My only hope.

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Hey!!Espero que gostem!E ficaria muito grata com comentários!Beijos!!!

Tento prestar atenção na aula que estou tendo agora, mas é impossível por duas razões: 1- é matemática e 2- meu namorado está internado, em coma para ser mais precisa.
Ele sofreu um acidente durante uma corrida de moto, não tenho boas notícias há três meses. Induziram ele ao coma por conta do inchamento encefálico. Passo noites ao seu lado e nada, é horrível não ver mais o sorriso em seus lábios, seus olhos verdes, que costumavam sempre me acalmar. Tão terrível sentir falta de seu carinho, de seu beijo, de tudo.
Varo noites lembrando de tudo que um dia vivemos, de tudo que um dia podíamos viver, mas nenhuma notícia faz com que isso possa se tornar verdade. Daria tudo para ouvir sua voz apenas mais uma vez.
Bom, meu nome é Lorena, tenho dezessete anos e nada que me motive a seguir em frente, exagero? De jeito nenhum, vocês vão me entender quando o amor bater em sua porta, você irá ver que sua vida fará mais sentindo com essa pessoa ao seu lado, que se só houvesse ela, estaria tudo certo.
Jake e eu namoramos desde os quatorze anos, todas as minhas primeiras vezes foram com ele, meu primeiro beijo, meu primeiro amor, minha primeira saudade e também aquela primeira vez. E pelo que tínhamos combinado, ainda temos muitas primeiras vezes, então ele não vai me deixar, ele não pode.
Nunca tive dúvidas de que meu futuro seria ao seu lado, sempre soube que fomos feitos um para o outro, mas a vida me trouxe esse empecilho, que pode pôr um fim na minha única oportunidade de ser realmente feliz.
Sofri muito durante toda a minha infância, meus pais morreram quando ainda tinha quatro anos, e a partir daí vivi de casas em casas, ninguém queria uma menina problemática como eu era.
Mas quando completei treze anos, conheci minha real família, a família que é capaz de me amar, de fazer de tudo para me ver bem, Laura e Miguel, meus pais. Eles foram os únicos que realmente me entenderam, e não desistiram de mim, as forças que ainda tenho vem deles.
Foi a partir deles que conheci Jake, a família dele sempre foi muito amiga da minha, e em uma festa dada por meus pais que eu o conheci, de cara senti meu coração bater mais forte, minhas mãos passaram a suar, e quando veio falar comigo, as famosas borboletas realmente apareceram. A partir deste dia, nossa amizade foi fluindo, vivíamos colados um no outro, compartilhando nossas conturbadas vidas. Ele é o único que me conhece por inteira, o único que conhece todos os meus lados, todas as minhas personalidades, e mesmo assim não se afasta, apenas me ajuda a superar cada dificuldade.

Passo delicadamente meu dedo pelo delicado anel de prata que se encontra em minha mão direita, o anel que simboliza o nosso compreendimento um do outro, não somos aqueles típicos casais adolescentes que fazem juras de amor sem certeza, vivemos cada dia de um vez, isso é algo que ele vinha me ensinado, mas o acidente veio antes do meu total compreendimento, então sinto que preciso dele para viver.
Lembro do dia que ele me pediu em namoro, o dia de meu aniversário de quatorze anos, ele apareceu em minha casa todo arrumado e extremamente nervoso, quando abri a enorme caixa que ele havia me entregado, encontrei apenas uma pequena caixa de veludo vermelho, na qual continha uma delicada aliança de prata,- essa que agora seguro com todas as minhas forças, algo que me representa esperança- aquele foi com certeza o melhor dia da minha vida.
Me lembrar de como ele está agora me destrói por dentro, me sinto perdida, sem ele não haverá ninguém para me mostrar o real sentindo da vida, só ele me mostra a quão fraca estarei sendo se deixar a vida me destruir. Estarei...
Meus pensamentos são interrompidos pelo estressante sinal da escola, mas em forma de alívio, agora vou correndo para o hospital, passar toda a minha tarde ao lado dele, como venho passado esses últimos meses.
Chego ao hospital e assim que me entregam o crachá de visitante, entro no elevador e me vou até o costumeiro décimo terceiro andar.
Assim que chego na porta do quarto quatrocentos e trinta, dou de cara com os pais de Jake, ambos com olhares cansados e derrotados, assim como eu.
– Lorena, aqui de novo? Já dissemos que não precisa se preocupar. — Fala Carina ternamente.
– Tudo bem, eu não me importo. — Respondo abaixando o olhar e ela me abraça.
– Eu não sei até quando vamos suportar isso. — Ela resmunga e passo a sentir lágrimas em meu ombro esquerdo, também não aguento e a acompanho.
– Alguma novidade? — Questiono entre soluços.
– Nenhuma, o de sempre. — Jorge responde fitando o chão.
– Eu posso ficar aqui com ele novamente, se vocês não se importarem. — Falo encarando os dois.
– Tudo bem, querida. Quando precisar ir embora me ligue. — Responde Carina já se afastando.
Entro com calma no quarto dele, está gélido e mórbido como sempre, hospitais nunca foram meu lugar preferido, mas agora não me importo, só preciso ficar ao lado dele.
Deixo minha mochila na poltrona ao lado de sua maca e vou em sua direção.
Passo as mãos em seus finos cabelos chocolate, que um dia já foram brilhantes. Desço minha mão até sua boca, que um dia fora macia como algodão doce e agora se encontra ressecada, praticamente morta.
Puxo uma cadeira e nela me sento, seguro suas mãos com firmeza e volto a chorar.
– Jake, eu sei que você está aí, volta para mim, por favor! Eu te amo tanto seu idiota, não em deixe aqui sozinha! Eu preciso de você, preciso de você ao meu lado, me ensinado matemática e me mostrando que nada está perdido, que sempre há o lado bom das coisas, você ainda precisa me ensinar que mesmo que eu ache impossível, que eu posso viver sem você. Preciso escutar sua voz novamente, preciso ver seu sorriso, seus olhos. Preciso sentir seus braços envolta de meu corpo novamente. Não me abandone, fiquei comigo! Temos ainda tanto a aprender, a ensinar um para o outro. Eu preciso de você mais do que eu preciso de mim mesma, você está sendo injusto! Me fez apaixonar por você, e agora vai me abandonar? Se fizer isso, o fraco da história vai ser você! — Esbravejo em sua cara aos prantos, mas nada, ele continua imóvel, apenas com aquele maldito monitor apitando! — Por que, por que você tinha que dar uma de rebelde e sair por aí que nem um louco de moto? A idiotice na nossa relação normalmente vinha por minha parte! Droga! — Grito me desesperando.
Eu não aguento mais isso! Se ele não voltar eu vou ficar louca de vez, não vou aguentar nada se ele não estiver ao meu lado, nada.
Acabo dormindo corretamentee pela primeira vez em meses, toda desajeitada, mas dormi.
Acordo com meu celular vibrando no bolso de minha calça, atendo rapidamente sem ver quem me liga.
– Alô? — Pergunto bocejando.
– Filha, onde você está? -Pergunta minha mãe preocupada.
– No hospital. — Respondo me ajeitando na cadeira.
– Quer que eu vá te buscar? — ela questiona terna.
– Não, quero passar a noite aqui. — Falo.
– Tudo bem, qualquer coisa me ligue. — Ela pede preocupada.
– Ok, beijos. — Repondo já desligando o celular e voltamos a encarar Jake.
– Você vai realmente ficar aí, parado? — Pergunto a ele, e como sempre recebo o bipe do monitor cardíaco como resposta. — Olha, eu não vou desistir de você, então não adianta se fazer de difícil, enquanto esse monitor continuar apitando eu vou ficar aqui, não vou sair do seu lado, então trate de acordar logo. — Falo seriamente.
Me lembro de todas as vezes que ele não desistiu de mim, de todas as vezes que eu fui uma completa estúpida com ele e ele continuou do meu lado, me atormentado e me dizendo as verdades da vida, ele nunca me falou que tudo ficaria bem, ele apenas me falava que estava do meu lado, pois não temos como afirmar que tudo realmente irá ficar.
Ele só tem dezoito anos, mas é mais maduro que muitos de cinquenta por aí, e eu preciso dessa maturidade na minha vida, preciso de alguém me mostrando todas as verdades e não encobertando as mentiras, e essa pessoa é Jake.
Passei o resto da noite encarando ele, mas como sempre nada acontecia. O sol nasceu e um raio invadiu o quarto, o raio solar ficou em cima dele, trazendo vida ao seu corpo, em poucos segundo, achei que aquilo era só mais um dia em que eu o admirava dormir ao meu lado, mas não, essa é apenas a realidade.
Mando uma mensagem para Carina avisando que já estou indo embora, deixo um casto beijo na testa de Jake e rumo até a escola.
Como sempre, não me concentro em sequer uma aula, fico apenas encarando a porta e idealizando a chegada de Jake, queria tanto vê-lo entrando por aquela porta e me jogando um de seus mais belos sorrisos, mas como eu já disse, a realidade é outra, e quem entra pela porta da sala é a diretora, Carmem.
– Com licença, professora. Preciso da aluna Lorena. — Ela fala delicadamente olhando em minha direção e eu gelo.
– Claro, pode ir. — Concede a professora de química.
Me levanto rapidamente da cadeira e minhas pernas cedem, eu estou tremendo por inteira, meu coração dói e lágrimas ameaçam cair de meu rosto. Com certeza algo aconteceu.
– Querida, é sobre Jake, seus pais acabam de me ligar e... -Ela fala calmamente e eu não termino nem de escutar ela falar, saio em disparada até a saída da escola, mal escuto os protestos dos funcionários, apenas corro, corro muito até o hospital.
O caminho é angustiante, várias vezes acho que irei cair em meio a rua, mas não, eu preciso vê-lo, ele precisa estar vivo.
Chego ao hospital e em disparada chego a recepção, a secretária que já está acostumada com minha presença, me cede um crachá prontamente e eu não espero o elevador, apenas subo todas as escadas, não sei como cheguei até aqui, só sei que minha mão está em cima da maçaneta e eu não consigo empurra — lá, parece que minha mão petrificou, e se ele não estiver aí? Não, ele não pode ter morrido, ele está vivo, eu posso sentir.
Abro a porta e assim que vejo as pessoas contidas dentro daquele cubículo, meu corpo cede, caio no chão e choro desesperadamente, ele não está aí, não tem ninguém na maca, estão limpando o quarto! Ele morreu! Não, eu não aguento mais isso.
– Não!!! — Grito desesperadamente chamando a atenção dos enfermeiros.
Eles correm em minha direção, não deixo que ninguém encoste em mim, eu não aguento tudo isso, meu coração foi partido em pedacinhos, eu preciso dele mais do que qualquer coisa, sem ele eu não tenho razão para continuar aqui.
– Faça isso parar! — Imploro, nem sei para quem, talvez à Deus.
Pessoas me ajudam a levantar, estou destruída, não tenho mais pensamentos concretos, eu só quero ele ao meu lado, nem que eu precise me juntar a ele para isso.
Minutos depois, sou chamada para ir ao antigo quarto ocupado por Jake, provavelmente para pegar as coisas que trazia até aqui enquanto ele ainda respirava, ou quase.
Abro a porta pronta para ver o quarto novamente vazio, mas não é exatamente o que eu vejo. Não consigo acreditar no que está a minha frente, estou vendo olhos verdes brilhantes, estou vendo um sorriso encantador, que não é mais mórbido, estou vendo lindos cabelos cor chocolate, novamente sedosos. Estou vendo o meu Jake!
Corro em sua direção e consigo sentir o calor de seu corpo, sinto finalmente seus braços envolta de meu corpo, sinto minha vida.
Meu rosto está encharcado, ainda não acredito que ele está aqui na minha frente. Completamente vivo.
– Eu...pensei..que você tinha me deixado.- resmungo entre soluços e ele volta a me encarar.
– Nunca, pequena. Você me trouxe de volta. — Ele fala também com os olhos marejados e beija o topo de minha cabeça.
– Nunca mais faça isso, ou eu te mato. — Falo séria e arranco uma risada sua.
– Eu prometo não fazer mais, você é a minha missão de vida. E você sabe quem eu não lhe abandonaria, ainda temos muito o que aprender um com o outro. – Ele explica sério- Esse acontecimento só foi um dos milhares obstáculos que a vida irá impor à nós, e você sabe que iremos ultrapassar todos, juntos. E eu nunca iria contra meu próprio conceito. Nem eu, nem você, nós não somos os fracos. Pensei que você já tinha entendido isso.
Quando o amor chegar ao seu coração, permita que ele entre, permita que ele lhe mostre as verdades da vida, permita que ele lhe acolha e lhe ajude, quando o verdadeiro amor chegar em sua vida, eu tenho certeza que você saberá que é ele. Ele é quem irá te ajudar em tudo, quem superará junto a ti tudo que um dia já sofreu, ele simplesmente irá te fazer feliz e será sempre aquele ser que você não considerará viver sem, será a pessoa que você precisa para enxergar que a vida vai muito além de viver.

Notas finais
E aí, gostaram? Acharam que o final foi certo, ou esperavam outra coisa?