A faca caia no chão, fazendo um barulho horrível e espalhando gotas de sangue pelo tapete da casa. Os pés do homem estavam imundos, mas ele não ligava, sorria na verdade. Sorria como se tivesse ganhado o mundo, um sorriso tão sórdido, tão acido, tão terríveis aos meus olhos.

Porque aquilo acontecia? Porque via meus pais caídos ao chão com sangue em volta? O que eles haviam feito de tão grave, para leva aquilo? Perguntas, gostaria que vocês fossem embora.

O homem virou o rosto para minha direção, me encolhi ainda mais dentro do guarda-roupa. Temendo que ele fizesse barulho ou que quebrasse com o meu peso, eu já não era mais uma menina de dez anos. O homem foi vindo em direção ao meu esconderijo, com um sorriso maléfico e parou bem em frente à porta. Eu pude ver, tão claramente, aqueles olhos os olhos que jamais esquecerei.

Ele se dirigiu à esquerda e disse:

- Preciso trocar essas roupas.

Ele andou. Eu percebi que os passos dele ficavam cada vez mais longe.