Carol acordou sonolenta , sem vontade alguma de levantar de sua confortável cama. Charlie , por outro lado , agarrou a garota e pediu para que acorda-se mais rápido.

—Vamos querida , precisamos de roupas novas! Ande , ande!

Elas correram apressadas para uma loja de venda-e-troca qualquer e adentraram no lugar. Charlie tentava escolher as melhores roupas e mais distorcidas das que as duas costumavam usar , sua filha , por outro lado , ainda estava pensando em como seria se dormir-se um dia inteiro a faria bem ou não. Sua mãe decidida pegou algumas roupas e jogou no rosto da filha , fazendo-a cambalear um pouco para trás.

—Vista , vista , estarei te cobrindo — disse colocando-se para frente.

—Por que estamos comprando essas roupas?

—Porque alguém ainda não está se vestindo , ande!

Ela havia dado a pequenina um casaco azul , uma calça roxo e óculos pretos com um formato circular. Ela vestiu sua roupa com um pouco de dificuldade e sua mãe sorriu ao ver que a pequena não custou nem um pouco para vestir a roupa. Charlie foi mais rápido , porém. Fez uma marinha-chiquinha no seu cabelo negro bastante liso e pegou roupas que era realmente o oposto que a mesma vestia. Havia vestido disfarçadamente uma saia que batia nos joelhos e uma blusa um tanto folgada . Por último , pegou sapatilhas e sorriu para a filha mais uma vez. Pegou em sua bouça reserva que era mais-ou-menos do tamanho da palma da mão e tirou um anel que roubou de uma mulher tola que pensava que esse anel era de amor verdadeiro. Como se existi-se , pensou , o verdadeiro amor que as pessoas tem é por fortuna. Colocou o anel delicadamente no balcão e a atendente deu um sorriso aliviado. Parecia o bastante para pegar comida e pagar seus impostos.

—Obrigada senhora. Tenha um bom dia.

Elas andaram até a frente de uma lanchonete e Charlie olhou para sua filha , agarrando-lhe seus delicados ombros.

—Querida , eu ficarei aqui. Você pode se divertir e brincar com as crianças do reino — Carol já estava feliz o bastante com isso — Mas nada de fazer amizades.

—Ta bom , mamãe.

Charlie deu um último beijo na testa da pequena Carol e adentrou o local que havia marcado. Carol saiu saltitando de alegria , procurando aquele garoto que viu no dia anterior. O mesmo estava sozinho comendo pão na frente de sua casa , parecendo um tanto solitário. A garota , solidária como sempre , se aproximou sorrindo do rapaz:

—O que foi? Por que você está tristezinho?

E levantou a cabeça franzindo o cenho.

—Não foi nada...eu só...não tenho mais amigos.

Ela sentiu ao seu lado , um tanto curiosa. Esse lado , na verdade , foi puxado de seu astuto pai , que adorava um bom mistério.

—Conte o que aconteceu.

—O rei Magnus mandaram eles para outro reino por estar brincando durante seu desfile. Dá pra acreditar? Na hora eu só não tava brincando porque minha mãe mandou eu comer um pouquinho.

Carol realmente não sabia quem era Magnus , só sabia que ele era o rei de um reino próximo e que ele era um mala-sem-alça.

—Mas...eu posso ser sua amiga? — Ela não era do tipo desobediente , mas isso era o que mais almejava.

Ele deu um sorriso de orelha-a-orelha e exclamou feliz:

—Sim! Com certezas! — E abraçou a garota que mal conhecia. — Vamos brincar de pega-pega? Esconde-esconde? E outros nomes com hífen?

Ela concordou com a cabeça , mas não sabia oque era hífens , pega-pega ou esconde-esconde.

O dia passou rapidamente como uma página de algum livro estivesse sendo passada por um leitor impaciente. Carol passou o dia brincando com seu novo amigo , desobedecendo a principal ordem de sua mãe. Charlie ,por outro lado , passou o dia servindo pessoas com um sorriso estampado em seu rosto , porém , entrou um cliente no último horário do lugar. Charlie congelou. E se Magnus a descobrir -se ? O que iria fazer? Mas ele apenas deu um leve sorriso é se sentou , com dois guardas ao seu lado em pé. A mulher sabia como persuadir as pessoas , manipular-las e até mesmo fingi ser outra pessoa , seria fácil. Ela veio confiante ao rei tão odiado pela mesma e expressou um sorriso por fora , mas uma horrível expressão enojada por dentro.

—Ora , a senhorita pode ter o prazer de trazer para mim , seu fiel comandante , uma xícara de café e brioches? Obrigado minha doce dama — disse beijando-lhe a mão.

Ela fingiu uma reação calma e meio fofo por fora , mas por dentro estava se segurando para não lhe dar um chute tão forte entre as pernas que ele nunca engravidaria nenhuma sequer mulher no mundo. Pegou uma xícara de chá de cidreira e um brioche como lhe foi mandado e entregou ao cliente.

Ele sorriu ao ver o que queria , era sempre com ele. Tomou o chá por inteiro rapidamente e começou a comer seu tão desejado brioche. Charlie estava surtando por dentro , não havia mais ninguém alí. Os clientes todos já foram embora e as funcionárias saíram mais cedo àquela tarde. Quando finalmente terminou sua refeição , perguntou com uma expressão relaxada :

—Quanto deu?

Charlie falou calmamente o preço e ele acentiu com a cabeça , pegando as moedas de ouro de um dos bouços da calça real. Entregou-lhe o que pediu e se despediu brevemente. Qua do finalmente cruzou a porta e saiu de seu campo de visão , a mesma Gritou com ferocidade.

—MAS QUE RAIVA! COMO ELE PÔDE TER SIDO TÃO ABSURDO??? UM DIA EU AINDA VOU DAR-LHE UMA LIÇÃO QUE ELE NUNCA ESQUECERÁ!

E começou a dar risos histéricos que ecoavam pela loja como se propagavam doenças na idade média na época da peste negra. Finalmente acalmada , saiu da lanchonete e foi procurar sua querida filha. A única pessoa que lhe importava no mundo. Carol estava brincando ainda de pega-pega com seu recente amigo e Charlie sorriu ao ver a cena. Ela nunca experimentou a graça da infância.

—May! Anda logo filha! — falou sorrindo ao se. Aproximar. Como não podiam falar seus verdadeiros nomes , Charlie meio que inventou na hora.

Ela balançou a mão para o amigo em sinal de despedida e correu até a mãe animadamente.

—Mãe , mãe! Hoje foi demais ! A gente brincou de um bocado de coisas e...

A pequena continuou até a residência das duas , falando de tudo detalhadamente do deu dia. Agora ,isso foi-lhe puxado de sua mãe , tinha uma mente incrivelmente apurada. Ao chegar finalmente em casa , as duas pularam em cima da cama , exaustas pelo dia cansativo.

—Mas...ele não é seu amigo , é?

Geralmente falam que crianças não metem , mas Carol era uma criança diferente , ela não era qualquer uma.

—Não! Só estou usando ele para brincar ! Só isso.

E assim como sua mãe, sabia mentir de uma forma inexplicavelmente boa.

Charlie acentiu com a cabeça sorrindo.

—Ainda bem — depois bagunçou o cabelo da pequena — Mas , vamos tomar banho?

—Banho...eu aceito.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.