Já não sentia dor nenhuma, mas mesmo assim me sentia estranha. Aquele cara apenas tirou sarro de mim e me abusou antes de eu morrer. Sim, eu com certeza estava morta, mas era estranho... Eu estava deitada em um lugar macio e havia uma mão suave acariciando a minha. Meus olhos se abriram lentamente e encontraram olhos de cor vermelha. Aquele mesmo homem que havia prometido me salvar estava olhando para mim. Mais lindo do que eu me lembrava e vestindo roupas mais informais. Pisquei duas vezes e continuei a encará-lo em silencio.

“Vejo que você finalmente despertou... Fico contente. Agora por que você não me diz seu nome?” – ele me pergunta com aquela sua voz doce.

“Minamoto Rin” – eu disse meio que automaticamente. Estava confusa...

“Espero que você não tenha se esquecido de sua promessa” – ele fala com falso alarde na voz.

“Você quer dizer que eu sou realmente vampira agora?” – olho para ele com incredulidade.

“Você duvida? De que outra forma você estaria viva?” – ele ergue uma sobrancelha.

“Isso é impossível!”

“Não, não é.” – ele levantou um espelho e mostrou para mim. Meu rosto estava igual à antes, mas diferente. Olhos de um vermelho escuro como os dele me encaravam. Minha boca se abriu de espanto e vi que onde antes havia apenas meus dentes normais, tinha dentes brancos com presas grandes e afiadas.

“Você não mudou muito, mas acho que da para perceber. Você não é mais a mesma de antes.” – ele disse com gentileza.

Fiquei um tempo parada relembrando e pensando. Ele era mesmo um vampiro. Eu era uma vampira. Que coisa surreal! E agora... Eu deveria me tornar amante dele... Eu corei ao pensar nisso.

“Não pretende faltar com sua palavra, pretende Rin?”– Nossa já está me chamando pelo primeiro nome? Bem, isso não era nada se comparado com o que viria depois. Amante. Onde eu estava com a cabeça quando aceitei esse maldito trato? A vida e a eternidade em troca de mim mesma... Ele estava me olhando curioso.

“É claro que não! Eu não sou do tipo de pessoa que não cumpre com a palavra.” – eu disse um pouco brava. Não tinha escolha. Era o combinado... Ele chegou bem perto de mim e colocou sua mão em meu rosto, deixando seu rosto a centímetros do meu. Senti meu rosto corando mais ainda.

“Está arrependida?” – ele perguntou e eu senti seu hálito quente em minha boca.

“Eu não sei” – disse sinceramente.

“Espero que não” – ele encostou seus lábios nos meus delicadamente. Não faço ideia do que senti no momento. Talvez uma mistura de felicidade, prazer, incredulidade e vergonha. Ele passou de um simples beijo de lábios para algo muito mais profundo tão rápido que me deixou tonta. Foi o beijo mais longo que eu já tinha visto. (sim, visto já que nunca havia tido um namorado nem nada parecido). Senti sua língua na minha boca, e seus lábios suaves e deliciosos nos meus. Ele me soltou devagar e pelo que parecia contra sua vontade, me beijando o queixo antes de me soltar completamente. Eu fiquei perplexa e sem saber o que fazer.

“Beba do meu sangue” – ele me tira de meus devaneios.

“O... Que?”

“Você acabou de acordar para o mundo da noite. Precisa beber sangue... A sede deve estar te incomodando.” – explicou ele.

Havia mesmo algo me incomodando, mas não entendia bem o que era. Era como a necessidade de algo...

Eu fiquei olhando para ele sem saber o que fazer. Ele delicada e pacientemente pegou meu rosto com uma mão e minha cintura com a outra e me trouxe para bem perto dele deixando meu rosto perto de seu pescoço. Ele cheirava tão bem...

“Vá em frente.” – ele sussurra em meu ouvido.

Acho que fiz meio que por instinto. Abri minha boca e cravei minhas recém-adquiridas presas em seu pescoço. Senti seu sangue quente em minha boca. Tinha um gosto maravilhoso. Bebi dele até aquela estranha sensação de necessidade desaparecer e então me afastei dele e abaixei minha cabeça.

“Me desculpe.” – eu digo sem olhar para ele. Ele levantou meu rosto com sua mão e limpou um pouco de sangue que havia em meus lábios com sua língua.

“Você já não é mais submissa a mim.” – ele olha em meus olhos. – “no momento em que meu sangue toca seus lábios eu não sou mais seu mestre.”

“Então por que você fez isso?” – eu pergunto atônita.

“Eu não quero que você seja minha serva. Quero que você pense por si própria. Eu disse, quero que você seja minha... Mas não tem graça se você ficar comigo por que não tem opção ou contra vontade. Mas por enquanto ainda temos a promessa que você me fez...”

Eu fiquei olhando para ele sem entender direito.

“Eu observava você.” – ele diz de repente. – “te vi a primeira vez por acaso, e depois não pude mais deixar de te ver. Eu me apaixonei por você”

“Por quê?...” – como um vampiro poderia simplesmente ter se apaixonado por uma humana... E, além disso, eu a pessoa que ninguém se lembrava e muito menos amava.

“Você é tão triste e sozinha quanto eu.” – ele disse com ar tristonho. – “mas eu quero te fazer feliz.”

Eu olhei para ele curiosa.

“Eu ficaria triste se eu fracassasse.” – ele continuou.

“Você terá problemas com isso. Eu não sou a pessoa mais fácil de fazer feliz.” – eu disse a ele.

“Isso não importa, eu vou tentar mesmo assim.” – ele disse e depois beijou o lado de minha boca. – “Mas nosso trato continua.” – ele sorri e me beija longamente como antes. Eu fiquei meio que fora de orbita quando seus lábios encontraram os meus.

“Eu também quero me fazer feliz. Por isso você vai ser minha amante”. – ele sorri marotamente. – “você precisa descansar, já é muito cedo.” – ele sorriu. – “talvez demore um pouco, mas você se acostuma com sua nova condição. Se você precisar de mim, estou no quarto ao lado. Durma bem, Rin.”

Ele me beijou novamente, se levantou e começo a sair. Escutá-lo dizer meu nome me lembrou de algo.

“Mas qual é seu nome?” – perguntei meio confusa.

“Isso não é importante, não precisa se preocupar.” – disse ele rindo, depois me jogou um beijo e saiu da sala fechando a porta.

Fiquei um tempo olhando a porta fechada com minha cabeça girando. Tudo era tão irreal... Eu olhei pelo quarto e vi que era um lugar luxuoso. A cama onde eu estava deitada era grande com lençóis brancos. Eu estava realmente sonolenta e confusa quando eu vi por uma brecha da cortina um pouco de sol entrar. Eu me deitei na cama e me cobri com o macio edredom branco, não entendendo nada.

Mas havia algo que eu tinha certeza. De quanto, apesar de tudo, eu gostei dos beijos dele e de que ninguém vai perceber que eu supostamente morri.

Com esse sentimento cômico eu peguei no sono.