– O que você ta fazendo aqui?

– Você ainda não consegue se proteger, vim te proteger, deveria me agradecer, que tal um beijo? – Ele disse me empurrando contra o armário.

– Alu! Saia!

– E a minha recompensa? – Ele disse fazendo biquinho.

– Não tem, você ta fazendo isso porque quer. Pensando bem, por que você ta me ajudando?

– Já disse: so quero me divertir. – Ele disse sem emoção. Algumas garotas passavam, olhavam, apontavam e depois começavam a rir.

– Elas... Estão te vendo? – Perguntei confusa.

– Sim, estou na minha forma humana.

– Como??

– Alguns demônios viram humanos para seduzir mulheres e homens, para roubarem a sua alma apaixonada. Conseguimos apenas por algumas horas, mas como a minha alma foi ligada à sua que é uma humana, consegui uma habilidade também, agora eu posso materializar o meu corpo a hora que eu quiser e por mais de um dia. Eu testei ontem.

– Ah, por isso você tinha sumido...

– E me matriculei no mesmo colégio que você, iremos estudar juntos. Por favor, cuide bem de mim, querida. – Ele disse beijando o meu pescoço.

– Seu pervertido! Espero que ninguém tenha visto!

– O seu namoradinho ia ficar com raiva?

– O Tonny não é meu namorado. – Disse irritada.

– Falando dele, ele esta vindo. – Ele disse apontando pro Tonny que estava vindo em nossa direção.

– Lili! – Ele disse me abraçando forte.

– Ah, Tonny, ta me machucando.

– Ah, desculpa. Oi Alu.

– Eai. – O Alu disse sem nenhuma empolgação.

– Alu? – Tinha perguntado para o Alu, ele deu de ombros e o Tonny respondeu.

– Ele é o novo aluno, você não sabia? Estavamos conversando ainda pouco... – Ele disse desconfiado.

– Ah, desculpa, tinha esquecido...

– Alu, é um nome bem esquisito, sem ofensas. – Tonny disse se desculpando antecipadamente.

– Meus pais gostavam de nomes diferentes.

– O que significa Alu? – Parece que eles tinham esquecido que eu estava ali.

– Demônio da noite. – Fiquei paralisada.

– Nossa! É realmente um nome esquisito, tudo bem pra você ter nome de um demônio?

– Foi o nome que meus pais escolheram, não me importo. – Ele disse calmo.

– Hã... Bem, de onde você conhece a Lili? – O Tonny perguntou curioso

– Ah, ela é minha noiva. – Ele disse serio. O Tonny parecia chocado.

– É mentira! Eu não sou noiva desse anormal! – Disse tentando convencer o Tonny, Alu parecia estar se divertindo.

– É verdade, desculpe-me, ela não é minha noiva, mas logo será já que teremos um filho. – Ele disse colocando a mão na minha barriga, era incrível como ele falava aquilo calmo. Tonny entrou em estado de choque, ele não conseguia falar, apenas ficava olhando o nada.

– Lili, esta... Grávida? – Ele perguntou quase sem voz.

– Não! É mentira dele, ele esta so brincando, né Alu?

– Bem, a Lili não esta grávida, mas ainda pretendo fazer um filho meu nela.

– Seu pervertido! Pare com essas brincadeiras!

– Podemos começar agora, que tal? Na minha casa ou na sua? – Ele disse se aproximando. Mas Tonny me puxou, parecia que ele estava com raiva.

– Não toque na Lili.

– Opa, toquei. – Ele disse tocando no meu ombro. Comecei a rir, essa parte foi engraçada.

– Vocês parecem duas crianças, hahahaha, desculpa, não consegui me controlar, hahahaha. – Eles olharam pra mim como se eu fosse uma louca.

– Como ela é retardada. – O Alu disse apontando pra mim.

– Dessa vez irei concordar com você, vamos comer alguma coisa? – Tonny perguntou amigavelmente para o Alu. Ah. Ótimo, agora eles estavam amiguinhos.

– Deixa eles, o Tonny fez um novo “amiguinho”, ele gostou do Alu, eles ficaram conversando bastante hoje de manhã. – A July disse pegando no meu ombro.

– July!!! – Disse abraçando ela forte.

– Pensei que ia ficar em casa vendo filmes chatos.

– Resolvi vir, já perdi muitas aulas.

– Vem, vamos comer algo antes que comece a aula.

– Sim, ei, eu conheci o Christian hoje. – Depois que eu disse que o havia conhecido ela ficou tensa.

– Ah, o que achou?

– Ele até que é legal, ele me disse que vocês estavam namorando a dois meses, e você tinha me dito que era a uma semana, por que?

– É que antes você parecia tão distante. Eu e ele começamos a namorar de repente. Os dias foram passando e eu ia esquecendo de lhe contar, até que se eu te contasse você ia ficar magoada porque não tinha contado antes, desculpa.

– Ta, tudo bem, vamos logo.

– Ei, de onde você conhece o Alu?

– Ah, complicado, depois explico. O que achou dele?

– Ele é sexy. – Ela disse rindo. – É bem bonito, divertido, já é popular. Algumas garotas já deram em cima dele.

– Eca, o Alu é um anormal.

– Hahaha, como se você fosse normal.

– Humpf. Falando dele, para onde ele levou o Tonny?

– Eles devem estar se pegando no banheiro, já que ficaram tão amiguinhos. – Continuamos andando e conversando. Chegamos na cantina e a July comprou refrigerante. Como eu não tava muito afim de tomar refrigerante comprei so água, logo depois a campa bateu.

– Ah, droga, aula de biologia. – A July disse reclamando

– Vamos, se a gente se atrasar ele não vai nos deixar entrar. – Fomos andando até a sala. Quando entramos vimos Alu e Tonny conversando. Sentei no meu lugar. Por sorte, eu sentava do lado da janela.

– Lili, tudo bem? – Tonny perguntou preocupado.

– Sim, por que?

– Você parece mais distante, mas esta melhor?

– Estou sim. Ei no próximo final de semana vamos ao cinema, amanhã você pode ir lá em casa pra me dar o conteúdo que perdi.

– Claro. Que horas?

– Depois do colégio. Amanhã vamos sair cedo, néh?

– Yeah, o horário é o mesmo. Ok, vamos juntos. Ah, o professor chegou. Até.


O professor começou a passar um vídeo de bioquímica celular. Entendi bastante coisa, mas não tudo. De repente, senti alguém me cutucando. O Alu estava sentando do meu lado, decidi ignorar. Logo começou a chover, era estranho pois estávamos no verão. Senti o Alu ficar tenso, será que ele não gostava de chuva? Que nem os gatos? Isso me fez rir, conforme a chuva ia ficando mais forte mais ele ficava mais tenso. A chuva me deixava triste, ia me sentindo cada vez mais triste, de repente o meu peito começou a doer, era uma dor insuportável, doía muito, o Alu pareceu perceber e imediatamente chamou o professor.


– Professor, a Lili esta passando mal! – O professor veio em minha direção, estava doendo muito, tudo ao meu redor começou a ficar embaçado, só conseguia escutar algumas vozes.

– Vou leva-la para a enfermaria. – Esse deveria ser o Tonny. Alguém estava me carregando, será que era ele? Não, sua voz estava longe.

– Eu levo! — Uma outra voz disse com um tom autoritário, será que era a voz do Alu? Era ele que estava me carregando, estava tão confortável ali, parecia que ele não sentia dificuldade em me carregar, de qualquer forma eu era leve, não pesava muito. – Não durma Lili! Ela esta aqui! Recomponha-se!

– Mais eu estou com sono. – Disse sonolenta. – Alu, esta doendo. Sinto como se o meu coração estivesse sendo arrancado de mim. – Disse com dificuldade, não sei se ele entendeu tudo, mas logo depois desisti de tentar ficar acordada, doía muito, dormir parecia uma boa ideia...


Quando abri os olhos estava em um lugar totalmente diferente do colégio. Olhei para baixo e eu estava em pé sobre a água, fiquei apavorada, pois se eu afundasse, morreria. Eu não sei nadar...


– Ei, você vai morrer. – Era a mesma garota que eu havia encontrado no meu mundo. Ela estava diferente, não parecia mais tão assustadora como antes. Ela estava sentada no ar.

– Isso é... – Não consegui terminar a frase, como isso era possível?

– Idiota, esse é o nosso mundo, podemos fazer e ser o que quisermos, aqui tudo é possível. – Ela disse girando no ar, parecia que ela estava brincando. – Insano, né? Mas esse é o seu mundo, louco. Foi na loucura que você encontrou a felicidade, mas com tempo você ficou com medo dessa felicidade insana, e eu nasci, eu sou a sua loucura...

– Por que eu vou morrer? – Disse tentando mudar de assunto, estava com medo do que poderia descobrir se continuássemos com aquela conversa.

– Sempre fugindo, mas tudo bem, logo você ira descobrir a verdade... Sabe por que o seu peito doía? Era como se estivessem arrancando o seu coração né? Estavam tentando tirar o resto da sua alma, mas falharam graças ao fato da sua alma estar ligada a daquele demônio, mas a pessoa que roubou a sua alma esta aqui, prepare-se, e cuidado, o Alu sabe mais do que diz, ele sabe quem roubou a sua alma. Agora volte para aquela sua realidade de merda, em breve voltaremos a conversar...

Aos poucos ela foi desaparecendo e o mundo ao meu redor também...

Acordei na cama da enfermaria, sentia dificuldade para respirar, vi que o Alu estava sentado na cadeira ao lado da cama.

– Finalmente acordou! – Ele parecia estranho, parecia um pouco preocupado...

– Alu, quem roubou a minha metade da minha alma?

– Eu não sei. Por que você acha que eu saberia?

– Mentiroso. Quem roubou a minha alma? – Perguntei de uma forma fria, estava me preparando para mais uma traição

– Quem você pensa que é, pirralha? – Ele parecia confuso.

– Diga-me Alu, o seu peito também doeu, né?

– Hã, como assim?

– Nossas almas estão ligadas para que eu possa sobreviver. Se você pode entrar no meu mundo significa que eu também posso entrar no seu, já que você tem alma, tem um mundo. Se tentarem roubar a minha alma, levarão a sua de brinde. Irei perguntar mais uma vez: quem roubou a minha alma?

– Você esta ficando esperta. O nome dela é Becca, so sei disso.

– Por que ela tentou levar metade de minha alma?

– Não sei. Agora não é hora se fazer perguntas, temos que sair daqui antes que ela nos ache. Vamos para a sua casa, irei voltar a minha forma de demônio e tentarei colocar uma barreira ou algo que faça com que ela não nos ache, cosegue andar?

– Consigo. – Disse me levantando. – Que horas são?

– 4 horas da tarde, você ficou desmaiada por um bom tempo. Há poucos alunos no colégio, vamos logo.

Saímos da enfermaria e estávamos andando pelo corredor quando escutamos uma voz:

– Há quanto tempo Alu? – Disse uma mulher em um tom ameaçador.