My beloved enemy
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Clara riu e colocou a mão no ombro de Guilherme. “Ok, então todos nós nos separamos em grupos menores e ela se vira por conta própria”.
Ele sorriu para Clara enquanto Marina fez uma cara feia para eles. O garoto continuou “bom, já que temos 3 granadas eu acho que a gente deveria se separar em 3 grupos pequenos. Eu, Clara, Corina e Bia somos um grupo... Gustavo, Luise e João outro e Marina, Flavia e Vanessa são um trio” .
"Por que vocês ficam em quatro e a gente em três?” Protestou Marina
Clara revirou os olhos “porque ninguém aqui quer ficar com você. Só as suas amiguinhas te aturam”.
"Aqui” Guilherme deu uma das Granadas para Marina e ela colocou no bolso do macacão.
"Você vai ficar com esse macacão aberto, só com essa camiseta por baixo?” Perguntou Clara, levantando a sobrancelha.
Marina olhou para o seu traje e depois novamente para Clara “Sim. Esse macacão é horrível”.
"Horrível vai ficar você, toda roxa depois do jogo”. Clara sorriu vendo Marina arrumar a roupa relutantemente.
"Feliz?" Marina perguntou fechando o zíper até o queixo.
Clara riu colocando sua arma no ombro ao soar o primeiro alarme.
"HORA DO SHOW” Gritou Guilherme. “Vamos lá time”
Vinte minutos se passaram e o grupo de Clara ainda estava marchando pelo mato, escondendo-se e se movendo lentamente ao longo do curso. Nenhum dos quatro havia sido baleado ainda.
"Estou ouvindo alguém” Sussurrou Clara, ajoelhando-se atrás de um grande painel de madeira que protegia ela o grupo.
Ela levantou a cabeça e espiou por cima da madeira. Estava com a arma nas mãos e o dedo no gatilho. Fechou os olhos e prendeu a respiração quando percebeu que os passos se aproximavam.
"Quem quer que seja, acho que está sozinho” Sussurrou Guilherme.
“Ou então pode ser uma armadilha, para nos fazer prestar atenção numa só pessoa. Quero que vocês me deem cobertura” . Clara colocou mais pressão sob o gatilho, um de seus olhos estava fechado e o outro mirando com a arma para uma clareira entre as árvores, de onde as pegadas estavam vindo. Uma sombra se formou sobre as folhas que cobriam o chão e a pessoa lentamente ia chegando ao campo de visão deles.
Clara estava pronta para atirar quando viu o flash de uma morena familiar. Ela rapidamente levantou a arma.
"PORRA!" gritou Clara, levantando-se e voando para o outro lado da madeira. “O que é que você está fazendo sozinha, sua imbecil?”
Marina apontou para mancha azul de tinta em seu peito “Eu levei um tiro. Tive que ficar 10 minutos naquela porcaria de zona dos mortos e ainda não consegui achar a Vanessa e a Flavinha”.
"Da pra tomar mais cuidado? Eu quase atirei em você” Esbravejou Clara.
"Errrm Clara?" Guilherme cutucou ela nas costas. “Nós ainda estamos jogando aqui”.
Clara rapidamente se lembrou de onde estava e agarrou o braço de Marina, levando-a para parte de trás da barreira.
Marina arrancou o braço do aperto de Clara e olhou feio para ela “Você tem que ficar encostando em mim?”
Clara ignorou o comentário. Ela esfregava a testa enquanto pensava no que fazer. “Mudança de planos... Eu vou levar a rainha do drama de volta pro grupo dela. Bia, deixa o seu walkie talkie ligado que assim que nós as acharmos, eu falo com você para ver onde nosso grupo está para eu voltar, ok?"
“ Tem certeza Clarinha?” Corina perguntou levantando uma das sobrancelhas. “Você vai fica sozinha por um tempo”
Clara sorriu. “Eu sou a versão feminina do Rambo, lembra?”
"Que merda”. Marina resmungou.
“Cala a boca”. Clara se levantou e olhou por cima da barreira, checando todos os lados antes de se virar para Marina. “Acho bom você me ouvir Meirelles. Fique do meu lado, não faça barulho e mantenha seus olhos e ouvidos bem abertos. Ah, e faça exatamente o que eu te disser”.
“Você está começando a me assustar, Fernandes. Vamos fazer isso logo”.
Clara olhou para o resto de seu grupo. “Vejo vocês logos. Fiquem de olho no walkie talkie”.
O grupo afirmou e desejou boa sorte a ela. Clara deu uma última olhadinha na área e saiu, fazendo um sinal para que Marina a seguisse.
Alguns minutos se passaram e as garotas continuaram em silencio, andando com cuidado enquanto Clara olhava para todos os lados para ter certeza que não tinha ninguém por perto.
Clara parou de repente, pegando Marina de surpresa. Ela continuou andando até esbarrar nas costas da outra.
Clara virou e a encarou “Da pra você olhar por onde anda?”
Marina revirou os olhos enquanto Clara se virava novamente, continuando parada enquanto olhava de um lado para o outro.
"Você ouviu isso?” Clara sussurrou levantando seus óculos escuros para que pudesse ver melhor.
"Você gritando comigo? Sim, como eu poderia não ouvir” Murmurou fazendo com que a outra a olhasse feio novamente.
A morena aguçou os ouvidos ao ouvir o farfalhar das folhas. Agarrou Marina pelo braço e sussurrou “se abaixa”.
Marina não pode evitar o sentimento de emoção que tomou conta dela ao pensar no que fariam no jogo. Ela não pode deixar de sorrir quando foi arrastada para um dos abrigos que haviam sido espalhados por toda área.
“Fica abaixada e me de cobertura” Sussurrou Clara preparando sua arma.
“O que?” Marina perguntou no mesmo tom.
Clara se virou e franziu a testa para ela, que nunca tinha parecido tão confusa em sua vida. “Apenas se certifique de que ninguém vai atirar em mim”
"Ah, certo, por que você não disse isso antes?” Protestou Marina falando um pouco mais alto que o normal.
O coração de Clara começou a bater mais rápido quando ela ouviu os passos lentos se transformarem numa corrida. As pessoas apareceram e ela pressionou o dedo no gatilho, disparando vários tiros. Vários deles atingiram o alvo e os membros da equipe adversária fizeram uma careta, perambulando para a zona dos mortos.
Um sorriso maroto se formou no rosto de Clara enquanto ela os observava sair. Abaixou a arma e descansou as costas numa árvore. “Peguei eles”.
“Eu acho que não” Marina falou arregalando os olhos enquanto olhava para o lugar de onde os adversários haviam surgido.
Uma pessoa apareceu e Clara se atrapalhou para pegar sua arma. Ela viu a pessoa mirar nela. O que aconteceu em seguida a chocou. Marina havia fechado os olhos e deu um gritinho assim que começou a atirar continuamente em direção ao adversário.
O queixo de Clara caiu. Assim que Marina abriu os olhos, elas se encararam e em seguida olharam para o garoto que agora estava coberto de tinta.
"Belo tiro” Ele sorriu e piscou para ela antes de se virar e ir embora.
O rosto de Marina eclodiu em um sorriso enquanto sua respiração voltava ao normal. Ela olhou para Clara, que ainda estava chocada. Marina deu um tapinha no braço da outra menina e seu sorriso ficou ainda maior. “Você viu aquilo Fernandes? Eu acabei com ele!”
A boca de Clara estava seca, devido ao tempo em que ela ficou aberta por causa do choque. Ela sacudiu rapidamente a cabeça para tentar concentrar-se novamente. “Mandou bem, branquela”. Deu então um tapinha de parabéns no braço de Marina.
“E você pensando que eu seria um fardo”
Clara riu. “bom, mas vamos combinar que o gritinho foi desnecessário”.
"A situação era assustadora” Protestou Marina sem conseguir segurar a risada também.
"Certo ..."Começou Clara olhando a sua volta. “Já que seu grito provavelmente entregou nossa posição, acho melhor a gente continuar andando”.
As duas meninas se levantaram e Clara ficou na frente novamente. Sua arma estava em mãos enquanto ela olhava cuidadosamente a área ao seu redor.
Marina caminhava de costas para Clara, dando passos hesitantes para trás, com a arma levantada de forma semelhante à da outra.
Clara olhou para trás e ao ver a posição da estudante de fotografia, sorriu. "Você é estranhamente boa nisso, sabia?"
Marina riu. “Talvez eu esteja aprendendo com você”
“Sabe o que eu acho estranho?” Sussurrou Clara, caminhando em direção às árvores.
“O que?” Perguntou Marina com suas costas pressionadas contra as de Clara.
“Nós nos odiamos, mas quando temos que fazer algo juntas, acaba dando certo”.
Marina riu. “Você se lembra daquela apresentação de inglês que tivemos que fazer nó último ano do ensino médio?”
"Como eu poderia esquecer? Clara também riu. “Nós quase nos matamos”.
Marina segurou os braços de Clara, fazendo com que ela parasse de andar. “Escuta”.
Clara prestou atenção e ouviu o som de vozes abafadas, assim como passos no chão. Ela fez um sinal com a cabeça para que se escondessem atrás de uma árvore. Ela guiou Marina, fazendo com que ela ficasse com as costas apoiadas numa árvore e se posicionou na frente da garota, olhando por cima de seu ombro para ver se havia alguém vindo.
"Só me de co...”
"Cobertura eu sei." Marina a interrompeu..
Clara olhou rapidamente para ela e sorriu antes de voltar a atenção para os adversários. "Tem muitos deles aqui” Cochichou . “A gente tomaria um tiro em segundos”.
Marina ia se virar para espiar, mas foi impedida por Clara que pressionou a mão contra o ombro dela, fazendo com que ela ficasse no lugar. “Fica aí se não eles vão nos ver. Acho que eles sabem que só estamos em duas. E... eles estão em sete”.
"O que devemos fazer?” Sussurrou Marina, com medo até de respirar ao ouvir as vozes se aproximarem.
Clara espiou mais uma vez e olhou sorrindo para ela “Nos esconder e rezar para que eles não nos vejam”.
Apesar do conselho de Clara, Marina virou a cabeça e olhou sobre a árvore que estava apoiada. Percebeu que eles se aproximavam. “Sabe... acho que poderíamos pegá-los”.
Clara soltou uma risada baixa. “Está querendo entrar para o time feminino do Rambo?”.
"Não sei Fernandes" . Marina estendeu a mão e tocou gentilmente na bandana que estava amarrada ao redor da cabeça de Clara. “Acho que não posso competir com esses acessórios”.
Clara sorriu "Eu não ia dizer nada porque isso me divertiu, mas ...", ela estendeu a mão e esfregou o rosto de Marina com a almofada do polegar, a morena olhando para ela com cuidado sem saber o que Clara estava fazendo. Retirou a mão e mostrou seu dedo para Marina. “Essa sujeira toda no seu rosto com certeza te coloca no time”.
Marina esfregou seu rosto com força. “Eu tava com lama na cara esse tempo todo?”
"Sinto lhe informar, mas seu rostinho perfeito não estava tão perfeito assim hoje branquela”. Clara se divertia enquanto via a morena esfregar ainda mais o rosto e então voltou a prestar atenção no time adversário. Seus olhos se arregalaram quando ela percebeu que eles estavam apenas a alguns metros de distancia.
"Merda." Ela murmurou e pegou Marina pelo ombro, fazendo com que elas se escondessem melhor atrás da árvore.
"Eu tenho certeza que ouvi alguém”. Afirmou um dos meninos do outro grupo.
Clara pressionou seu corpo contra o de Marina, suas bochechas se tocando gentilmente enquanto tentavam se esconder. Ela podia sentir seu coração disparado e segurava a respiração enquanto as pessoas do outro grupo chegavam a conclusão de que eles devem ter ouvido errado e começaram a se afastar.
Clara se afastou um pouco do corpo da outra, olhando em seus olhos. Marina abriu a boca para falar alguma coisa, mas Clara rapidamente colocou as mãos sobre os lábios dela. Ela espiou mais uma vez sobre a árvore e viu que o time adversário estava indo embora de costas para elas.
As duas respiraram aliviadas enquanto ouviam os passos cada vez mais longe. Clara finalmente se afastou de Marina.
“Essa foi por pouco”. Afirmou a morena enquanto ela via os meninos desaparecerem.
"É ..." Suspirou Marina, ainda desconcertada por causa da proximidade que havia compartilhado com Clara. “E você com certeza se aproveitou da situação
Clara olhou incrédula para ela. “O que é que você quer dizer com isso?”
“Quero dizer que eu queria atirar neles, mas você preferiu ficar toda encostada em mim atrás de uma árvore”. Marina falou levantando as sobrancelhas para ela.
“Uau ... É sério isso? " Clara apoiou a arma em seu ombro e olhou para Marina com descrença. “Nos demos bem pelos últimos trinta minutos e agora você me vem com essa merda?”
"O que? Eu só estava dizendo”. Reclamou Marina, desviando desconfortavelmente seu olhar quando ela percebeu a raiva vinda da garota à sua frente.
Clara revirou os olhos. “Esse é o seu problema. Você só ‘diz as coisas’, sem se preocupar em como os outros vão se sentir”.
"ah, aqui vamos nós de novo. Marina, a garota sem coração e Clara a vítima”. Marina falou secamente olhando para a outra.
"Vai se ferrar! Eu me ofereci para te levar de volta para as suas amigas ao invés de me divertir com os MEUS amigos. Você realmente acha que eu preferia estar aqui com você?” Clara gritou.
Marina sorriu “provavelmente”
"Ah, certo sim, eu me esqueci do meu eterno desejo por você." As palavras de Clara saíram cheias de sarcasmo.
“Eu não te pedi ajuda Fernandes, você se ofereceu”
“Porque eu queria ganhar!" Gritou Clara “E isso não ia acontecer com você correndo que nem um frango, sozinha por aí”.
“E você acha que vai ganhar assim? Nós duas paradas discutindo aqui” Marina gritou de vota. “Você devia ter me deixado lá para levar um tiro mesmo”.
“Talvez eu devesse mesmo”
"Pelo menos na zona dos mortos eu não ia ter que me defender dos seus avanços lésbicos” Murmurou Marina.
Clara pegou sua arma do ombro e lançou um olhar frio para a estudante de fotografia. Puxou o gatilho e sorriu ao ver a bola de tinta colidindo no peito de Marina. “Cai fora, vai pra lá então”.
Marina ficou de boca aberta enquanto encarava a mancha rosa em seu macacão. Olhou então para Clara. “Eu não acredito que você fez isso! Eu sou do seu time”.
"É, mas as vezes você tem que matar uma pessoa para salvar outra” Disse colocando sua arma novamente em seu ombro. “Se eu não te matasse, eu ia acabar colocando uma arma de verdade na minha cabeça”.
Marina apontou sua arma para Clara e ia puxar o gatilho. Mas ela foi devagar demais e a morena segurou o cano da arma, apontando-a para cima. “Nem pense em fazer isso garota”
Marina sorriu quando viu o fogo nos olhos de Clara, um sinal de que ela estava brava.
“Você tem algum tipo de alarme na sua cabeça que dispara toda vez que você é gentil com alguém por muito tempo?” Clara perguntou ironicamente. “Você não consegue deixar essa merda de lado nem por um único dia, e perceber que eu só estava tentando te ajudar?”
Marina tentou tirar sua arma do aperto de Clara, mas não conseguiu. A morena segurou ainda mais forte. As meninas se olharam nos olhos e Marina tentava desesperadamente olhar para baixo, mas não conseguiu ao ver o olhar intenso de Clara.
"Sabe o que eu acho uma pena?" perguntou Clara, ainda segurando firmemente a arma de Marina.
"O que?" Marina gritou impacientemente.
“Eu consigo ver que você poderia ser uma pessoa legal se parasse de agir assim”. Declarou Clara, vendo a raiva no rosto de Marina desaparecer. “Eu vejo que você quer parar de ser essa vadia e que quer que as pessoas te vejam como você realmente é. Mas você tem medo”
Marina balançou a cabeça e olhou para baixo “Você não sabe nada sobre mim”.
“Eu sei o suficiente. Você mesma me disse que age como alguém que você não é. Eu vejo faíscas de quem você realmente é e você poderia ser uma pessoa maravilhosa se quisesse”.
"Você não tem ideia do tipo de pessoa que eu sou”. Disparou Marina pegando Clara fora de guarda e conseguindo pegar sua arma das mãos dela. “Me deixa sozinha”.
Marina se virou de costas para Clara, pronta para ir embora, mas foi impedida quando sentiu alguém segurar seu braço e a virar novamente. As duas meninas congelaram quando seus olhares se encontraram e elas se encaravam intensamente. O peito delas descia e subia mais rápido que o usual por causa da respiração acelerada.
Clara respirou profundamente. “Mas você sabe o que é o pior? Num universo paralelo existe outra Clara e Marina. Só que elas agem como elas mesmas e não humilham uma a outra em cada oportunidade. E se nos fossemos elas... provavelmente nós seríamos boas amigas”.
Marina ficou surpresa, pega de surpresa pelas palavras de Clara. Rapidamente ela balançou a cabeça e voltou para a realidade. É... mas nós não somos elas”.
"É, parece que não”. Afirmou Clara, soltando o braço da outra enquanto elas ainda se olhavam.
Marina acabou desviando o olhar, olhando para o chão e depois para as árvores atrás de Clara. “hmm, eu acho melhor eu ir indo.. você sabe” Apontou para a mancha rosa em seu peito. “para a zona dos mortos”.
Clara balançou a cabeça positivamente “provavelmente é o melhor... eu vou voltar para o meu grupo”.
Marina apertou os lábios, hesitando sem saber se ela deveria dizer algo a mais antes de ir embora. Decidiu que era melhor não e deu um último sorriso antes de se virar e ir embora.
Clara ficou parada, sem saber o que fazer por um momento enquanto via Marina sumir. Quando a perdeu de vista, pegou seu walkie talkie e mandou uma mensagem para Bia.
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