My future without me
1 Único.
Notas iniciais
Como todas as pessoas já tinham feito em vida, Robin já tinha imaginado como seria a morte – sua morte. Seu pensamento mais agradável sempre foi uma morte de velhice, tranquila e indolor, com sua mente vagueando por todas as conquistas que ele tinha feito em vida, talvez pensando nos filhos e netos que ele deixaria para trás, o seu legado. Mas naquele momento, em frações de segundos, ele percebeu que não seria daquela maneira.
Ele nunca criaria seus filhos e ensinaria para eles tudo que pensou que fosse ensinar, nunca os veria já adultos ou mimaria os netos que eles lhe dariam. Ele esperava que Roland e sua menina soubessem o quanto ele os amava, mesmo não estando presentes em sua vida.
Ele esperava que todos ficassem bem nesse novo futuro. Um futuro qual ele não pertencia. Ele se arrependeu de ter dito aquelas palavras para Regina mais cedo, por que agora pareciam uma grande pegadinha do destino.
Mas não, ele não deveria se arrepender. Ela não seria o futuro dele, mas ao menos ela teria um futuro. Um futuro qual ele não faria parte, mas existiria. Ela estava viva e continuaria assim por muito tempo, isso que importava.
Foi fácil para ele tomar a decisão de morrer por Regina – assim como tinha sido fácil tomar a decisão de ir atrás do deus do submundo para ter sua filha de volta, mesmo sabendo que aquilo poderia terminar de formas drásticas, o que realmente estava acontecendo naquele momento.
Talvez ele nem tenha tomado essa decisão, ele apenas fez. A protegeu de um raio que não iria apenas a matar, mas acabar com qualquer sinal de sua existência.
A dor que sentiu era profunda — talvez a dor mais profunda que qualquer ser humano poderia sentir -, a dor de ter sua alma separada de seu corpo. Mas isso não fez com que ele se arrependesse. Robin se virou, por que queria olhar para ela, e descobriu que saber que nunca mais poderia ver aquele rosto doía muito mais.
O que deveriam ser segundos, para Robin durou uma eternidade. Sua noção de realidade se distorceu ao ponto dele não perceber que seu corpo estava aos pés de seu espírito. A única certeza que ele tinha, era da presença de Regina em sua frente, olhando para ele com os olhos marejados. Ele queria dizer algo, mas sua voz parecia ter sido engolida pelo mesmo vácuo que o engoliria a seguir.
Mas ele ainda tinha um momento. Não tinha?
Mais um segundo para olhar para ela, é o que ele teria pedido. Se pudesse.
Mais um segundo para olhar para a alma dela.
Sua alma. Gêmea.
Ela era a metade dele e ele se amaldiçoou por nunca ter pensado naquilo com a mesma intensidade em que estava pensando agora. Ele desejou que todas as histórias fossem verdade, todas aquelas que descreviam o amor incondicional de pessoas que dividiam a mesma alma, por que assim, ele a encontraria de novo. De novo, de novo e de novo, nada poderia os separar, nem mesmo a morte.
Mas em seu estado atual, nenhuma dessas histórias pareciam o consolar, era difícil demais deixar toda aquela realidade para trás. Doía demais.
Ele se preocupou com isso, com a dor. Será que seu olhar refletia o aperto em seu perto? Que a última visão de Regina sobre ele não fosse o seu rosto contorcido de dor, é o que ele teria pedido. Mas ele ainda não podia.
Robin ignorou a dor, por que queria tocá-la, e fazer de seu toque a última lembrança que ela teria dele, e a gravidade parecia muito mais leve quando ele ergueu um de seus braços para alcançar o rosto dela. Ela estava chorando, uma lágrima solitária escorreu do um de seus olhos e ele movimentou seus dedos levemente para limpar sua tristeza e afastar sua dor, ele quase podia sentir o calor da pele dela sob seus dedos fantasmagóricos, quase conseguia a alcançar...
Mas seu segundo tinha terminado.
Fale com o autor