Mystic
11 "Reunião part. II" "Perto de Você"
O Reino Humano em todo seu território é cercado por uma muralha, a qual protege todas as vilas, no centro da cidade onde o castelo fica também é cercado por outra muralha. Dentro dessa muralha ficavam os quartéis de treinamento, assim para chegar ao castelo somente sendo autorizado pela guarda real.
Ao amanhecer de um novo dia às nove horas General Orlando se dirigia para a sala de comando (onde os generais costumavam ficar), Maxilaine o encontrou no meio do caminho.
– General — cumprimentou ela com a mão no peito o General Orlando
– Maxi, é bom vê-la logo pela manha.
– Estou vindo do campo de treinamento, depois de tudo que aconteceu, é melhor estar preparada.
– Você faz bem Maxi, vai se juntar a mim na sala de comando?
Antes que ela pudesse responder veio na direção deles um dos guardas Reais que ficavam de guarda nos portões que davam para o castelo.
– General Orlando! — exclamou o soldado.
– Sim. — Disse Orlando.
– Senhor, nos portões do castelo à dois indivíduos querendo falar com você.
– Bem, quem são eles? — Perguntou Orlando.
– General, eles disseram que tem uma mensagem muito importante para o senhor.
– Muito importante que nem os nomes podem dizer? Estamos em tempos de guerra soldado, devia tomar mais cuidado antes de sair para chamar alguém. Peça que se identifiquem.
– Peço desculpas General, eles pareceram que conheciam mesmo o senhor, um deles é um elfo.
– Um elfo? — Orlando ficou surpreso.
– Sim senhor, porem este tem a pele diferente, parecida com a dos devils.
– Um Elfo da Noite — disse Orlando familiarizado com a raça. — Diga-me o outro que está com ele é um Ergin?
– Não sei ao certo General, o outro esta usando um capuz, não pude ver direito quem era.
– Tudo bem soldado, já estou indo ver o que querem. — Orlando virou-se para Maxilaine e disse. — Com a sua licença Maxi, irei atender esses indivíduos, nos falamos depois.
– É claro General — disse Maxilaine se retirando do local.
A cada passo que ela dava o soldado que estava ali não tirava os olhos dela, analisando cada movimento e suas belas curvas.
– Você vai ficar ai parado feito um bobo babando? Melhor voltar pro seu posto soldado — Falou Orlando com tom irônico.
– Perdão meu senhor, agora mesmo. — Disse o soldado saindo encabulado com aquela situação, porem Orlando não podia culpá-lo na sua idade o General teria feito a mesma coisa.
Indo então na direção do portão onde o soldado falará que aqueles seres estariam a sua espera, General Orlando começou a se perguntar "eles poderiam ser quem eu acho que são e o que eles estão querendo?" Pois para estarem ali alguma coisa eles pretendiam.
A medida com que ele se aproxima do portão suas duvidas sobre quem eram foram embora, realmente eram os mesmos que ele estava imaginando.
Um deles estava sentado, quase que deitado em um banco, parecia que estava bebendo alguma coisa. O outro estava em pé com os braços cruzados olhando para o nada, com uma expressão neutra no rosto. Quem olhava para ele não muito atentamente parecia que ele estava querendo rir, mas não, esse tinha um jeito bem estranho de ficar parado e para um elfo da noite ele era bem pequeno.
– O que temos aqui, Shironeko e Mar'oh — disse Orlando aproximando-se deles.
– General Orlando, que satisfação em vê-lo, hue. — Mar'oh disse com aquele seu jeito sarcástico que sempre fazia, não importava a situação.
– Parece que você não mudou nada Mar'oh — Orlando olhou para o outro que estava no banco e continuou dizendo. — E você Shiro não vai levantar nem para me cumprimentar?
Ficando em pé lentamente Shiro fez um gesto com a cabeça e com a mão esquerda fez um leve aceno.
– Mesmo a essa hora do dia você continua bebendo — Continuou Orlando com um leve sorriso no rosto.
Shiro o ignorou deitou-se novamente no banco e continuou bebendo.
– Então o que fazem os dois mais temíveis dos assassinos aqui no reino dos homens? — Perguntou Orlando curioso com a visita deles.
– Bem como posso dizer, você sabe que o que nos move é o ouro, estamos aqui atrás de mais, hue. Mudando um pouco de assunto passamos por todos os guardas e nenhum deles percebeu que somos assassinos, precisam melhorar a guarda desse lugar — Mar'oh como sempre sendo irônico em suas colocações.
– Eles são bons soldados, vocês que sempre gostam de fazer a fama de assassinos invisíveis. — Disse Orlando — Mas ainda não me falaram o que querem aqui.
– Ficamos sabendo do massacre que aconteceu no reino Élfico, então viemos aqui oferecer nossos serviços, claro com um peso em ouro em troca.
General Orlando pensou um instante sobre o que Mar'oh acabará de dizer, realmente diante a todos os acontecimentos para que seu plano desse certo ter os dois assassinos mais temidos que já existiu entre os reinos era uma boa idéia, mas como convencer o Rei a contratar seus serviços? Orlando lembrará que muito tempo atrás foram os dois que assassinaram o antigo Rei que era pai do Rei Marcos quando o mesmo ainda era um garoto de apenas doze anos.
– Venham comigo até a sala de comando lá conversaremos melhor sobre esse assunto.
Imediatamente eles seguiram Orlando.
Em uma das alas do quartel onde os soldados faziam seu treinamento, estava Maria treinando arco e flecha. Rem estava um pouco afastado observando-a enquanto ela mirava e atirava, Rem estava encantado com o modo que ela segurava o arco e puxava a corda para lançar a flecha.
Ele via o suor escorrendo do seu rosto e o olhar fixo no alvo, o jeito que ela mexia os lábios para abrir suavemente a boca para dar uma curta respirada e fazer o próximo movimento. Com uma leve piscada seus olhos voltaram-se para Rem, ele ficou sem saber o que fazer, seu rosto ficou corado e então ele ouviu.
– O que está fazendo ai Rem? Chega mais perto não precisa ver de tão longe. — Disse Maria baixando o arco e em seu rosto um belo sorriso.
– Bem eu não queria tirar sua concentração... Eu estava apenas olhando.
Maria começou a andar na sua direção. Chegando perto estendeu a mão tocando gentilmente nos cabelos de Rem, passou por ele e pós o arco e as flechas em cima de uma mesa, virou-se para Rem escorando-se na mesa.
– Então como você esta? — Perguntou Rem, não tinha nada melhor para dizer foi a primeira coisa que veio em sua mente e ele precisava dizer algo.
– Você estava ai parado só pra me perguntar como eu estou? — Maria deu uma leve risadinha — Só você mesmo Rem pra me fazer rir.
– Eu não estava aqui parado só para perguntar isso... Quero dizer, eu queria perguntar, mas não era só isso... Era.. — Rem não conseguiu terminar o que queira dizer, ele estava nervoso suas mãos suadas.
– Você queria dizer o que então? — Maria já estava imaginando sobre o que ele queria falar, mas queria ouvir dele.
– Depois que chegamos no acampamento, você veio até a tenda onde eu estava e simplesmente quis se deitar ali comigo... Até agora estou sem entender — Rem cruzou os braços, estava nervoso não sabia como falar e temia o que Maria podia dizer, seu coração batia acelerado. — E quando acordei você não estava mais lá.
– Sim é verdade — Maria estava agora tão nervosa quanto Rem, tentou permanecer firme e continuou a dizer. — Rem é que eu me sinto segura quando estou com você e... Ficar perto de você me deixou calma.
Por um instante os dois ficaram em silencio, Rem então falou:
– Sempre que quiser ficar perto de mim, não precisa pedir ou falar, pode ficar o quanto for preciso isso vai me deixar muito feliz. — Rem finalmente falou agora mais do que nunca estava nervoso.
– Mesmo se eu quiser ficar agora? — Maria perguntou se afastando da mesa indo na direção de Rem.
– Sim, mesmo agora e a qualquer momento.
Rem respirou fundo, Maria estava muito perto dele, seus corpos se aproximaram. Maria ergueu o rosto enquanto Rem baixava o seu, seus lábios estavam prestes a se encontrar.
– Rem!
Os dois no mesmo momento se afastaram encabulados. Rem olhou para o lado e viu Flecher vindo até eles.
– Flecher, o que foi? — disse Rem pela primeira vez descontente por ver o amigo.
– Te procurei por todo lado, mas ai esta você. — Flecher olhou para Maria e para mesa onde estavam os equipamentos dela — Maria parece que você estava treinando, ainda bem que achei os dois assim não vou precisar procurar mais.
– O que você quer Flecher? — disse Maria também descontente com a situação.
– General Orlando está chamando, ele me pediu para achar vocês, tem algo importante pra dizer pra gente, acho que é uma missão para nós.
Maria saiu e foi na frente com pressa e um tanto irritada, Flecher olhou para Rem e disse:
– Aconteceu alguma coisa?
– Esse é o problema não aconteceu nada.
Rem também saiu, Flecher ficou um instante parado sem entender o que aconteceu e logo os seguiu.
Chegando a sala de comando, ao entrar Rem viu a General Maxilaine escorada em uma das enormes janelas. Aquela sala era grande com seis grandes janelas, no centro da sala uma mesa com varias cadeiras ao redor, correspondente aos sete Generais, em uma delas estava sentado Shironeko, com o capuz cobrindo parte de seu rosto, cabeça baixa, braços cruzados e com as pernas cruzadas sobre a mesa. Em outra cadeira estava sentado Mar'oh, na ponta da mesa apoiado com as mãos sobre ela estava General Orlando e no canto próximo a porta em que Rem entrou estava Maria.
– Rem — Disse Orlando — quem bom que Flecher encontrou vocês, tem algo que preciso conversar com vocês me esperem na biblioteca assim que terminar o assunto com eles aqui irei até lá.
Rem e Maria se retiram da sala, encontraram Flecher que também estava chegando e foram os três para a biblioteca.
Orlando continuou conversando com os Assassinos, tudo se encaminhava conforme ele havia planejado então ele concluiu dizendo:
– Sei que vocês são fieis quando dão a sua palavra, irei conversar com o Rei Marcos e apresentar a proposta a ele, temos que estar prontos.
– Orlando, você pretende mesmo tentar trazer de volta o Radan? Como você sabe que vai funcionar? — Perguntou Shironeko.
– Eu estive durante muito tempo estudando as possibilidades, até mesmo nos manuscritos élficos, nunca aconteceu em toda a historia algo parecido, mas existe uma possibilidade e estou disposto a tentar. Que outra escolha nos temos? O que aconteceu com os Elfos pode muito bem acontecer conosco.
– Sim você tem razão, mas mesmo que isso funcione até encontrarem onde ele está vai demora muito tempo, nesse período o reino humano poder estar destruído. — disse Mar'oh.
– Eu estou ciente disso, por isso não desprezei a proposta de vocês, temos que fortalecer nossas defesas ate que ele possa retornar.
– E se não der certo, e se Radan não puder ser trazido de volta, o que pretende fazer? — perguntou Shironeko.
– Bem, se não der certo será o fim da raça humana.
Fale com o autor