Mágica

1 Byakuya adora mágica


Notas iniciais
Só lendo para entender como Byakuya gosta de mágica. hehehe

— Vamos, você vai gostar.

— Eu não sei. E se o Renji voltar e não me encontrar?

— Por acaso ele é o seu pai?

— Não. Mas eu não gosto de sair sem avisar.

— Certo. Então vamos fazer um bilhete e colar na geladeira.

— Parece mais justo.

— Claro, porque eu sou brilhante.

Byakuya estreitou os olhos acinzentados para o moreno, que anotava no papel um bilhete. O Kuchiki não viu o que Alphonso escreveu, pois se tivesse visto, iria com certeza corrigir um ou outro Kanji. No final o recado acabou tomando outro sentido, já que Al confundiu uns tracinhos, que para ele eram insignificantes.

Os planos de Al para o sábado a noite não eram bem aqueles. Porém, ele foi praticamente expulso do apartamento de Ichigo, que estudava para uma semana cheia de provas. Então, ele não queria ir sozinho na apresentação de mágica.

Foi parar na porta da casa de Byakuya. O italiano sabia que ele estaria sozinho, porque Renji arrumou um bico como garçom num casamento. Aliás, estava já nos planos de Al convidar o Kuchiki. E agora, eles iriam fazer companhia um para o outro.

Alphonso também pensou em chamar Kori, mas desistiu, porque prometeu para Ichigo que não iria fazer isso. Ainda não entendia como o morango sentia tanto ciúmes de sua contadora. Ela era muito, mas muito profissional.

— Onde iremos mesmo? – Byakuya perguntou, olhando pelo vidro do carro.

— Num show de mágica. – Al acendeu um de seus cigarros, e abriu mais o vidro, para a fumaça não incomodar seu convidado. – Gosta de mágica Byakkun?

— Hmm... – Ele pensou um pouco antes de dizer. Vira na televisão shows de ilusionismo, porém, não era assim tão admirável. Visto que na Soul Society ele via coisas muito mais estranhas. Que aquelas. Mas gostava dos números com cartas de baralho. Al também gostava disso, e prometeu fazer um truque com ele depois.

Eles chegaram ao teatro, onde um dos melhores mágicos do Japão iria se apresentar. Ichigo estava louco para assistir, até pediu para Al comprar antecipado um mês os ingressos, porém ele não tinha como prever que seus professores iriam surtar e mandar eles fazerem diversos trabalhos e dar várias provas. Então, era melhor assim. As vezes as cosias não tem que acontecer naquele momento. E Al já estava cansado de ouvir o morango repetir isso.

— Daí ele me disse que não esta na hora ainda. – O moreno assoprou a fumaça e apagou o cigarro jogando-o no chão e pisando em cima dele. Byakuya olhou aquilo, e achou a atitude lamentável. Mas Al não estava nem aí. – Quando é que vai ser a hora certa pra eu ir na casa do pai dele? Será que ele não vê que eu também tenho sentimentos? Hein? Byakkun.

— Eu não sei se sou a pessoa mais adequada a lhe dar algum conselho nesse momento.

— Que isso. Você tem o Renji. Já falou com algum parente dele?

Byakuya sempre ficava muito constrangido com toda aquela naturalidade de que Al tratava um assunto tão delicado. Para ele era ainda quase um tabu. Imagina se a família Kuchiki descobre que ele esta tendo um caso com outro homem.

— Ele não tem família.

Al pensou.

— Então, você já o apresentou para sua família?

— Acredito que todos conheçam ele. – Claro, Renji era seu tenente. Todos pelo menos sabiam disso, e era isso que ia continuar no conhecimento deles.

— Mas você não assumiu nada?

— Alphonso-san. Por favor.

— Certo, eu sei que você não gosta de falar disso. – Ele deu alguns passos na calçada, e chamou Byakuya para entrarem logo e se acomodarem nas cadeiras.

O teatro era bem grande, o palco também, perfeito para um show de grande estilo. Logo que as luzes se apagaram, Al pegou a mão de Byakuya. Era uma brincadeirinha, ele começou a dar uma risadinha, e o Kuchiki bateu na mão dele, tentando afastá-lo.

Assim que o mágico entrou no palco, Al sossegou e começou a prestar atenção no que ele fazia e falava. Era tudo muito maravilhoso. A mágica é algo que encanta a todos, e no final você fica se perguntando como é que ele conseguiu fazer aquilo? E aquilo?

Byakuya não piscava os olhos, tentando descobrir os truques. Mas era muito bem treinados e elaborados, difícil de explicar. E os dois começaram a ter uma breve conversa, de como poderia ter desaparecido uma mulher de dentro da jaula e no lugar surgido um imenso leão pomposo, que rugiu para toda a plateia, assustando a todos.

Al bateu palma, assim como todo mundo. Aquilo foi realmente impressionante.

Byakuya também bateu palma, embora ainda esperasse algo que realmente o surpreendesse.

A hora das cartas chegou, e foi o momento que ele mais gostou. Por algum motivo, era muito interessante aquele movimento com as mãos, e cartas trocadas, desaparecendo e reaparecendo em lugares impossíveis.

Também achou interessante outros números mais simples. Talvez quando mais simples e pequeno o espetáculo agradava mais os olhos severos do capitão.

— Isso foi foda! Não foi Byakkun? – Al se levantou, imitando toda a plateia, quando o show de magicas acabou. – Queria saber onde foi parar aquela morena gostosa, deixaram só o leão.

Al riu, e Byakuya não disse nada.

Eles saíra do teatro, e mais uma vez, Alphonso acendeu seu cigarro, encostando-se num poste de metal, esperando que trouxessem, o carro dele. Byakuya ficou ali do lado, um pouco mais afastado porque não gostava do cheiro daquele cigarro.

— Será que o Renji já chegou em casa?

Al olhou no relógio preso ao pulso, e balançou a cabeça.

— Ainda não. A festa do casamento ainda deve tá na metade. Sabe como são essas coisas não é?

— Sim. – Ok! Aquilo era surpresa para Al. O alienígena Kuchiki Byakuya conhecia festas de casamento? – Na minha família eles fazem os casamentos bem tradicionais.

Byakuya compartilhou a lembrança, sem olhar para Alphonso. Ele estava mais interessado no cigarro, mas prestava atenção em tudo o que lhe era dito.

— Deve ser legal.

— É.

Aquela resposta soou bastante melancólica, então Al não quis tocar no assunto, isso porque estava se divertindo muito, mesmo sem a presença de Ichigo.

— Vamos la em casa? Tenho um baralho, quero fazer uma mágica com você.

Byakuya não achou que seria um problema. Renji iria demorar para voltar pra casa, e Ichigo também não queria saber de Alphonso.

O apartamento de Al ficava ali próximo. Ele deu uma volta e tanto na cidade só para buscar Byakuya, que ainda ficava perdido as vezes. Al não achava estranho, pois ele também se perdia no começo.

Como já havia estado ali, Byakuya entrou no apartamento sem cerimônia, e tirou os sapatos com cuidado, deixando-os bem alinhados no chão. Alphonso foi direto para o quarto, e quando voltou, ligou uma musica no aparelho de som, e sentou-se no sofá, jogando o baralho de cartas sobre a mesinha de centro. Deu uns tapinhas no sofá, ao seu lado, convidando Byakuya para sentar ao lado dele.

— Escolhe uma carta do baralho. – Al primeiro embaralhou, muito bem embaralhado, e depois esparramou em uma linha reta as cartas sobre a mesa de vidro. Byakuya olhou todas, queria saber se já estavam marcadas, e não estavam. – Vamos, confia em mim. Escolhe uma carta. Qualquer uma.

— Certo. Eu quero essa. – Apontou para uma carta e a tirou com cuidado para que não virasse na hora errada.

— Memorize a carta. – Al pediu, e Byakuya assentiu com a cabeça, olhando para a rainha de copas. – Agora a coloque de volta no bolo de cartas.

Byakuya fez o que Alphonso pediu, e o italiano pôs-se a embaralhar tudo novamente, dessa vez fazendo gracinhas e um teatrinho com as cartas. Byakuya achou legal até. Ele não sabia jogar, como já vira algumas pessoas jogando, quem sabe um dia não aprenderia.

Al se levantou, e foi até o barzinho da sala pegar uma garrafa de whisky Jack Daniels, ele serviu um pouco no copo, mas somente para ele, porque sabia que o Kuchiki não bebia nada forte. Depois que bebeu o gole, voltou para o sofá, e mostrou para Byakuya uma carta.

— Não é essa. – Byakuya suspirou, a mágica havia falhado?

— Tem certeza Byakkun? – Al coçou a cabeça, bagunçando ainda mais aqueles fios rebeldes.

— Sim. A minha carta é uma–

— Não, não me diga. Eu vou adivinhar. – Começou uma sessão embaraçosa de cartas lançadas sobre a mesa de vidro, e cada vez que ele jogava uma, Byakuya balançava a cabeça negativamente, informando que aquela não era a carta que ele havia pegado.

— Alphonso-san, não adianta. Acho que você não tem muito talento para isso.

Al parou e pensou um pouco, com a mão no queixo, até terminar a última carta na mão. Byakuya a virou, porque ela havia caído ao contrário na mesa. E quando olhou, mais uma vez disse que não era a carta que ele escolheu.

— Não sei o que aconteceu de errado, eu sempre acerto. – Ele coçou o queixo, confuso e Byakuya não disse nada, apenas esperou que o número desse por terminado. Porém, Al caminhou até o bar novamente, e voltou com a garrafa de Jack Daniels. – Ah! Já sei o que aconteceu. Eu esqueci a carta lá perto da garrafa.

Al colocou a garrafa de whisky em cima dos baralhos e cruzou os braços sentindo-se vitorioso quando Byakuya arregalou os olhos acinzentados e viu a Rainha de Copas dentro da garrafa.

— Como... como você fez isso?

— Um mágico nunca revela seus truques Byakkun.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!