Notas iniciais
O.V Lisa
Nesses momentos que eu sinto falta de minha mãezinha. Claro que ela me castigava, mas nunca era muito radical, no máximo ficava sem fazer algo durante dois dias ou até ela se esquecer do castigo. Já meu pai sempre foi mais do tipo general, me privava de várias e várias coisas. O maior castigo que já recebi foi ficar dois meses sem poder mexer em qualquer eletrônico, tudo porquê escondi as notas de minhas provas. Maldade? Muita!
Conhecem aquele brinquedinho demoníaco que são duas bolinhas duras grudadas por um fio e enquanto você balança elas se chocam? Essa é a única “diversão” que posso ter nesses dias. Estou sentada na espreguiçadeira perto da piscina, tentando achar o porquê de terem criado um jogo tão ridículo como esse.
– Quer parar com esse barulho?! – Cat se irritou.
A loira está deitada ao meu lado, tentamos pegar um pouco do Sol que bate aqui em casa.
– Desculpe, mas estou muito entediada. – Parei de bater as bolas vermelhas. – Alguma ideia do que fazer?
– O engraçado é que quando estamos de castigo ficamos com preguiça de fazer qualquer coisa divertida. – Bufou. – Nem ler eu estou conseguindo direito. Meus “livros” estavam no tablet.
– Digo o mesmo. – Cruzei os braços.
Já estamos há três semanas sem fazer merda nenhuma além de estudar, nem falar com minha mãe e minha tia posso fazer. É o último mês de gravidez de Belle e eu não estou aproveitando junto a ela!
– Lis, como vai você e o Jake? – Perguntou enquanto folheava uma revista.
– Por que quer saber? – Voltei a jogar. Uhu, que divertido...
– Estou sem assunto e é a vigésima vez que leio essa revista, é isso ou iremos falar sobre a escola.
– Vai tudo bem. – Falei antes que o assunto “escola” começasse. – Ele anda meio ocupado com a faculdade e tudo mais, só nos falamos uma vez por semana agora... Estávamos conversando sobre ele vir me visitar ou eu ir visitá-lo nessas férias, mas infelizmente seu irmão vai fazer uma viagem com seus amigos para o interior, alguma coisa assim.
Cat tirou seus olhos da revista e me olhou interrogativa.
– Sério? – Arqueou a sobrancelha.
– É, para a casa de campo de seu pai. – Fiz um bico. – Por que nunca me disse que tinha uma casa de campo perto de N.Y? Pelo que Jake falou, irá junto de alguns amigos da faculdade. – Ri. – Acredita que ele tem muitos amigos? Pelo visto Jake só não era “famoso” na “Grande Futuro” por nossa causa.
– Verdade, somos péssimas influências. – Voltou a ler.
Ri levemente de seu “interesse” pela nossa conversa.
– E você Catherine? Com algum namoradinho? – Olhei para ela sugestivamente.
Suas faces coraram de leve e me olhou feio, para depois cair na gargalhada.
– Você está parecendo minha tia falando assim Lisa! – Disse entre as risadas. – E caso não tenha percebido, eu estou solteirinha da silva.
– Ahã, eu sinto que você está me escondendo alguma coisa.
– É mais fácil você descobrir que sou um homem do que eu estar escondendo algo de você.
– Qual seria seu nome se você fosse homem? – Perguntei mudando de assunto radicalmente.
– Que? – Ficou atordoada pela mudança. – Ah, minha mãe queria me chamar de Dilan. Eu acho esse um nome ridículo.
– Não mais que Walter (N/A: Vauter). – Fiz cara feia. – Que bom que sou mulher.
– Qual apelido você usaria para “Walter”? – Começou a rir.
– Ian. – Fez cara confusa. – Não pergunte, nem eu sei explicar.
– É por isso que detesto castigos. – Cruzou os braços. – Os assuntos que aparecem são um mais ridículo que o outro.
– A culpa é da Michele, ela que deu aquela festa escondida.
– Você bebeu, então a culpa é sua Lisa.
– Por que sempre que você diz uma frase com a palavra “culpa”, o meu nome aparece?!
– Como se você não soubesse. – Riu fraco. – Falta apenas mais uma semana para acabar esse castigo, o que vamos fazer nessa última semana?
Fiquei pensativa. Como qualquer outra adolescente do século 21 não consigo ter muitas idéias para o que fazer sem tecnologia, não posso nem assistir aos meus filmes ou animes. A vida ficou obsoleta, principalmente depois de eu ler os livros físicos que eu tenho, tenho um sério problema: Não consigo reler livros quando estou em um castigo, fico com preguiça e vou pulando parágrafos e até capítulos! Ás vezes só leio meus capítulos favoritos e depois guardo o livro.
– Que tal irmos para o quarto dormir um pouco? – Sugeri.
– No castigo só sabemos dormir. – Bufou. – Vamos lá.
...
Depois de dormirmos até de noite, fomos chamadas para o jantar pelo meu pai. Ele pediu que fossemos chamar minha irmã e agora estamos na frente de seu quarto.
Bati na porta do quarto de Jade, esperando resposta, mas em nada funcionou. Olhei para a loira e ela deu de ombros, ignorei o risco de morte e entrei no quarto sem a permissão de minha irmã mais velha.
Ele estava bem bagunçado, papai não permite que as empregadas limpem nossos quartos, para que tenhamos responsabilidade por algo. Várias revistas adolescentes estavam em sua cama, no chão encontrávamos papéis de chocolate e outras coisas doces e suas cobertas estavam emboladas.
– Onde ela está e que furacão que passou aqui? – Perguntou Cat irônica.
– Deve estar no banheiro. – Apontei para a portinha rosa bebê.
– Tanto rosa me dá dor de cabeça. – Massageou as têmporas. – É por isso que não entro muito aqui.
– Eu gosto de cor de rosa, mas ela exagera demais.
Sentamos em sua cama e esperamos que saísse do banheiro. Corri os olhos pelas revistas e encontrei um papel bonitinho em formato de carta.
– O que é isso? – Perguntei mais para mim do que para Cat.
A loira pegou o papel e começou a ler.
– “Michele, sei que você está de castigo, mas no dia XX de agosto terá uma resenha na casa do Hugo. Por favor, eu quero muito ir, mas ir sem você não tem graça! Beijos, Liara”. – Arregalou os olhos. – “PS: Viu como sou inteligente? Sabia que estaria sem tecnologia e mandei uma carta!”.
– Mas essa festa é hoje! – Reclamei. – E ela está de castigo!
– O que vocês estão fazendo aqui? – Uma voz assustadora ecoou pelo quarto.
Cat escondeu a carta em suas costas e nós duas demos um sorriso amarelo.
– N-nada Michele. – Tentei falar. – S-só v-viemos chamá-la para o j-jantar.
– É-é, seu pai pediu. – Minha amiga me apoiou.
Mich usava seu roupão cor-de-rosa, mas ao contrário dos outros dias, seu rosto estava devidamente maquiado e o cabelo dourado solto.
– O que a Cat está escondendo nas costas? – Foi se aproximando devagar.
– Nada! – Falamos juntas.
Claro que temos medo dela! Jade é dois anos mais velha que eu, irmãos mais velhos sempre serão assustadores na visão do mais novo. Principalmente quando ela está com esse lápis preto e praticamente me mutila com o olhar.
– Me dá aqui! – Arrancou da mão da loira. – Se vocês contarem para o papai, juro que acabo com as duas.
– Mas eu sou apenas a amiguinha da sua irmã mais nova. – Defendeu-se a vadia, quero dizer, a Cat.
– Catherine, você parou de ser considerada amiga da minha irmã a partir do terceiro mês aqui. Irei te tratar do mesmo jeito que trato a Elizabeth.
Michele tirou o roupão, revelando sua produção. Usava uma calça preta e blusa vermelha com detalhes prata.
– Você não vai desobedecer o castigo. – Avisei ficando em pé a sua frente.
– Ah, eu vou sim.
Soltei uma reclamação.
– Isso não é justo Mich. – Fiz beiço. – O papai deu esse castigo e nós precisamos seguí-lo.
– Eu te peço Lis, eu já prometi á Liara que iria. – Segurou meus ombros. – Por favor, não fale para o papai.
– Mas...
– Por favor! Eu fico te devendo essa!
.. Se eu deixá-la ir ela ficará me devendo algo, e eu posso cobrar qualquer coisa. Interessante essa proposta, muito interessante.
– Lisa? – Chamou-me.
– Feito, eu te cubro dessa vez. – Sorri.
– Muito obrigada Lis! – Me abraçou. – Tenho que ir, não deixem que papai entre em meu quarto. Tchau Cat!
Nós duas acenamos para ela, que foi em direção á janela.
– Espera aí! – A loira mais nova chamou. – Você vai pular?
–Não se preocupe, eu tenho meus truques. – Piscou. – Beijo para as duas.
Minha irmã amarrou uma corda bem firme em sua janela e foi descendo. É, esse truque está no nosso sangue! / Agora diga, é no sangue Anice ou no sangue Marie? / Com certeza no Anice, os Marie são bastante certinhos, só tia Belle que saiu do padrão / Só o que me faltava.
Ouvimos alguém batendo na porta e olhamos para ela atentas.
– Garotas? – Meu pai chamou. – Tudo bem aí?
Arregalei os olhos.
– Tudo ótimo pai! – Avisei. – Estamos indo!
– Ok então, estou esperando lá em baixo. – Disse.
– E agora? – Perguntou Cat nervosa.
– Agora o plano SM começará. – Expliquei sorrindo travessa.
– SM? – Entortou a cabeça.
– Salvando Michele.
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