Mylady.

1 Parte 1 Suspeito


Notas iniciais
Boa Leitura:

Sabe aqueles sonhos os quais você não consegue acordar? Você sabe que está dormindo, tem consciência disso, e quer acordar, mas simplesmente não consegue abrir os olhos? Então, não preciso lhe explicar o momento atual da minha vida, pois estou vivenciando isso.

Me chamo Miranda D’Ávila, mas pode me chamar de Mia, meus pais estão mortos, e duvido que encontrem o culpado.

Observo os ponteiros do relógio, da sala do detetive Barton, quando o vejo abrir a porta e entrar no recinto.

“ Mylady, perdoe-me pela demora, tive que cuidar de uma papelada. ” – Ele se desculpa.

Sorriu.

“Tudo bem detetive, eu entendo. ” – Falo. “O caso D’Ávila, deve estar lhe mantendo bastante ocupado. ”

Ela me lança um meio sorriso.

“Bom, a senhorita deve querer saber o motivo pelo o qual eu solicitei a sua presença hoje... ”

“A terceira vez nessa semana. ” – O interrompo sutilmente.

“Sim, a terceira vez. ” – Ele murmura enrubescido. “E peço perdão por isso também, porém, a morte de seus pais se tornou o caso mais importante a ser resolvido, há pressão vinda de todos os locais para a rápida resolução deste caso. ” – Ele explica-se.

“Sei disso e agradeço. Porém, continuo sem entender a razão pela qual fui chamada hoje. ”

“Temos alguns suspeitos e gostaria que a senhorita os visse, afinal, é a testemunha ocular deste caso. ”

“Ahh sim, suspeito. ” – Repito. “Que base o senhor tem que esse homem é o assassino de meus pais? ” – Indago curiosa.

“Bom... bem, ele é um assassino perigoso e bem, se encaixaria na descrição feita por Mylady. ” – Ele diz.

“Bem, então me mostre o homem. ” – Digo.

Detetive Barton me guia pelos corredores escuros do prédio, paramos em frente a uma grande porta, que revela uma pequena sala, com um grande vidro, por onde, posso ver um homem em pé, com uma feição presunçosa no rosto.

“É ele? ” – Pergunto e detetive Barton assente.

Fito o homem a minha frente, ele aparenta ter quarenta anos, ou mais, pele parda, cheia de manchas, profundas olheiras, pouquíssimos cabelos, e os poucos que tem estão embranquecidos, massa muscular quase nula.

Sorrio timidamente.

“Detetive Barton, eu sei que o senhor é um homem bastante esperto, então, olhando para esse homem o senhor realmente acredita que ele teria matado meus pais? ” – Questiono.

“Han...eh...bem...” – Detetive pigarreia. “Mylady, ele se encaixaria na sua descrição e bem, esse homem é um assassino perigoso. ” – Ele diz.

“Bem, esse homem deve sim ter sido bastante perigoso quando podia gozar de sua juventude, hoje, com essa idade e com o físico dele, sinceramente, este homem não põe mais medo nem em uma criança. ” – Murmuro. “Sinto muito detetive, esse homem não matou meus pais. ”

Detetive Barton assente cabisbaixo e me retiro da sala com ele em meu encalço.

“Detetive, minha presença ainda é necessária aqui? ”

“Não, poderá ir agora. ” – Ele fala abrindo a porta de saída para mim.

Caminho até meu carro, onde o Mark o motorista me espera com a porta aberta.

“Detetive, sei que está bastante empenhado em resolver logo o caso de meus pais, porém, a presa é inimiga da perfeição. ” – Falo e ele sorri timidamente.

Entro no carro e segundos depois Mark dá a partida no carro.

“Como foi hoje? ” – Mark indaga-me.

“Curioso e fácil. ” – Respondo. Mark me olha com um olhar inquisidor. “Eles tinham um suspeito. Mas, sinceramente o homem não tinha capacidade física para matar nem um cão de rua. ”

Mark sorri.

“Então foi fácil. ” – Mark concordou.

“Sim, foi…Mas... ” – Deixo a frase no ar.

“Mas, o que? ” – Mark me lança um olhar preocupado pelo retrovisor.

“Detetive me disse que o Caso D’Ávila se tornou o mais importante do departamento, há pressão vinda de todos os lados para a rápida conclusão do caso... ”

“Isso é bom, não é? ” – Mark me interrompe. “Quanto mais pressão, mais chance de encontrar o real assassino. ” – Ele fala ironicamente.

“Sim, mas detetive Barton está bastante empenhado, eu acho melhor ficar na cola dele, para saber de todos os passos da polícia. ” – Murmuro.

“É uma boa ideia. Mas, vai fazer isso apenas para saber dos planos da polícia, ou por que tem receio do que possam descobrir? ”

“Receio? ” – Repito a palavra vagarosamente. “Se Não Mark, não se trata de receio, sou bastante autoconfiante para ter receios. ” Lhe lanço um sorriso de soslaio. “Fora que, não há nada para ser descoberto, não é Mark? ” – Mark apenas assente e volta sua atenção à estrada.

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“Mylady. ” – Fito a mulher a minha frente e sorrio.

“Sim, Ann. ” – Murmuro voltando minha atenção ao livro em minhas mãos.

“Mylady, o jantar está pronto. ” – A governanta fala. “Ah, e Mylady tem visitas. ” – A fito curiosa.

“Quem está aí? E a essa hora? ” – Indago deixando o livro sobre a poltrona e seguindo Ann pelos longos corredores da mansão.

Sentado no grande sofá está Detetive Barton e uma mulher, a qual não sei o nome, porém, recordo-me do rosto.

“Detetive. ” – O cumprimento e ele sorri. “Sinto muito, porém, não lembro-me do seu nome. ” – Desculpo-me com a mulher.

“Dra. Prince. ” – A mulher fala.

“Não quero ser rude, porém, o que fazem aqui a essa hora? ” – Indago inquisidora.

“Temos algumas novidades. ” – Barton fala.

“Outro suspeito? ”

“Na verdade, uma testemunha. ” – Ele continua.

“Testemunha? ” – Murmuro confusa.

“Sim, um empregado da casa, o jardineiro, disse ter visto alguém naquela noite fatídica carregar alguma coisa para um carro estacionado na rua ao lado da casa. ”

“Esse jardineiro, identificou alguém? ” – Pergunto.

“Não, disse que estava muito escuro, mas ele sabe que, quem quer que seja que ele tenha visto, saiu de dentro da casa. ” – Detetive diz confiante.

Uma testemunha, que ótimo, Mark não fez seu trabalho direito.

“Está preocupada Mylady? ” – Dra. Prince indaga-me repentinamente.

A fito surpresa e ensaio meu melhor sorriso.

“Não, por qual motivo eu estaria preocupada, estou aliviada por termos uma testemunha. ” – Respondo.

Sorrio e ela sorri de volta.

“Me dariam a honra de se juntarem a mim para a ceia? ” – Pergunto educada.

“Claro, por que não? ” – Dra. Prince levanta-se.

“Se não for incomodar Mylady. ” – Detetive murmura.

“Mylady, a ceia está servida. ” – Ann informa.

“Ann, peça para que coloquem mais dois pratos...”

“Já pedi, Mylady. ” – Ann interrompe-me.

“Ah, então, vamos comer. ” – Caminho com detetive Barton e Dra. Prince em meu encalço.

Cacei muito quando era criança, meu pai tinha esse hobbie, e sempre que podia – O que era quase sempre, já que minha mãe não tinha muita capacidade de dizer não – me levava com ele.

Hoje, crescida, vejo que talvez, as lições dadas por meu pai naquelas caçadas se tornaram úteis, do contrário, eu nunca perceberia os olhares furtivos, que Dra. Prince, lançara a mim desde a sua chegada.

“Dra. Prince, a senhora está bem? ” – Indago-a atraindo a atenção da mulher e do homem naquele recinto.

“Sim, estou, Mylady. ” – Suas mãos tremem. “Porque a pergunta? ”

“Porque desde o momento que chegou a minha casa, não para de me lançar olhares furtivos e curiosos, perdeu alguma coisa? Ou algo está lhe incomodando? ” – Semicerrei-o os olhos e ataco.

Outra coisa que aprendi nas caçadas com meu pai, é que, quando um animal maior e mais poderoso encontra uma presa frágil e indefesa, deve mostrar, quem realmente tem a força.

Dra. Prince me olha como se eu tivesse lhe ofendido.

“Não perdi nada, mas, sim tem algo me incomodando. ” – A mulher fala.

“O que? ”

“A sua aparente calma em relação a morte de seus pais. E a possível testemunha. ” Ela respira. “Outra pessoa em seu lugar, ficaria um tanto curiosa, sobre a pessoa que pode lhe dizer, quem matou seus pais. ”

“Senhora Prince, está querendo dizer o que, exatamente? ” – Elevo a voz.

Detetive Barton que se mantivera por fora da aparente discussão, interviu.

“Por favor, sem discussões, estamos todos do mesmo lado. ” – Ele fala. “Dra. Prince, por favor, não levante falso testemunho em relação a senhorita Miranda. ” – Ele a reprende e eu sorrio. “Mylady, por favor, não se exalte. ” – Ele pede.

“Dra. Prince, por favor, retire-se de minha casa. ” – Peço gentilmente.

“Essa foi a educação que seus pais lhe deram? ” – A mulher questiona levantando-se e jogando o fino guardanapo sobre a mesa.

“Não, a educação que eles me deram, foi pior. ”

“Mylady...”

“Detetive, é convidado a ficar se quiser. ”

“Obrigado Mylady, mas eu trouxe a Dra. Prince, e eu a levarei. ” – Acompanho-os até a sala.

“Senhorita D’Ávila, sinto se lhe ofendi. ” – Dra. Prince sorri presunçosa.

“Só se retire de minha casa, por favor. ” – Peço e a mulher vira-se e logo sai pela porta.

“Mylady, até depois. ” – Detetive Barton murmura.

Observo Ann fechar a porta e me fitar duramente.

“O que foi Ann? ” – Pergunto.

“Foi rude, não foi essa a educação que eu lhe dei. ” – Ann cuidou de mim desde meu nascimento, se eu quisesse poderia facilmente chama-la de mãe.

“Desculpe, mas essa mulher Dra. Prince, me deixou...inquieta. ”

“Está desculpada. ” – Ann sorri.

“Onde está Mark? ” – Indago.

“Mylady, do que precisa? ” – A voz grossa de Mark chama minha atenção.

Viro-me e o vejo de braços cruzados perto de uma estante.

“Escutou? Eles têm uma testemunha. ” – Elevo a voz. “Uma testemunha, descubra quem é, e principalmente, o que essa testemunha viu. ” – Ordeno e logo ele sai.

“Ann, faça me um favor. ” – Fito-a. “Garanta, que dessa vez, Mark faça o seu trabalho corretamente. ” – Murmuro.

Ela assente e se retira.

Meu pai, quando vivo, acreditava firmemente que se queria algo bem feito, ele mesmo deveria fazê-lo. Me assusta perceber, que a cada diz que passa, tenho pensado, cada vez mais parecido.

Notas finais
Comentem...
Logo, logo, posto a próxima parte.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.