Mystery, Dear Mystery
20 Special Mystery – Minhas Memórias Natalinas 2/3
Notas iniciais

Narração por: Nick Trent.
Continuei andando pela floresta sem nenhum destino especifico. Naquele momento eu só conseguia pensar na imagem da minha estrela lindíssima, incrível, maravilhosa, brilhante, exuberante e perfeita se despedaçando lá dentro daquele chalé. Tudo culpa da Megan, como sempre.
Apesar de ser bastante fechada, era difícil se perder naquela floresta por motivos inexplicáveis, mas juro que eu sabia com exatidão o caminho de volta para aquele chalé. Mas eu sabia também que não voltaria para lá tão cedo. Continuei andando e avistei, ao longe, duas figuras carregando lenha e conversando casualmente, como quem conversa sobre o clima. Assim que eu os reconheci, um impulso involuntário me fez começar a gritar por eles.
– KATH! LERMAN!
Os dois olharam em minha direção e fizeram uma cara de desgosto assim que perceberam que era eu quem os chamava.
– Ah. – fez Kath, desinteressada. – Trent.
– Não, o papai Noel. Não consegue ver meus sacos de presentes e minha barba branca e longa? – perguntei sarcasticamente. – Por que demoraram tanto? Foram colher a semente da árvore ou algo assim?
James fez uma careta.
– Você se acha um completo comediante, não é Trent? – perguntou Lerman.
– É. Me acho sim. – confirmei. – Assim como você se acha o cara mais conquistador desse planeta.
Lerman partiu para cima de mim, mas Kath o impediu.
– É Natal, James. Bata nele em outra data. Espancar alguém até a morte no Natal é extremamente cansativo.
Sorri sarcástico para Kath, que me devolveu o gesto.
– Já que você quer tanto saber, Trent, não, a árvore estava plantada e pronta para ser cortada, mas ao invés de ficar esse tempo inteiro, James e eu decidimos ficar andando por aí a ficar enfurnado dentro de um chalé com um bando de manés.
Estreitei o olhar.
– Falou a assassina maluca que não respeita nem o Natal. – carreguei minha frase de duplo sentido. E apesar de não ter demonstrado, sei que ela quase me matou.
Diamont sorriu tão doce quanto jiló.
– Nicholas, Nicholas, posso te dizer uma coisa? – já ia negar, mas ela continuou. – Vai. Pro. Inferno.
– Calma, Dia. Stress dá espinhas, e elas deteriorariam o seu lindo rostinho.
– Essa fala é minha! Você só alterou um pouco! – disse James. – Usei com a Lucy-Gostosa quando eu nós a sequestramos...
Revirei os olhos. Lerman era tão idiota...
– Lerman, na real, esquece a Lucy, cara. Você pode ter qualquer garota que quiser, mas se ficar insistindo com a Lucy, vai continuar pelo resto da vida.
Lerman riu como se aquela fosse a sugestão mais... Ridícula que ele já ouvira.
– Nicholas, nem que eu fique a minha vida inteira tentando, mas eu ainda vou pra cama com aquela garota. E que tipo de direito você pensa ter sobre minha vida? Você está totalmente encalhado.
Dessa vez fui eu quem quase partiu para cima de Lerman. Da minha vida amorosa, ninguém fala!
Do nada, Diamont começou a rir feito uma louca – não que ela não seja.
– Ai, gente, olha só isso. O Trent tá encalhadinho... – ela fez um biquinho inocente, e juro que tive que me segurar para não voar no pescoço dela.
– Argh.
Eu paguei um baita mico ao dar as costas para eles e voltar a olhá-los de novo ao lembrar que não queria nada naquele chalé.
– James, vá para o chalé. Quero ter uma conversinha com o Trent aqui. – ah meu Deus, eu vou morrer.
James olhou de mim para a Kath, depois da Kath para mim, depois de mim para a Kath de novo, e depois da Kath para mim de novo, e ficou assim por uns dois minutos até que saiu, emburrado.
– Está legal.
Diamont esperou James sumir de vista antes de dizer qualquer coisa. Assim que ele desapareceu, ela me empurrou na neve. Ai. É gelado. (Não, a neve é quente. Palmas para minha rara inteligência universal.)
– Vai falando por que está emburrado, Trent.
Desviei o olhar para a neve e bufei.
– Como se eu fosse contar para você.
Diamont me ergueu no chão usando apenas uma mão e pressionou meu corpo contra uma árvore. Ela estava perto demais. Mortalmente perto.
– A única chance de eu não saber disso é caso você se negue novamente, porque aí que vou ter que pressionar seu corpo contra essa árvore para que você apodreça no inferno.
O que eu disse sobre stress? Era o que eu já ia dizendo, mas o olhar de “Eu vou te matar, esquartejar, dessecar, tirar todas as tripas, fritar e jogar para os urubus, para que eles se sirvam delas e do Mc Lanche Feliz que você deixou no chalé” de Diamont me fez engolir aquelas palavras e escolher outras mais sábias.
– Está certo então. Megan destruiu, quebrou, arruinou, aniquilou, estraçalhou, acabou...
– Chega de drama Nicholas, diz logo o que a Megan quebrou agora.
– Minha estrela de cristal lindíssima, incrível, maravilhosa, brilhante, exuberante e perfeita. Ela inventou de colocar no pinheiro mas acabou caindo por cima de tudo. Resultado: horas de trabalho por água abaixo e o pior! Minha estrela JÁ ERA!
Diamont ergueu uma sobrancelha e me olhou com aquela cara de “Sério mesmo que você está me dizendo isso?”.
– Trent.
– Sim?
– Você é maluco.
– Você está do lado da Megan? – não que eu tenha pensado que algum dia na vida dela, ela ficaria do meu lado para alguma coisa.
– Dã! Era só uma estrela boba!
– Estrela boba? Aquele estrela está com os Trent há séculos! Todo Natal, o membro mais influente da família levantava seu filho mais novo para que ele pudesse colocar a estrela no topo da árvore, enchendo o momento de espírito natalino. – falei sonhadoramente enquanto Diamont revirava os olhos, mas quando terminei a frase, ela bufou com escárnio e olhou para mim com uma cara de “Você é pateticamente patético.”
– Trent, é um objeto. Aquilo não significa nada, objetos são secos e não colocam espírito natalino em nada. É esse o Natal: todos esquecem que devemos comemorar o nascimento de Cristo e preferem gastar muito dinheiro com presentes e decorações bobas... É por isso que tenho nojo de decorações e presentes. E de pessoas como você, que prezam mais um objeto do que a própria vida.
Eu a encarei, espantado.
– Ela era especial!
– Tão especial quanto às outras estrelas idênticas a aquela que você pode comprar em lojas de decoração. Francamente, Trent, por que estou perdendo meu tempo com você?!
Não respondi a pergunta dela. Comecei a bater o pé impacientemente.
– E o que você quer que eu faça agora, oh suprema rainha da chatice?
Diamont se preparou para me matar quando parou.
– Suprema rainha da chatice, é Nicholas... – ela colocou a mão no queixo como se estivesse pensando. – É, talvez eu seja mesmo. Vá se desculpar com a Megan.
– O QUÊ?! – gritei. – NÃO! Tudo menos isso. Ela quem me deve desculpas.
Ela bufou.
– Ela é a certinha chatinha da Megan. Se você me disser que ela não tentou, entro naquele chalé e interno a loirinha em um hospício agora.
Droga, ela havia tentado.
– É... Ela tentou sim.
Ela me lançou um olhar de “Eu não disse? Ah, e você é idiota” e foi andando em direção ao chalé na minha frente.
– E depois me perguntam por que odeio o Natal.
– Consumismo.
– Não, Trent. Parece que tudo na minha vida dá errado no Natal!
– E o que deu errado fora o incêndio?
– Como se te interessasse.
Encarei as costas da cabeça de Diamont.
– Tecnicamente, se não me interessasse, eu não estaria perguntado.
Ela grunhiu.
– Você é tão... Infantil!
– Por quê?
– Porque sim.
– Mas por quê...?
– CALA A BOCA TRENT!
Revirei os olhos. Que direito ela tem de gritar comigo?! Foi ela com começou!
– Vamos voltar para o chalé, e se falar um pio, eu te mato.
Ela é bem carinhosa, não?
Diamont e eu voltamos ao chalé em silêncio. Quando chegamos lá, estava quase tudo remontado, a não ser por alguns enfeites e a estrela, que nunca mais seria posta dentro daquele pinheiro de novo. Riley e Lucy olharam para nós quando entramos e James nos encarou, mas Megan nem ergueu os olhos do que estava prestando atenção e fazendo – lendo um livro.
– Tudo bem, Megan, eu desculpo você. – revirei os olhos quando terminei de dizer.
Ela finalmente olhou para mim.
– Sinto muito, muito mesmo, Nick. Nunca foi minha intenção... Sequer manchar aquela estrela, quanto mais despedaçá-la. Me desculpe por tentar fazer algo que não consigo.
– Tudo bem... Está tudo bem. – então eu reparei um pequeno grande detalhe na árvore. – LUCINDA WINNERS, QUE DIABOS É ISSO?!
Se antes minha árvore parecia um pinheiro que tinha saído do carnaval, agora estava muito pior – os meus enfeites foram removidos e substituídos por glitter, placas de espumas, lantejoulas e plumas. Agora parecia que ela tinha ido a dois carnavais, uma festa em um iate, saído de um lava jato que deposita brilho ao invés de água e claro, mergulhado dentro do armazenamento de glitter de alguma fábrica aí.
– Meus enfeites. – respondeu ela, simples. – Aqueles seus papais Noel estavam ridículos. E os pirulitos estão fora de moda.
– Consumismo, consumismo, consumismo. – disse Diamont, com nojo.
Riley checou as horas no pulso.
– Pessoal, a decoração da árvore fica para depois. Já vão bater as meia noite. Dez, nove, oito... – ele continuou com a contagem regressiva tediosa. –... Três, dois, um, zero. Natal.
– Oh, feliz Natal e etc e etc, vamos comer. – disse Lerman, fazendo pouco caso, como sempre.
– Abrace as pessoas e as deseje um feliz Natal, seu insensível do caramba. – mandou Lucy.
– Aguente mais um pouco, porque depois daqui ainda temos que abrir os presentes. – lembrou Riley.
Essa sim ia ser uma longa noite.
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