Mystical High School - Interativa
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Madison
Aquele cheiro...
Ele me inebriava, me aguçava todos os sentidos. Eu sentia cada papila gustativa vibrando a medida que eu tragava o doce aroma do ambiente.
Sangue fresco...
Eu senti um impulso de pular sobre aquele corpo destroçado pelo simples fato de ele ter cheiro de vida. Ele transpirava tudo aquilo pelo qual eu lutava par manter longe de mim.
Tudo bem, eu sou uma vampira, mas não necessariamente sou uma integrante do crepúsculo e aquela parada toda de vampiros serem criaturas sem vida era uma furada das boas.
Eu tinha um corpo completamente normal, eu envelhecia, a sociedade vampírica me chamava de mundana, pois eu era, assim como a maioria dos vampiros de Mystical High School, uma mistura de humano e vampiro.
Um dos meus progenitores era humano, provavelmente a minha mãe, e o outro era um vampiro, sangue puro, imortal e blá blá blá...
Na nossa sociedade, pra que as raças seguissem existindo sem ameaçar as sub-raças ou pessoas comuns, os vampiros se organizaram na função de manter sempre a reprodução, logo, eles procuravam donzelas inocentes, geralmente imaculadas, faziam com que se apaixonassem, transavam com elas as deixando grávidas, e sumiam. Mesmo sabendo que a jovem morreria no parto, pois a gestação de um mundano era rápida e violenta.
Então, nascíamos em hospitais comuns e éramos encaminhados a instituições de acolhimento, quando chegávamos na pré adolescência levam-nos a MHS para aprendermos mais sobre nossa origem e nossas capacidades.
Já era uma coisa cultural pra gente saber que vínhamos de uma fecundação injusta, que uma mulher inocente havia morrido sem saber bem o porque, sem ter ideia de que estava pré destinada a morte quando havia tirado sua roupa para o homem que lhes havia jurado amor.
Por isso eu era contra amor. Quer dizer, eu amava minhas amigas, as pessoas que haviam me criado, minha escola. Mas jamais seria capaz de amar um homem.
No geral, era legal ser uma mundana, tipo, eu tinha força e velocidade sobre humanas, meu metabolismo e imunidade a doenças era mais avançado, eu me curava de ferimentos mais rápido, e tinha uma grande facilidade de viver de forma isolada, viveria tranquilamente na selva, por exemplo.
Não, não era imortal, eu poderia morrer por um tiro, asfixia, velhice... Era meio merda essa parte, mas ao mesmo tempo, penso que deve ser horrível ver todo mundo envelhecendo e partindo e você sempre ali, com a mesma cara, tipo a Avril Lavigne sabe?
Voltando a cena delic... pavorosa... da biblioteca, eu estava tão inerte olhando o sangue espalhado que nem havia percebido o pandemônio ao redor da cena.
Notei pela minha visão periférica que os demais mundanos já estavam prestes a se descontrolar e pular sobre as migalhas do que um dia foi aquela pessoa, foi esse fato que me fez tomaras rédeas da situação.
— Clã! Controlem-se, vocês não são abutres... – Eu olhei pra cada um deles. – Bater em retirada, agora!
Alguns saíram imediatamente em uma corrida sobre humana, como raios pelos corredores da escola.
— Vai dizer que não lhe dá agua na boca Madison? – Eu me virei novamente, era Chris, um dos mundanos que dividia espaço comigo na escola, ele estava com os olhos fixos. Como um drogado quando vê cocaína.
Claro que me dava água na boca, já faziam séculos desde a ultima vez em que eu havia me alimentado de sangue.
— Lógico que não! – menti! – Você sabe muito bem que não precisamos nos alimentar de um cadáver.
Os olhos dele, perturbadores e cinzas, passaram a me encarar naquele momento, todos se voltaram pra nossa discussão, o clima estava um misto de pavor e excitação.
— E... eu preciso Madison! – Ah! Merda... as presas dele estavam de fora, reluzindo em um brilho feroz. Em uma fração de segundos ele passou por mim me empurrando contra a parede.
Eu hesitei em me mover, senti uma forte pontada na cintura, havia batido na quina de uma das colunas de marfim
— Ardeat Ignis – Ouvi a voz de Athenodora proclamando uma conjuração.
Imediatamente uma enorme chama de fogo brotou de suas mãos fazendo um chicote de brasas incandescentes que estralou fervente no peito de Chris, o fazendo saltar uns dois metros pra trás.
Todo mundo se afastou, Athen estava parada na guarnição da porta, os cabelos flutuando ao redor dela como uma enorme lavareda negra, os olhos acesos em um laranja profundo. Ela parecia o próprio sol.
— Querida, volte! – Senhorita Van Black havia voltado a sí com a rápida mutação da filha, ela agora tentava trazer Athen de volta do seu transe elementar. – Athenodora!
Me levantei e vi Fellypa se aproximar mais. Foram segundos de tensão. O elemento em si era algo tão puro e forte que se tomasse uma pessoa por completo poderia desligar seu corpo de sua alma permanentemente. Por isso era terminantemente proibido o uso inadequado de magia ou elementais antes de sermos completamente treinados.
Athen então fez sua voz brotar com muita dificuldade, quase de forma gutural.
— Igne delere! – E o fogo então se extinguiu, fazendo com que ela cambaleasse um pouco e se apoiasse em Fellypa.
Chris já não estava mais ali, mas todos ainda encaravam Athenodora curiosos e aterrorizados.
— É o seguinte, todos se direcionando aos seus dormitórios, temos um assassino a solta na escola, mantenham suas portas fechadas e seus olhos abertos. – A diretora esbravejou e todos começaram a se afastar de forma confusa e apavorada. – Vocês venham comigo até minha sala.
Depois de ordenar aos funcionários da limpeza que recolhessem os restos mortais e colocassem tudo em ordem, uma reunião com os guardiões da escola foi convocada para tratar de resolver o assassinato, encontrar o culpado e acima de tudo, proteger nossa segurança pra que não houvessem mais vitimas.
Eu não fazia ideia de quem poderia ser a pobre pessoa, não haviam roupas, o rosto estava completamente desfigurado, não era possível distinguir se era homem ou mulher, só se via um montante de carnes trituradas.
Fomos liberadas logo após a enfermeira me examinar para ver se não havia quebrado uma costela. Passamos de brações entrelaçados pela biblioteca novamente, só que dessa vez a única coisa que nos observava eram as lâmpadas frias dos lustres corredor afora.
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Athenodora
Chegamos no dormitório em passos largos e frenéticos, ao lado de fora de cada quarto havia um brutamonte diferente, cuidando as entradas e saídas dos quartos. Adentramos nosso quarto e encontramos um bilhete por debaixo da porta.
“ Todas as meninas convidadas para dormirem no quarto de Lisa Hastings.”
Era o que dizia o bilhete. Notamos que nossas malas estavam dispostas sobre nossas camas e que havia uma cama extra com duas malas em cima, não havia nome nas malas, mas eram pretas e discretas, sem muita personalidade. Provavelmente nossa colega misteriosa já estava na festinha do pijama no quarto de Lisa.
— Vocês vão? – Fellypa falou sentando no puff enorme aos pés da sua cama e tirando seus coturnos de salto grosso.
— Eu odeio a Lisa! – Madison falou tirando seu casaco com estampa militar e prendendo seus cabelos laranjas em um coque bagunçado.
— Sei lá! – finalmente consegui tirar meus saltos altos e sentir todos os meus dedos pela primeira vez depois de horas. – Acho mais válido que ficarmos aqui sozinhas as três.
Nesse momento a porta do quarto se abriu e uma garota cruzou carregando uma enorme pilha de livros.
— Ai que merda! – Ela estava atrás dos livros e nem havia percebido nossa presença. Ela desequilibrou e caiu espalhando livros pra todo lado. – Droga!
— Você está bem? – Madison perguntou rindo. – Parece que seu joelho já era.
O joelho da garota estava completamente ralado, ela havia tropeçado em uma das minhas botas e batido com força no degrau da elevação do quarto.
Ela se assustou conosco, não esperava nos ver ali.
— Eu... eu.. – Ela ajeitou o óculos no rosto. – Eu to bem.
— Qual seu nome? – Fellypa perguntou fazendo a garota se virar na direção dela.
— Me chamo Jowlly! – Ela falou forçando um sorriso sem jeito. – Voces são as primas Van Black e Madison Gardner.
Ela não havia perguntado, ela sabia quem éramos.
— Estão falando muito de vocês no quarto da tal Lisa. – Ela me olhou. – Ela disse que você parecia uma pira olímpica.
Madison não segurou uma gargalhada. Fellypa tapou a boca e eu revirei os olhos.
— Lisa é uma babaca. Ainda bem que nem fomos lá! – Encarei ela com simpatia.
Ela tinha grossas tranças negras, com fios dourados adornando, uma pele cor de café, olhos castanho amarelados e traços fortes.
— O que você é? – Fellypa perguntou, ela sentou sobre o degrau no qual havia batido o joelho e passando a mão sobre o ferimento o fez desaparecer. – Sou bruxa.
— Deveria ter desconfiado pelo jeitão de nerd! – Madison disse tirando um enorme pacote de batatas chips da sua mala.
Me levantei da cama e comecei a ajudar a garota a recolher seus livros. Ela me passava a impressão de ser uma garota doce, tímida e insegura, eu era bem sensível pra sacar a vibe dos outros, e ela era bem previsível.
— Foi mal pela bota! – Sorri amarelo. – Bem vinda ao quarto.
Ela sorriu. Pela primeira vez desde que a vimos, de forma sincera e espontânea.
— Valeu mesmo! – ela ajeitou os óculos mais uma vez e seguiu rumo a parte de cima do dormitório.
— Ela parece fofa! – Felly disse deitando de bruços na sua cama.
— Achei ela esquisita! – Madison falou com a boca cheia de batatas me oferecendo o pacote.
Peguei algumas batatas e enquanto elas discutiam eu segui rumo a enorme janela que dava para os jardins.
A noite estava fria e estrelada, a lua brilhava soberana, redonda como um enorme queijo suíço. Era uma das noites em que a gente costumava a sentar nos jardins e beber algo alcoólico, escondido da minha mãe, é claro.
Um calafrio me tomou por completo de saber que ali, no lugar onde sempre havia me sentido segura, havia um assassino, que poderia estar planejando seu próximo crime. Escolhendo e observando sua próxima vitima.
Era aterrorizante demais pensar que poderia ser um de meus colegas, um funcionário... um segurança.
O calafrio estava ali novamente, e conforme fui saindo de perto da janela, o calafrio se tornava mais intenso.
Mas dessa vez pela sensação pavorosa de estar sendo observada.
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