My first and only love.

5 Capítulo 5- "Rather be, Clean Bandit"


Às três da tarde James foi para o treino de basquete, e eu fiquei em casa. Nas segundas feiras não tinha nenhum curso, mas às terças tinha inglês, e nas quartas e quintas natação.

Lembrando-me do James dizendo que éramos melhores amigos desde o primário, comecei a lembrar de como nos conhecemos. Estávamos no pré escolar, e nossas mães eram muito amigas por causa da faculdade. Elas foram colegas, e continuam amigas até hoje. Lembro-me que já tinha ouvido falar do James, mas nunca havia realmente o visto. Na época, elas combinaram de nos botar na mesma escola, para já termos alguém para conversar desde o começo e facilitar o nosso primeiro ano escolar.

A ironia é que, quando o conheci, tive uma impressão muito ruim dele. E ele sentiu o mesmo por mim. O achei metido, exibido. Ele me achou chata e arrogante. Passamos a metade do ano nos odiando, sendo que nunca realmente tínhamos sequer conversado. Coisa de criança birrenta...

Depois de um tempo, passamos a ser um par na aula de educação física, mesmo por desgosto. Eram os professores que escolhiam, e eles queriam unir a turma para que fizéssemos novos amigos. Não adiantava ninguém dizer que já estava feliz com seus próprios amigos, a escola quis assim. Felizmente, a escola não nos dera ouvidos. Do contrário, nunca teria ficado amiga do James.

Assim que nós começamos a conversar, perdemos a birra que tínhamos um pelo outro rapidamente, e depois, nunca mais desgrudamos. Tínhamos nossas próprias brincadeiras que ninguém entendia, as nossas bobagens, nossas histórias. Lembro-me de que acreditávamos realmente em magia, e criamos um mundo só para nós dois. Nós eramos a rainha e o rei do mundo dos feiticeiros, os mais poderosos que existiam. Com o tempo, nossa brincadeira se estendeu e começamos a incluir vampiros, bruxos, anjos, lobisomens, sereias e contos de fadas nela. Acreditávamos também que por trás de uma porta misteriosa da escola, que nunca nos deixavam entrar, havia monstros. Monstros criados pelos professores mais assustadores. Nós nos juntávamos ao João, nosso colega na época, e ficávamos contando histórias de terror em frente àquela porta.

Foram tantas bobagens, mas que nos marcaram, e se perderam com o tempo. Quando chegamos na pré- adolescência, conhecemos a Gabe. Eu tinha 12 anos e ele 13. Antes dela, eu nunca tivera uma melhor amiga. Sempre fora o James, o meu melhor amigo. Claro que tinha as minhas amigas e amigos, mas nenhuma melhor amiga. A Gabe e eu nos grudamos por um tempo, quando nos conhecemos nos identificamos para valer. Parece que tanto o James quanto a Gabe tem ciúmes de mim, e desde aquele tempo, implicam um com o outro, parece até uma disputa.

Mas na verdade, sei que hoje já são maduros e não tem mais -tanta- implicância. Eu amo a Gabe, ela é minha melhor amiga. Mas o James é alguém que passou praticamente a minha vida toda comigo, é uma amizade que é tão especial para mim que não consigo nem explicar. Ele é até mais importante do que os garotos por quem me apaixono.

Então, me lembrei do nosso quase beijo mais cedo. Não conseguia compreender o quão feliz e segura me sentira em seus braços fortes. Parece que naquele momento, tudo parecia tão certo, tão encaixado. Sempre tivera aquele tipo de intimidade com James. De abraçar, tocar, bagunçar o cabelo, mas, aquilo foi diferente. Aquilo me gerou uma energia eletrizante, que mexia com meus sentimentos, com o meu físico, com o meu estar.

"Esqueci minha camiseta aqui e..." ouvi a voz de James e dei um pulo no mesmo minuto. "Calma, não sou um bandido!" falou ele. "Não vou poder fazer a aula, esqueci minha camiseta..." ele falou, com um tom decepcionado, mas meio fingido. Muito estranho ele 'esquecer' a camiseta de basquete aqui, bem que estranhei ele não estar a vestindo quando saiu. Olhei desconfiada para ele. "Esqueceu aqui?" falei em tom inocente, mas sarcástico.

"Sim" ele afirmou, mas não segurou o sorriso. "Posso ficar aqui pelo resto da tarde?" ele perguntou. Algo vibrou dentro de mim, um sentimento confuso, uma mistura de alegria e negação. Uma onda de calor me invadiu, em casa sozinha com o James. Por que estava me sentindo assim? James quase sempre passava as tardes comigo, para mim não ficar sozinha em casa. "Claro" falei, minha voz soou estranha. Ele foi até a geladeira e pegou um copo d' água. "Está calor lá fora!" ele exclamou, "quase morri de sede, estou suando, vou tomar uma ducha no banheiro da piscina ok?" ele disse. "Ok!" falei.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.