Mystic
2 Emboscada
Era uma estrada pequena, de chão batido, simples aos olhos de quem vê, rodeada por uma imensa floresta que dava arrepios, parecia que as árvores iam devorar alguém a cada instante, realmente sombrio, ou talvez fosse apenas a imaginação e frustração do momento, devida a missão que receberam. Como não é novidade para os Humanos, estão em guerra, a mais de mil anos, praticamente estão em guerra desde a sua existência nesse mundo, cada dia é uma luta por sobrevivência. Mas na opinião de alguns, guerras são desnecessárias, elas são apenas a fúria e a brutalidade negra escondida em cada um de nós. Já para outros as guerras são um meio de fortalecer reinos e expandir território. A raça humana tem sido devastada após cada combate, aos poucos sua existência será resumida a pó. Nesta interminável guerra, lutam contra duas raças, os Orcs, que são grandes criaturas extremamente brutais, monstros verdes e ferozes, movidos pelo êxtase da destruição. Eles são enormes, maiores que os humanos, com uma força superior a de qualquer ser humano normal, era realmente pavoroso se encontrar frente a frente com um deles em campo de batalha, sempre carregam armas brancas e não usam nenhum tipo de magia, apenas a força, o que de fato, já era suficiente para causar medo em qualquer um. Também lutam contra os Devils, só de falar nesses seres, já faz sentir um calafrio subindo pela coluna, eles causam isso em qualquer um, são criaturas sombrias que usam magia negra e a força dos espíritos sombrios para lutar, como também são muito habilidosos no combate corpo a corpo. Sua pele asquerosa é roxa, quase preta, com seus olhos vermelhos, suas mãos e pés com suas unhas afiadas causam a impressão de que são demônios. São do tamanho dos humanos, mas movem-se muito rápido, o quê deixa os humanos em desvantagem e o pior de tudo, só agem à noite ou no entardecer, raramente os verá durante o dia, pois se escondem em suas moradas e Covis durante boa parte de suas vidas sombrias.ra um amanhecer frio naquele dia, podia sentir a brisa gelada das montanhas batendo em seus corpos, o vento calmo soprava as folhas já secas, que pouco a pouco, caiam no chão úmido pelo orvalho mostrando que já era outono. O sol tentava aparecer no alto da colina para tentar iluminar os corações devastados pela guerra e pelo medo, mas obviamente, sem sucesso.
Mas após muitos anos sofrendo decadência nas mãos destes cruéis inimigos, o Rei da raça humana propôs uma aliança com os elfos, que estavam neutros até então. Eles são bem parecidos com os humanos, tamanho, velocidade, apenas algumas características os diferenciam deles, como suas orelhas afinadas e pontudas e sua pele um pouco amarelada, mas os elfos possuem duas habilidades naturais muito fortes, a visão aguçada, que os faz ver como águias, sem contar sua alta habilidade com arcos e outras armas de longa distância, são bons também com magia, os melhores magos são elfos e o fato deles viverem muito tempo, cerca de cinco mil anos é a estimativa de vida deles.
Os elfos aceitaram a aliança após cem anos de diplomacia entre os reinos, na qual firmaram um contrato de proteção, onde os elfos ajudariam os humanos na defesa, e os humanos ficariam da mesma forma, disponíveis para eles. Como prova de lealdade, a princesa Jada Lauren Olsen será levada ao reino elfo, e da mesma forma, a princesa elfa, será conduzida ao reino humano. Foram chamados para essa missão muitos dos cavaleiros mais experientes do reino, como também alguns recrutas e entre eles, está escoltando a princesa elfa para o reino humano, o jovem Yuuka Rem, de 17 anos, novo para ser um soldado, mas devido à guerra os postos militares foram forçados a recrutar até crianças para combater, com isso muitos meninos têm sua infância destruída a cada dia, trocam seus brinquedos ou o aconchego da sua casa por uma espada ou uma lança fria, onde a qualquer momento podem perder a vida, e de fato, crianças morrem muito facilmente na guerra, e as que não morrem, acabam ficando traumatizadas facilmente, uma horrível conseqüência.
Nesse momento o esquadrão responsável para escoltar a princesa Elfa está caminhando por essa floresta, vestindo a armadura que caracteriza o reino humano, nada muito extravagante, apenas uma armadura de cor amarelada feita de cobre com algumas partes de aço, muito pesada, o que dificulta o caminhar. Rem com sua espada embainhada, presente de um general, feita de um aço coletado no alto das montanhas geladas do sul, um metal raro e resistente. O punhal é decorado com bronze e leva o símbolo do seu reino, uma circunferência com o desenho de um escudo em vermelho dentro. Na sua mão esquerda há um escudo, sem nada de especial, de forma retangular e um pouco encurvado, feito de ferro. Dentro de toda essa armadura estava ele, cabelos negros, porém lisos, olhos castanhos como avelãs como sua mãe costumava dizer, apenas um jovem comum, assim acreditava ele.
Estavam eles escoltando a princesa elfa, haviam saído a pouco do reino Élfico, continuavam andando pela floresta, afinal, tanto vieram por ela como também teriam que voltar pela mesma. Eram um grupo de 13 pessoas fora a princesa e o comandante encarregado deste grupo, havia quatro batedores, dois iam à frente e dois iam atrás, sempre atentos a qualquer barulho ou movimento na floresta, havia também, oito soldados em volta da carruagem real, para proteger de um ataque de perto, caso houvesse, na qual estava Rem no meio, havia um soldado dirigindo a carruagem puxada por dois sadios alazões e dentro dela estava à princesa elfa, nem sequer viram ela, estava com seu rosto coberto, vestindo uma túnica real, seu nome era VicthoriaDel’chio, todos que a viram dizem que a elfa mais linda do reino, mas sequer puderam ver seu rosto.
Tudo estava tão pacato, o vento soava levemente, apenas o som dos cascos dos cavalos e dos soldados no chão de barro, parecia que nada podia dar errado, não sabia eles que estavam profundamente enganados sobre tal situação...
Saíram do reino Élfico há aproximadamente vinte minutos, quando então o Comandante Arterius falou:
– Rem!
– Sim Comandante!
– Preciso que volte e busque o presente que o Rei Tarius deu para o nosso Senhor o Rei- com um leve sorriso continuou — acabei esquecendo antes de sairmos de lá.
– Sim senhor Comandante, agora mesmo! — disse Rem com reverencia.
Pelo fato de ser o mais novo e mais inexperiente, Rem se sentiu obrigado a ir buscar, também cumprindo seu dever como soldado, com o cavalo, pegou as rédeas firmemente e foi buscar o presente, esbravejando por ter de fazer o mesmo trajeto. Em menos de cinco minutos conseguiu chegar ao palácio, pegou a caixa, alçou no cavalo, e voltou a galopar em direção a carruagem e ao grupo, mas ao chegar, seus olhos se negaram a ver tal situação, suas mãos e pernas começaram a tremer instantaneamente, o suor correu frio em seu rosto enquanto um frio passava pela sua coluna. A carruagem estava em chamas, os seus companheiros soldados estavam jogados pelo chão mortos com feridas brutais em seus corpos, possivelmente sangraram até a morte, era uma visão horrenda, “Um grupo de treze soldados devastados em menos de dez minutos, quem diabos poderia fazer tal coisa?”, era o que se passava em sua mente enquanto o desespero entrava em seu coração como um monstro que consumia-o aos poucos, quando ouviu uma voz baixa, quase apagada ao vento, resmungando atrás de si:
“-R-Rem... A-aqui... Atrás de você.”
Olhou para trás instintivamente e viu o Comandante Arterius encostado em uma árvore, jorrando sangue pela boca e através de um furo na barriga. Rem rapidamente tentou estancar o sangue em seu abdômen para salvar sua vida, mas ele tirou sua mão... Ele já havia aceitado a sua morte... Só lhe restava alguns minutos...
–Escute Rem, fomos atacados por um grupo de Orcs...
Em meio a cada palavra jorrava mais sangue em sua boca.
“-Eles nós pegaram de surpresa, não pude fazer nada, mataram todos...”
Ele começou a chorar e suas lágrimas se misturaram ao sangue.
“-Rem! Eles foram pela floresta em direção ao rio a leste daqui, eles pegaram a princesa, vá e resgate-a.”
Rem ficou pasmo diante de tal fala, alguma coisa dentro de si moveu sua cabeça acenando que sim...
“-Que ótimo Rem... Confio em você... Agora já posso... Des-can-ç...”
E assim morreu, Rem não pode conter as lágrimas, rolavam em sua face com o peso de uma pedra.
Levantou-se, e ficou paralisado, quando se deparou no estado atual. Eu, sozinho, teria que resgatar uma princesa da mão de um grupo de Orcs sanguinários, na qual nem um grupo de treze soldados havia dado conta, pensou Rem, sua mente ficou em desespero... Quando então viu duas silhuetas magras surgindo no meio das árvores negras e densas da floresta, vindo em sua direção, num ritmo frenético, o suor e o medo escorreram pelo seu rosto, em sua cabeça as únicas coisas que se passavam eram: “Amigos ou Inimigos?”
Capítulo I – “Emboscada” — FIM
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