My little girl

1 My little trip


Notas iniciais
Escrevi por escrever.
Boa leitura...

Cabelos longos, cacheados, castanho-escuros. Pele morena. 14 anos. Usa óculos. Pouco mais de um metro e meio de altura.

O coração daquela carioca estava estava inquieto. Olhar pela janela do ônibus não mais a acalmava. Antes, Gabriela pensava que finalmente estaria se distanciando de casa. Agora, só pensava no quanto chegar em São Paulo estava demorando.

Por que a pressa? Natural... Ela estava esperando para ir àquele estado faz anos. Sua mãe havia dado o dinheiro da viagem, mesmo detestando as iniciais intenções da filha.

Gabriela desejava de forma intensa sua chegada lá, mas os minutos torturavam-na, dando a impressão de que passavam mais devagar do que o comum. Ela estava preocupada, mesmo Deus já tendo mostrado a ela que essa é uma sensação inútil que só traz malefícios. A menina tentava se distrair, tentava brincar de contar os carros vermelhos que passavam, tentava achar o que fazer no celular... Mas, quase que involuntariamente, pensava no motivo da viagem e todas aquelas distrações se tornavam chatas. Logo ela se via, outra vez, pensando no verdadeiro motivo da ida até São Paulo.

Ela encarava o relógio, o relógio a encarava de volta. Gabriela tinha certeza de que, se aquele objeto tivesse rosto, estaria dando um riso sarcástico.

Depois de muita ansiedade, finalmente chegaram. Gabriela pegou sua mochila de rodinhas e saiu correndo do veículo.

Até que enfim... Chegou ao ponto desejado. Mas do que adiantou?

O olhar perdido daquela menina passava pelo rosto infeliz de todas as pessoas que caminhavam por aquela rodoviária. Nenhuma era o motivo de Gabriela ter vindo... O motivo estava perdido entre elas. Onde está o motivo?

Novamente a garota ficou preocupada. Dessa vez, sua ansiedade estava ligada ao risco de não encontrá-lo no meio daquela multidão. Olhava de um lado para o outro. Estava com medo. Onde ele poderia estar?

O motivo... Ah, o motivo... Também conhecido como Matheus. Um paulista, amigo virtual de Gabriela. Cabelos lisos, curtos e castanhos. 17 anos. Geralmente deixa a barba crescer e tem um dos sorrisos mais encantadores que Gabriela já vira em fotos. Matheus é seu melhor amigo depois de Deus. Ela era louca por aquele motivo... Mas demonstrava isso do seu jeito.

- Gabriela?! — uma voz masculina, num tom alto, chamou sua atenção.

Virando-se, a menina viu que o motivo estava correndo ao seu encontro.

As pernas da garota bambearam, seus batimentos cardíacos aceleraram de forma insana. Porém, mesmo assim, correu ao encontro do rapaz, arrastando sua mochila, tentando não esbarrar em ninguém.

Matheus fora mais rápido do que ela. Abraçou-a, sem dizer nada. Continuou caminhando, fazendo com que Gabriela andasse para trás. Imprensou-a contra uma das colunas que sustentavam o lugar.

Ele começou a abaixar um pouco seu pescoço, a fim de beijar o dela. Não demorou muito para que aquela menina fosse abarrotada de beijos por um paulista que sentia saudades dela sem sequer tê-la visto antes. Ela estava amando tudo aquilo, mas recuava um pouco. Não queria que ele parasse de experimentar novas formas de exibir seu amor, mas também não queria chamar a atenção dos desconhecidos.

Gabriela estava extremamente feliz por ele, estava encantada por sentir o cheiro de sua pele... Vê-lo pessoalmente a fez esquecer os problemas... Mas cometera um já citado erro: Observou quem estava ao seu redor. A menina ficou acanhada de ser carinhosa com seu amigo na frente de um monte de estranhos. Seu rosto ardia. Não temia o que eles iriam pensar, mas temia que algum desocupado parasse para ficar olhando.

- Finalmente... — disse Matheus, enquanto apertava o abraço, deixando o corpo de Gabriela bem encostado ao seu. Parecia não querer soltá-la nunca mais, parecia querer compensar o tempo que ficaram sem se tocar.

O coração da garota queria sair pela boca naquele instante, porque, aparentemente, ele sabia quem estava mexendo com ele. Ela queria dizer tanta coisa... Mas tudo estava entalado em sua garganta...

Matheus estava tão animado que apenas continuou, não se chateou com a timidez de Gabriela. Beijava-a na testa, na bochecha, olhava-a no fundo dos olhos e abria aquele sorriso que fazia Gabriela sentir-se a pessoa mais sortuda do mundo.

As mãos da menina tremiam, mas ela sentia que não deveria ficar assim, sem reação, apenas agarrada a ele. Esforçou-se para que pelo menos uma frase escapasse:

- Eu te amo... — sussurrou.

Ficou na ponta dos pés e praticamente se pendurou em seu pescoço, por ele ser mais alto. Gabriela já não ligava tanto assim para as pessoas que estavam olhando. As coisas bonitas devem ser admiradas... E ela tinha certeza de que aquela amizade era linda.

- Eu também te amo, little girl! — Matheus segurou-a, quase a colocando no colo. — Eu disse que conseguiria te levantar!

- Eu emagreci...

- Nem vem com essa! — colocou-a no chão. O jeito extrovertido do rapaz, aos poucos, fazia com que Gabriela se sentisse mais confortável e nem se importasse com a presença dos estranhos.

Depois de falar bobagens e rir, ficaram se mirando, em silêncio. Descrever a alegria que sentiam pela presença um do outro seria como descrever as cores a um cego... Por isso, preferiram trocar olhares. Aproveitar a novidade que era ver-se de perto.

- Eu estava certo... Você é linda.

- Você também é míope... E está sem óculos!

- De perto eu enxergo muito bem. — encostou sua testa na dela.

- Matheus...

- O que?

- Eu quero mais um beijo...

- Eu te empresto... Mas vai ter que me devolver.

- Dou até dois...

- Haha! Lucro!

Notas finais
Gabriela se daria bem em São Paulo? Sair da virtualidade pode estragar a amizade dos dois? Por que a mãe de Gabriela não gosta tanto assim da amizade dela com Matheus? Por que eu estou fazendo tantas perguntas?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.