My Secret Life
1 Decision
Notas iniciais
Aria P.O.V.:
Segurei firmemente na porta dos fundos, rezando para que meu pai não estivesse em casa. Afinal, ele nunca está. Lentamente, virei a maçaneta, deixando que a porta se abrisse aos poucos, revelando a enorme cozinha na qual eu entrava. Olhei em volta, procurando algum objeto fora do lugar, tentando detectar algum sinal de vida do meu pai.
Olhei para o relógio no microondas, que apontava 17:00. Andei levemente até o balcão da cozinha, que dava de cara com a sala, revelando um homem de cabelos castanhos, penteados para trás encarando a televisão. Usei todos os palavrões possíveis na minha cabeça, enquanto apressadamente andava na ponta dos pés até a escada.
- Gostaria de saber porque você demorou tanto para chegar do colégio? – uma voz grossa e seria ecoou na sala, me dando calafrios. Fechei os olhos com força, pensando em alguma desculpa.
- Eu... – comecei a falar, formulando uma situação possível em minha cabeça. – Tava lá no restaurante do Eike. – completei, subindo um pouco mais das escadas.
- Então... – ele disse, me parando mais uma vez. – me diga porque que quando eu fui lá você não estava lá? – encostei a cabeça no skate que eu segurava em minhas mãos, mordendo meu lábio inferior.
Ele se levantou do sofá, se virando para mim, notando logo o objeto em minhas mãos, e suspirando. Ele colocou sua mão na testa enquanto balançava-a negativamente.
- Quantas vezes vou ter que te dizer que essa coisa de skate não é coisa de menina? – ele perguntou irritado.
- Mas pai... – eu comecei a argumentar.
- Mas nada! – ele interrompeu. – Eu já te disse milhões de vezes que você está proibida de andar nesta porcaria.
- Você não pode tirar isso de mim. – eu disse seria, firmando minha mão no skate.
- Aria, você sabe o quanto eu investi em você esses últimos anos? Tudo que eu fiz por você! Você tem um grande futuro pela sua frente como uma bailarina, porque você não aceita isso, e segue a carreira? – ele elevou seu tom de voz, fazendo com que eu elevasse o meu.
- Porque isso não é o que eu amo, pai! Já passou pela sua cabeça de que talvez eu queria seguir a carreira de skatista...ou surfista?
- Andar de skate e surfar não paga contas minha filha! Você tem que ser alguma coisa grande, que faça muito dinheiro, para que você possa continuar vivendo a vida que vive agora!
- Você já parou para pensar que talvez eu não queira alguma coisa que me dê muito dinheiro, e sim fazer algo que eu ame? – perguntei, quase gritando. – Só porque você é infeliz com sua vida, não quer dizer que você tenha que fazer a minha também! – gritei, me virando e subindo mais alguns degraus.
- Sua mãe não se orgulharia de você. – ele respondeu, friamente. Ao ouvir aquelas palavras, congelei. Fechei os olhos, contendo as lágrimas, que estavam prestes a escapar meus olhos. Olhei para o chão, antes de continuar subindo as grandes escadas de vidro, até chegar ao segundo andar.
Andei rapidamente até meu quarto, fechando a porta com força atrás de mim. Coloquei o skate no chão, ao lado da cama, e me jogando sobre o colchão confortável que ficava no meio do quarto, enfiando meu rosto em um travesseiro. Respirei fundo, antes de virar o rosto, olhando pela janela.
O sol, apesar de já estar de tarde, ainda brilhava, começando a se pôr no mar, que se estendia até o horizonte. Me levantei lentamente, andando até meu closet, que apesar de ser relativamente grande, guardava poucas roupas. Andei até o final, estendendo meus braços, e ficando na ponta dos pés, pegando uma caixa na ultima prateleira.
Carreguei a caixa até o quarto, onde despejei o conteúdo no chão, me sentando ao lado das fotos, jogadas no chão. Uma por uma, eu observava-as, sorrindo levemente. Até que uma chamou minha atenção.
Na foto, uma mulher, magra, alta, com uma roupa de borracha, cobrindo suas pernas, e a parte de cima, enrolada em sua cintura, e na parte de cima, um biquíni florido. Com sua mão direita, fazia o símbolo de hang loose, e embaixo de seu braço esquerdo, uma prancha de surf. Ela tinha cabelos loiros, longos, que corriam até sua cintura. Seus cabelos estavam jogados levemente para o lado, sobre seu ombro direito.
A mulher na foto, tinha um sorriso lindo. Um sorriso branco, que era realçado pela pele morena por causa do sol. Ela tinha um leve tom de bronze, o que causava um pequeno impacto com os cabelos loiros. Me levantei rapidamente, andando até o quadro magnético ao lado da minha escrivaninha, pregando a foto ao lado de outras fotos, minhas e dos meus amigos.
Andei novamente para dentro do closet, estendendo minha mão para o fundo, atrás de todos os vestidos longos pendurados. Eu nunca entendi bem o porque do meu pai querer que eu tivesse tantos vestidos formais, sendo que eu nunca ia com ele naqueles jantares idiotas da empresa dele.
Parece que desde que minha mãe morreu, eu fosse mais como sua segunda esposa do que filha. Ele nunca levava outra mulher para esses jantares, apenas eu, que ficava sentada na mesa, mexendo no celular, e respondendo algumas das perguntas inúteis dos sócios do meu pai.
Eu nunca entendi bem como meus pais tinham se apaixonado. Meu pai era um homem tão certinho, focado no trabalho, que gostava de ter tudo organizado, e vivia estressado. Pensava sempre no longo prazo, em como isso poderia fazer dinheiro, e aquilo seria um fracasso no futuro e etc. Chegava até a irritar as vezes, o modo como ele sempre planejava as coisas, gostava sempre de saber os detalhes e tal.
Por outro lado, minha mãe era a mulher mas despreocupada que eu já vi na minha vida. Ela não estava nem aí para o que pudesse acontecer amanhã, ela gostava de viver o hoje, e aproveitar o máximo que ela pudesse. Para ela, o que importava era ser feliz, acima de tudo. E não havia nada que a fizesse mais feliz do que uma bela praia, em uma manhã de sábado, com um sol refletindo no mar, e ondas perfeitas.
De trás dos vestidos, tirei um objeto branco, longo e fino, com desenhos em volta dele. O objeto era todo decorado na ponta de trás, o que dava um contraste com a parte de cima, branca como uma folha de papel. Olhei para o objeto, passando a mão nele, segurando no concave na parte de baixo. Na ponta, reparei uma letra bem familiar.
Lana
Ou como eu costumava chamá-la: mãe.
Peguei a prancha, carregando-a até a cama, e olhando mais uma vez para o bolo de fotos no chão do meu quarto, e lembrando das últimas coisas que minha mãe havia dito para mim.
“Só espero que antes que eu vá, eu tenha a chance de surfar nas praias da Austrália. Seria incrível, não é minha filha? Só nos duas, pegando altas ondas em Queensland?”
Olhei mais uma vez para a prancha, tomando minha decisão. Entrei no closet novamente, pegando uma mochila, e jogando-a ao lado da prancha, jogando algumas peças de roupas dentro. Eu tinha que ir para a Austrália realizar o sonho da minha mãe.
Notas finais
espero que gostem desse capítulo o bastante para deixar uma review... que tal? he
beijos
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