Mysteries in The Hunt
12 As histórias se chocam e o passado volta...
Notas iniciais
Acordei com uma forte dor de cabeça. Continuei deitada e olhei em volta. Vi paredes cinza e bem escuras, uma luz que entrava só de um lado e grades. Eu estava em algum tipo de sela. Observei mais e percebi que algo nas sombras se mexia, o que fez meu coração parar por um momento. Levantei com dificuldade tanto para ver quanto para equilibrar a cabeça em cima do pescoço.
–Quem...quem está aí?- gaguejei.
– Pelos deuses, como é ótimo vê-la acordada. Você gemeu e resmungou a noite toda. Ficamos com medo de mexer em você e acabar piorando tudo. –disse Beatrice, me abraçando levemente.
Eu retribui com um abraço forte.
–Vocês estão bem? Todas estão aqui? A onde estamos?- comecei a perguntar.
Beatrice olhou em volta.
–Estamos bem, mas nem todas juntas. Cada sela como essa tem cinco caçadoras. Estamos apenas nesse corredor, mas não sei a onde estamos. Pegaram todas nós individualmente e trouxeram para esse local. Stella está na sela da frente e a Kath na última. – orientou Beatrice.
– E nossas mochilas?
–Pegaram. Estamos sem arma alguma. Apenas as roupas do corpo.
Levantei com um pulo e quase desmaiei. Senti uma forte pressão na parte de trás da minha cabeça que me forçou a sentar na cama.
–Ei, vai devagar! Acabou de acordar e está fraca. – disse Beatrice me segurando para não levantar.
–Não estou fraca. É que me deram uma pancada na nuca. Dói pra caramba! –resmunguei, passando a mão na cabeça.
–Te deram uma pancada para desmaiar? – perguntou Beatrice.
– É, acho que era essa a intenção. Eu estava na velha mansão atrás de vocês, mas não as achei ninguém, então sentei no chão e do nada tudo ficou escuro.
–Então te desmaiaram usando a força?
–Sim. Beatrice, estou ficando com medo da sua audição. Não me parece muito boa não!
–Ty, eu estou falando sério!
–Eu também, mas está difícil com você repetindo o que eu falo.
–Eu não estou repetindo... Ai Ty, você me confundiu legal! Eu só fiquei surpresa porque consegui conversa com as caçadoras e todas foram capturadas da mesma maneira. Pegas por trás, um papo com cheiro estranho e sono incontrolável. Nenhuma foi agredida.
–Exceto por mim.
–Sim. Muito estranho.
–Acho que viram que comigo isso não ia adiantar esse pano. Partiram para a forma tradicional.
–Não sei não. Como você está se sentindo?
–Com uma dor de cabeça do tamanho do Olimpo.
–Deixa eu ver.
E ela se aproximou, tocando na minha cabeça. Não me mexi até ela se afastar.
–Está vermelho e inchado, mas não machucou muito. – afirmou ela, cruzando os braços.
Assenti, mesmo sentindo um dor grande. Eu torci para que logo ela passasse.
De repente,algo se chocou contra a porta e pulamos de susto.
–A tenente de vocês acordou? Nossa líder quer conversar com ela. – anunciou uma garota na grade.
Todas as meninas se calaram e começaram a se olhar.
–Sim. Estou acordada. — afirmei, me colocando de pé e dando um passo a frente.
–Ok. Ela quer falar só com você. Fale com suas caçadoras para não tentarem nada ou matamos todas. – disse a garota friamente.
Engoli aqui a seco e olhei para elas. Umas só balançaram a cabeça enquanto outras me olhavam.
–Eu vou resolver tudo isso e tirar a gente daqui. – sussurrei para elas.
A sela se abriu e pude ver a tal guarda. Ela era meio magra, usava roupas pretas e coturno. Tinha olhos castanhos e usava rabo de cavalo, com seus cabelos loiro- acinzentados com mechas azuis. Tinha uma postura rígida e dura. Possuía uma lança nas mãos e uma arma em seu cinto.
–Ande logo! – ordenou ela, apontando sua lança.
–Caramba! Vocês são sempre esses doces de pessoas com seus prisioneiros? – perguntei ironicamente.
–Somos bem piores com nossos inimigos. Sinta como se tivesse na área VIP, caçadora! — exclamou ela. Ela dizia a palavra ‘caçadora’ como se fosse um insulto, um palavrão ou maldição.
Virei-me para encará-la e me deparei com um olhar severo. Dei um suspiro triste e continuei andando.
Caminhamos longos minutos em silêncio que pareceram demorar uma eternidade. Eu tentava decorar o caminho que fazia, analisar as estruturas do local e manter a esperança que sai dali seria moleza. Passamos por vários corredores e milhares de portas. Em algumas eu consegui escutar conversas amistosas e alegres, em outras me assustaram por ter gritos raivosos e fortes. Cada vez que passávamos por uma garota igual a minha guarda, ela empinava o nariz e olhava em outra direção que não fosse a minha. Eu logo percebi que qualquer que fosse aquele lugar, eu não era bem vinda.
“Continue firme, Pequena deusa. Mantenha a postura. Eu estou bem aqui contigo” falou meu amigo lobo.
–Artie, que bom lhe ouvir!- exclamei com sussurros. Aquela foi a primeira vez que alguma coisa boa havia me acontecido naquele lugar. Meu coração acelerou alegremente.
–Com quem está falando?- perguntou a guarda atrás de mim.
–Comigo mesma. – afirmei.
Ela me olhou desconfiada, e depois fez um aceno com a cabeça para que continuássemos a andar.
“Só escuta. É melhor não me responder, Pequena deusa. Estou do lado de fora, parece que estamos em alguma fortaleza numa floresta em Geórgia. Olhei tudo e vi que só há uma saída e uma entrada.”
Engoli todas aquelas informações e comecei a processar quando fui empurrada na direção de uma porta e com a minha sorte, quase quebrei o nariz.
–Ei, vai devagar, louca. Se quiser que eu entre, é só falar. Gosto do meu rosto do jeito que ele é. – afirmei , assustada com o gesto dela.
Ela me ignorou e disse:
– Entre!
E foi o que eu fiz.
A sala foi algo me desconcertou por um instante. Havia uma parede repleta de livros; também tinha uma morna lareira que me fez lembrar as noites com as garotas. Do outro lado havia uma mesa de madeira pesada e duas garotas atrás dela; uma se encontrava de pé e a outra sentada. A de pé, tinha estatura média, rosto redondo e pele clara, Possuía cabelos pretos com mechas roxas, usando roupas pretas.
Me concentrei na garota que estava sentada e quase tive um ataque cardíaco. Senti meu coração parar por segundos e depois voltar em um ritmo mais rápido. Diante de mim, havia uma cópia da Jessye, o mesmo tom de cabelo, a mesma pele clara, os mesmos olhos verdes. Só não podia ser a Jessye porque a)ela havia morrido diante dos meus olhos e b)aquela tinha algumas diferenças. Metade de seus cabelos marrons eram vermelho e meios rebeldes. Lembro- me que os olhos da Jessye eram calmos e bondosos, enquanto esses eram ligeiros e maliciosos. Aquela cópia me recebeu com um olhar irônico e disse:
–Olha só quem acordou e veio nos dar o ar da graça. – disse ela – a famosa Ty Lee.
Eu não resisti.
–Famosa?Eu? Quem diria!- exclamei.
–Sabemos tudo sobre você. – disse ela séria.
–Tudo? Tipo número de calçado ou comida favorita? – perguntei curiosa.
– Apena o necessário!
– O necessário não é tudo. Muitas informações minhas são desnecessárias
–Basta!Não estou aqui para responder suas perguntas tolas.
–Ok. Já que é assim. Você me conhece, mas eu não sei quem é você.
–Isso é fácil. Eu me chamo Casey Woose, líder das Seguidoras de Órion, chefe das Renegadas.
De repente, meu cérebro começou a ligar os pontos. Os bilhetes. As assinaturas. C.W.
– Foi...você... que... as caçadoras...tudo isso. –afirmei. Eu não conseguia controlar as palavras e formar uma frase coesiva.
–Foi. – concordou ela, com um sorriso.
– Porque diabos fez isso? – gritei, sem esconder meu espanto.
–Ah, simples. Porque odeio vocês. Odeio as caçadoras. – exclamou ela como se fosse algo natural.
Olhei em volta, perplexa. Confesso que não esperava por aquilo. Procurei nas outras garotas alguma indignação, mas só recebi olhares duros e severos.
Voltei a atenção para Casey.
–Porque de tanto ódio? — perguntei.
–Vocês se acham demais e alguém tinha que mudar isso. As caçadoras não são melhores com nenhum de nós. – Casey levantou e caminhou até parar frente a frente comigo. Ela bateu com o dedo no meu peito e disse: — Você não é melhor que eu!
–E quem lhe disse que eu quero ser?- perguntei.
Só escutei o estalo e senti a ardência na minha bochecha. Continuei olhando para o chão, drenando a raiva que agora fervia no meu sangue.
–Você está no meu território. Eu que mando aqui. Se quiser sobreviver, vai ter que começar me respeitar. – exclamou ela.
– Respeito é algo que se merece. – afirmei.
Ela me ignorou e voltou a sentar. Eu segui com o olhar até a garota ao seu lado; e percebi que de maneiras diferentes, ela me olhava com a mesma curiosidade que eu a encarava. Quando nossos olhares se cruzaram e ela desviou o olhar.
–Sabe o porque disso? – perguntou Casey, fazendo minha atenção voltar para ela.
–Não faço idéia! – afirmei.
–Eu tinha uma irmã. A gente era bem unidas, e uma não vivia sem a outra. Em uma noite, escutamos barulhos do lado de fora e saímos para ver. Na beira da floresta, havia um grupo de garotas, graciosas e elegantes que se apresentaram como as Caçadoras de Ártemis. Elas contaram suas maravilhosas aventuras, salvando o mundo e caçando monstros. Logo tanto eu quanto minha irmã queria fazer parte daquilo. A deusa que as lideravam, chamou minha irmã em um canto afastado e conversaram por alguns minutos. Depois as duas voltaram e minha irmã esbanjava um sorriso enorme. Logo fui chamada também, mas comigo foi diferente. A deusa disse que lamentava muito mas eu não podia participar, pois havia descumprido sua regra principal , já que eu tinha um namorado. Naquela noite , elas partiram e minha irmã foi junto. Jessye me abandonou. Me deixou naquele orfanato sujo e sozinha. – contou Casey. Era claro a magoa e rancor em sua voz.
–Você ... é irmã... da Jessye?- perguntei.
–Então você a conheceu?- questionou-me ela.
Apenas assenti.
–Quando seqüestramos suas caçadoras , eu tinha a esperança de revê-la, mas ela já não é mais um caçadora como pude percebe. Então Ártemis já a chutou fora, não é?
–Não foi bem assim,. – afirmei, cabisbaixa.
–Foi como, então?
–Na caçada só há dois jeitos de sair. Ou você namora ou caí em batalha.
– E qual essa Jessye descumpriu?
–Ela conheceu o meu irmão. Eu não sabia que eles se apaixonariam. Quando ela anunciou que ia sair da caçada, houve um ataque inesperado de cães infernais. Havia muitos deles e poucas de nós. Alguns me cercaram e ela veio me ajudar.Eles foram mais rápidos e atacaram. Machucaram muito ela e não resistiu. — eu odiava contar essa historia, mas desta vez foi a pior.
Casey surtou; passou pela guarda arrancando a lança de suas mãos e vindo na minha direção. Fui empurrada contra a parede e o cabo da lança se encontrava pressionando forte meu pescoço.
–Ela morreu? Por sua culpa? – perguntou ela, apertando mais.
–Eu sinto muito. – consegui falar.
–Senti nada. Você está viva e ela morta. – disse ela. Eu queria gritar com ela, discutir e contrariar, dizendo que não era assim, mas pelo ódio que vi em seus olhos percebi que cada palavra que falasse só pioraria minha situação.
Ela apertou mais e depois soltou com tudo. Eu não agüentei e caí no chão. Quando estava levantando, senti seu coturno me atingir no estômago. A dor se espalhou e o meu ar sumiu.Fui ao chão de novo. Estava intensa e forte, mas eu não podia ficar ali no chão, então comecei a me esforça a levantar.
Coloquei-me de pé e vi Casey de costas. Olhei para a outra garota novamente e ela estava com uma expressão de dor.
– Eu..eu descobri as Seguidoras. Haviam outras como eu, que sentiam o mesmo. Eu terminei com o babaca do meu namorado e me ajuntei a elas. Aqui relacionamentos com homens são bem restritos, já que apenas as melhores se divertir. — disse ela mais controlada.
–E... todas foram renegadas?- perguntei.
–Algumas nunca chegarão a conhecer sua deusa, mas sabe as histórias e não gostaram de vocês. O bom é que nosso objetivo é o mesmo.
–Qual?
–Destruir todas vocês. Não sobrará uma caçadora na face da Terra. Seus dias estão contados, Ty Lee.
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