My beloved enemy
6 Capítulo 6
Notas iniciais
“Um whiskey com coca por favor” Clara gritou por causa da musica alta da balada.
Fazia três dias desde o jogo do paintball e três dias desde a última vez que ela havia falado com Marina. Clara não deixava de fazer as coisas só porque a outra estava lá, já Marina, por sua vez, fez tudo o que estava ao seu alcance para que elas não se encontrassem: Se Clara estava fazendo alguma atividade, ela iria fazer outra e se por acaso clara aparecesse, Marina era a primeira a ir embora.
A boate estava lotada e essa era a primeira vez em três dias que as duas estavam no mesmo lugar por mais que cinco minutos.
Clara sorriu enquanto o bartender lhe entregou sua bebida. Ela entregou o dinheiro a ele e tomou um gole enquanto esperava pelo troco.
“Aqui está querida”. O homem sorriu. Clara pegou as notas e foi em direção de suas amigas.
“Você ta bem clarinha?” Corina perguntou ao ver a amiga chegar.
“aham, mas é que está meio lotado demais aqui, vocês não acham?”
“Está todo mundo de férias, o que é que você queria?” Bia gritava para que elas ouvissem.
Clara tomou um gole grande de seu copo e olhou ao seu redor enquanto todos dançavam de acordo com o ritmo da música, até que seus olhos pararam numa menina loira muito bonita. Com certeza ela não era de sua faculdade. A garota era um pouco mais baixa que Clara, era magra e seu cabelo loiro caía como uma cascata por seus ombros. Ela usava um vestido sem alça azul, deixando a mostra suas pernas bronzeadas. Os olhares se encontraram e Clara ficou perdida em sua beleza.
Bia cutucou Clara e indicou com a cabeça em direção à menina “Vai falar com ela”
Clara franziu a testa, olhou de volta em direção da garota que agora sorria para ela e depois olhou de volta para bia “Não, eu não posso fazer isso”
Bia revirou os olhos “Pelo amor de deus! Não ta vendo que ela ta dançando e olhando diretamente pra você com aquela cara de “venha me pegar”? Então anda logo”.
Bia começou a empurrar Clara, mandando-a em direção da garota. Clara lançou um olhar de morte para sua amiga antes de limpar a garganta e andou inseguramente para perto da menina misteriosa.
“hmm, oi” começou Clara, querendo se matar por ser tão idiota por estar nervosa.
A garota parou de dançar e chegou mais perto dela “Eu vi você me olhando”.
“E eu vi você olhando pra mim” Clara riu.
“Touche” a menina riu. “Meu nome é Amanda”
“O meu é Clara”. As duas sorriram e apertaram as mãos.
“Lindo nome! Então...” Amanda começou sem soltar a mão da morena. “Você gostaria de dançar?”
“Errm, eu não sei dançar direito” Murmurou Clara, se sentindo desconfortável
“Eu te ensino”. Amanda pegou a mão de Clara e a trouxe para mais perto, então seus corpos ficaram colados. Ela mordeu seu lábio inferior e soltou a mão da morena para segurar em seu quadril, encorajando-a a dançar de acordo com a música.
Clara começou a se soltar e a se mover com mais vontade. Amanda roçou os lábios pelo ouvido dela “Você dança muito bem quando está relaxada”.
Clara sorriu, “Você é uma ótima professora”
As garotas dançaram com os corpos colados mais algumas músicas. A morena se inclinou e deu um beijo no pescoço da loira, que se arrepiou inteira. Ela não pode evitar o sorriso que se formou em seus lábios.
“Quer beber alguma coisa?" Clara perguntou e depositou outro beijo no pescoço da menina enquanto aguardava por uma resposta.
A loira fez que sim com a cabeça “Adoraria”.
Clara soltou o quadril de Amanda. “Já venho então”
A morena sofreu para andar devido ao número de pessoas no mesmo lugar, respirando aliviada assim que conseguiu chegar ao bar e esperou para que alguém viesse atendê-la.
Ela olhou em volta e ao ver Marina na outra ponta do bar, resolveu ir até ela. “E aí Meirelles” Ela sorriu e a estudante de fotografia somente olhou para ela e lhe deu um sorriso fraco.
“Onde estão suas amigas? Finalmente perceberam que poderiam achar pessoas melhores que você?” Provocou Clara.
Marina olhou para o seu copo, enquanto passava o dedo em sua borda. Seu rosto não tinha expressão alguma.
“Não vai revidar? Nossa, milagres existem”. Zombou Clara, desviando sua atenção de Marina para o bartender que havia acabado de chegar.
“Dois whiskys com coca, por favor”. Ela sorriu enquanto o homem preparava suas bebidas. Ela se virou novamente para Marina e se sentiu mal ao ver como ela estava. Parecia triste e perdida em seus pensamentos enquanto circulava com o dedo a borda de seu copo vazio.
Clara suspirou, pois sabia que a morena não merecia sua compaixão depois de tudo o que aconteceu entre elas. No entanto, ela não podia ver a garota naquele estado e simplesmente ignorar a situação.
O bartender retornou e colocou as duas bebidas na frente de Clara. Ela o chamou novamente, “Você poderia me ver uma dose de Malibu também?”.
O homem sorriu e logo voltou com seu pedido. Ela pagou e guardou o resto do dinheiro em sua bolsa.
Clara pegou a Malibu e colocou na frente de Marina, sussurrando em seu ouvindo, “Tenta não chorar em cima desse também”.
Marina finalmente desviou o olhar do copo vazio e olhou confusa para Clara. “Por que você está...”
Clara sorriu e a interrompeu, “Entenda isso como uma oferta da paz”.
Marina esboçou um pequeno sorriso quando ela lembrou o que disse para a morena na primeira noite da viagem. “Eu não mereço isso”.
“Eu sei...” Começou Clara. “Mas como vamos continuar nossas provocações se você estiver ocupada demais sentindo pena de si mesma?”
Marina riu e puxou o copo para mais perto. “Obrigada”.
Clara cutucou Marina gentilmente no braço. “Cabeça erguida Meirelles”. Ela piscou para menina e pegou suas bebidas, sumindo de novo na multidão.
Amanda sorriu ao ver ela se aproximar. Clara a ofereceu a bebida e ela aceitou, bebendo um gole apressadamente.
“Obrigada” A loira sorriu. “É impressão minha ou... você comprou uma bebida para outra menina também?”
Clara olhou desconfortavelmente para o chão, sem saber o que responder. Decidiu que a verdade era a melhor opção. “Hmm, sim... Mas não é o que você está pensando. Ela é minha antiga colega de escola”.
Amanda assentiu, “Então ela é sua amiga?”
“Errm... acho que não”. Clara falou sem saber como ela explicaria sua relação com Marina.
“Ta bom então”. Amanda sorriu, aceitando a resposta de Clara e tomando outro gole da sua bebida. “Vamos dançar?”
A morena assentiu, virando rapidamente o resto de sua bebida. Deixou seu copo num canto e voltou a dançar com a loira atraente.
Uma hora se passou e Clara definitivamente estava se sentindo um pouco embriagada. Ela voltou ao bar várias vezes em busca de mais bebida para ela e Amanda. Não viu mais Marina e concluiu que a morena deveria ter ido embora.
A estudante de jornalismo estava exausta e aquela aglomeração toda estava deixando ela irritada. Resolveu ir para o lado de fora da boate em busca de ar fresco.
Ela respirou profundamente, aproveitando a brisa fresca que corria ali. Estava pensando nos últimos acontecimentos quando o barulho de alguém fungando chamou sua atenção. Clara olhou para sua esquerda e viu uma menina branquinha e de cabelos castanhos, sentada sozinha em um banco enquanto seus ombros subiam e desciam por conta do choro.
Clara deu um passo para frente, franzindo a testa enquanto ela chegou mais perto da menina.
“Marina?”
Marina rapidamente tentou enxugar as lágrimas de seu rosto “Vai embora Clara”.
Clara ignorou seu pedido e se aproximou ainda mais, parando na frente de Marina e se ajoelhando para ficar na sua altura. “Nossa, alguma coisa deve estar muito errada para você nem me xingar”.
Marina deu uma pequena risada enquanto enxugava mais algumas lágrimas. “Por que você está sendo tão legal comigo?”
“Porque... as vezes, a gente não precisa ser uma completa vadia com os outros”. Clara brincou e fez com que a outra risse novamente. Ela sentou ao lado da menina que aos poucos estava parando de chorar. “Você quer me contar o que aconteceu?”
"É estúpido." Marina murmurou olhando para o chão.
“Não deve ser tão estúpido se deixa a ‘rainha do gelo’ Marina Meirelles chateada”. Clara riu. “Você não precisa me contar se não quiser”
Marina suspirou enquanto tentava se recompor para falar “É o idiota do Bryan”.
Clara franziu a testa “Ouvi dizer que vocês tinham terminado”.
“Nós terminamos, mas ele está sendo um canalha”. Começou Marina, suas feições ficando mais rígidas enquanto ela pensava sobre o ex namorado. “Nós terminamos uma semana antes dessa viagem e ele... fica me mandando mensagens dizendo que aposta que estou indo para cama com cada cara que eu encontro aqui, e que ele está melhor sem mim, e mais um monte de coisa que eu prefiro nem comentar”.
Clara ouvia tudo atentamente. “Sem querer parecer grossa, mas.... por que você se importa? Ele é um idiota”
Marina suspirou. “sim... eu sei”.
“Você está mal por que ele terminou com você?”
“Não seja estúpida, ele pode ir para o inferno. Eu nem gostava tanto assim dele”. Marina esbravejou e Clara riu.
“Então por que você estava com ele?”
Marina deu de ombros “Porque era fácil”.
"Você merece algo melhor." Clara sorriu enquanto seus olhares se encontraram.
“O que você quer dizer?” Marina perguntou.
“Independentemente do quão escrota você possa ser as vezes, eu sei que você é uma boa pessoa e... você merece algo melhor do que estar com uma pessoa só por que isso é fácil ou confortável. Você deveria estar com alguém que possa te ver por dentro e que te ame por isso”
“Isso foi profundo Fernandes” Marina riu. “Mas eu não mereço isso. Sou uma pessoa horrível para todo mundo. Finjo que sou alguém que não sou só para que as pessoas gostem de mim”
“Bom... se até eu consigo acreditar que você é uma boa pessoa, mesmo depois de todo bullying na escola... eu tenho certeza que as outras pessoas também podem”. Clara falou apertando gentilmente o ombro da menina ao seu lado.
Marina sentiu seus olhos se encherem de água novamente e fazia de tudo para que as lágrimas não caíssem. Tentou dar um sorriso fraco. “Eu sinto muito, sabia?”
"Pelo que?" Clara perguntou.
“Por tudo”. Começou Marina, passando as mãos nos olhos. “Tudo que eu sempre fiz com você. Você não mereceu nada daquilo e sei que fiz da sua vida um inferno... E o fato de você estar sendo tão gentil comigo, apesar de tudo que te fiz, faz com que eu me sinta ainda pior”.
Clara mordeu seu lábio inferior enquanto assimilava as palavras de Marina. Não pode conter um sorriso.
“Eu queria ser como você” Afirmou Marina.
"Lésbica?" Clara perguntou brincando
Marina empurrou a outra enquanto ria “Não... corajosa, forte, e ridiculamente boa com as pessoas”.
“Então seja assim”. Afirmou Clara como se essa fosse a sugestão mais simples do mundo. “Você é forte e corajosa, só está canalizando isso de um jeito errado... sendo ruim com as pessoas”.
“Eu sei”. Marina disse baixo, apoiando as costas no banco e olhando para Clara. “Essa conversa foi boa”.
Clara assentiu “Até quando? Até amanha quando estivermos sóbrias e voltarmos a odiar uma a outra?”.
“Não quero que as coisas voltem a ser daquele jeito”. Sussurrou Marina, enquanto se virava em seu banco para ficar de frente para Clara. “Com certeza eu prefiro quando você não me odeia”.
Clara levantou seu braço, descansando sua mão no ombro da estudante de fotografia e sorrindo. “Eu já te disse Meirelles... Não te odeio”.
"Bem... digamos então que você só não gosta muito de mim”. Marina sorriu enquanto falava e Clara não pode segurar a risada.
“Se você fosse sempre assim, as coisas não seriam daquele jeito. Acho que os caras tem que te dar o pé na bunda com mais frequência”. Clara provocou, recebendo um chute gentil na perna.
“Isso não é engraçado”. Marina murmurou, o sorriso em seu rosto contradizendo suas palavras.
“Você tem é que parar de sair com esses babacas”.
Marina riu apontando para sua maquiagem borrada. “Olha o estado que eu to! Tenho certeza que nenhum ‘babaca’ vai vir atrás de mim”.
Clara balançou a cabeça e riu “Deixa de ser boba, você é linda”. As palavras saíram de sua boca sem que ela percebesse. Ela quis se dar um tiro enquanto as palavras pairavam no ar, nenhuma delas sabendo o que fazer.
Marina olhou para baixo e percebeu como seu corpo estava próximo ao de Clara, suas pernas quase se tocando. Ela olhou para as mãos da morena, que ainda estavam descansando em seu ombro e finalmente olhou para o seu rosto. Os olhos de clara estavam arregalados por causa das palavras que ela soltou sem querer.
Marina mordeu seu lábio, incerta do que estava acontecendo com seu corpo, mas desde que percebeu a proximidade que estava de Clara, sentiu algo que nunca havia experimentado antes. Seu coração estava batendo tão alto que ela tinha certeza que todos da balada poderiam ouvi-lo. Sentia como se de repente a temperatura tivesse aumentado 20 graus e seu estomago parecia estar tomado por borboletas.
Ela procurou pelos olhos de Clara de um jeito que nunca tinha feito. Os olhos castanhos a sua frente eram completamente cativantes e seu brilho fazia com que ela se perdesse neles. Parecia que as borboletas em seu estomago estavam se agitando conforme ela encarava profundamente a menina à sua frente. Ela levou alguns segundos para perceber que seu corpo estava agindo por conta própria e, devagar, fechava o espaço entre elas.
Marina olhava para os lábios de Clara enquanto a estudante de jornalismo passava a língua em sua própria boca. Marina engoliu seco, ela não conseguia entender o que estava acontecendo, mas sabia que não tinha força para parar. Seu nariz roçou contra o de Clara e ela pode sentir a respiração da outra menina no seu rosto. Seu cheiro era intoxicante e seu olhar a hipnotizava. Marina respirou fundo uma última vez antes de acabar completamente com o espaço entre elas, seus lábios deslizando gentilmente contra os de Clara enquanto ela espera por uma resposta.
Clara continuou congelada em seu lugar, com medo de se mexer ou de fazer qualquer coisa, além de estar completamente surpresa com o que estava acontecendo. Ela não sabia de onde aquilo havia surgido e nem tinha certeza se queria que aquilo acontecesse, mas ela simplesmente não conseguia parar, então resolveu deixar acontecer.
Os lábios de Marina roçaram suavemente sobre os de Clara novamente, até que ela finalmente beijou a carioca. Era um beijo doce e cheio de incertezas, mas ao mesmo tempo era sincero e repleto de sentimentos. Demorou alguns segundo até que Clara correspondesse, seus lábios se fechando em torno do lábio inferior de Marina enquanto elas começaram a se mover em sincronia.
O beijo durou cerca de um minuto, as duas garotas se movendo suavemente, como se elas estivessem com medo de ir longe demais ou rápido demais. Nenhuma das duas tentou aprofundar ou dominar o beijo, deixando um ritmo suave tomar conta.
Marina se afastou e passou a língua por seus lábios. Ela ainda podia sentir o gosto da morena neles. Nesse beijo ela sentiu algo que nunca havia experimentado antes; foi intenso e suave ao mesmo tempo, foi rápido mas pareceu durar para sempre. Era como se um choque houvesse viajado pelo seu corpo assim que os lábios se tocaram e as borboletas no estômago estiveram presentes durante todo o beijo.
Marina olhou para o chão, se recusando a olhar novamente para Clara. Ela não queria ver o olhar da morena, e o pânico e confusão começaram a atingi-la como ondas fortes.
Clara continuou parada, com medo de dizer qualquer coisa enquanto ela analisava Marina cuidadosamente. Ela sabia que a garota estava entrando em pânico e que provavelmente surtaria em breve. Não entendia de onde havia surgido aquele beijo e o que aquilo havia significado. Sua cabeça estava uma completa bagunça e ela não conseguia nem formular um pensamento coerente.
Marina se levantou, seus olhos ainda colados firmemente no chão. Ela abriu a boca para falar, tentando pensar em algo, em qualquer coisa, mas as palavras não vinham, então ela optou por fechá-la novamente, olhando rapidamente para Clara antes de sair correndo.
Clara observou enquanto ela se afastava, querendo exigir uma explicação, mas ela não tinha forças para pedir por uma, então ficou presa à cadeira enquanto ela apenas observava Marina ir embora.
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