My Stupid Lucky
1 O dia que minha sorte virou as costas pra mim
Notas iniciais
~ Kibum's POV ~
— "Minho! Não. É. Justo." eu praticamente berrei no telefone.
Minho é meu único e melhor amigo da escola. Não que as pessoas não gostem de mim, na verdade elas me amam. É que o Minho é o único que tem classe suficiente pra andar comigo...
Tá! Ninguém, além dele, gosta de mim naquela merda de escola. Só porque eu sou rico, lindo, sempre na moda e muito espontâneo.
Yah! Não me olhe com essa cara, não. Se não me agrada, digo mesmo na cara. Não sou de levar desaforo pra casa também.
— "Kibum, poxa seu pai está pedindo ... E sua tia sente sua falta, pelo que você me falou", ele disse, com um surdo suspiro.
— "Key!", eu respondi com firmeza.
— "O quê?", ele perguntou, um pouco confuso.
— "Já mandei me chamar de Key, Minho. Você é meu melhor amigo, o único que pode abusar desse apelido", eu respondi, nada surpreso com sua lerdeza.
Choi Minho, the 'Flaming Charisma' da nossa escola. Tem 17 anos, alto (coisa de 1,81cm por aí) e estrela dos times de basquete e futebol. Ganhou esse apelido por ser um dos meninos mais gentis da escola inteira, além de seu belo físico, um par de olhos castanho escuro (que lembram um keroro) e uma boca carnuda, desejada por metade, se não todas, as garotas da escola. Seu cabelo é um pouco comprido, mas não grande coisa. É bastante inteligente e talentoso. Quase perfeito, apenas por um detalhe que o separa da tão grandiosa perfeição: é lerdo.
— "Tá, que seja. Mas não é o fim do mundo passar três meses no interior. Veja pelo lado bom, será como férias em um Spa, Key. Pare de fazer drama e me deixe voltar ao treino, está bem?!"
Quem dera estivesse frente a frente com ele agora. Eu ia esbofetiar seu perfeito rosto. Que absurdo dizer que faço drama, oras ... *pouts*
— "Maaaaaas ... Hyuuuung~" eu choraminguei ao telefone. É, eu faço drama, mas bem que ele poderia vir comigo, assim não me sentiria sozinho.
— " *sigh* Key ... Apenas aproveite, está bem?! Eu preciso ir agora. Até mais!" e assim, ele desligou, me deixando sozinho. Vou falar que tive vontade de chorar, morrer e matar alguém. Eu realmente estava sozinho agora.
~*
Depois de ter arrumado minhas malas, e estas, já estarem no carro, meu pai veio me dar um abraço e me desejar boa sorte ... Eeh? Sorte? Talevez eu precise de muita agora.
Antes de sair, passei na pequena capelinha que se encontrava na sala de estar, feita para minha mãe e minha adorada avó. Elas foram as mulheres mais importantes na minha vida e, infelizmente, foram tiradas de mim cedo.
Eu ainda tinha 8 anos quando minha vó faleceu, e me lembro bem que foi terrível tanto pra minha mãe quanto pra mim. Ela era uma senhora de idade, tinha um ótimo coração, e sempre cuidou de mim com muito amor. Pra minha infelicidade, ela ficou doente cuidando de mim, já que meu pai estava ocupado trabalhando e minha mãe preparando um desfile fino em Tokyo. Eu a amava muito, minha doce e sincera avó.
Minha mãe e eu ficamos muito abalados, e ela nunca superou a morte da mãe. Ela parou de trabalhar pra cuidar de mim, mas quando eu fiz 12 anos, ela faleceu, em um acidente de carro. Não foi culpa dela, apenas do motorista do outro veículo que estava alcoolizado e não prestou atenção em nada. O homem foi levado pela polícia e foi preso, por infrigir a Lei.
Eu realmente sinto muita falta delas. Mas sei que elas estão cuidando de mim, de um lugar mais bonito que aqui. E eu ainda tenho esse presente maravilhoso, deixado pela minha avó. É um cordãozinho com três estrelas, uma grande aberta e duas pequenas com dois pequenos cristais nelas, e um coraçãozinho de ouro. Eu nunca tirei essa pulseira por 9 anos. E também não pretendo tirar.
Eu me ajoelhei em frente à foto delas, e acendi um incenso. Após me posicionar direito, grudei as palmas de minhas mãos e as posicionei abaixo do meu queixo, fechando meus olhos, e rezando por elas. Depois de 5 minutos, terminei minha oração, dei um beijo em cada foto, e sai, indo em direção ao carro que me esperava pra me levar para o 'Inferno'.
~*
Após terríveis 4 horas e meia de viagem, chegamos ao 'Inferno'.
Os portões eram de madeira, mas estavam bem pintados de um verde médio, coisa de folha de árvore, ou sei lá eu. A grama estava bem aparada e era incivelmente convidativa pra um piquenique. Ao longo de uma estradinha de terra, havia uma casa. Bem, uma enorme casa. E pra um lugar no interior, isso aqui ta bem modernizado, pois tinha um interfone conectado ao muro.
Tomei um longo suspiro, e andei até o interfone, apertando o pequeno botão cinza e esperei. Após alguns segundos, uma voz no fundo perguntou:
— "Quem é?" uma voz feminina do outro lado me perguntou.
— "Hã, sou eu, Kibum ... Pode vir abrir o portão pra mim, por favor?" eu respondi, sendo bastante educado, ou pelo menos tentando ser.
— "Oh, Kibum ... Meu Deus, você já chegou! Achei que não viria ... Por favor, espere um segundo que mandarei seu tio ir até aí pegar você" ela respondeu, alegria sendo transmitida por sua voz. Acho que era a minha 'tia'.
Ah, é, não expliquei esse negócio de 'tia'. Kim SunHee é prima da minha falecida mãe. Apesar de serem primas, elas eram muito próximas, quase irmãs. Por isso a considero minha 'tia', mesmo sendo uma parente de sangue distante. Ela é casada com Kim DaeHyun, meu então 'tio'. Eles são pessoas gentis, caridosas, e bastante acolhedoras. Apesar de eu não saber disso, porque foi meu pai quem falou ... Oh, sim! Eles também tem um filho, um menino da minha idade ... Como era mesmo o nome dele? Ah, sim, Kim Jonghyun. Era esse o nome. Se bem que, eu nunca vi esse menino na minha vida. Bem, se ele mora no meio do nada, deve ser feio, sujo e fedorento.
Um senhor chamando por meu nome, me cortou de meus pensamentos e eu virei, para olhá-lo.
— " Kibum, nossa! Como você cresceu ... Vem cá dar um abraço em seu tio, moleque" ele disse abrindo os braços em minha direção ... E-espera aí, ele me chamou de 'moleque' ?
— "O-olá Sr. Daehyun, quanto tempo, não?" eu disse, nervoso, ao andar até ele e ser tomado em um abraço apertado. Após me soltar, ele me olhou dos pés à cabeça e sorriu.
— "Você está bonito, menino. E esse cabelo? Muito 'chicoso', não?" ele disse sorrindo ainda mais. E-espera aí de novo, ele disse 'chicoso'? Mas que diabo de palavra é essa? Eu devolvi o sorriso e começamos a caminhar em direção a casa.
O Chauffer vinha logo atrás da gente, carregando minhas malas. Durante o caminho, reparei que havia muitas árvores no lugar, havia alguns galpões, que imagino serem pra 'guardar' os animais.
Quando chegamos a casa, minha tia veio correndo me dar um mega abraço, que quase tirou a vida de mim. Quando me soltou, ela sorriu ternamente, e parecia que estava prestes a chorar. Mas ... Porque?
— "Você é tão parecido com sua mãe, Kibum! Sinto muita falta dela ..." ela parou, pra enxúgar uma lágrima e continuou a me analizar.
— "Você está tão grande, e saudável ... Eu achei que não viria, por aqui não ter nada do que gosta. Mas espero que aproveite muito esses meses aqui conosco." ela disse, sorrindo mais abertamente e mostrando as perfeitas pérolas que eram seus dentes. Eu sorri de volta.
Eles realmente eram como meu pai disse que seriam. Gentis, caridosos e acolhedores. Acho que até posso começar a gostar daqui ... Isso, até eu ver um vulto vindo de dentro da casa, e parando no começo das escadas da porta da frente. Ele me olhou atentamente, apertando os olhos um pouquinho, me examinando melhor. Eu o olhei atentamente também, e sério, não gostei do que vi.
Um macacão sujo de terra, preso apenas do lado esquerdo e uma camisa xadrez cinza, calçando um all star preto. Seus olhos eram amendoados, castanho escuro, mais escuro que os do Minho, talvez, lábios rosados e cheios, bochechas bem definidas e um nariz que lembrava um dinossauro. Ele parecia um predador. Seu cabelo era castanho, e estava bagunçado, mas era bastante brilhoso. Tudo nele me chamava a atenção e me dava náuseas. Porque?
— "Você é Kim Kibum!" ele disse.
Meu Deus, que voz é essa?
~~*
Fale com o autor