Notas iniciais
Hello! Não falei que iria postar segunda?? Beijos!

P.O.V Lisa

Aquele momento em que você não sabe onde enfiar a cara para fugir de uma situação constrangedora. Esse momento é muita sacanagem...

– Devia ter notado que você era a amiga de Cat. – Disse Jake, ele não faz nem ideia do que estou passando. – Ela disse que era uma garota meio doida e exagerada.

– Eu... Cat sua filha da mãe! Como ousa me difamar dessa forma?! – Ótimo, minha única amiga falando mal de mim.

– Como se você não soubesse que é assim.

Meti um cascudo nela.

– Um minuto. – Pediu Cat. – Como não notou que ele era o meu irmão?

Os dois olharam para mim com um ponto de interrogação no meio da testa.

– Vocês não têm nada em comum! A aparência é totalmente diferente, a única coisa que tem parecidos é que não chamaram o IBAMA pra mim depois que me conheceram. – Reclamei, mas é a verdade! Eles não são nem 1% parecidos cara!

– Ok, tenho que concordar. Somos diferentes. – Falou Jake rindo.

O sinal tocou mostrando que o intervalo chegou ao fim. Despedimos-nos e Jake e eu fomos juntos para a sala de aula.

Nem consegui prestar atenção na aula direito, a única coisa que passava em minha mente era que teria que falar com a Cat uma hora ou outra sobre o Jake, como se não bastasse ele ser lindo tinha que estudar na mesma sala que eu!? E pior, na cadeira da minha frente, então sou obrigada a ficar admirando-o, se ele resolver virar para trás vai ver a possa de baba que tem na minha carteira!

– Não vai sair Lisa? – Perguntou tirando-me de meus devaneios.

– Ã?

– A aula já acabou. – Explicou rindo.

Acordei de verdade, não é que ele tava certo? Não tinha ninguém na sala, apenas nós dois.

– Ok, nem tinha notado. – Falei um pouco corada.

– No que estava pensando? Estava super concentrada.

– Ér... Coisa da vida sabe? Tipo, o que veio primeiro: o ovo ou o bacon! – Respondi a primeira coisa que veio a minha mente, resumindo, merda.

– Não seria “ovo ou galinha”?

– Tanto faz, prefiro ovo com bacon a ovo com frango.

Dei de ombros e nós dois ficamos esperando Cat sair. Ela veio com um sorrisinho sacana no rosto, porcaria, o interrogatório começará agora!

– Oi pessoas! – Disse alegre. – Jake, pode ir indo na frente, Lisa e eu vamos conversar um pouco.

– Ok, mas não volte muito tarde para casa. Tchau Lisa! – Despediu-se com um aceno de mão e foi para o metrô.

Ficamos nós duas, comecei a ficar nervosa pelo seu sorriso, parecia que iria me matar a qualquer momento.

– Jake e Lisa sentados em uma árvore. Se B-E-I-J-A-N-D-O! – Cantarolou enquanto me puxava para uma mesa.

– Para com isso Cat! Que besteira. – Corei levemente.

– Eu não acredito que você está mesmo afim dele...

– Quem disse que é ele o cara? Tem muitos garotos na minha sala!

– Quando eu disse que ele era meu irmão parecia que ia ter um faniquito, além disso, você não iria gostar de um garoto fútil como os dessa escola.

– Unf, quem disse?

Ela me olhou com a cara tipo: “Vai continuar mentindo até quando meu amor? Eu sei de TU-DO!”

– Tá bom, admito que é ele. – Levantei as mãos em sinal de rendição.

– Ownt. – Fez uma carinha meiga, argh!

– Nem vem com esse “ownt”. Não posso gostar de nenhum garoto.

– Por quê? Você é lésbica por acaso?

– O que?! Não, de onde tirou isso?

– Então por que não pode ficar com ele Lis?

– Em primeiro: ele é seu irmão. Segundo: jurei para mim mesma que nunca mais me apaixonaria por ninguém.

Cat fechou a cara, qual o problema dela?/Ela é sua amiga/ Morra Celeste!

– Como assim não pode se apaixonar? – Perguntou.

– É uma longa história. – Ah foda-se, vou contar. – Eu gosto de fingir que namoro as pessoas em minha cabeça, entende? Vivo falando que quase namoro alguém ou que ele me ama, mas não passo disso. – Fez sinal para que eu continuasse. – Quando eu tinha 15 anos me apaixonei perdidamente por um garoto, fazia tudo para que ele me notasse, tomei coragem para me declarar, mas quando fiz isso ele me humilhou na frente de todo mundo. Fiquei tão deprimida que me mudei de escola, minha mãe me pôs em um psicólogo e depois disso fiz uma promessa que isso nunca mais aconteceria comigo. Minhas antigas amigas me apelidaram de “Coração gelado”.

– Entendo, mas meu irmão não faria uma coisa dessas!

– Você pelo menos sabe se ele gosta de mim? Conhecemos-nos hoje!

– Amor à primeira vista minha querida! Nunca leu Nicholas Sparks?!

– Não sou muita fã...

– Foda-se! Eu quero sobrinhos! – Gritou.

Senti meu rosto corar muito.

– Fala baixo Cat! Vou soletrar, talvez assim entenda: n-o-s c-o-n-h-e-c-e-m-o-s h-o-j-e!

– Aff, agora entendo o apelido que suas amigas te deram... – Falou cruzando os braços.

Ri um pouco, era engraçado ver alguém ficar emburrado. Resolvemos ir embora, infelizmente tivemos que ir de metrô novamente.

...

Cheguei a casa e tive uma surpresa.

– Filha, como foi à escola? – Perguntou minha mãe me abraçando.

Normalmente minha mãe não chega a casa cedo, até em Paris era assim. Meio que me acostumei com isso, então é novidade uma coisa dessas para mim.

– Não vai cumprimentar sua mãe menina? – Disse se afastando e pondo a mão na cintura.

– Ér, oi mãe! Desculpe, é que fiquei um pouco assustada. É estranho você estar aqui tão cedo.

– Eu sei! Mas hoje não tinha muito coisa a fazer, então resolvi vir para casa. Tenho uma surpresa! – Falou animada.

– Estou até com medo. – Disse jogando minha mochila no sofá e me sentando.

Ela riu, sabe aquela risada esnobe? É a que minha mãezinha tem.

– Arrumei um novo namorado! – Falou com a voz fina.

Travei por completo, uma mistura de raiva e indignação brotou dentro de mim.

– Você o que?! – Disse tentando controlar minha raiva.

– Ah filha, William é tão perfeito! Nascemos um para o outro e...

– Não ouse falar que ‘nasceram um para o outro’, Nicole! – Levantei-me e pus o dedo na sua cara.

Ela se assustou com o meu tom de voz, mas não se deixou abalar.

– Quem pensa que é para usar esse tom comigo mocinha? Eu sou sua mãe! – Falou brava.

– Ah, mil desculpas mamãe. – Falei com a voz cheia de sarcasmo. – Admito que me mude de cidade, escolha onde estudar e fazer tudo sem me consultar, mas não irei admitir que coloque outro homem nessa casa! Meu PAI era o único que tinha esse direito.

– Não tenho que ter sua permissão para namorar com alguém, você é apenas uma criança. E MINHA filha!

Minha raiva era muita, não aguentava olhar para ela. Sai de casa batendo a porta, corri até o ponto de táxi mais perto. Passei o endereço do apartamento de minha tia, ela era a única com quem podia contar.

Cheguei e bati em sua porta e logo ela abriu.

– Lisa? O que esta...?! – Não deixei que terminasse, me joguei em seus braços e comecei a chorar.

– E-eu não acredito que m-minha mãe fez uma coisa dessas! – Falei.

Tia Belle me guiou até o sofá, fiquei chorando em seu colo durante muito tempo, até que as lágrimas secaram.

– Agora que esta mais calma, que tal me explicar o que a Nicole fez dessa vez? – Pediu fazendo cafuné.

– Acredita que ela arrumou um namorado?! UM NAMORADO! – Disse com tristeza na voz.

– Não acredito. – Disse, mas não senti muita indignação em sua voz.

– Como pode aceitar assim?! Meu pai é único, ela não tem o direito de colocar outro homem junto conosco.

– Mas Lisa, entenda o lado dela. – Olhei em seus olhos. – Já faz quatro anos que os dois se divorciaram, ela precisa da presença de um homem na vida dela.

– Mas você vive muito bem sem um! Olha só para você, esta ótima de vida. – Contra ataquei.

– Eu sei que nunca aceitou o divórcio dos dois, mas do mesmo jeito...

– Nem pode dizer que os dois terminaram de um jeito amigável. – Voltei a chorar. – E ele nem me levou junto, eu implorei para minha mãe me deixar ir, mas não! Como sempre não tive escolha, ele foi embora com a Michele, eu perdi meu pai e minha irmã tudo no mesmo dia!

Estava desesperada, comecei a chorar com tanta força.

– Shh, relaxa. – Tentava me consolar, mas as lágrimas vinham cada vez mais. – Eu sei que vocês duas eram muito amigas e que tinha um laço forte com seu pai, mas precisa entender que...

– Entender o que Isabelle?! – Perdi o controle. – Que os dois me abandonaram?! Que o papai não cumpriu a promessa de me buscar depois?! E que nunca mais me ligaram, nem no meu aniversário eles deram sinal de vida! – Eu chorava e gritava ao mesmo tempo. – Eu nem sei onde os dois estão ou se ainda estão vivos! E você defende a minha mãe?! Você não entende o que estou passando, afinal, vocês duas tiveram tudo quando pequenas! Os seus pais sempre estiveram com as duas, sempre apoiando. E a minha mãe e meu pai? Cadê o exemplo que eles deveriam me dar?! – Tomei fôlego para continuar. – Nem sei de onde tirei esse caráter que tenho, afinal de contas, minha mãe é um poço de futilidade que me ensinou que a beleza e status as melhores coisas do mundo e meu pai mentiu para mim e me mostrou que promessas não precisam ser cumpridas!

Esperava que minha tia brigasse pelo jeito que eu falei com ela ou que falei dela. Mas ela apenas enlaçou seus braços em mim e me apertou em um abraço.

– Sei que não posso entender o que esta passando. Mas mesmo assim tem que usar a cabeça Elizabeth, – Ela disse meu nome verdadeiro, acho que a chateie. – sua mãe também sofreu com o divórcio. Além disso, os dois não se amavam mais, nenhum dos dois queria viver em um casamento sem amor.

Ficamos em silêncio, só voltei a falar quando achei que estava mais calma.

– Desculpa ter falado desse jeito com você Tia Belle, eu não tinha o direito. – Desculpei-me olhando para ela. – Eu fui muito mal agradecida, pois você sempre esteve aqui para me ajudar. Me desculpa?

– Mas é claro minha flor. Não consigo ficar brava com você de forma alguma. – Disse sorrindo e beijando minha testa.

Sorri involuntariamente.

Notas finais
Até depois, segunda que vem passo novamente.