Mystic Forks

2 Capítulo Um: Happy Halloween


Forks, 2013.

Outubro. Mês das crianças humanas se fantasiarem para pedir doces na casa de estranhos, mês da famosa e irritante frase “doces ou travessuras”, mês do Halloween. Algo irrelevante, em minha opinião, entretanto, parece que só eu penso deste jeito.

Outubro seria só mais um mês comum como qualquer outro, se não fosse pelo fato de Alice estar preparando outra de suas festas de arromba. Não gosto muito de festas, mas tenho que admitir, as festa de Alice são extremamente divertidas. É sempre muito engraçado ver o que os humanos desesperados fazem por um romance adolescente – bleh. Todavia, nunca é uma boa ideia ter a casa infestada por eles. Por causa da festa, decidi alimentar-me mais cedo hoje, afinal, se algo não sair como esperamos, será mais um noticiário de TV estúpido a dar a notícia de que outro ataque de animal aconteceu. Isso é ridículo. Patético.

Andar no sol para mim e nem minha família é um problema. Conseguimos essa façanha graças a uma bruxa que séculos atrás devia um favor a Carlisle por ele ter a salvo de um incêndio em Mystic Falls. Ele pediu a bruxa para que nos desse o prazer de desfrutar da luz solar, e assim ela o fez, nos deu colares e braceletes que nos protegiam de sermos queimados pelo sol. Nós, mulheres, usamos colares. Os homens usam os braceletes.

As poucas estradas que cercam a florestas ficam desertas o tempo inteiro, de dia é até possível ouvir um ou outro coração humano batendo dentro do peito, de noite o máximo que conseguimos ouvir é o coração dos animais que se arriscam ao sair de suas “moradias”. As terras da floresta são divididas entre os lobisomens e os vampiros, o acordo é feito na base de que nenhum lobisomem ultrapasse a fronteira dos vampiros e vice-versa. Porém, desde que tivemos a batalha contra os Volturi, não encontro um lobisomem vagando pela mata.

Apesar do forte sol iluminando a campina, a névoa está baixa, neblina densa. Adentrei a floresta em busca de algum coelho ou esquilo, todavia, se algum animal maior aparecesse não seria má ideia, por que isso me saciaria mais e evitaria algum acidente.

Continuei adentrando, mas nem sinal dos pequeninos habitantes da floresta, já estava chegando à clareira quando comecei a ouvir o som de alguns dentes roçando em alguma superfície dura. Um esquilo, talvez. Tentando quebrar sua noz. Ótimo, pensei. Fui seguindo o som atentamente para não perder minha única presa até agora. Sim, era realmente um esquilo tentando quebrar sua noz, mas do outro lado do rio, o lugar onde justamente eu não poderia ultrapassar. A divisão de terras. Mesmo não tendo visto os Quileutes ultimamente, eu simplesmente não poderia atravessar o rio. Um passo e eu seria surpreendida por um lobo de 2 metros de altura arrancando a minha cabeça. Droga. Maldito esquilo. Eu não tinha outra escolha a não ser desistir de pegá-lo. Ótimo, vou ter que beber sangue passado.

De repente, comecei a ouvir um barulho um tanto irritante. Outro esquilo talvez? Acho que estou com sorte se for. O som continuava ao longe e foi se aproximando na medida em que eu voltava para o exterior da floresta. Ficava mais alto a cada minuto. Não podia descartar a ideia de eu estar sendo perseguida, já estava em posição de ataque quando ouvi uma voz masculina se aproximando de onde eu estava.

– Calma sou eu! Para quê essa pose toda? – ele falou.

– Aaron! Seu idiota, o que você está fazendo aqui? Você me assustou! – disse eu com raiva.

Aaron Summers era meu namorado. Ele também era um vampiro, era até mais velho do que eu. O conheci quando viajei com meu irmão Edward para L.A, nós fomos a uma reunião marcada pelos Volturi. Tinha cabelos loiros cortados em um topete da década de 80, olhos verdes, era alto e a pele pálida e branca como a neve.

– Ha ha! Calma, sou só eu. Nossa, e de quem você está com medo? Do Freddy Krueger? É Halloween gata – Aaron era um tanto quanto desprezível e nojento. As piadas que ele fazia não eram nada engraçadas. Será que ele não se toca que não estamos mais nos anos 70?

– Não, engraçadinho. E não estou me importando nem um pouco com o fato de ser Halloween ou não. O que você faz aqui?

– Vim caçar para depois ir para festinha na sua casa. Alice me fez o convite, já que você nunca me convida para nada.

– Não é por que não quero e você sabe disso. – Aaron era tão repulsivo que ninguém da minha família gostava de vê-lo em casa. Tenho certeza que Alice só o convidara por educação.

– Claro seu pai e o resto da sua familiazinha me odeia. Nunca gostei mesmo deles, só de você e da sua irmã.

– Não fale mal deles na minha frente. – havia um pouco de irritação em minha voz.

– Tá, como quiser. Por que você não me beija agora?

Repugnante. Totalmente repugnante. Aaron estava com a boca suja de sangue... Sangue humano. Ele não era como minha família e eu. Ele se alimentava de humanos e, eu não provo sangue humano há anos. Bastava uma única gota para que eu perdesse meu controle.

– Não vou te beijar. – agora eu berrava.

– É por causa do sangue, é? Tem certeza mesmo de que você é vampira? Você e sua família são uma piada. – ele debochava com uma risada histérica.

– Agora chega Aaron, eu cansei. Acabou. Eu não te aguento mais. Cometi um erro terrível quando aceitei namorar com você. – eu estava determinada. Não estava tolerando mais isso, não mesmo. Já estava querendo acabar com isso faz tempo, mas hoje foi a gota d’água.

– Acabou? Você pensa que é assim? Ninguém nunca dispensa Aaron Summers, queridinha. Bom, já que você quer terminar, tudo bem, terminamos, mas você vai se arrepender mais tarde desta decisão. – o tom de sua voz agora era ameaçador.

– Do que mais eu poderia me arrepender? Eu já estou no inferno mesmo. – e eu não estava mentindo.

– Feliz Halloween, docinho...