My Sugar Daddy

14 Click. Click. Olha o paparazzi!


Depois daquela noite, algumas semanas haviam se passado e novamente o Cristian ficou "desaparecido" sem entrar em contato comigo. Não só ele, mas Otaviano também se mantinha em silêncio. "Tudo bem... eles estão muito ocupados com a nova novela e o Cris deve estar muito cansado".

Oliver marcou novamente de ir ao cinema comigo, só que desta vez num dia de domingo.

Na manhã da data marcada, algo estranho começou a acontecer comigo. Acordei com o estômago revirando e corri para o banheiro vomitar. Vomitei a manhã toda e me sentia péssima. Achei conveniente ligar para Oliver e dizer como me sentia, e ele no mesmo instante se prontificou em me levar ao hospital.

Chegamos no Pronto-Socorro e esperei algum tempo até que o médico fizesse todos os exames e me administrasse algum medicamento para combater a minha virose — porque era isso que eu tinha, com certeza — porém, no lugar do remédio o doutor apertou a minha mão, sorriu para Oliver e disse:

— Parabéns. Agora é só esperar o tempo de saber o sexo.

Sexo? Parabéns? Do que ele estava falando? Abri o exame e deparei-me com o resultado que iria mudar toda a minha vida: Eu estava grávida.

Oliver ficou sem reação tanto quanto eu. Automaticamente caminhamos até o carro para ir embora e antes de sairmos eu percebi alguns flashes ofuscarem a minha visão. Não deu outra, no dia seguinte uma matéria sensacionalista saiu num dos principais jornais do país dizendo o seguinte:

Flagra!

*Namorada misteriosa do ator Cristian Bee, protagonista da nova novela, foi clicada saindo de um hospital com um segurança ao seu lado. Qual será o resultado do exame que ela segurava? Gravidez ou doença terminal?

Eu realmente não sabia do que fazer. Fiquei ligando para o Cristian durante três dias, mas foi em vão, ele não atendia o celular. Outra opção foi tentar entrar em contato com Otaviano, que depois de muito tempo ligando e mandando mensagens, ele foi até o Panini ver o que eu queria falar pessoalmente com ele.

Não sei o que foi mais difícil: saber sobre o bebê — não planejado — ou conhecer o lado frio que Otaviano possuía. Eu com a minha inocência contei para Otaviano tudo o que havia acontecido entre eu e Cristian naquela noite e de como descobri que estava grávida. Ele por sua vez não demonstrou nenhuma sensibilidade e me ofereceu duas opções: esperar a criança nascer e pedir o dna (para depois pedir uma pensão judicialmente), ou abortar. Pois é, simples assim. Abortar.

Foi naquele momento que me dei conta da teia de aranha da qual eu tinha me enfiado. Cristian só quis se aproveitar de mim, e assim que ele havia conseguido, tomou um belo chá de sumiço me deixando sozinha com as consequências. Otaviano era seu subordinado e obviamente ele não ficaria ao meu favor.

O nervosismo e o arrependimento inundaram meu peito e eu explodi num choro extremamente doloroso. Oliver veio correndo até onde estávamos e segurou Otaviano pelo braço e esbravejou:

— Chega. Chega de usar a Anna Letícia para fazer as maldades de vocês. Saia agora do meu estabelecimento ou não respondo por mim.

Otaviano saiu correndo. Foi a última vez que eu vi ele.

Oliver me envolveu num abraço quente e depois, enquanto secava as minhas lágrimas, me disse:

— Esqueça essas pessoas. Esqueça como as coisas aconteceram. Fica comigo Anna Lê, eu te amo. Eu sempre te amei. Você era a pessoa menos aprovada para ter esse emprego, mas eu te contratei porque foi amor a primeira vista. Por favor Anna Letícia, fica comigo, porque eu sempre estive aqui para você, só você não percebeu.

— Como assim você me ama? Eu tenho um bebê do Cristian dentro de mim. Você não deveria me amar...

— Presta atenção Anna Letícia! Esse cara não vai assumir essa criança. Cristian Bee não vale a água que bebe.

"Eu quero esse filho. Quero ser o pai dessa criança. Eu amo você. Vem embora para a Itália comigo e vamos ser felizes, nós três."