Mystic

13 "Místico"


As mãos de Rem estavam suadas pelo nervosismo, sua mente estava confusa "por que Orlando não poderia falar perto dos meus amigos?" Rem apenas continuou calado com seus pensamentos e ouvindo.

– Rem você não vem? — Gritou de longe Flecher esperando o amigo para acompanhá-lo ate os dormitórios.

– Vai indo na frente vou tirar uma duvida com o General e já estou indo. — Respondeu Rem.

– Bom agora que seus amigos já foram vamos poder conversar melhor. — Disse General Orlando voltando-se para o canto da sala próximo as janelas. — Encoste a porta por favor Rem e sente-se.

Rem no mesmo instante fez o que o General pediu, sua expressão estava neutra, assustado.

– Rem quando eu falei que você era chave para essa missão dar certo, não me referi as suas habilidades com espada ou sua experiência no campo de batalha. Acredito sim que se tornara um ótimo guerreiro e muito poderoso, mas ainda esta um pouco longe para isso, você tem muito a aprender e muito para evoluir.

General Orlando voltou-se para Rem e puxou uma das cadeiras e também sentou. Cruzou os dedos das mãos juntando uma com a outra apoiando os seus cotovelos sobre a mesa e continuou a falar.

– O segredo para isso dar certo está em seu sangue. — Rem olhava para Orlando tenso e Orlando continuou a dizer. — você também herdou o poder Mystic, ou seja, você é um místico Rem.

Rem arregalou os olhos não conseguiu falar nada estava assustado de mais, talvez não tinha entendido o que General Orlando havia acabado de dizer, até que saíram as primeiras palavras de sua mente confusa e mais perturbada agora do que antes.

– O que? Eu sou o que?

– Sim Rem, você é o místico que ainda não tinha aparecido nesses mil anos.

– Como assim eu sou o místico? O que você esta dizendo? Eu não.. Eu não sou.. Sou apenas um soldado normal como todos os outros eu...

– Rem fique calmo, eu acredito que deve ser difícil pra você entender tudo agora, queria ter mais tempo para te explicar melhor, mas tempo é o que não temos, quanto mais nos demorarmos, mais chances estamos dando para o inimigo nos atacar e nem preparados estamos.

– Mas como o senhor sabe que eu sou? O místico é alguém muito poderoso e eu não sou poderoso, na missão em que estive nem se quer pude proteger meus companheiros. — Veio na mente de Rem o triste episódio em que seu pelotão foi massacrado pelos Orcs. — quem me dera fosse assim, não deixaria ninguém mais morrer. — Rem nessa hora ficou triste, pois se sentia incapaz.

– Mas você é Rem, porem seus poderes não foram despertados completamente, talvez devido a sua idade, você ainda é muito jovem. Aquele dia quando estava enfrentado o Devil que praticamente sozinho destruiu o Reino Élfico eu estava quase perdendo a luta quando ele se distraiu com a sua presença, no momento eu não entendi, mas quando me concentrei melhor, senti que de você emanava uma energia muito poderosa, porem instável. Não vamos esquecer que quando fomos atrás do seu pelotão eu segui seus rastros e vi um acampamento Orc destruído e um Devil todo retalhado, destroçado, nunca vi alguém fazer isso com um Devil e tenho certeza de que foi você.

No mesmo momento em que Orlando disse essas coisas veio à mente de Rem aquela cena em que ele tinha certeza que foi transpassado pela mão do Devil e que estava morrendo e de repente ele estava normal sem nenhum arranhão porem sua armadura com um buraco no peito, mas seu corpo intacto.

– Sim... Eu queria esquecer aquele dia, mas, algo realmente aconteceu lá que eu não sei explicar.

– Sim Rem você ainda não esta preparado para lidar com isso, mas um dia tenho certeza que estará pronto, porem não podemos esperar tanto, estamos no meio de uma guerra e prestes a sermos completamente destruídos.

– Bom então o que eu tenho que fazer?

– Eu já expliquei no mapa onde está o templo onde Radan foi petrificado, porem antes de ir pra lá vocês terão que passar em outro lugar. Perto do arvoredo morto, próximo as terras dos Orcs há uma cabana escondida pela forte névoa que cobre quase todo aquele lugar, vá ate essa cabana lá mora uma maga muito poderosa que foi exilada por usar a magia para tentar reviver os mortos, diga a ela que foi eu quem mandou vocês, diga a ela tudo o que te falei, sobre quem é você e ela vai te dizer o que é preciso fazer para despertar o General Radan. — Orlando respirou fundo, ele estava tenso e continuou falando. — Rem as coisas irão ficar realmente difíceis a partir de agora, não sei se o Reino humano ira agüentar até vocês completarem a missão, vocês irão enfrentar muitos desafios pela frente e estarão sozinhos, mas lembre-se confie no poder que há dentro de você Rem. Antes de você ir, não conte sobre isso aos seus amigos, na verdade não conte a ninguém, se eu estiver certo alguém do Reino humano próximo ao Rei esta nos traindo e para o sucesso desta missão o segredo é de extrema importância.

Rem saiu dali pensativo, não disse nada, apenas acenou com a cabeça confirmando o que Orlando falara e levantou-se, ele passou o meio dia e a tarde pensando naquilo tudo, então no final da tarde foi em direção ao seu alojamento. Seus passos eram lentos sua mente estava confusa, ele nem sabia sobre o que pensar nem tão pouco o que tinha que fazer, andava como alguém perdido. O barulho de um galho batendo na janela, soprado pelo vento, fez com que ele olhasse para fora, não olhou para nada apenas reflexo e por um instante ficou ali parado olhando. Rem contemplava seu reflexo no vidro da janela que aos poucos seu olhar foi se tornando mais penetrante, Rem podia ver uma chama se ascender no seu olhar e quando ele voltou a olhar seu rosto, por um leve momento viu uma fera assustadora que fez com que Rem desse um salto para traz. Agora ele estava realmente nervoso, o suor caia do seu rosto, seu coração disparado.

No jardim do palácio rodeado por lindas flores e arvores de cerejeira tinha um espaço reservado com mesa e cadeiras onde a família real às vezes se reunia para um chá, estavam ali Jada e Victhoria.

– o que tanto você olha Jada? — Perguntou Vic.

– Rem. — Respondeu Jada um pouco triste no seu modo de falar.

– Rem? — Falou Vic sem entender.

– Sim... Ele esta ali naquela janela parece um pouco triste não sei, nervoso.

Victhoria olha para a janela a qual se referiu Jada, também conseguiu ver Rem parado la.

– É realmente é ele.

– Me pergunto se o que General Orlando falou para eles o deixou assim. — Disse Jada com a mão no peito temendo ser algo grave.

– Talvez.

– Vic por que todas as tuas falas estão sempre distantes, alguma coisa te preocupa?

– Quem eu? Bem... Eu ainda não acredito que meu pai e meus irmãos estejam todos mortos sabe, meu pai estava bem ali na minha frente e não pude fazer nada. — Veio a mente de Victhoria a cena em que seu pai foi transpassado por uma adaga das mãos daquele Devil como esquecer aqueles olhos vermelhos, como uma chama, ela sentia que olhavam para ela.

– Vic.. Vic?!-A voz de Jada trouxe Victhoria de volta a si. — Você esta bem? Você esta suando.

– A sim me desculpe, eu não sei o que...

– Não diga mais nada nos vamos entrar você precisa descansar um pouco. — Disse Jada levantando-se e estendendo a mão para a amiga. — Eu sei que você passou por muita coisa, deve ser muito difícil lidar com tudo isso, mas olha você esta aqui e precisa ser forte, pelo bem do seu povo, aqueles que estão vivos e dependem de você. — Com um sorriso meigo Jada continuou dizendo. — De agora em diante, você pode contar comigo para o que precisar.

– Obrigada Jada, você esta sendo uma amiga de muito valor pra mim. — Victhoria enxugou o seu rosto, pegou na mão de Jada e ambas foram para dentro do castelo.

Rem olha novamente para a janela porem aquela imagem assustadora não estava mais lá. "Será que estou ficando louco? O que esta acontecendo comigo?" Pensou Rem com sua mão direita pressionando seu rosto, ele decide sair dali e ir para o dormitório. Ao virar-se ele se depara com aquele ser parado olhando para ele com aquela expressão neutra, parecia que estava rindo, mas não estava, Mar'oh e o seu jeito deixavam qualquer um desconfortável.

– Ola rapaz — Disse Mar'oh — Parece que viu um fantasma.

– Bem eu...- tentou dizer Rem mas Mar'oh continuou.

– Ou tinha alguém muito feio passando lá fora. — Mar'oh se aproximou de uma das janelas e ficou olhando para fora enquanto dizia — Sabe você já namorou uma mulher dragão?

– O que? Eu.. Não — Respondeu Rem.

– Bem é mais ou menos com essa mesma cara que você fica por acordar do lado de uma mulher dragão. — Mar'oh se escorou na parede ao lado da janela e olhava para Rem e para fora enquanto falava. — De dia você acha que tem a mais bela garota, você passa a noite com ela e acorda vê aquela criatura enorme com pele de lagarto, dentes afiados te olhando pela manha, vai por mim é horrível hue.

– Mas o que? — Rem queria entender do que Mar'oh estava falando.

– Nada não rapaz deixa pra lá, só falei por que você estava ai com essa cara de quem chupou limão estragado hue.

– Eu por um acaso te conheço? — Perguntou Rem.

– A que falta de educação a minha eu me chamo Mar'oh, sou um mestiço meio Elfo e meio Devil, digamos que minha mãe não se contentava com os Elfos tinha que pula a cerca pro lado dos Devils huehue.

– Entendi. Eu me chamo Yuuka Rem, prazer.

Ambos apertaram as mãos em cumprimento, mas ao tocar a mão de Rem Mar'oh sentiu uma energia estranha emanando dele, que fez com que por um instante Mar'oh ficasse um pouco serio a respeito de Rem. Logo soltaram as mãos e Mar'oh disse:

– Você parece um humano bem diferente. Interessante.

– Diferente o que quer dizer com isso? — Disse Rem temendo em seu pensamento "será que ele viu algo do místico em mim, ou foi aquilo que vi no reflexo da janela".

– Bobagem minha, foi um comentário desnecessário apenas isso. Bem se me der licença estou tentando achar a cozinha, meu parceiro lá atrás já esta resmungando por que quer vinho. Sabe eu não sei como ele consegue lutar, ele vive bebendo e vadiando.. quer saber eu vou levar é uma vasilha de leite pra ele isso sim huehue.

Rem ficou ali parado vendo aquele ser estranho andando e resmungando com as paredes, falando coisas sem sentindo e apontando para objetos, Rem achou engraçado o modo como ele andava. Saindo dali Rem continuou na direção do dormitório ele tinha que preparar as suas coisas, pois de acordo com Orlando eles precisavam partir de imediato para o arvoredo morto.

Chegando perto do seu dormitório estava lá parado escorado na porta Flecher, assim que viu Rem se aproximando fez um aceno com a mão.

– Yo — Disse Flecher como um cumprimento — Ai esta você. Então o que General Orlando queria?

– Nada de mais, só me dizer umas coisas.

– Hei hei, vai fica de segredinho pra mim, qual é somos amigos certo? Pode falar.

– Olha Flecher, eu estou com minha cabeça girando de tanta informação, preciso descansar e acho que você deveria fazer o mesmo, amanha você sabe que temos que sair cedo e já esta anoitecendo.

– Wow, calma ai só estou tentando ajudar não perguntei por mal.

– Eu sei me desculpe é que realmente não estou bem.

– Tudo bem Rem, mas olha tem mais alguém que não esta se sentindo bem, acho que você deveria falar com ela. — Disse Flecher tocando o ombro de Rem e saindo para seu quarto.

Rem apenas o olhou saindo e continuou andando, mas agora indo em direção do quarto de Maria.

– Maria, você esta ai? Sou eu Rem — Disse batendo na porta do quarto.

A porta se abriu Maria encostou levemente o rosto na lateral da porta.

– Oi — Disse Maria seu olhar estava meigo e afável

– Eu posso entrar? — Perguntou Rem.

– É claro entre. — Maria abriu mais a porta para Rem entrar e logo fechou atrás de si.

Maria sentou-se na cama e Rem sentou ao lado dela.

– Parece que você estava pronta para ir domir. — disse Rem.

– Amanha levantamos cedo então...

– É verdade... Eu não quero demorar muito Maria, eu apenas queria te ver antes de ir dormir... Você tem estado meio estranha durante o dia... Foi algo que eu fiz?

– Não, não... Era coisa minha, mas já passou.

– Entendo. — Por um instante os dois ficaram em silencio sem saber o que dizer olhando para no nada, então Rem disse. — Sabe a partir de amanha nossas vidas estão prestes a mudar, uma grande responsabilidade foi colocada em nossas mãos.

Rem pegou gentilmente a mão de Maria, olhou nos seus olhos. Ele estava nervoso mais uma vez estava em um momento a sós com ela, Maria ficou com o rosto corado, mas não tirava os olhos de Rem, até que ele falou.

– Eu não vou conseguir fazer isso sem você.

Rem se aproximou gentil e lentamente do rosto de Maria, seus corações batiam mais rápido, quanto mais Rem se aproximava mais o êxtase tomava conta dos dois. Seus lábios se tocaram e em perfeita sincronia iam se tocando, aquela sensação macia e molhada, seu primeiro beijo. Rem com sua mão tocou gentilmente o rosto de Maria e ia acariciando seus cabelos, até sua nuca, o beijo se tornava mais intenso. O tempo parecia parado, sentiam como se entrando em outra dimensão, suas mentes estavam limpas apenas vivendo aquele momento, a muito tempo que Rem sentia um sentimento especial por Maria, praticamente desde a infância, eles passaram por muitas coisas juntos, ambos perderam os pais nessa infinita guerra. Para Maria parecia um sonho, entre Flecher e Rem seu coração sempre batia mais forte por Rem e agora ali nos braços dele ela estava segura. Maria por um instante se afastou, olhou para Rem e disse:

– Prometa-me que nunca irá embora.

– Eu não vou a lugar algum sem você. — Disse Rem.

– Só fica comigo.

– Sempre.

Uma lagrima correu do rosto de Maria e mais uma vez o beijou, aquele beijo acalentava seu coração, naquele momento estavam em paz. Porem Rem estava perturbado com o que Orlando dissera para ele, tinha que dizer a Maria, mesmo prometendo guardar segredo, não poderia esconder isso de sua amada.

– Maria, eu não devia dizer isso a ninguém, mas não vou esconder de você.

– O que foi? Tem haver com o que General Orlando queria dizer reservado para você?

– Sim.. — Rem se levantou nervoso e continuou. — Você mais do que ninguém sabe que faz mil anos que o novo místico não apareceu.

– Sim eu sei, mas o que tem haver Rem?

– Bem.. Orlando me falou que... Eu sou o Místico.

Maria por um instante ficou sem reação, um pouco desacreditada, talvez não entendesse direito o quem Rem tinha dito.

– Como assim Rem? Você é o Místico?

– É eu sei é loucura de se ouvir isso, eu fiquei assim também, não querendo acreditar, na verdade acho que ainda não acredito.

– Você é o Místico?! Como?... Eu.

– Se você esta confusa agora eu estou mais ainda.

– Rem se isso é mesmo verdade..Você é o guerreiro mais poderoso do mundo! — Maria estudou muito sobre o Místico ela sabia que esse guerreiro tinha o poder de trazer a paz ela pensava se Rem é mesmo o Místico tudo poderia ser resolvido, eles poderiam viver juntos e a guerra finalmente teria fim. Mas o que Rem disse tirou isso de seus pensamentos.

– Não ainda não sou nada, Orlando disse que o poder Místico ainda não despertou em mim, apenas um pouco, ele acredita que talvez por eu ser jovem ainda.

– Isso explica por que ele quer que nos encontremos General Radan e o despertemos.

– Sim ele teme que o que aconteceu ao reino dos Elfos aconteça com a gente e eu não estou preparado para impedir.

– Rem não se preocupe vai dar tudo certo, juntos nós podemos enfrentar qualquer coisa.

Rem se aproxima mais uma vez de Maria abraçando-a calorosamente. Ele sente seu abraço sente seu cheiro, ele sabe que ela é o que ele precisa para ser forte que enquanto ela estiver com ele tudo acabara bem, ao menos assim ele espera.

Notas finais
Mystic – Místico - Fim