Mysterious Ways
3 Capítulo 2 - Gravidez.
Notas iniciais
Ozan chegou transtornado em casa, abriu a porta da sala com força e deixou que o vento a cerrasse. Fariha e Izzet tomavam chá, quando assustaram-se com a presença carrancuda do rapaz de cabelos presos.
— Allah! O que aconteceu pra estar tão bravo? — Perguntou Izzet. Fariha apenas observava o mau-humor do marido, calada.
— Deixe-me sozinho. — Ozan saiu depressa da sala e foi para seu quarto. Fariha levantou e pôs a xícara de chá sobre a mesinha de centro e foi atrás de seu marido.
— Ozan? Querido? — Chamou Fariha.
— O que você quer? — Perguntou Ozan, sentando na beirada da cama, de frente à janela.
— Você chegou nervoso — Fariha saiu detrás do portal e sentou ao lado do marido. — Aconteceu alguma coisa no trabalho?
— Aconteceu, Fariha. Fui demitido. — Fariha levou as mãos à boca e ficou de pé. Demitido? O que havia realmente acontecido?
— O que você fez para te demitirem? — Perguntou Fariha.
Pierre entrou transtornado em casa. Sua camisa social branca estava suja de sangue e seu rosto estava quase deformado de tantos hematomas. O francês jogou sua maleta em cima do sofá e foi até a cozinha onde encontrou Leman e uma empregada cozinhando. A governanta ao ver o rosto do patrão deu um grito de susto.
— Allah! O que aconteceu, senhor Pierre? — Perguntou Leman, indo em direção ao patrão.
— Onde está a Nuray? — Perguntou Pierre, enfurecido.
— Ela está dormindo. — Pierre deu a volta e foi em direção ao seu quarto e abriu a porta com fúria, indo até a moça que dormia, puxando seus fios negros e cumpridos. Nuray deu um grito de dor ao sentir a mão de seu marido em seu couro cabeludo.
— Sua ordinária! — Pierre jogou Nuray na parede com força. A moça ainda atordoada de sono tentou levantar do chão, mas foi empedida por uma mão pesada que bateu fortemente em seu rosto. Depois, Nuray sentiu seu corpo ser arremessado para o outro lado do quarto. Pierre pisou em cima da barriga da esposa e devagar, abaixou ficando com o rosto próximo ao dela. — Se eu posso ficar desfigurado, você também pode. Acha que eu não sei que você ainda fala com aquele estúpido roceiro? ACHA QUE EU NÃO SEI?
— Eu não sei do que você... ah... tá falando — Falou Nuray, com a voz dificultada pelo choro.
— Claro que sabe, Nuray! Ozan? É esse o nome dele? Ele me atacou, me socou e disse que eu fazia você sofrer. Como ele sabe disso?
— Não sei. — Disse Nuray, desabando em lágrimas.
— Oras, você ainda vê esse cara, Nuray. Eu não queria ter que fazer isso, mas vou ter que te prender dentro do quarto outra vez.
— NÃO! PIERRE NÃO! — Gritou Nuray, desesperada. — Não faz isso. Eu não falei com ninguém.
—Fui eu quem liguei pra família dela. — Falou Leman, aparecendo na porta. Ela sabia que não devia se intrometer nos assuntos do patrão com sua esposa, mas era injusto demais ver Nuray apanhar sem merecer.
Pierre olhou confuso para Leman. Ele tinha confiança na empregada, e sabia que ela não o trairia assim. Ela estava incobrindo o que sua esposa havia feito. Porém, já que Leman havia defendido Nuray ele jogaria o jogo delas.
— Ótimo. — Ele soltou a esposa e ficou de pé. Depois, retirou a camisa suja de sangue e jogou em cima da governanta. — Lava essa merda, e depois prepare meu jantar.
Nuray tentou levantar, mas seu corpo doía demais. Pierre passou pela esposa e foi para sua suite, enquanto Leman foi até a moça e a ajudou levantar.
— Vem querida, vamos tomar uma água. — Nuray chorava e Leman segurava em seu braço esquerdo, ajudando-a a andar.
Ofélia Martins e sua melhor amiga Linda voltavam da escola, quando Ófelia avistou uma placa que estava recrutando meninas de 15 à 20 anos para modelarem em uma campanha de verão. Ófelia sempre sonhou em ser modelo, mas nunca havia tido oportunidade, já que seus pais eram humildes.
— Acho que chegou minha chance, Linda. — Falou Ófelia, com os olhos brilhando.
— Também acho, amiga. Aqui tá dizendo que nem precisa experiência e nem precisa pagar o book. Corre em casa e avisa sua mãe. — Falou Linda, pegando um panfleto que uma moça destruibuia.
— Claro! Se não precisa pagar book e eu tenho 18 anos é perfeito. Você também pode tentar?
— Ah não... — Falou Linda. — Não levo jeito pra modelar, e também não vejo graça alguma.
— Pois bem, vou correndo pra casa ver isso.
— Perdeu o emprego? — Perguntou Uner, cruzando os braços. — Eu não vou conseguir sustentar essa casa sozinho, Ozan.
— E acha que eu não sei? Oras... — Ozan passou a mão pelos fios negros e soltou o cabelo — Me deixem sozinho. — Por favor. — Fariha sentou ao lado do marido que ficou furioso com a ação da esposa, levantando em seguida, indo para a rua.
—Allah! Não aguento mais o Ozan, mãe! — Falou Uner, indo até a cozinha reclamar com a mãe.
— Deixa ele, essas coisas acontecem. — Fariha foi até a janela do quarto para ver onde Ozan estava indo e viu que seu marido foi até a casa de Inci, ou melhor, casa onde sua inimiga morava.
Ofélia tentou de todas as maneiras convencer sua mãe que não havia perigos em ser modelo, e que sua carrera traria confortos que antes era impossível para sua família. Sua mãe, Ana pensou melhor e viu uma oportunidade na carreira de modelo da filha mais velha e aceitou levá-la para fazer o book depois da escola no dia seguinte.
A menina então não perdeu tempo em ligar para a amiga inseparável e contá-la a novidade.
—Você quer que eu te ajude a cozinhar? — Perguntou Nuray, sentada na cadeira da cozinha, observando Leman descascar uma cenoura.
— Quero que você descanse, não precisa fazer nada pra esse homem. — Nuray colocou a mão no queixo e começou a divagar, enquanto seus olhos se mantiveram fixos no ralador.
Ozan havia acabado de chegar do trabalho, e viu Nuray na janela, com o olhar triste para o céu. O rapaz deu meia-volta e foi até a janela da vizinha, saber o que estava havendo.
— Boa noite. — Cumprimentou Ozan. Nuray saiu do devaneio e olhou triste para o rapaz.
— Má noite, você quis dizer.
— Como? — Ozan franziu o cenho.
— Espera. — Nuray saiu da janela e foi até o lado de fora, ficar frente a frente com o rapaz.- Tenho uma má notícia.
— O que aconteceu? — Perguntou o rapaz, cruzando os braços.
— Meus pais... — Nuray começou a chorar — Me arrumaram um noivo.
— Como? Para de brincar...
— É sério, Ozan. — A moça de cabelos negros secou algumas lágrimas que teimavam em escorrer por seu rosto com a palma da mão e continuou — Ele se propôs a pagar o tratamento da minha mãe em troca do meu casamento com ele.
— Mas... por quê? Você quer que eu converse com seus pais sobre isso? Eu me comprometo a pagar o tratamento da sua mãe, nem que eu fique sem salário no bolso.
— Você não tá entendendo, Ozan. Ele é milionário! Ele pode curar minha mãe. Por favor... Não me deixe! — Nuray agarrou o rapaz moreno a sua frente e começou a chorar em seu peito.
— Nuray?! — Chamou Leman, sacodindo as mãos em frente a moça.
— Oi? — Falou Nuray, acordando do devaneio.
— Você quer comer alguma coisa? — Nuray ficou de pé e saiu da cozinha, indo até a sala.
No local havia uma enorme placa de vidro que dava a visão externa da casa, um jardim bem cuidado e uma piscina. Além disso, havia um muro com cerca elétrica e um enorme portão de madeira.
A moça sentou no sofá e começou a planejar fugas, queria sair dali o mais rápido possível, e esperava fazer aquilo viva. Porém, sua cabeça se perdia em Ozan e o quão bravo ele foi em bater em Pierre, entretanto, aquilo ainda traria consequências para ele, e era isso que Nuray temia, que algo ruim acontecesse com Ozan.
Fariha observou Ozan, que ficou parado em frente à casa da ex-namorada e depois deu meia-volta, indo em direção a um bar que ficava na esquina da rua deles. A mulher sentiu seu corpo inteiro esquentar, ela não suportava aquilo, e sabia que Ozan havia aprontado alguma coisa graças à Nuray e então não perdeu tempo em ligar para seu irmão Rufat.
— Alô?— Falou Rufat atendendo a ligação.
— Irmão?
— Fala Fariha. Quanto tempo não me liga? Aposto que quer saber o que o seu marido fez.
— Acertou, irmão! Conte-me.
— Ele bateu no Pierre Lavigne, ou melhor, deformou aquela cara dele. — Fariha fechou o punho desocupado, sabia que ele havia aprontando por causa da mulher.
— E todos sabem isso?
— Se eu sei, imagino que todos saibam também. Quando virá nos visitar? Halide manda lembranças.— Halide era a cunhada de Fariha.
— Assim que der, assim que der. Vou desligar, até breve, irmão.
— Até. Que Allah te proteja.— Fariha desligou a ligação e tacou o celular na parede. Quando aquilo iria acabar e seu marido assumiria amá-la de verdade? Ela já não suportava mais aquele estresse e se estivesse mesmo grávida, esperava que a criança fosse uma salvação para sua vida infeliz.
Nuray fitou tanto o lado externo que acabou adormecendo no sofá preto de couro legítimo que o marido mandou exportar da Alemanha. Pierre passou pela sala e viu a esposa deitada no encosto do sofá e ficou observando-a ali, vulnerável e tranquila. Ele sabia que ela estava tendo sonhos conturbados e adorava ser o culpado desses sonhos da esposa.
Então, delicadamente, Pierre pegou Nuray no colo e a levou até o quarto. O dia estava ameno, então decidiu não cobri-la, a colocou na cama devagar e ligou o ar-condicionado. Depois, deitou-se ao lado dela e ficou acariciando os fios negros da moça, que estava tão cansada de chorar, que nem se moveu ao sentir o toque das mãos pesadas de Pierre.
— Quando você vai me dar um filho, hein? Quando me dará herdeiros? — Falou Pierre, olhando diretamente para o rosto da esposa.
— Me deixa... — Balbuciou Nuray.
— É estranho você não me dar filhos, se ao menos nem me previno e acredito que você também não. Vou ter que chamar um médico aqui pra ver o que você tem, porque ser estéril é o fim pra você. — Nuray ouvia tudo que seu marido falava, e sentia vontade de gritar, de dizer que ele era louco e que iria fugir em breve, mas não conseguia, entretanto, as lágrimas que escorriam em seu rosto era uma resposta das infeliz coisas que seu cônjugue falava.
Pierre levantou e foi até o quarto de Leman, bateu duas vezes na porta e abriu, encontrando a mulher lendo um livro.
— Desculpa incomodá-la. — Falou Pierre, usando a palavra que ele raramente usava: Desculpa. — Você tem algum ginecologista, ou melhor, alguma para que eu possa contratá-la? — Perguntou Pierre, encostado no portal.
— Eu conheço uma sim, amanhã eu te dou o telefone dela.
— Eu preciso agora, por favor. — Leman estranhou a educação de Pierre e colocou o livro no criado mudo para procurar o número da médica na agenda.
— Ahmm... vamos ver... Doutora Hazal. Telefone 45556-998 Aqui está. — Leman rasgou a parte do telefone e do nome da médica e entregou ao patrão.
— Sabe se ela atende à domicílio?
— Acredito que sim. Ligue para ela, mas amanhã de manhã. — Pierre balançou a cabeça e saiu voltando para seu quarto.
O relógio de ponteiro da sala marcava 00:50 e tanto Fariha, quanto Izzet esperavam por Ozan, ansiosas, ''tentando'' assistir Tv. Porém, assim que o ponteiro maior avançou um espaço, as duas ouviram o barulho da chave na fechadura e viram a imagem de um Ozan bêbado e irritadisso, que esbarrava em tudo que via pela frente.
— Ozan, onde esteve? — Perguntou Izzet, ficando de pé para acodir o enteado.
— Me deixa. — Falou Ozan, empurrando Izzet e indo em direção ao quarto.
— Não faça barulho, Uner e Ynus estão dormindo. — Falou Fariha, desanimada.
— Shiii! — Ozan abriu a porta de seu quarto e se jogou na cama. Izzet e Fariha foram até ele.
— Vamos, vou te dar um banho, porque você está fedendo a bebida. — Disse Fariha.
— Me deixa, inferno! — Ozan ergueu o tronco e olhou para Fariha — Você acha que essa criança vai me segurar com você, esqueça. Não é você que eu amo. Nunca foi e nunca vai ser.
A moça de cabelos negros e olhos azuis como o céu levou a mão a boca e segurou um soluço. Izzet ficou mandando Ozan se acalmar e parar de falar bobagens, enquanto Fariha saiu o quarto, às lágrimas. Porém, quando chegou na sala, uma vertigem invadiu seu corpo e tudo ao seu redor começou a girar e Fariha nem percebeu quando seu corpo foi impactado no chão frio e sua cabeça bateu fortemente na mesa de centro da sala.
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