My new (crazy) life!
36 O último adeus
Notas iniciais
P.O.V Lisa
Nunca gostei de despedidas, elas sempre são carregadas de tristeza e um pedaço de você fica com a pessoa (Ou pessoas) que você deixou para trás. Até as pessoas mais fortes, por dentro ficam tristes em saber que estão “abandonando” outra. Eu sei que sempre foi e ainda é meu sonho viver novamente com papai e principalmente Michele, mas eu vivi praticamente uma vida com mamãe e tia Belle, não saber a próxima vez que irei vê-las é torturante. Quando me mudei para N.Y não via a hora de sair daqui, e agora não me imagino em outro lugar que não seja esse. Eu nem tive a chance de ir assistir uma peça na Broadway!
– Lisa, quer ajuda para terminar de arrumar suas coisas? – Tia Belle entrou em meu quarto.
Os enfeites que adquiri nesse tempo não estavam mais lá, meus livros já foram embalados e apenas alguns móveis estavam no cômodo.
Estava sentada em cima do colchão de minha cama tentando fechar uma de minhas malas.
– Vamos fazer assim: Eu tiro tudo que tem aqui dentro e você entra! Ninguém precisa saber disso até chegarmos a Vancouver. – Sorri para ela.
– Claro, por que eu ia muito conseguir respirar aí dentro.
– Ainda não acredito que finalmente vou ficar ao lado dos dois. –Falei, a morena se sentou ao meu lado. – Não entenda mal, mas esse é um dos melhores momentos de minha vida.
– Estou feliz em saber disso. – Assentiu sorrindo. – Você é uma garota ótima Lis, coisas boas acontecem para pessoas como você.
– Tia, como será minha vida lá? Sem você e mamãe, sem o Jake...
– Não sei, mas preciso que entenda: Uma parte de você sempre estará conosco, não é porque vai para o Canadá que iremos esquecê-la. E posso dizer com muita certeza que o seu namorado ainda irá te amar mesmo com a distância.
Com os olhos marejados, olhei para cima, tentando fazer as lágrimas não caírem.
– Nem sei por que estamos chorando com tanta frequência. – Falei fungando. – Daqui até Vancouver são o que? Umas cinco horas de avião?
– Ah Elizabeth. – Mamãe entrou em meu quarto sem eu perceber e deu uma risada triste. – Você está trocando Vancouver com Toronto. Isso explica suas notas em Geografia.
– Qual a diferença? – Bufei.
– Daqui até Vancouver são quarenta e poucas horas de Nova Iorque. – Explicou minha mãe.
Arregalei os olhos, espantada. Sério? Para mim era pertinho de onde eu estou. / Entenda criatura: Não. Durma. Na. Aula. De. Geografia!/ Cara, eu estou em um momento de despedida triste e você vem me avacalhar?! FIQUE NA SUA! / Há, baixe a bola Lisa. Eu estarei aqui até a sua morte/ Aquele momento que você não sabe se isso é uma boa ou má notícia. / Seu cu!
– Blé, cheguei perto. – Mostrei a língua e as duas riram. – Mas mesmo assim ainda é pertinho, com o amor que sinto por vocês, distância nenhuma é um obstáculo.
As duas me abraçaram e eu retribuí. Nos soltamos e olhei para meu relógio de pulso, daqui meia hora iremos para o aeroporto, lá encontraremos meu pai, minha irmã, meus amigos e os pais deles (Eles aceitaram facilmente que Cat fosse conosco).
– Melhor sairmos agora, não quer se atrasar né? – Sugeriu mamãe vendo que olhava para o pulso. Corei levemente. – Não se preocupe Elizabeth, eu sei que está ansiosa pra ir morar com eles.
– Mãe, eu...
– Nem tente pedir desculpas, eu estou feliz em saber que vai fazer algo que sempre quis. – Sorriu. – Mas não se esqueça de me ligar no mínimo três vezes por semana e me mandar e-mails sempre que possível.
...
O som da rodinha de minha mala machuca meus ouvidos, não tenho muitas roupas, mas já que peguei praticamente tudo de meu guarda-roupa, foram necessárias três malas e uma de mão. Mamãe e minha tia estão me ajudando a levar para o desembarque, procuro com os olhos as pessoas que preciso para ir embora.
– Bicho estranho! – Ouvi Michele me chamar. – Aqui!
Todos já estavam na divisória para a viagem, os pais de Cat se despediam dela ainda e Jake sorria vendo a cena de sua família. Me aproximei enquanto as duas adultas foram enviar minhas malas para dentro do avião, me deixando apenas com uma mochila em mãos.
– Olás. – Falei nervosa.
– De longe vi uma coisa rosa em seu corpo e fiquei pensando que tinha salvação, mas aí quando vi a estampa e pensei “Puta que pariu”. – Zombou a loira e eu ri de sua cara.
(Lisa: http://www.polyvore.com/cgi/set?id=125945839&.locale=pt-br)
Michele pode parecer um pouco patricinha, mas não é do tipo metida e essas coisas. É uma leitora voraz, muito inteligente e super engraçada. Somos diferentes, mas ao mesmo tempo iguais.
– Tudo pronto filha? – Papai beijou minha testa e sorriu para mim.
– Acho que sim, só falta meu nervosismo desaparecer na maré. – Respondi rindo.
Senti alguém me puxando delicadamente pelo pulso, olhei e era Jake, o deixei me levar para seja lá onde.
– Sentirei sua falta. – Disse sorrindo. – Não sei como irei sobreviver sem o seu sorriso, suas piadas, suas atrapalhadas, idiotices, carinhos, palavras... Tudo em você me fará falta Lisa.
– Acha que eu não estou sofrendo com isso? Por mim você ia embrulhadinho comigo para Vancouver. – Beijei sua bochecha. – Promete que não me esquecerá?
– Prometo.
– E que vai me ligar sempre que puder? E que não arranjará outra namorada? – Apertei sua mão mais forte.
Concordamos em continuar com nosso namoro, mesmo em longa distância. Será difícil, mas ambos não conseguimos nos separar dessa forma.
– Parece até que você vai para o exército. – Brincou e eu ri. – Relaxe, prometo que algum dia ainda iremos nos ver novamente.
– Bom mesmo, ou eu volto para N.Y só para te bater Jakenson!
– Estou morrendo de medo, Elizabeth.
O moreno segurou minha cintura e me puxou para um beijo, entrelacei meus braços em seu pescoço e retribuí o beijo. Nossos lábios estavam em sincronia. Esse beijo não foi como os outros, pois sabíamos que provavelmente seria o nosso “último” nesse tempo. Quando nos separamos olhamos fundo nos olhos um do outro.
– Eu tinha um presente para você, para que nós dois continuássemos ligados de alguma forma. – Disse soltando minha mão e enfiando a sua no bolso. – É um conjunto, uma parte fica comigo e outra com você.
Jake tirou um anel prata, com uma pedra azul única no meio e colocou em meu dedo.
– J-Jake. – Gaguejei olhando para o presente. – Por acaso isso é uma...
– Safira? – Completou. – Sim, e o meu é uma esmeralda.
Mostrou um anel masculino com uma pedra verde nele.
– É lindo e eu amei, mas isso é muito caro! – Arregalei meus olhos.
– Não se preocupe com isso, mamãe trabalho em uma loja hippie de jóias. Foi meio que um presente dela para mim.
O beijei novamente, só que mais rápido.
– Muito obrigada, só deixe ver se eu entendi: A safira que ficou comigo são seus olhos e a esmeralda que ficou com você são os meus?
– Como você é inteligente! – Brincou. – Agora é melhor voltarmos, ou irá perder seu vôo.
Fomos de mãos dadas até onde todos estavam. Assim que me aproximei uma voz avisou que nosso vôo era o próximo ou algo assim.
– Bem, é hora de irmos. – Cat disse fazendo seu braço se entrelaçar ao meu. – Uma nova era Lis.
– Uma nova era. – Concordei sorrindo.
Pela décima vez só hoje me despedi de minha mãe e tia Belle, as duas choravam e se auto-consolavam. Dei um beijo na bochecha de cada uma e depois segui meu pai para o embarque.
– Vocês vão gostar de Vancouver, graças a Deus não é tão frio quanto os outros lugares do Canadá. – Comentou papai. – Tem até uma praia.
– E mais... Tem bibliotecas enormes na cidade. – Michele riu. – Tem uma com mais de dois andares de livros meninas, um sonho!
Me soltei um pouco de minha amiga e abracei minha irmã com força.
– Senti sua falta Mich, a partir de hoje seremos irmãs de verdade. – Disse a apertando. – Vai ter que exercer o trabalho de mais velha.
– Eu sei baixinha. – Zombou, pois mesmo não querendo admitir sabe que sou mais alta. – O horário de dormir são seis da tarde e se eu souber que está saindo sem minha permissão ficará sem chocolate durante três meses.
Ri e a soltei, para agora abraçar meu pai.
– Eu te amo muito pai, já disse isso, mas senti muito sua falta. – Falei sorrindo.
– Também te amo filhinha, a partir de hoje seremos tão unidos quanto éramos antigamente. – Afirmou. – E Catherine, a partir de hoje seu nome é Cat Anice ok? Faz parte da família.
A loira sorriu abertamente.
– Obrigada Senhor Anice. – Agradeceu enquanto eu voltava para seu lado.
– Pode me chamar de Caleb, não gosto de formalidades. – Piscou para nós duas.
Abracei a cintura de minha amiga.
– Cat, obrigada por estar comigo nesse momento. Sua amizade é uma das melhores coisas de minha vida.
– Penso o mesmo, Elizabeth. – Brincou. – Estou com pena dos nossos novos coleguinhas de faculdade. Terem que aguentar nós duas durante não sei quanto tempo.
– Muahaha, tenho várias idéias para esse ano, Laranjinha. – A soltei.
Entramos o avião, sentei-me ao lado de minha amiga. Fechei meus olhos, agora era esperar chegarmos ao nosso novo e querido lar!
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