Mystery, Dear Mystery
36 Mystery 11 – Rain Rules! 3/3
Notas iniciais
Narração por: Lucy Winners.
Permanecermos em silêncio nos dois minutos após a fala da enfermeira, tentando engolir a informação. Megan estava morta. Para ela, estava acabado.
E a culpa de tudo era de Jason.
Quando eu finalmente consegui respirar de verdade, ousei olhar para os meus amigos. Nick estava tão chocado como eu. Riley estava extremamente pálido e parecia sem ar. Mas Diamont e James... eles pareciam nem se importar.
E antes que eu pudesse me decidir qual seria minha próxima reação, Riley se levantou de um salto.
– Isso é sua culpa! – gritou ele, apontando o indicador para Diamont.
Ela recuou, como se o grito tivesse a assustado, coisa que eu não duvido. Riley não parecia irritado. Ele parecia... prestes a surtar.
– Opa, calma aí, stress – pediu ela, aparentemente achando que a morte de Megan era uma espécie de seriado ou algo assim.
– CALMA?! CALMA?! – berrou Riley. Ele parecia tão irritado, que podia muito bem sacar a calibre 50. Claro, não é para menos, afinal, a Megan morreu. – Você sabia que ele estava lá! Você podia ter impedido tudo isso se...
Diamont riu divertidamente.
– Queridinho, eu não sei se você se lembra, mas eu avisei para não entrarem lá.
– Prova de que você sabia! Afinal, vocês são amigos, não são?!
Diamont colocou o cotovelo no apoio braçal da cadeira e apoiou a cabeça na mão, fazendo uma cara de puro tédio. Ela não se importava.
– Riley. Eu não me importava com a Megan, mas fiquei chocada com a morte dela...
– Percebe-se! Você parece realmente chocada, Diamont! Admiro o seu choque, mesmo! É tãããããão visível! Você não se importa com ninguém! – gritou ele, a plenos pulmões. Acho que o hospital inteiro já podia nos ouvir. – Apenas com si mesma e com seus coleguinhas da IK! Afinal, para você o mundo inteiro pode desabar que você...
Eu me levantei, pronta para a apartar a briga. Eu não queria que aquilo evoluísse a agressão física – mesmo que Riley não bata em mulher – ou tiroteio, mas não pude fazê-lo, porque era tarde demais. Diamont simplesmente se levantou e lhe deu um tapa na cara.
Riley colocou a mão no local onde ela bateu (que estava vermelho), meu chocado, meio irado.
– Sua...
Eu segurei os ombros dele antes que ele soltasse um palavrão.
– Ry... Calma – respirei fundo, usando minha forma desesperada de não chorar. Acho que mordi o lábio com tanta força que poderia ter sangrado. – Não... Perca seu tempo com ela. Só...
Interrompi a frase. Riley parecia que ia chorar, e vê-lo com uma expressão como aquela pela primeira vez gerou uma coisa estranha em mim. Meu estômago girou, mas não eram aquelas borboletinhas que aparecem nos estômagos das garotas em livros clichês – eu estava com o coração apertado. Mas, subitamente, uma onda de raiva percorreu meu corpo. Não iria deixar que aquela garota fizesse mais merdas do que as que ela já fez.
– Por quê... Por que você não some?! – minha voz saiu meio fragilizada devido a notícia anterior, mas acho que esse detalhe não é tão importante agora.
Diamont ergueu as sobrancelhas e sorriu com escárnio.
– Sabe de uma coisa, Lucinda? – perguntou ela, se levantando. – Seria uma boa ideia.
Então ela simplesmente deu as costas e saiu andando para fora do hospital, sendo seguida por James. Revirei os olhos – como ele consegue ser tão bobo ao ponto de ficar a seguindo?
Segurei a mão de Riley com o intuito de puxá-lo para fora dali, mas só quando virei, vi que Nick ainda estava parado ali, na cadeira. A expressão dele era indecifrável.
Mordi de leve o início do lábio. Coitado do Nick – ele ficou quieto o tempo todo e eu iria deixá-lo sozinho ali... que tipo de amiga eu era? Então Nick me encarou, e eu soube o que fazer.
Está esperando o quê, sua ameba?
[Ele é super hiper mega direto, não?]
Sorri de canto sem mostrar os dentes, e finalmente tirei Riley dali. Eu o levei para uma das salas de espera isoladas do hospital, onde ninguém entraria desde que eu colocasse alguma coisa na porta e impedisse que alguém a abrisse. Coloquei uma poltrona na porta usando o pé, e só então soltei a mão dele.
De início, Riley não me encarou. Ficou de costas para mim, com as mãos cerradas em punho. Ele tremia.
Suspirei sem soltar nenhum som e me aproximei novamente dele, o segurando pelo ombro direito e o obrigado a olhar para mim, e o abracei quando ele se virou. Ry retribuiu o gesto, e fiquei meio surpresa (entenda, não é sempre que ando abraçando garotos por aí).
– Eu... sequer tive tempo de me desculpar de verdade com ela – disse Riley, se curvando e enterrando a cabeça em meu ombro.
Novamente, eu não sabia o que dizer.
– O que eu fiz foi uma burrada muito grande – continuou ele. – E... Teria dado certo se ela não fosse tão... Se ela não tivesse sido tão teimosa...
Apertei o nosso abraço, procurando freneticamente por algo a dizer.
– Ry... Você não teve culpa... De nada.
– Não é essa a questão – sussurrou. – Eu acho que depois que conheci Nick e você... Esqueci meus pensamentos frequentes sobre a vida. Ela não tem muito sentido no alto escalão. Vi pessoas morrerem pelo bem do mundo sem nunca deixar algum legado... – a voz dele falhou. – Mas eu nunca pensei que a Megan seria uma dessas pessoas. Quer dizer, todo mundo vai morrer um dia; mas eu só... Não achei que...
Tentei disfarçar, mas sei que ele percebeu que comecei a chorar. Não só por Megan, mas também por ele. Riley cresceu vendo seus amigos morrerem, sem poder fazer nada para impedir isso. Ele não era feliz, mas conhecer Nick e eu acabou mudando isso... Tanto que ele esqueceu sua antiga filosofia sobre a vida, que eu supus ser nada mais, nada menos que: “Diga logo tudo o que você tem para dizer, porque amanhã, você ou a outra pessoa pode estar morta.”
– Ry... – murmurei suavemente. – É como você mesmo disse. Todo mundo vai morrer um dia – dizer aquilo só me fez chorar mais. – Além do mais...
– Aprender a superar uma morte é a lição número um da vida – disse ele, meio que lendo meus pensamentos. Aquela era uma das frases do Sr. Greeleaugh.
– É – fiz, forçando um meio sorriso.
Nós ficamos em silêncio por poucos segundos até eu sentir a usual vibração no bolso vinda do celular, indicando uma mensagem.
Vou... Dar um rolé por aí, sabe como é. Nos vemos na sede da D.M, feito? E como estão as coisas seja lá onde vocês estão? Beije-o pela Min.
– Nick.
Não acredito que aquele idiota interrompeu o nosso abraço só para me escrever uma merda daquela! Porém eu não pude evitar cogitar a ideia de sorrir. Aquele era Nick – sempre levantando o astral de todo mundo, não importa a situação.
O.k. Vão bem... Complicadas. E não, vá à merda, Nick.
– Lu.
Não precisei esperar nem dois segundos pela resposta.
Também te amo muito, Lu.
– Nick.
Revirei meus olhos e uma ideia pipocou em minha cabeça.
– O que acha de ir a um bar? – sugeri. – Acho que nós, principalmente você, precisa de algumas boas doses de vodca.
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Narração por: Melody Potter Black.
Nick gostava de ver um sorriso no rosto das pessoas, e essa vontade se intensificava em momentos difíceis. Ele aprendera, por conta própria, que um sorriso é o melhor presente ou retribuição que alguém pode receber. Ele tinha acabado de digitar duas mensagens para Lucy, e a resposta única que ela lhe deu entre elas foi suficiente para saber que ela, provavelmente, estaria revirando os olhos, e mesmo que não estivesse sorrindo, estaria mais feliz. Nick esperava que o mesmo acontecesse com Riley, mas diferente do que ocorria com Lucy, era bem mais difícil enviar uma mensagem assim para ele. Nick se lembrava muito bem do Riley careta que conhecera tempos atrás – e agora que o conhecia melhor, Nick sabia mais sobre os gostos dele. Baseball, muito baseball, e ele também tinha um toque emo de ser. Isso – esse toque emo – complicava tudo.
Por que Nick era ímã para pessoas complicadas?!
Quando recebeu a notícia, Nick tentou ser impassível, mas ele estava triste. Porque chovia – mais do que o normal para um fim de inverno.
A ideia de mentir para Lucy dizendo que iria dar um rolé surgiu de repente. A verdade é que ele não ia dar rolé nenhum – ele sabia muito bem para onde estava indo.
A igreja Mórmon.
Nick não tinha certeza do que queria ali, mas sabia que a Loira Assassina tinha culpa dele estar voltando lá. E aquela certeza não tinha muita relação com a Megan – era mais porque ele e sua curiosidade grande demais queriam saber o que Diamont estava fazendo ali.
Náh! Era óbvio que Nick sabia que ela foi para a igreja quando saiu do hospital. Ele já tinha sérias dúvidas de que Diamont encontrara alguma coisa naquela igreja, e seu comportamento totalmente infantil no hospital lhe provou aquilo. Se ela não estivesse na igreja, ele não se chamava Nicholas Anthony Trent.
Ele atravessou todos os becos, estradas, ruelas, ruas e todas as coisas do tipo que separavam o maior hospital da cidade da igreja. Novamente, ele olhou para a construção branca e a adentrou.
Nick ergueu as sobrancelhas, meio que em triunfo. Ele estava certo – lá estava ela, debruçada sobre os livros de registros.
Ele pigarreou.
Diamont levou um baita susto, mas encarou Nick com uma expressão nada boa no rosto.
– Olá novamente, Loira Assassina.
Ela revirou os olhos, o que fez com que Nick pensasse que era inferior...
– O que você quer, Trent?
Nick cruzou os braços e apoiou o corpo na parede,
– Saber o que você tanto quer achar – ele abriu o jogo. – E você vai me contar, porque, caso o contrário... Bem, eu ainda posso te destruir, imagino que esteja lembrada.
A verdade era que Nick estava morrendo de medo do olhar de “eu vou te matar, esquartejar com uma serra elétrica, jogar os ossos para os cães e queimar os cães com seus ossos nas tripas deles” que Diamont lhe lançou.
– Estou procurando registros da tal morta. Está satisfeito?! – indagou Diamont. Nick reparou que a voz dela tinha um tom diferente, como se estivesse dizendo que não se importava em dizer a ele. E aquilo era muito atípico de Diamont.
Nick ergueu as sobrancelhas. Quando ele ouviu o sobrenome da Drew que morrera, ele finalmente pôde reconhecê-la.
– Drew foi minha ex-namorada, sabe? – perguntou Nick, divertidíssimo por dentro. – Ela era muito incrível...
Aquela parte não era tão verdadeira... O relacionamento entre os dois durou pouco. Mas Nick estava conseguindo burlar a tristeza, então, não importava muito agora.
Quando Diamont processou as palavras, pareceu surpresa. Mas logo sua máscara de frieza (isso meio que rimou) voltou a seu rosto.
– Ah... Pena que ela morreu – disse ela. Nick não se surpreendeu com o destaque da palavra. Estava mais que acostumado.
– Onde está o Lerman? – perguntou ele, mudando bruscamente de assunto sem ter consciência do próprio ato.
Ela deu de ombros.
– Eu tenho que ir, Trent. Esfriar a minha cabeça... Para evitar ter que matar seu amiguinho.
– Ouça-a. – disse uma voz de uma pilastra. Nick a seguiu, e viu que pertencia a sua pessoa menos favorita. Jason Miller. – Não quero sujar minhas mãos com sangues de agentes inúteis...
Nick colocou as mãos nos bolsos da frente da calça e cerrou os punhos ali mesmo. Para ele, Jason estava errado – Jason é quem teria que tomar cuidado para não ser assassinado. Ele desejou intensamente oprimir Jason com ofensas verbais, mas não o fez. Não que estivesse com medo... A questão é que o cara matou sua amiga. Ele não merecia nem mesmo um segundo de seu tempo.
Ou talvez ele merecesse.
Nick sentiu seu revólver no bolso. Sacá-lo seria um ato seguro?
Diamont sorriu, de repente.
– Não precisa tentar nos matar – disse ela. – Nós vamos vazar.
Os dois dispararam pela saí, e Nick só pôde vê-los correndo...
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Narração por: Lucy Winners.
– Eu fiz umas pesquisas no Google – Nick disse, anunciando seu grande feito e apontando para a tela do computador do meu quarto na DM. – E encerrei o caso.
Uma semana após a morte de Megan, nós dois voltamos a nos empenhar no caso. Riley tinha se afastado um pouco para esfriar a cabeça, e ninguém fazia a mínima ideia de onde Diamont e James estavam.
– Você encerrou um caso usando o Google? – perguntei, achando graça, literalmente.
Nick sorriu convencidamente.
– Joguei o nome da Drew no Google e encontrei esse blog – ele abriu uma outra guia usando o mouse e digitou o endereço de um blog. – Li todos os posts. Aqui, Drew está desabafando sobre sua trágica relação amorosa... Com seu namorado.
Bufei.
– Típico e clichê. – opinei.
Nick revisou os olhos, aparentemente me chamando de burra.
– Essa não é a questão. – ele mexeu pelo arquivo do blog e abriu uma postagem do mês passado. – Essa fala sobre agressão física. E essa – ele abriu uma das primeiras. – Fala sobre a obsessão do cara por vampiros, e sobre ter problemas mentais.
Franzi as sobrancelhas com força e desviei o olhar da tela para os olhos azuis de Nick, bem devagar.
– Você está insinuando que o namorado a matou por que achou que ela fosse uma vampira?
– Eu não estou insinuando, minha cara Lucy – Nick estralou os dedos. – Eu tenho certeza. Ah, e ele já está preso.
Fiz uma expressão de indignação e soquei o braço dele.
– Ai! – ele riu. – Vamos acusá-lo no julgamento dele?
– Feito, Mr. Happy.
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Quanto Ted nos chamou na sala de reuniões da DM, no fim daquela mesma tarde, a primeira coisa que me passou pela cabeça foi que havia algo errado. Eu sabia tanto quanto os outros – nada. Falando em outros, Riley estava lá, também, e Diamont e James decidiram aparecer, também (lindo, não?). Nós esperamos por mais alguns segundos até que Ted apareceu, parecendo meio nervoso. Isso fez com que eu ficasse da mesma forma.
– Não há nada de errado – disse, rapidamente. – Bem... Já que vocês têm uma vaga... – ele se virou para a porta. – Pode entrar.
Uma garota do alto escalão entrou. O cabelo dela era liso e era de uma cor estranha – bronze escuro. Era ela pálida e estava vestindo roupas pretas, e calçava um par de botas com strass prateados nas laterais.
– Pessoal, lhes apresento Andy Wittdacatter, sua nova companheira de equipe!
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