma delas com um livro de wicca nas mãos, o que faz Cassandra mudar a direção de seu olhar prontamente. Enquanto examina a sala de perto da porta, uma voz chama sua atenção.

— Oi, licença. – quem fala com ela é um rapaz de pele cor de jambo e olhos cor de mel, ele não espera ela responder para continuar falando – Desculpa te atrapalhar. Meu nome é Thomas, mas você pode me chamar de Tom. Esse aqui é o terceiro B?

— Ah… – Cassandra tem uma mente adolescente, por mais que negue. E mentes adolescentes podem ficar lentas quando encontram outros adolescentes bonitos. — Bom, eu espero que sim! Do contrário, eu estou no lugar errado…

— Ah, você também é nova?

— Sou sim. – ela percebe que ainda não se apresentou – Cass. Pode me chamar de Cass. – ela estende a mão para ele.

— Prazer – ele responde estendendo a mão, os dedos se encontrando produzem um pequeno choque que assusta aos dois. – Opa!

— Ah, estática! – ela ri desconcertada sem entender direito pelo quê – Perdão, eu faço muito isso.

— Não foi nada. – ele sorri divertido, sendo simpático – Bom, eu acho que vou sentar para lá. – ele aponta a parede perto das patricinhas – Você…?

— Eu vou ver algum lugar por aqui mesmo. – ela aponta a fileira perto da porta

— Então até depois!

— Até!

Ele passa por ela atravessando a sala, ela se acomoda na segunda carteira mais próxima da porta, voltando a olhar para os Lucas, Henriques, Júlias e Carolines de sua sala.

Do outro lado da sala. Thomas cumprimentava os novos colegas, ajeitava sua mochila atrás da cadeira, era simpático com quem encontrava e, vez ou outra, olhava desconfiado para a mão onde sentiu o choque.

*

O dia letivo do ensino médio acaba mais cedo que o ensino fundamental. O relógio marcava três da tarde quando Cass terminou de guardar seu material após um dia de poucas interações. Logo atrás dela havia se sentado uma menina de cabelos castanhos com as pontas pintadas de rosa, Maria Laura, um tipo de garota com energia solar que era simpática com todo mundo e notou a novata solitária na segunda carteira da primeira fileira. Um dos garotos sentados ao fundo chamava:

— Laulau! Te encontro no Jocão, hein!

— No Jocão? Vai perder no truco pra mim de novo? – a garota sorria confiante.

— Como assim “de novo”? Desde quando eu perco pra você?!

Cassandra invejava essa amizade despreocupada dos amigos da escola. Já saía da sala pensando se um dia poderia ter esse tipo de conexão com alguém que não fosse sua irmã quando ouviu chamarem seu nome:

— Cassandra? – era Maria Laura, ou Laulau, a chamando – É “Cassandra” né?

— Cass. – ela olhou para trás e se virou para falar com a menina, sem imaginar o que ela queria – Pode me chamar de Cass.

— Cass! – ela repetiu estalando os dedos e fazendo que sim com a cabeça, gesticulando de forma que Cassandra julgou estranha – Estiloso, gostei de “Cass”. Então, você é nova, né?

— Sou sim. Eu esqueci alguma coisa na sala? – a loira checava a própria mochila.

— Não, menina, esqueceu não! Você tem algum compromisso agora?

Não. Não tinha. Sua próxima hora seria tomada por tédio aguardando Agda sair do colégio para irem juntas de ônibus embora. Mesmo assim, Cassandra pensou muito antes de responder. Conseguia já comparar Maria Laura com várias outras amizades que ela deixou nas cidades por onde passou nos últimos anos. Seriam meses e meses de conversa e uma crescente confiança, seguido do anúncio de uma mudança repentina antes do ano terminar e desaparecimento completo antes de fotos de formatura importarem. Mesmo assim, sabia que permanecer isolada por todo o ano era improvável, e Laulau parecia inofensiva o suficiente.

— Eu tenho um tempinho… por quê?

— Quer ir no Jocão? É uma lanchonete aqui do lado, a gente fica lá matando o tempo quando pode.

— Ah… Pode ser.

— Boa! Eu só tenho que passar na secretaria pra devolver as chaves do meu armário do ano passado que eu esqueci, quer ir comigo?

— Bom, eu não tô fazendo nada, então…

— Bora. –As duas começaram a caminhar em direção às escadas, Laura cumprimentava pessoas aleatoriamente pelos corredores e fazia perguntas genéricas para as quais Cassandra tinha respostas ensaiadas. Os inícios de conversa eram semelhantes sempre. De onde ela era, como era sua família, do que gostava de fazer…

— Eu gosto muito de música, toco bateria. — Cass informava.

— Menina, que legal! A gente tem alguns músicos na nossa sala. O André e o Lucas Rocha tocam em uma banda de “pop-punk” – ela faz aspas com os dedos – Todo mundo sabe que esse é um outro nome pra música emo, né? Emocore hiperativo.

— E você não gosta de música emo?

— Que?! Olha pra mim, eu tenho franja e cabelo rosa, eu adoro música emo. — a garota sorri olhando para Cassandra, buscando fazê-la rir.

*

As duas seguiram conversando amenidades até chegarem na lanchonete, Laura era descontraída o suficiente para fazer Cass se sentir confortável. O Jocão era o favorito dos estudantes, tinha sempre várias mesas ocupadas em uma área externa de frente para um ponto de ônibus e, do lado de dentro, dois sofás de três lugares frente a frente dividiam espaço com uma jukebox antiga, mas que ainda funcionava. Quando entraram, André, o integrante da banda de emo hiperativo, estava com mais um garoto analisando a lista de músicas da máquina quando avistaram Cassandra e Laura se aproximarem.

— Laulau! – a exclamação do garoto desconhecido era exagerada, assim como os gestos que vinham a abraçar – Que saudade, meu pãozinho doce!

O último apelido fez Cassandra rir.

— Dudu! – Laura respondia o abraçando – Você sumiu nessas férias.

— Eu viajei. – ele se explicou – Como você está? –Dudu era aquele típico menino alto, magro e extrovertido que você não sabia quando levar a sério.

— Eu estou ótima! – os dois se soltaram e compartilharam um olhar afetuoso e genuíno – Deixa eu te apresentar, essa é a Cass.

— Achei que não ia me apresentar. –ele olhou para Cass com um sorriso convencido – Ela às vezes quer me guardar só pra ela, sabe?

— Eu não quero nada! – a garota protestava em resposta

— Então como pode perceber, estou livre e desimpedido, Cass.

Cassandra via graça nesse tipo de flerte por brincadeira, mas por algum motivo ainda ficava avermelhada com esse tipo de interação.

— Obrigada por me avisar, eu vou repassar se souber de interessados. – essa era a melhor resposta que ela conseguia pensar, o que fez Laura dar risada enquanto o garoto fingia ter tomado um golpe no peito.

— Toma essa, distraído!

— Garota fria, garota cruel, assim você me ganha. –ele não tirava o sorriso do rosto.

Para Cass, era impossível controlar as bochechas corando, ao menos sem magia. Ela se esforçava para pensar em outra resposta.

— Para, Eduardo, você tá deixando ela desconfortável! – Laura interveio.

— Estou? Ah, foi mal.

— Tudo bem, eu já esqueci. –Cassandra tenta encerrar o assunto o mais rápido possível – Vocês escolheram alguma música?

— Não. Quer dar uma olhada? – Dudu dá passagem.

— Quero. –Cass passa por ele se aproximando da máquina onde André ainda observa as listas de músicas – Então vocês são Dudu e Dedé?

André olha para ela, levou segundos para reconhecê-la da sala. Ele tinha porte de atleta, embora não andasse com outros deste grupo, e cabelos lisos bem curtos, da mesma cor dos olhos escuros.

— Eu não tenho esses apelidos não, nenhum me pega.

— Então você é só André.

— É. – ele deu espaço para que ela visse a lista enquanto se virava para falar com Laura – Ô, Laulau, mas você trouxe baralho?

— Trouxe! – a emo respondeu.

Cassandra podia ouvir a conversa entre os adolescentes, mas se concentrou em ver a lista de músicas. Ela já teve amigos como aqueles, tentando fazer uma estranha se enturmar e se sentir bem-vinda em troca apenas de mais uma amizade, alguém com quem contar quando uma dificuldade inesperada acontecesse. Era fácil se sentir mal por essas crianças legais que ela abandonaria em breve. Não por querer, mas porque não haveria opção. Quanto tempo levaria para se tornar uma adulta e poder ficar por, pelo menos, alguns anos em algum lugar, sem que reparassem que a idade demorava para alcançá-la?

— Ah, a Cass! – a voz falando seu nome a tirou de seu transe, a fazendo olhar para trás e reconhecer Tom – A gente se conheceu mais cedo.

— Ah, que legal! Muito prazer, eu sou a Melissa. – uma garota que parecia ser do grupo das patricinhas se aproximou cumprimentando Cass com beijinhos no rosto.

— Toma cuidado, ela dá choque! – Tom a alertou em tom de brincadeira.

— Como assim? – Melissa tinha luzes loiras no cabelo e lábios perfeitamente esculpidos e rosados em formato de um sorriso curioso.

— Também não entendi… Prazer. – Cass respondeu tentando ser simpática.

— É que quando eu cumprimentei ela mais cedo ela me deu um choque. – Tom explicou, foi se acomodando sentado no braço de um dos sofás.

— Hm… – Melissa sorria imaginativa, parecia aquele tipo de garota apaixonada pela ideia de se apaixonar – Talvez vocês tenham química e não saibam ainda!

— Descobrir química dando choque é novidade para mim! – Cassandra ria desconcertada, já começava a odiar Melissa em segredo.

— A Elektra é bonitinha, mas acho que não faz meu tipo. Com todo o respeito. – a resposta de Tom não tinha nada demais, mas algo em seu tom quando ele disse “bonitinha” era irritante – Vocês vão beber alguma coisa?

“Você também não é meu tipo.” Cass pensou em responder, mas sabia que isso só chamaria mais atenção ou aumentaria uma tensão desnecessária.

— É, o que é bom aqui? – ela preferiu alimentar o novo assunto.

— A gente pega uma garrafa de refri, geralmente! – era Laura que parecia liderar o grupo, sua voz era clara e tinha um tom de quem poderia resolver qualquer coisa – Se todo mundo estiver de acordo, eu já vou pedir.

­— Pode ser, e copos com gelo! – Melissa fazia menção de se sentar no sofá.

— Me ajuda a pegar que eu só tenho duas mãos. – a garota de cabelo rosa respondia já se virando em direção ao balcão.

Cass fez sinal de concordância e voltou a olhar a jukebox, os adolescentes atrás dela conversavam e alguns se afastavam indo fazer o pedido. Alcançando a própria mochila em busca de uma moeda para ligar a máquina, ela percebeu o olhar de Tom sobre si. Pensou que estava imaginando coisas, mas levantando o olhar conseguiu observar por entre os cabelos que cobriam parte de seu rosto que ele estava, sim, a observando. Ela colocou a moeda e selecionou a música, Alice in Chains começava a tocar. Ela olhou para trás e Tom ainda estava a encarando, livre da atenção de todos.

— Algum problema? – ela perguntou o encarando de volta.

— Ainda não sei. – ele parecia querer desafiá-la com o olhar. A interação não parecia fazer sentido para Cassandra, ele havia sido simpático e gentil mais cedo. Por que seria rude agora?

— Pra quem não me acha seu tipo, você me observa bastante. – ela ergueu uma sobrancelha.

Ele sorriu, um sorriso convencido e estranho. André se aproximava de volta, cortando a tensão do ar.

— Pô, eu adoro essa música! – ele falava se acomodando no sofá.

— É das minhas favoritas. – Cass respondeu e se sentou também, desviando do olhar de Tom.

O grupo se reunia em volta de uma garrafa de refrigerante sobre a mesinha de centro, falando amenidades, comentando música, alheios a uma situação estranha que poderia se formar.

Notas finais
A música é Would? do Alice in Chains. Espero que tenham gostado! Um comentário me faria mais feliz <3