My Son, My Secret
42 Capítulo 42
Notas iniciais
POV Snape
Eu não conseguia me concentrar em mais nada, somente as palavras “filha” e “sequestrada” ficavam girando em minha mente, me cegando por completo.
Minha filha foi sequestrada... Espere um momento, MINHA FILHA FOI SEQUESTRADA!?
– Dê-me este maldito papel! — rosnei para Hermione, que parecia muito nervosa e assustada ao me entregar o papel.
Peguei o papel que estava um tanto amassado e desamassando-o, pude ler as palavras ali escritas.
Se quiserem ter sua princesinha de volta, venham à clareira da Floresta do Deão hoje às oito da noite. Apenas vocês dois, Snape traidor e Granger gostosa.
Se eu notar que há a presença de mais alguém, vocês nunca mais verão sua amada filhinha.
Até breve!
Bufei de raiva. Era obviamente uma armadilha feita por algum Comensal que não havia sido preso e que queria se vingar de mim, mas eu não conseguia me lembrar de ninguém no momento.
Segurei a mão de Hermione e comecei a arrastá-la na direção das masmorras para podermos nos preparar para resgatar nossa filha, pois ainda eram três e meia da tarde e eu queria poder fazer tudo o que estivesse a meu alcance para salvar Alice.
– Severus, não... Solte-me, preciso pegar Benjy e... — Hermione tentava protestar, mas eu continuei a arrastá-la
– Mulher, não há tempo para isso, deixe o menino com Ginevra e vamos nos preparar para resgatar nossa filha.
Foi ai que eu me dei conta das minhas palavras, eu ia deixar o meu filho nas mãos da mulher que deveria ter sido responsável pela menina, na hora larguei a mão da Castanha e voltei para onde todos me encaravam espantados, peguei Benjy dos braços deGinevra, e voltei a arrastar Hermione para dentro do castelo, ou mais precisamente para dentro das masmorras. Assim que entrei na minha sala, coloquei a Castanha sentada em uma cadeira, para logo em seguida colocar o menino em seu colo e comecei a separar as poções que eu achei que seriam necessárias, junto com alguns ingredientes que seriam necessárias para outras que eu iria preparar e levar.
POV Hermione
Assim que chegamos às masmorras e Severus colocou Benjy no meu colo enquanto andava de um lado pra o outro, resmungando por debaixo da respiração para cada poção ou ingrediente que pegava, falando consigo mesmo.
Logo Benjy começou a chorar, desesperado por causa da irmã, logo após ter perguntado várias vezes por ela e ninguém ter respondido.
Como eu iria explicar para uma criança que sua irmã tinha desaparecido e eu não fazia a menor ideia de como ela estava, e quando iria voltar para casa?Por que de uma coisa eu tinha certeza, eu iria recuperar a minha filha, não importa o que viesse a acontecer, eu iria tê-la em meus braços e ao lado de seu irmão gêmeo novamente.
Quando dei por mim, eu mesma estava chorando junto com Benjy e Severus ainda enchia a mesa com ingredientes e poções. Eu não aguentava mais ver meu filho chorar e eu mesma tinha que me acalmar e começar a ajudar Severus, então eu fiz algo que deveria ter feito a muito tempo, pedi a ajuda dele.
–Snape... — ele nem olhou para mim, tentei novamente sem utilizar tanta formalidade. – Severus... – nada ainda, e foi ai que fiquei irritada. O mundo podia estar acabando ao seu redor por causa do nosso filho que chorava desesperado por causa da irmã e ele não estava nem ai, estava mais interessado nas malditas poções, sendo que a maioria nunca seria utilizada. – Prince, pelo amor de Merlin me arranje uma poção pra esse menino se acalmar. – dessa vez ele me olhou, mas como se eu tivesse duas cabeças. Benjy também parou de chorar com o meu tom de voz, e na hora eu nem notei que tinha usado o seu apelido.
Como ele ficou me olhando daquele jeito eu voltei a pedir a poção saindo do cômodo assim que esta estava minhas mãos.
Subi as escadas das masmorras com passos firmes e decididos indo em direção ao saguão de entrada. Benjamin voltou a chorar e seus soluços formavam ecos pelas paredes do castelo.
Ao chegar ao saguão de entrada, vi que Gina estava parada próxima a porta juntamente com Vítor e, para meu espanto, Harry e Ronald.
Assim que me avistaram, os rapazes vieram ao meu encontro.
– Então é verdade... Por que você não nos disse que havia sido mãe? E ainda mais de duas crianças? – perguntou Harry.
– Poxa Mione, achei que fossemos amigos, mas você escondeu isso de nós... – completou Rony.
Meu coração batia loucamente. Não queria que eles soubessem dessa forma o que havia acontecido comigo. Apertei Benjy contra meu peito e falei:
– Me desculpem por não ter lhes contado sobre a minha gravidez rapazes, mas é que fiquei com medo que vocês fossem me odiar se soubessem sobre o que houve entre eu e Snape... – as lágrimas rolavam por meu rosto. – Por favor, vamos deixar esta conversa para mais tarde? Agora não é uma boa hora para falarmos sobre isso.
– Mas... – Ronald ia argumentar, mas Vítor o cortou:
– Weasley, você não está vendo que ela está preocupada com a filha que foi sequestrada? Esse assunto pode ser discutido depois.
– É Rony, vamos deixar isso para mais tarde. Agora temos que nos preocupar e salvar a filha da Hermione. – agradeci mentalmente a Harry por isso. E virando-se para mim perguntou: – Então, Gina nos disse que o sequestrador deixou um bilhete... Posso vê-lo?
Sequei as lágrimas e falei:
– Venha, vamos para a sala de Severus, pois deixei o papel com ele... – ia virar-me para descer novamente para as masmorras, mas Vítor tocou meu ombro.
– Hermionini, me dê Benjy, pois você está muito nervosa e isso o está afetando. – ele parecia muito preocupado comigo, por isso, entreguei-lhe meu filho.
– Obrigada Vítor. – falei. Após isso, o búlgaro virou-se e saiu andando com meu menino.
Girei nos calcanhares e comecei a voltar para as masmorras, sendo seguida por Harry e Rony.
Eu me sentia mais forte agora que sabia que poderia contar com meus amigos para salvar minha filha.
Chegamos ao escritório de Severus e a primeira coisa que notei foi o modo estranho como ele me olhava.
– Poderia me dar o bilhete do sequestrador? – pedi.
Ele me olhava fixamente.
– Por favor, Severus, poderia dar-me o bilhete? – arqueei a sobrancelha com sua relutância.
– Para quê você o quer? Para mostrar a seus amigos? – disse a palavra ‘amigos’ com desprezo. – Potter e o Weasley não precisam se intrometer em nossos assuntos. – continuou com raiva na voz.
– Se é filha da Mione, então o assunto é nosso também. Vamos ajudar a resgatá-la. – disse Rony determinado.
– Concordo com ele. – completou Harry.
Olhei agradecida para eles e depois virei-me para Snape com o semblante sério.
– Eles irão ajudar no que puder, você querendo ou não.
– Se você não se lembra, o seqüestrador disse que queria apenas que eu e você comparecêssemos ao local. Se o Potter e o Weasley estiverem lá também, as chances de recuperarmos nossa filha com vida será mínima. – a emoção me atingiu com força ao ouvi-lo chamar Alice de sua também. Nunca pensei que ouviria tal coisa sair da boca dele.
– Odeio concordar com o Snape, mas pensando por esse lado, ele está certo. Se estivermos lá, o patife poderá fazer algo mais terrível com sua filha. – falou pensativo Harry. – Temos que pensar em uma maneira de estarmos por perto, para que caso algo dê errado, possamos entrar em ação.
Eu e Severus assentimos concordando com as palavras de Harry. Passamos um bom tempo tentando pensar em alguma coisa que nos ajudasse a salvar a minha pequena Alice, até que Rony disse:
– Podemos usar a capa de Harry...
– Não acho uma boa idéia, já que vocês dois estão grandes demais para usarem a capa juntos e acho que eles devem estar com feitiços rastreadores para saber se iremos descumprir ou não o pedido do bilhete. – Severus objetou.
– Certo, então acho que seremos apenas eu e você mesmo... – olhei para Snape esperando alguma reação dele.
Ele apenas retomou sua caminhada pela sala a procura de poções, as quais as que ele achava que iriam ser úteis, colocava em uma bolsa, que com certeza de que tinha o feitiço extensor, que era indetectável.
Indetectável... Indetectável... Indetec...
– É isso! – exclamei.
Todos se viraram para me olhar.
– Isso o que Mione? – indagou Harry.
– Poderíamos colocar um feitiço indetectável nos rapazes, assim eles poderiam nos acompanhar, Harry com a capa e Rony com um feitiço desilusório.
– Hum... Não parece uma má idéia... – Rony ia começar a dizer, mas foi logo cortado por Severus.
– Você não acha que já não pensei na possibilidade? Provavelmente eles devem ter colocado um feitiço que possa detectar qualquer coisa, a não ser...
Severus saiu a procura de algo em suas vastas estantes, até que achou um livro e começou a folheá-lo. Parou em uma determinada página e o colocou sobre a mesa para que todos nós pudessemos ver o que ele apontava.
– Esta talvez seja a solução... – disse.
No título da página se lia “Animagos: o que são e como se tornar um”.
– Animagos? Sério? – perguntei, arqueando as sobrancelhas. – Mas não se precisa ter o acompanhamento do Ministério para poder se tornar um?
– Sim, em circunstâncias normais se tem que ter o acompanhamento do Ministério da Magia, mas como não estamos em circusntâncias normais... – explicou Snape. — Temos algumas horas ainda até o horário marcado, então, se esses cabeças ocas cooperarem, poderemos ter um bom progresso até lá.
– Hey, não os chame assim. – olhei de cara feia, mas não obtive resultado algum.
– Estamos fingindo que não ouvimos do que ele nos chamou Mi. – disse Ronald.
– Bom, acho que a idéia pode funcionar professor. – ia dizendo Harry. – Vamos logo começar com isso.
– Sigam-me, então. – ordenou Snape, saindo da sala, conosco em seus calcanhares.
Ele nos guiou até uma sala vazia e executando feitiços silenciosos, começou a empurrar as carteiras para os cantos, abrindo espaço para os rapazes poderem praticar. Parou em um ponto da sala e os rapazes pararam em sua frente, esperando por suas instruções. Eu apenas sentei-me em uma das mesas para observar.
– Primeiramente, ser um animago não é tão fácil quanto parece. Segundo, os conceitos para se transformar são quase os mesmos que da aparatação, deixando de lado apenas a Destinação, vocês tem que ter Determinação e Deliberação.
“Vocês têm que focalizar a sua determinação, que no momento é se transformar em algum aninal e deixar que isso flua a partir de suas mente para todas as partículas de seus corpos, depois comecem a se mexer com deliberação e digam apontando a varinha para si mesmo: Animalis Autem Homo.”
Harry e Rony seguiam os comandos de Snape, mas assim que disseram o feitiço, acabaram perdendo a concentração e caíram no chão ofegantes.
– Vamos, não temos tempo para descansar, tentem novamente. – ia dizendo Severus enquanto andava ao redor dos dois.
Logo eles estavam em pé, tentando novamente.
Lá pela oitava tentativa, Harry desistiu de tentar, coisa que – para meu espanto – não aconteceu com Ronald. O ruivo disse que continuaria até conseguir, o que acabou ocorrendo lá pela 14ª tentativa.
Em um momento Rony estava tremendo, apontando a varinha para a própria cabeça, e no outro um cão de caça de pelo ruivo e lustroso estava em seu lugar, rosnando e mostrando os dentes para Severus.
O homem deu um leve sorriso, o que já valeu como uma aprovação, e se virou para mim.
– Parece-me que teremos companhia em nossa caçada, Hermione.
Eu estava espantada por conta do animal que Rony havia se transformado e extasiada por conta de Severus proferir meu nome de forma tão natural novamente.
– Sr. Weasley, irei transformá-lo novamente em humano, mantenha-se calmo por favor. – o moreno apontou a varinha para Rony e disse: — Homorfo!
Rony voltou a sua forma normal, bastante ofegante e cansado, mas parecendo inteiro e bem.
– Então, como se sente Rony? – perguntou Harry.
– Cara, é muito estranho ter cauda... Agora entendo porque Sirius reclamava tanto.
Harry sorriu levemente. Sirius ainda era um assunto delicado para ele, mesmo depois de tanto tempo.
– Bom, será que dá para as comadres pararem de conversar, já está perto da hora de irmos, temos de nos preparar. – resmungou Severus carrancudo.
– Ele tem razão, temos que ir logo, quero ter minha filha em meus braços o mais breve possível. – falei. – E Harry, você não poderá ir, já que não conseguiu se transformar... Vá para minha casa e proteja Vítor e Benjy, caso algum Comensal queira aproveitar que não estaremos perto para poder atacar.
– Certo. Tomem cuidado Mione. – Harry deu um beijo em minha testa e virou-se para Severus. – E você, proteja-a com sua vida. Juro que se algo acontecer com ela, eu te mato.
– Ah, cale a boca, Potter! – Snape disse raivoso e saiu andando da sala.
– E você vigie o Ranhoso, Rony.
– Harry! – ralhei. – Chega de falatório e vamos logo.
Eu e Rony saímos atrás de Severus e Harry foi para a minha casa.
Minha ansiedade só aumentava enquanto a hora do resgate se aproximava. Enquanto me arrumava, tentava não pensar nos horrores que aqueles malditos poderiam estar fazendo com minha bebê.
Eu os odeio e os farei pagar com suas próprias vidas por terem mexido com a minha família. Eu juro.
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