Mystery Of You
6 Sempre sozinha & Lembranças
– O que você quer? – Perguntei um pouco irritada.
– O que você acha que é uma alma?
– hã... Vida?
– Também, a alma é uma mistura de sentimento, razão, memórias, entre outras coisas.
– E... ? Por que esta me dizendo isso?
– Dentro de cada pessoa a um mundo que elas criam sem perceber, pode-se dizer que esse mundo é a alma. – Ele disse me ignorando. Acho que ele percebeu a minha irritação e revirou os olhos. – Eu liguei a sua alma na minha para te salvar, a minha alma esta preenchendo o espaço vazio da sua, significa que consigo entrar no seu mundo, ver e sentir tudo que você viu e sentiu, mas não vou fazer isso, porque a sua vida não me interessa.
– Por que você só me disse isso agora?
– Por que você é deprimente, sempre triste...
– Ainda quero saber por que demônios têm almas. – Disse interrompendo-o, ele revirou os olhos.
– Vou te ensinar a usar as habilidades ao ter a sua alma ligada a minha.
– Tem que ser agora?
– Bem, tem o risco do demônio que roubou metade da sua alma voltar a qualquer momento e levar o resto.
– Ah... – Disse um pouco assustada, se eu perder o resto da minha alma morreria.
– A primeira parte do treinamento é essencial, você deve conhecer a sua alma para poder usa-la.
– Como eu faço isso?
– Irei lhe ajudar, feche os olhos.
Ele colocou a mão sobre os meus olhos para fecha-los, suas mão eram geladas, depois de um tempo senti sono, estava cansada, me sentia fraca, estava com medo, decidi abrir os olhos, mas eu não estava mais em meu quarto, olhei atentamente ao redor querendo gravar cada detalhe daquele lugar, estava sobre um lago congelado, ao meu lado havia uma arvore perdendo as folhas, morrendo, mais a frente tinha uma cidade em chamas, fui em direção da cidade, só havia prédios, vi alguém...
– Hã, você sabe onde estamos? – Perguntei para a mulher que estava de costa para mim, toquei em se ombro, pois ela estava demorando a responder, ela virou, ela estava usando uma mascara parecida com as que eu colecionava, me assustei e sai correndo, acho que cheguei no centro da cidade, tinha uma garota lá, cabelos ondulados brancos, ela estava sentada, estava chorando, senti pena dela, fui até a direção dela, e o que era choro se tornou uma risada que assustava, aos poucos ela foi se levantando ela também usava uma mascara mas essa era diferente estava rachada, percebi que ao redor dela estava aparecendo rachaduras, o gelo estava quebrando, não sei porque mas corri na direção dela para ajuda-la, o gelo quebrou e ela caiu, eu não pude fazer nada, apenas ver, me aproximei e vi q não havia água, só havia um buraco profundo, escutei um barulho e vi que o gelo ao meu redor também estava rachando e de repente cai...
Acordei em o que parecia ser uma caverna, estava em uma cela...
– Oi??? Tem alguém ai? – Perguntei, mas só conseguia ouvir o eco da minha voz, lembrei do Alu. – Alu?! Cadê você? Alu?!
– Pare de gritar, tenho pouco tempo... – Ele disse.
– Alu?
– Sim...
– Onde estamos? O que esta acontecendo?
– Este é o seu mundo, ao que parece, existe duas de você, nunca tinha visto algo assim, é meio complicado, mas pelo o que eu percebi, a sua outra “eu” quer ter o controle, você tem que ganhar dela, rápido saia daí e tente se lembrar de algo importante que você ama...
– Hã? Como assim?
– Um objeto,uma memória, sei lá, esse é o seu mundo, ela chegou, tenho que ir, espero que você consiga...
– Espera! – Mas ele já tinha desaparecido...
– Você é patética – Disse a garota com a mascara.
– O que você quer?
– Não é justo eu ficar presa aqui enquanto você esta livre e so faz merda, você é uma sonsa, sempre tentando ser a “certinha” a garota boazinha, você faz de tudo para não magoar os outros, mas no final sempre te magoam, nunca te entende, nunca NOS entendem, sempre nos julgam, no final você sempre acaba sozinha...
– Cale a Boca! Você ta errada!
– Lembre-se de todas as vezes que te magoaram, lembre-se de todas as vezes que te julgaram enquanto você fazia o que era melhor pra todos menos pra você... July, ah, que amiga hein? Lembra que ela ficou com o garoto que você gostava? E o que você fez? Nada!! Ela sabia que você gostava dele! Lembra quando ela ficou 1 mês se falar com você? E depois disse que precisava pensar? O que você fez? So chorou e ficou se perguntando o que tinha feito de errado! E depois quando o Tonny lhe disse para mudar um pouco? Ou quando você fica o dia todo sozinha porque a sua mãe estava trabalhando?
– Pare! Cale-se! – Gritei desesperada, não aguentava mais...
– Você não percebe? Todos te abandonam, menos eu, eu sempre estive aqui, me deixe sair daqui que eu irei mudar tudo, tudo ira melhorar, nos vingaremos deles que nos abandonaram, você só tem que pegar na minha mão. – Ela disse estendendo o braço para que eu pudesse alcança-lo para segurar em sua mão, mas eu os amava, não queria mal a ninguém, se eu não podia ser feliz eles deveriam, a felicidade deles era o que bastava para mim, mas eu não gostava de ficar sozinha, era assustador, mas, agora eu tinha o Alu...
– Ah, o Alu, ele será o próximo a te trair, ele é um demônio, quer o resto da sua alma, qual seria o motivo dele ter nos salvado? Somos um brinquedo para ele, e quando ele se cansar nos matará, podemos aproveitar enquanto ele nos deu essas habilidades, juntas poderemos ter tudo, poderemos ser felizes...
– Não! Cale a boca! Você não sabe de nada!
– Então será assim? – Ela disse com desprezo na voz. – Então eu proponho um jogo, eu sei que o Alu já te falou o que procurar e que quando achar deve sair daqui, vamos fazer uma corrida, a que achar primeiro, ganha.
– Você já sabe o que é.
– Então lhe darei um tempo de vantagem, 10 minutos, vá e se perca no seu próprio mundo.
A porta da cela abriu, sai correndo sem direção, o que eu deveria procurar? Corri tanto que cheguei a um labirinto de espelhos.
– O que é isso? – Perguntei pasma
Provavelmente o que estou procurando deve esta no final do labirinto, e me lembrei de que eu sempre me perdia não importa onde, sempre, mesmo assim continuei andando, esses espelhos eram diferentes, fiquei olhando para um deles e vi uma lembrança minha.
– Oh meu Deus, o que é isso?
– Se acalme esses espelhos são memórias suas, são se perca nas suas memórias... – Alu disse, mas a sua voz aos poucos ia sumindo...
– Droga, ele foi embora de novo, se esses espelhos são as minhas memórias, essa deve ser de quando eu tinha 4 anos, eu nem lembro disso, mas esta aqui incrível... – Continuei andando e percebi que conforme eu andava o meu “eu” das memórias envelhecia, significa que eu poderia esta indo pelo caminho certo... – Essa é de quando eu conheci o Tonny... – Logo depois eu vi um espelho quebrado, continuei andando, cheguei no final do labirinto e vi uma caixinha de música familiar, abri ela e ela começou a tocar, não sei porque comecei a chorar, dentro da caixinha tinha uma foto, minha é da minha mãe, ao lado dela tinha um homem, ele era o meu pai...
– Pai... – Estava chorando muito, por que eu me esqueci do meu próprio pai?
Aos poucos eu fui lembrando...
Eu e meus pais éramos felizes, o meu pai era advogado, quase sempre estava ocupado, quando fiz 5 anos ele me deu uma caixinha de música, a melodia era tão linda, mas um dia ele não voltou, no meu aniversario de 8 anos meu pai morreu em um acidente de carro, comecei a lembrar da minha mãe caindo no chão e chorando, eu amava muito o meu pai, ele não podia ter morrido, não, o meu pai não, comecei a ter falta de ar, lembro de estar indo para o hospital, lembro do rosto de minha mãe sem expressão, como se a morte estivesse a sua frente e ela aceitasse ir com ela, fiquei 10 dias internada. Estava deitada na minha cama, começou a chover, fiquei com medo e fui para o quarto de minha mãe deitei do lado dela e percebi que ela estava chorando, comecei a cariciar a sua cabeça...
– Não se preocupe mãe, o papai já vai chegar.
Ela começou a chorar mais ainda, e eu decidi que iria protegê-la até o papai voltar, aos poucos íamos parando de falar sobre o papai, e eu fui esquecendo, mas eu ia constantemente ao medico, acabei desenvolvendo crise do pânico, asma e claustrofobia, tomava remédios todos os dias, pois havia noites em que me lembrava do meu pai e entrava em pânico, comecei a tomar remédios para dormir, e acabei esquecendo o meu pai, eu esqueci o quanto o amava, eu esqueci todos os nossos momentos juntos, esquecer fez a minha mãe sofrer, eu a magoei...
– Pai, me perdoa, eu te amo, nunca mais te esquecerei, desculpa, não pude ir o seu enterro, eu nunca te visitei, pai, desculpa...
– Você achou... – Ela disse com voz de choro. – Parabéns você ganhou. – Ela disse tirando a mascara, ela chorava lagrimas de sangue, seus olhos eram vermelhos. – Saia daqui, vá...
De repente eu estava no meu quarto, o Alu esta na minha frente, ele me olhava preocupada...
– Conseguiu?
– Eu acho que sim... – Percebi que estava segurando a caixinha que meu pai havia me dado, comecei a chorar, Alu pareceu mais preocupado, mas parece que ele entendeu... – Vou te deixar um pouco sozinha, depois eu volto...
Não consegui responder, estava chorando muito, deitei na cama, e relembrei cada momento com o meu pai, lembrei-me da minha mãe, comecei a passar mal, estava ficando com falta de ar, tentei me acalmar, e depois de um tempo eu dormir.
Acordei 6 horas da tarde, minha mãe já devia estar em casa, desci as escadas e a vi na cozinha preparando o jantar.
– Mãe?
– Sim? Esta com fome?
– Mãe, eu lembrei. – Disse mostrando a caixinha de música. Minha mãe começou a chorar, eu também comecei a chorar de novo. – Me desculpa mãe. Desculpa...
Depois eu e minha mãe sentamos e começamos a conversar...
– Já esta tarde, vá dormir amanhã você vai para o colégio, já faltou muitos dias...
– Yeah... Boa noite mãe. – Eu disse dando um beijo em sua testa.
– Boa noite, Lili.
Fui para o meu quarto, procurei o Alu, mas não o achei, peguei um comprimido para dormir e o tomei, logo depois dormi.
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