My first lover
1 Capítulo Único
Adam definitivamente não sabia como conduzir um relacionamento, ou algo parecido. Ele sabia que possuía deveres como levar o amante para um encontro, amá-lo e protegê-lo. O problema era que não fazia ideia de onde deveria levá-lo, se estava demonstrando a intensidade certa de tudo que sentia ou se estava o protegendo o suficiente do que um dia Adam já fora.
Encarou o amante deitado ao seu lado, adormecido após um filme qualquer. Na cama de Eric e na sua presença, sentia-se completo e, acima de tudo, sentia-se em paz. Não importava quais fossem suas preocupações, sabia que poderia resolvê-las, Eric sempre estaria disposto a ajudá-lo.
Queria, porém, surpreendê-lo de alguma forma. Fazê-lo rir mais do que o comum, ao ponto de que os olhos do namorado estivessem brilhando de excitação e gratificação; nada era mais prazeroso do que isso.
Queria fazê-lo sentir o mesmo que Adam sentia quando o beijava; o aperto no peito, o estômago dolorido e aquele maldito sentimento… Aquela maldita intensidade… Fazia Adam chorar, embora ele culpasse as músicas alternativas de Eric.
Por fim, beijou o topo de sua cabeça e desligou a luz. Deixaria as questões para serem respondidas no próximo dia, provavelmente com a ajuda de Ola.
Algo dentro dele, porém, fez com que se revirasse na cama inúmeras vezes. Sentou-se, bufando em seguida. O que havia de errado com ele, afinal?
As únicas vezes em que sentiu perder o sono, o motivo sempre era Eric. Fosse pelo sentimento que o preenchia, fosse pela dúvida que pairava em sua cabeça.
Afinal, era suficiente para Eric? Sentia que não. Os anos o maltratando ainda ecoavam em sua cabeça como um pecado que não poderia ser desfeito. Também não era lá muito carinhoso, possuía um jeito brusco e enigmático, sempre guardando pra si aqueles sentimentos diferentes.
Eric, porém, era paciente. Sabia como acalmar seu gênio forte, assim como também sabia lhe arrancar sorrisos involuntários. Nunca reclamou da falta de afeto, pois sabia que Adam precisava de tempo para desconstruir aquela barreira.
— O que te incomoda? — a pergunta sonolenta de Eric lhe tirou de suas divagações perigosas.
Adam apenas deu de ombros, incerto em como abordar aquele assunto.
— Não está se auto sabotando novamente, não é? — a frase acompanhou uma risada, lhe arrancando um sorriso espontâneo.
— Não acho que eu seja o suficiente pra você — murmurou, sentindo as bochechas tomarem uma coloração inusual.
— Eu tomei minha decisão de ficar com você, tem um motivo pra isso — Eric lhe encarava como se Adam estivesse cometendo um grande erro.
Não achava errado questionar o bem-estar do amante, embora isso nunca houvesse ocorrido em sua vida. Preocupar-se com pessoas estava sendo um sentimento completamente novo e desafiador, não sabia exatamente o que precisava para tornar feliz aqueles que amava.
Como se estivesse lendo seus pensamentos vagarosos, Eric lhe sorriu ternamente e disse:
— Estar ao seu lado me faz feliz, nada mais parece importar. Acho que é isso que significa amar alguém — depositou um beijo casto em seus lábios, voltando a deitar em seguida. — Pode não parecer o suficiente pra você, mas pra mim é tudo que importa; te ter ao meu lado.
Adam agradeceu por estar sentado, pois sentia que sua pressão estava baixando conforme as palavras saiam da boca de Eric. O amante fazia um carinho único em suas costas, enquanto sentia se afundar em suas próprias divagações.
A certeza que Eric possuía em dizer tais coisas, era a mesma certeza que possuía em ter confessado seus sentimentos a ele. Não parecia errado, nem mesmo insuficiente.
Por fim, deitou-se novamente, se sentindo muito mais leve. Encarou seu amado, sentindo que poderia perder horas encarando os olhos profundos e cheios de sentimentos ternos, dos quais Adam nem mesmo entendia.
— Obrigado — sussurrou.
Obrigado por acreditar em mim; por não me fazer desistir; por mostrar que eu sou muito mais do que meu pai pensa; por me amar, mesmo que eu tenha sido um completo idiota todos esses anos.
Adam não precisou dizer tudo isso, porque Eric sabia que aquele “obrigado” possuía um peso único, assim como o beijo repleto de carinho que compartilhavam.
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