– Ela pode nunca mais sair do coma, sinto muito, faremos o possível...


Esse deveria ser o medico, eu podia ouvir a minha mãe chorando... Será que eles sabiam que eu estava ouvindo tudo? Que ainda estou viva? Bem, não posso dizer que estou viva, já que supostamente estou em coma, mas consigo escutar e sentir tudo que acontecia ao meu redor, mas não conseguia ver, falar ou me mover, será que é assim o suposto coma? Enfim, isso é muito chato, não me lembro exatamente do que aconteceu, minha vida era normal, acordar, comer, dever de casa, colégio, comer, dormir e ponto, normal, chato mais era normal. Lembro que eu estava voltando do colégio, nesse dia eu havia ficado até tarde lá por causa de um trabalho, e quando estava perto de casa começou a chover, a chuva me fez ficar triste e de repente um carro estava vindo em alta-velocidade para cima de mim, não doeu, mas ainda consigo sentir uma sensação estranha de estarem me roubando algo importante e só, depois eu vim para o hospital e estou aqui há 3 dias, pessoas já vieram me visitar, os meus amigos, e alguns parentes, minha mãe não sai de perto de mim, é raro, acho que ela se sente um pouco culpada, já que vivíamos brigando, mas já não importa mais... Irei tentar dormir, já que é a única coisa que faço aqui...


Acordei com fome, mas não tinha como falar isso, eu senti alguém tocando em meus cabelos, não parecia ser a minha mãe, podia sentir a pressão de seus dedos no meu pescoço, será que ele iria me estuprar?
Sinto seus lábios no meu pescoço e ele começa a sussurrar...

– Acorde... – Sua voz era sedutora, estava sendo seduzida, sendo que estou em coma, isso é estranho, mas ele, não sei quem, decidiu fazer algo mais estranho, começou a passar algo perto do meu nariz, acho que era uma pena, incomodava e muito! Eu queria poder me mexer e coçar o meu nariz...

– Se mexa você ira conseguir... – Ele disse novamente, dessa vez sua voz não parecia sedutora, parecia que ele estava se divertindo, decidi tentar mover minha mão e eu consegui! Finalmente pude coçar o meu nariz! Nunca irei esquecer essa sensação!

– Hahaha! Você é engraçada, será divertido conviver com você. – Ele disse me mandando uma piscadela...

– Espera, o que você disse? – Perguntei confusa e percebi que minha voz estava horrível...

– Primeiramente irei me apresentar, sou o Alu, demônio da noite.

Devia estar sonhando, só podia ser um sonho, agora que minha visão estava ficando mais clara, percebi que ele era bonito, tinha olhos azuis, mas era um azul escuro, seus cabelos eram pretos, sua pele era tinha um tom de cor branco meio cinza, pálido na verdade, ele parecia ter 18 anos, ele parecia louco, o nome dele era estranho, mas ele não poderia ser um demônio, demônios não existem, deveria ser uma pegadinha, ou ele também estava internado...

– Ok, eu acredito, a enfermeira sabe você esta que fora do seu quarto?

– Não sou louco e nem estou internado, graças a mim que você acordou.

– Não, não sei por que acordei, mas não foi graças a você.

– Pense o que quiser, mas sua vida vai mudar, já que eu lhe dei uma parte de minha alma...

– Há! Eu não irei acreditar nisso, você é louco! Vou chamar a enfermeira!

– Ok, quando você voltar para sua casa... Se estiver com duvidas chame o meu nome que irei aparecer e lhe explicarei tudo... Até...

Ele sumiu, eu não acredito que vi ele desaparecendo na minha frente! Estou drogada! Me drogaram! É o efeito colateral de tantos remédios que me deram! Ele não pode ser um demônio! Ele nem existe! Foi uma alucinação da minha cabeça, vou pensar que foi isso, será o melhor pra mim... Percebi que estava em pé andando pra lá e pra cá, minha mãe estava parada na porta, com a mão na boca, como se não acreditasse, ela começou a chorar e me abraçou forte...


–Lili, eu pensei que... Não importa, você ta bem é o que importa, eu te amo, eu te amo, te amo minha filha, me perdoe por todas as nossas brigas, me perdoe... – ela começou a chorar descontroladamente, percebi que eu também estava chorando...


– Mãe, eu também te amo... – Ela me olhou nos olhos e chorou mais ainda, depois de um tempo ela se acalmou, e chamou o medico, eles ficaram conversando, me deram uns remédios, acabei dormindo...


Esta perdida em uma floresta estava escuro, estava sozinha e com medo, cheguei a margem de um rio, do outro da margem ele estava me observando, era incrível como ele e a noite combinavam, pareciam um só, lembrei que ele havia dito que era um demônio, o demônio da noite, quando olho novamente para a margem do rio ele não esta mais lá, olho cuidadosamente ao redor tentando encontra-lo encontrando apenas o vazio da noite, sinto alguém passando a mão em minha nuca, arrepio-me, era ele, viro-me rapidamente, ele esta diferente, com uma capa preta e um capuz preto, ele era belo de uma fora assustadora...


–Sua vida ira mudar... Vamos para um pequeno passeio...

De repente asas negras surgiram, ele levou-me junto para um pequeno passeio sobre as nuvens, era uma vista de tirar o fôlego, sobre as nuvens escuras eu conseguia ver o céu estrelado, a lua cheia era tão perfeita, olhei para o seu rosto, ele tinha um olhar vazio, vago, e de repente eu caio...


Acordei assustada, fora apenas um sonho, parecia tão real... Minha mãe havia me dito que daqui a 3 dias irei para casa, é um tédio aqui, quase não recebo visitas, os meus amigos ficam a maior parte do dia no colégio e não quero que eles faltem, mas de vez em quando o Antonny vem me visitar...