Mysteries in The Hunt
14 A fuga
Beatrice veio ao meu encontro.
–O que fizeram com você? – perguntou ela me analisando.
–Só me levaram para conhecer a tal líder delas. – respondi.
–E aproveitaram para te espancar? – perguntou de novo.
– Não. Eu briguei com a líder. — afirmei, me lembrando do episódio.
–E posso saber por que você fez esse feito?
Respirei fundo e contei o que aconteceu, apenas omitindo a parte de que queriam nos matar. Eu não queria assustá-las e ainda que todas tivesse a esperança firme de que sairíamos dali rápido. Na verdade, aquilo estava sendo demais para mim. Eu odiava me senti presa, limitada, aprisionada, ou seja, aquilo estava sendo meu inferno particular. Eu apenas queria sair dali, correndo, sem destino certo. Eu queria de volta a liberdade que de mim, foi tomada. Eu sei! Estou maluca, completamente louca, mas a verdade é que não sei reagir direito ao mundo e suas armadilhas. Por isso aceitei a ajuda do garoto. Foi meio de impulso, mas eu não tina escolha. Não era só a minha vida que estava em jogo, mas as das pessoas que mais amava no mundo.
Acabei perdida em meus pensamentos.
–Ty Lee! – escutei Beatrice gritar.
–Oi. – respondi, piscando um pouco para sair do transe.
–Você parou de falar do nada. O que houve no caminho de volta? Tem algum plano para gente sair logo? – questionou- me ela, com seus olhos arregalados.
–Eu consegui uma ...ajuda. – afirmei.
– Que tipo de ajuda?
Fiz um resumo básico de minha conversa com Thomas e quando acabei, todas me olharam de um jeito diferente.
– Eu sei... Mas precisamos sair daqui. Vocês não estão entendendo a urgência. Preciso tirá-las daqui o mais rápido possível. Se não fosse por isso, eu não teria feito o que fiz. – acabei confessando.
– Eu simplesmente odeio quando você fala em código. O que está escondendo, Ty? – perguntou ela.
Naquela hora eu notei como as garotas estavam apreensivas; poucas murmuravam algumas palavras. Só Bea se mantia comunicativa, falando por todas ali.
– Eu ...não posso falar. — afirmei cabisbaixa.
– Não pode ou não quer?
–Os dois. Se eu contar, vai piorar tudo. Não podemos deixar do jeito que está?
–É tão ruim assim?
Desta vez, só confirmei com um gesto de cabeça. Escutei ela respirar fundo e colocar a mão na cintura.
– Vamos deixar assim por enquanto. Mas, quando tudo isso acabar, você nos dirá a verdade. – disse ela.
–ok. – concordei. Eu não gostava de mentir, mas omitir naquela hora era a minha melhor (e única) opção.
Mary que estava conosco na cela, foi até a porta e gritou para o corredor:
–Stella!- ouvi ela chamar.
–Oi, Mary. — ouvi uma voz familiar, sendo a de Stella.
– A Ty está com um corte do lado da cabeça e sofreu algumas lesões devido a uma briga. O que fazemos para ajudar? — perguntou Mary.
– Se tiver água limpa, seria bom fazer uma limpeza. Ty, está se sentindo tonta? — perguntou-me Stella.
Soltei uma risada e afirmei.
–Difícil sentir quando já se é. – disse.
– Não, besta. Quero saber se senti tontura? – falou ela, tentando segurar o riso.
–Eu estou legal. Só meio dolorida. – afirmei e me virei para Beatrice: — Você tem noção de que horas é agora?
–Deve ser umas oito da noite. Por que?
–Isso aqui para a noite. – me lembrei das palavras de Thomas. – Garotas, fiquem em alerta.
Meu coração parecia que ia sair pela boca. Cada barulho era motivo suficiente para me fazer pular da cama e olhar em todas as direções. Eu tinha medo de que Thomas não cumprisse com sua palavra e eu tivesse enganada em sua relação. Uma pessoa inteligente teria um plano B, e na minha situação talvez um plano C e D fossem recomendados, mas como eu não era uma pessoa boa em planos eu só tinha o A e com 89% de dar tudo errado. Sabe aquela hora que tudo tem que dar certo, mas parece que até o cosmos conspira contra? Era exatamente assim que eu me sentia.
–Você vai fazer um buraco no chão. – comentou Hanna. Eu percebi que aos poucos, elas iam aceitando a condição e começavam a falar.
Fazia mais ou menos, quarenta minutos que resolvi levantar e comecei a andar de um lado para o outro na cela. Parei assim que a ouvi.
–Estou nervosa. – afirmei cruzando os braços.
–Com o que está acontecendo com a gente agora ou com o que se passa na sua mente? – perguntou ela.
– Com o que pode acontecer. — eu senti fortemente o peso daquelas palavras.
Abaixei a cabeça e respirei fundo. Eu precisava fazer algo. Como se me ajudasse a pensar, voltei a andar pela cela. Eu estava disposta a sentar quando vi algo se jogar na porta. Olhei com mais atenção e vi que eram nossas mochilas.Eu dei um passo a frente para ver melhor e a porta soltou um “click”, se abrindo. Thomas colocou a cabeça pela abertura e disse:
–Vamos! Rápido! – falou ele e sumiu.
Isso foi o suficiente para me desperta. Olhei para as caçadoras e falei:
–Está na hora! – anunciei.
Sai na frente à procura de alguma ameaça. Vi Thomas digitando nas fechaduras elétricas, um código. Encostada na parede, havia uma garota; ela tinha os mesmos traços de Thomas,mas de uma forma mais angelical que fazia seus longos cabelos caírem suaves sobre os ombros. Ele parou e me olhou.
–Tenho mais umas seis celas para abrir. Veja logo se ela serve. –ordenou ele.
–Você não manda em mim! – falei. Certo! Não gostei nada do tom que estava usando.
Ele arqueou as sobrancelhas.
–Como é? Estou lhe ajudando e ainda me trata assim? –perguntou ele indignado.
– Você que se ofereceu! Se não quer ajudar, fique na sua. — retruquei.
– Então quer que eu pare? Posso aproveitar e chamar a Casey. Ela vai adorar vocês soltas. Vai ter motivos suficientes para adiantar seu plano. – disse ele, provocando.
Virei-me completamente de cara feia e fui até a garota, o ignorando completamente. Ela me olhava como se questionasse cada passo meu.
–Oi — cumprimentei-a.
–Oi. É verdade que você é uma caçadora?- perguntou ela, se desgrudando da parede.
–Verdade. – confirmei.
– E quantos você tem? – continuou ela.
– 16. Ainda não tenho muito tempo na caçada. — confirmei.
– Mas eu sim. Tenho uns duzentos e trinta anos com a deusa. – disse Stella, se aproximando.
Nessa hora, eu não sabia dizer quem estava mais surpresa: eu ou a garota. Pisquei algumas vezes tentando absorve a informação.
–Então você deve ser a tenente? –perguntou a menina, virando toda sua atenção para Stella.
–Não. Na verdade, você estava falando com a nossa tenente antes de me aproximar . – confirmou Stella.
A garota se virou para mim, espantada.
–Você? –perguntou ela.
–Sim.
Stella me deu um abraço discreto e depois se colocou ao meu lado.
–Então, vamos a pergunta final: quer entrar para a caçada? – perguntei.
–Eu quero. – respondeu ela.
– Vai ter que aceitar todas as condições!
–Tudo bem!
– E é perigoso.
–Ok.
– E terá que corta um pouco do contato com seu irmão.
–Como assim?
–Sem visitas inesperadas e muito contato físico.
–Ta bom. Eu aceito tudo isso.
Thomas se aproximou aos tropeços.
–Ela não vai poder falar comigo? – perguntou ele.
–Vai. Conversas curtas. Podem ser por telefone, já que ela vai ter um. – expliquei.
–Não vou poder visitá-la?
– Terá que avisar antes e não serão muitas, já que estamos em constantes viagens pelo país.
Vi que ele engoliu aquilo a seco e disse:
–Mas ela serve, não é? – perguntou ele
– Perfeitamente. – confirmei, com um sorriso.
Isso pareceu dar-lhe um alivio.
–Então vamos. Em silencio, mas rápido! – aconselhou ele e começou a correr.
Nenhuma das caçadoras moveram um músculo, então percebi que era minha deixa de dar ordem:
–Vamos! E tomem cuidado. – orientei. – Stella.
Ela apenas esperou todas começarem a correr, ficando para trás para dar cobertura. Era a nova tática: eu ia à frente enfrentando o que tinha e ela atrás cuidando. Foi assim durante meses.
Viramos tantos corredores que cheguei a ficar tonta. Quando por fim, paramos diante a uma grande porta preta. Thomas digitou o código novamente e a porta se abriu.Orientei as caçadoras a ir saindo.
– O que está acontecendo aqui? – perguntou Casey da outra ponta do corredor.
–Deu merda! – murmurei.
–Vão! Eu vou atrasá-las. – disse Thomas.
–NÃO SE MEXAM! – ordenou Casey.
– Você é um cara legal, Thomas. Melhor que no necrotério. Tome cuidado! – eu disse e passei pela porta. Mas na hora, senti sua mão agarrar no meu pulso.
– Cuide da minha irmã, por favor. – pediu ele.
Apenas assenti. Ele deu um passo para trás e a porta se fechou. Aquilo tinha sido muito...nossa! Balancei a cabeça e virei para as caçadoras atrás de mim:
–Vamos! Corram! Estamos no nosso território. Elas vão atacar. Vamos nos afastar e nos preparar. Rápido! – gritei bem alto e comecei a correr.
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